02/05/2015

Obras Orquestrais #27: Lachian Dances, de Leos Janácek

Até meados da década de 1890 o compositor checo Leoš Janáček (1854-1928) dedicou muito do seu tempo ao estudo da música tradicional da sua região, a Morávia. As suas obras viriam a reflectir amplamente os resultados dessa pesquisa, sendo as Lachian Dances um dos bons exemplos de tal influência.

Datando a sua publicação de 1928, o ano da morte de Janáček, elas foram inicialmente compostas entre os finais da década de 1880 e os inícios da seguinte, precisamente na época em que ele procedia à pesquisa e recolha do folclore da sua região natal.

A 11 de Janeiro de 1889 chegou a haver uma interpretação pública da primeira versão da obra; em 1925, contudo, Janáček voltaria a pegar nela, resultando das alterações introduzidas a sua versão final. Esta teria a sua estreia no dia 2 de Maio de 1925 (passam hoje 90 anos), apenas 3 anos e pouco antes do falecimento do compositor.


CD



Leoš Janáček
Taras Bulba. Lachian Dances. Moravian Dances.
Warsaw Philharmonic Orchestra
Antoni Wit
Naxos 8.572695
(2010, 2011)


Internet



Leoš Janáček
Leoš Janáček / allmusic / Naxos / Wikipedia

18/04/2015

Poemas Sinfónicos #6: The Isle of the Dead, de Sergei Rachmaninov

Em Maio de 1880 o pintor suíço Arnold Böcklin (1827-1901) pintou a primeira das cinco versões do seu mais famoso quadro, "Isle of the Dead" ("Die Toteninsel"):


Dies irae ("Dias da ira") é um hino em latim, do século XIII, popularizado pela sua utilização na Missa de Requiem da Igreja Católica:


Inspirado no primeiro e atraído pelo segundo, o compositor russo Sergei Rachmaninov (1873-1943) compôs, em 1909, o poema sinfónico The Isle of the Dead, uma obra inevitavelmente melancólica e sombria (e incrivelmente bela, diria ainda), estreada passam hoje 106 anos (embora nem todas as fontes coincidam na data da estreia).


CDs




Sergei Rachmaninov
Symphony No1 in D minor, Op.13. Isle of the Dead, Op.29.
USSR State Symphony Orchestra
Evgeni Svetlanov
Regis RRC1247
(1966)

Sergei Rachmaninov
The Isle of the Dead, Op.29. Etudes-tableaux (orch. Respighi) - Op.33 No.4; Op.39 No.2.
Modest Mussorgsky
Picture at an Exhibition (orch. Ravel).
BBC Symphony Orchestra
Evgeni Svetlanov
BBC Legends BBCL4259-2

Sergei Rachmaninov
The Isle of the Dead, Op.29. The Rock, Op.7. Symphonic Dances, Op.45.
Royal Liverpool Philharmonic Orchestra
Vasily Petrenko
Avie AV2188

Dimitri Shostakovich
Symphony No.5 in D minor, Op.47.
Sergei Rachmaninov
The Isle of the Dead, Op.29.
London Symphony Orchestra
USSR State Symphony Orchestra
Evgeni Svetlanov
BBC Legends BBCL4226-2

Sergei Rachmaninov
Symphony No.l in D minor, Op.13. The Isle of the Dead, Op.29.
Detroit Symphony Orchestra
Leonard Slatkin
Naxos 8.573234
(2012)

Great Conductors of the 20th Century - Serge Koussevitzky
Pyotr Ilyich Tchaikovsky
Symphony No.5 in E minor, Op.64.
Sergei Rachmaninov
The Isle of the Dead, Op.29.
Franz Liszt
Mephisto Waltz No.1, S110.
Jean Sibelius
Symphony No.7 in C, Op.105.
Roy Harris
Symphony No.3.
Ludwig van Beethoven
Symphony No.5 in C minor, Op.67.
Boston Symphony Orchestra
BBC Symphony Orchestra
London Philharmonic Orchestra
Serge Koussevitzky
EMI 5 75118-2
(1944, 1945, 1936, 1933, 1939, 1934)


Internet



Sergei Rachmaninov
Rachmaninoff / allmusic / naxos / Wikipedia

28/03/2015

Pianistas #42: Rudolf Serkin (1903-1991)

O pianista austríaco Rudolf Serkin, de quem hoje se assinalam os 112 anos passados sobre o seu nascimento, já por aqui passou algumas vezes, a última das quais em 2008, sem, contudo, ter tido direito à inserção de qualquer vídeo onde aparecesse a tocar.

Serkin distinguiu-se principalmente nos grandes compositores austríacos e alemães em geral, e em Ludwig van Beethoven (1770-1827), em particular, sendo precisamente a interpretar uma sonata deste último que o podemos ver (e ouvir) num dos vídeos anexos.

Aproveitei ainda a oportunidade para incluir uma entrevista em que Serkin é questionado por outro grande músico, o violinista Isaac Stern (1920-2001).


CDs


Ludwig van Beethoven
Piano Concertos - No.1 in C major, Op.15; No.2 in B flat major, Op.19;
No.3 in C minor, Op.37; No.4 in G major, Op.58; No.5 in E flat major,
'Emperor', Op.73. Fantasia in C minor, 'Choral Fantasy', Op.80.
Rudolf Serkin (piano)
Bavarian Radio Symphony Orchestra
Rafael Kubelik
Orfeo C647 053D
(1977)

Johann Sebastian Bach
Capriccio in E major, BWV993.
Max Reger
Variations and Fugue on a Theme of J. S. Bach.
Ludwig van Beethoven
Piano Sonata No.24 in F sharp major, Op.78.
Piano Sonata No.21 in C major, 'Waldstein', Op.53.
Rudolf Serkin (piano)
BBC Legends BBCL4177-2
(1973)

Wolfgang Amadeus Mozart
Piano Concerto No.20 in D minor, K466.
Ludwig van Beethoven
Piano Concertos - No.1 in C major, Op.15; No.5 in E flat major, 'Emperor', Op.73.
Symphony No.7 in A major, Op.92.
Rudolf Serkin (piano)
New York Philharmonic Symphony Orchestra
Guido Cantelli
Music & Arts CD1170
(1953, 1954)

Felix Mendelssohn
Prelude and Fugue, Op.35 No.1.
Johannes Brahms
Four Pieces, Op.119.
Ludwig van Beethoven
Diabelli Variations, Op.120.
Rudolf Serkin (piano)
BBC Legends BBCL4211-2
(1969, 1975)

Ludwig van Beethoven
Piano Sonatas - No.29, 'Hammerklavier', Op.106; No.31, Op.110.
Rudolf Serkin (piano)
BBC Legends BBCL4241-2


Internet



Rudolf Serkin


15/03/2015

Obras Orquestrais #26: Rhapsodie espagnole, de Maurice Ravel

A mãe do compositor francês Maurice Ravel (1875-1937) era basca, embora tenha passado uma boa parte da juventude em Madrid. As memórias maternais desse tempo inspiraram o jovem Ravel em várias obras, particularmente na ópera L'Heure espagnole e na peça orquestral que aqui trago hoje, a Rhapsodie espagnole, de 1907.

A estreia, em Paris, a 15 de Março de 1908, passam hoje 107 anos, foi mais um daqueles eventos que ficaram na história da música e daquela cidade; não que a orquestra, dirigida pelo maestro, igualmente francês, Édouard Colonne (1838-1910), não tenha estado à altura do acontecimento, mas pelo facto de os ocupantes dos lugares (sentados) mais caros terem permanecido mais ou menos impassíveis durante toda a sua execução. Já as galerias, onde se encontravam os amigos e alunos de Ravel, manifestaram ruidosamente o seu apreço pela obra, de que resultou um encore do segundo andamento, Malagueña.

Findo esse encore, Florent Schmitt (1870-1958), que se encontrava também nas tais galerias, usou o seu vozeirão para solicitar ao maestro que voltasse a tocar o mesmo andamento, "para ver se finalmente os cavalheiros lá de baixo o conseguem entender!"...


CDs


Maurice Ravel
Boléro. Concerto for Piano Left-Hand and Orchestra. Pavane pour une infante défunte.
Rhapsodie espagnole. La valse.
Claire Chevallier (piano)
Anima Eterna
Jos van Immerseel
Zig Zag Territories ZZT060901

Maurice Ravel
Rhapsodie espagnole. Daphnis et Chloé - Suite No.2.
Igor Stravinsky
Song of the Nightingale. The Firebird - Suite.
New York Philharmonic Orquestra
Lorin Maazel
Deutsche Grammophon Concerts 477 7175

Maurice Ravel
Bolero. Alborada del gracioso. Rhapsodie Espagnole. La valse.
Orchestre Symphonique de Montréal
Charles Dutoit
Decca 410 010-2

Modest Mussorgsky
Pictures at an Exhibition.
Maurice Ravel
Rhapsodie espagnole. Ma Mere l'Oye. Bolero.
Boston Symphony Orchestra
Serge Koussevitzky
Naxos Historical 8.110154
(1930, 1945, 1947)

Claude Debussy
Nocturnes. La mer. Images - Ibéria.
Maurice Ravel
Alborada del gracioso. Rhapsodie espagnole. Daphnis et Chloé - Suite No.2.
Le tombeau de Couperin. La valse.
SWR Vocal Ensemble
SWR Stuttgart Radio Symphony Orchestra
Sergiu Celibidache
Deutsche Grammophon 453 194-2


Internet



Maurice Ravel


01/03/2015

Concertos para Violino #8: Concerto para Violino, "Concentric Paths", de Thomas Adès

O Concerto para Violino de Thomas Adès (1971-) resultou de uma encomenda conjunta da Berliner Festspiele (centro de artes em Berlim, Alemanha) e da Orquestra Filarmónica de Los Angeles; composto em 2005, teve a sua estreia a 4 de Setembro desse ano, em Berlim. O violinista de serviço nessa altura foi o inglês Anthony Marwood, o dedicatário da obra, e que iria estar igualmente na estreia em solo americano, no dia 10 de Fevereiro de 2006, com a Orquestra Filarmónica de Los Angeles a ser dirigida pelo compositor.

Não deixa de ser curioso que nenhum destes eventos apareça referido na história deste concerto apresentada no site do próprio Thomas Adès, sendo que a primeira interpretação que lá aparece referida é de 26 de Junho de 2006...

Thomas Adès celebra hoje o seu 44º aniversário.


CDs


Thomas Adès
Tevot. Violin Concerto, 'Concentric Paths'. Three Studies after Couperin.
Powder Her Face - Suite.
Anthony Marwood (violino)
National Youth Orchestra of Great Britain, Paul Daniel
Berlin Philharmonic Orchestra, Simon Rattle
Chamber Orchestra of Europe, Thomas Adès
EMI Classics 4 57813-2

Thomas Adès
Violin Concerto, 'Concentric Paths'.
Jean Sibelius
Violin Concerto, Op.47. Humoresques - Op.87 No.2 in D major; Op.89 No.2 in G minor;
Op.89 No.3 in E flat major.
Augustin Hadelich (violino)
Royal Liverpool Philharmonic Orchestra
Hannu Lintu
Avie AV2276
(2013) 


Internet



Thomas Adès

15/02/2015

Compositores #113: John Adams (1947-)

Richard Nixon (1913-1994), foi presidente dos Estados Unidos entre 1969 e 1974, tendo sido forçado a resignar por causa do caso Watergate. Na sequência de uma vontade já por si proclamada antes de ser eleito, Nixon visitou a China de Mao Tsé-Tung (1893-1976) entre 21 e 28 de Fevereiro de 1972, numa tentativa de melhorar as relações entre os dois países. Foi a primeira visita de presidente norte-americano àquele país, e deu origem à expressão "Nixon goes to China", utilizada para identificar acções de certo modo inesperadas por parte de políticos.

Dessa visita, além das repercussões políticas, resultou também uma ópera, do compositor norte-americano John Adams, escrita entre 1985 e 1987 e apropriadamente intitulada de "Nixon in China". Foi, por sinal, a primeira ópera de John Adams, e a estreia, a 22 de Outubro de 1987, foi um sucesso "assim-assim". Apesar da acentuada melhoria das relações verificada nos últimos anos, a verdade é que esta ópera ainda espera a sua estreia em terras chinesas...

John Adams celebra hoje o seu 68º aniversário.


CD


John Adams
Nixon in China
Trudy Ellen Craney, Carolann Page (sopranos), Marion Dry, Stephanie Friedman,
Mari Opatz (meios-sopranos), John Duykers (tenor), Thomas Hammons,
James Maddalena, Sanford Sylvan (barítonos)
Orchestra of St. Luke's
Edo de Waart
Nonesuch 79177-2


Internet




John Adams

31/01/2015

Obras para Bailado #6: Bolero, de Maurice Ravel

Apesar de ser, e por larga margem, a obra mais famosa do compositor francês Maurice Ravel (1875-1937), Bolero não seria certamente a peça deste compositor que eu levaria para uma ilha deserta. Excepto, possivelmente, se, além de som, tivesse acesso a imagens; aí o caso seria completamente diferente, e a dificuldade residiria apenas na escolha dos bailarinos que interpretassem a coreografia de Maurice Béjart (1927-2007).

Deixo aqui duas versões que, na minha "ignorância bailística", me parecem extraordinárias: a primeira com a russa Maya Plisetskaya (1925-), e uma outra com o bailarino argentino Jorge Donn (1947-1992).



Internet



Maurice Ravel
Maurice Ravel / Classical Net / Wikipedia

Maurice Béjart
Béjart Ballet Lausanne / Maurice Béjart / Wikipedia

19/01/2015

Maestros #65: Simon Rattle (1955-)

O compositor de origem húngara György Ligeti (1923-2006) foi um dos mais importantes da cena musical da 2ª metade do século passado.

Escreveu música de vários géneros (instrumental, vocal, de câmara, orquestral) mas deixou-nos apenas uma ópera, Le Grand Macabre, com um libreto baseado na obra La balade du grand macabre do dramaturgo belga Michel de Ghelderode (1898-1962).

Esta ópera foi estreada em Estocolmo no dia 12 de Abril de 1978, tendo sofrido posteriormente uma revisão que iria ser estreada a 28 de Julho de 1997, em Salzburgo. Há 3 árias desta ópera que, sob o título de Mysteries of the Macabre, ganharam vida própria e uma popularidade assinalável. A canadiana Barbara Hanning (1971-) tem sido um dos seus mais destacados intérpretes, como foi possível confirmar recentemente (na semana passada) num concerto da Orquestra Sinfónica de Londres dirigida pelo maestro inglês Simon Rattle, transmitido em directo pelo canal Mezzo HD.

E porque Rattle é o nosso aniversariante de hoje, celebrando o seu 60º aniversário, e assistir ao soprano Barbara Hanning nestes Mysteries of the Macabre é uma imensa festa, deixo aqui um video onde ambos aparecem, embora numa versão truncada (o vídeo deste último concerto não está - ainda? - disponível no YouTube). Junto ainda uma versão completa, ainda com Hanning, em que ela mesma dirige a Orquestra Sinfónia de Gotemburgo.


Internet



Simon Rattle
Berliner Philharmoniker / Gulbenkian Música / Wikipedia

11/01/2015

Pianistas #41: Irene Scharrer (1888-1971)

A primeira pianista a passar por aqui foi a inglesa Myra Hess (1890-1965), já lá vão mais de 10 anos. Hoje a convidada é uma outra pianista, igualmente inglesa, Irene Scharrer de seu nome. Que, além do instrumento de eleição, teve vários outros pontos em comum com Myra Hess: ambas estudaram na Royal Academy of Music, onde foram alunas de Tobias Matthay (1858-1945), e tocaram frequentemente em conjunto, tanto peças para dois pianos como para piano a quatro mãos.

A certa altura Irene Scharrer estava destinada a ser a intérprete a estrear o Concerto para Piano do inglês Edward Elgar (1857-1934), pelo menos parecia ser essa a intenção do compositor. Que ela colaborou com Elgar durante o processo de escrita desta obra é indiscutível, conforme se pode confirmar pela entrada (retirada daqui) do dia 27 de Outubro de 1918 do diário de Alice Elgar, esposa do compositor (note-se que Irene Lubbock era o novo nome de Irene Scharrer, resultante do casamento recente):

"E. and A. at The Hut - mild day but damp - not out and Irene Lubbock came to lunch and then E. played her P. Concerto phrase and she did it beautifully and E. told her she shd. have the 1st. performance so she was absolutely delighted - Then Frank and Irene & Mr. Spring Rice went to Eton by river & Mr. C. Lennox came and had most interesting talk and E. played to him wh. made him vapid with delight."

A morte de Alice Elgar, em Abril de 1920, adiou (ainda mais) a composição deste concerto e, apesar de a ele ter regressado frequentemente, nunca o viria a terminar, tendo-nos deixado apenas esboços.

Irene Scharrer faleceu no dia 11 de Janeiro de 1971, passam hoje 44 anos.


CD


Irene Scharrer: The Complete Electric and Selected Acoustic Recordings
Irene Scharrer (piano)
London Symphony Orchestra, Henry Wood
New Symphony Orchestra, Landon Ronald
APR APR6010
(1925-1933)


Internet



Irene Scharrer


28/12/2014

Sinfonias #50: Sinfonia Nº3, de Carl Nielsen

A única vez que estive para ouvir ao vivo uma sinfonia do compositor dinamarquês Carl Nielsen (1865-1931) foi em Fevereiro de 2005, na Casa da Música, mas "motivos técnicos" forçaram o cancelamento do concerto. Uma pena, pois foi precisamente no domínio sinfónico que este compositor nórdico mais se salientou, se bem que nunca tenha atingido a projecção do finlandês Jean Sibelius (1865-1957).

Nielsen compôs 6 sinfonias, num período de tempo superior a 30 anos, entre 1891 e 1925. A delas, escrita entre 1910 e 1911, foi aquela que lhe granjeou mais reconhecimento internacional, após a estreia caseira a 28 de Dezembro de 1912, passam hoje 102 anos, num concerto em que ele mesmo dirigiu a orquestra. A sinfonia nº3 é a única das 6 que Nielsen compôs que inclui partes vocais.

Um dos factores para o sucesso além fronteiras após a estreia em Copenhaga foi seguramente o facto de ter sido apadrinhada por uma das melhores orquestras do velho continente, a Royal Concertgebouw Orchestra de Amesterdão.


CD


Carl Nielsen
Symphonies - No.3, 'Sinfonia espansiva', Op.27; No.5, Op.50.
Ruth Güldbaek (soprano), Erik Sjoberg (barítono)
Danish State Radio Symphony Orchestra
John Frandsen, Erik Tuxen
Guild Historical GHCD2340
(1950, 1955)


Internet



Carl Nielsen

14/12/2014

Quartetos de Cordas #10: Quarteto de Cordas Nº2, de György Ligeti

A década de 1960 foi uma das mais produtivas para o compositor de origem húngara György Ligeti (1923-2006), período em que compôs algumas das suas obras mais significativas:

» Orquestrais (Lontano, 1967. Ramifications, 1968/9)
» Concertantes (Concerto para Violoncelo, 1966)
» De câmara (Quarteto de Cordas Nº2, 1968. 10 Peças para Quinteto de Sopros, 1968)
» Instrumentais (2 Estudos para Órgão: Harmonies, 1967; Coulée, 1969. Continuum, 1968)

O Quarteto de Cordas Nº2 foi escrito entre Março e Julho de 1968, tendo sido estreado no dia 14 de Dezembro de 1969, passam hoje 45 anos, pelos seus dedicatários, o Quarteto Lasalle. Este agrupamento notabilizou-se principalmente pelas interpretações dos compositores da 2ª Escola de Viena (Arnold Schoenberg, Alban Berg, Anton Webern) que, e não foi por mera coincidência, foram as principais referências de Ligeti para a escrita deste quarteto.


CDs


György Ligeti
String Quartets - No.1, 'Métamorphoses nocturnes'; No.2.
Artemis Quartet
Ars Musici AM1276-2

György Ligeti
String Quartets - No.1, "Métamorphoses Nocturnes"; No.2.
Hommage à Hilding Rosenberg. Balada Si Joc. Andante and Allegretto.
Arditti Quartet
Sony Classical SK62306

György Ligeti
String Quartets - No.1, 'Métamorphoses nocturnes'; No.2. Andante and Allegretto.
Parker Quartet
Naxos 8.570781
(2007)

György Ligeti
String Quartets - No.1, 'Métamorphoses nocturnes'; No.2. Solo Cello Sonata.
Béla Quartet
Aeon AECD1332
(2012)


Internet



György Ligeti

07/12/2014

Pianistas #40: Clara Haskil (1895-1960)

Há já algum tempo que os pianistas andavam arredados deste canto, pelo que aproveito o facto de hoje passarem 54 anos sobre a morte da romena Clara Haskil para ultrapassar essa injustiça. Haskil notabilizou-se principalmente na interpretação dos compositores do período clássico (a que eu vou dar realce hoje) e dos inícios do período romântico (que eu por esta vez vou ignorar...); do período clássico houve um compositor em que eu a admiro particularmente, Wolfgang Amadeus Mozart (1756-1791), e são dele as obras que se podem ouvir nos vídeos que incluo mais abaixo.

E não é por acaso que falo em "ouvir os vídeos"; é que há poucas, muito poucas, imagens disponíveis de Clara Haskil, muito menos vídeos em que apareça a tocar. Apenas encontrei dois, ambos mudos, em que ela aparece, mas em nenhum deles se vê um piano por perto... Porque são documentos históricos, apresentados como "raros", incluo-os também lá mais para o fundo. Bem mais fácil será encontrar CDs em que Haskil aparece como solista, pelo que deixo aqui alguns que considero "de referência".


CDs

Wolfgang Amadeus Mozart
Piano Concertos - No.9 in E flat major, 'Jeunehomme', K271; No.19 in F, K459.
Clara Haskil (piano)
Stuttgart Radio Symphony Orchestra
Carl Schuricht
Hänssler Classic Faszination Musik CD93 079
(1952, 1956)

Wolfgang Amadeus Mozart
Piano Concertos - No.9 in E flat major, 'Jeunehomme', K271; No.19 in F major, K569.
Variations for Piano on a Minuet by Duport, K573.
Clara Haskil (piano)
WDR Symphony Orchestra
Otto Ackermann, Ferenc Fricsay
Medici Masters MM004-2
(1952, 1954, 1956)

Ludwig van Beethoven
Piano Concerto No.4 in G major, Op.58.
Piano Sonatas - No.18 in E flat major, Op.31 No.3, 'The Hunt'; No.32 in C minor, Op.111.
Clara Haskil (piano)
Vienna Symphony Orchestra
Herbert von Karajan
Andromeda ANDRCD9057
(1952, 1953)


Internet




Clara Haskil


23/11/2014

Obras para Bailado #5: El Amor Brujo, de Manuel de Falla

Em 1907 o compositor espanhol Manuel de Falla (1876-1946) visitou Paris, naquilo que se pensava vir a ser uma estadia breve. Acabou por lá ficar cerca de 7 anos, e foi pouco depois do seu regresso a Madrid que começou a trabalhar naquela que viria a ser uma das suas obras mais marcantes, a música de bailado El Amor Brujo.

Composta entre 1915 e 1917, Falla acabaria por nos deixar várias versões desta obra (sexteto e pequena orquestra e suite para piano, nomeadamente), sendo que a mais popular sempre foi a segunda versão que fez para música de bailado.

O vídeo que exibo mais abaixo foi escolhido por me permitir fazer uma dupla homenagem: ao compositor, nascido passam hoje 138 anos, e ao maestro Rafael Frühbeck de Burgos (1933-2014), falecido recentemente, no dia 11 de Junho deste ano.


CDs


Manuel de Falla
El sombrero de tres picos. El amor brujo. Interlude and Dance from La vida breve.
Teresa Berganza (soprano), Marina de Gabarain (meio-soprano)
Suisse Romande Orchestra
Ernest Ansermet
Decca Legends 466 991-2
(1955, 1961)

Manuel de Falla
La vida breve. Canciones populares españolas. El sombrero de tres picos. El amor brujo.
Soneto a Córdoba. Psyché.
Victoria de Los Angeles, M Higueras (sopranos), I. Rivadeneyra (meio-soprano),
C. Cossutta, J. M. Higuero, J. de Andia (tenores), V. de Narké (baixo)
Spanish National Orchestra, Rafael Frühbeck de Burgos
Philharmonia Orchestra, Carlo Maria Giulini
EMI 5 67587-2

Manuel de Falla
Noches en los jardines de España. El Amor brujo. El sombrero de tres picos - Neighbours'
Dance (Seguidillas); Miller's Dance (Farruca).
Teresa Berganza (meio-soprano), Gonzalo Soriano (piano)
French Radio National Orchestra, Grand Symphony Orchestra
Ataúlfo Argenta
Medici Classics MM025-2
(1957)

Manuel de Falla
El Amor Brujo. Noches in los jardines de España.
Nan Merriman (meio-soprano), William Kapell (piano)
New York Philharmonic Symphony Orchestra
Leopold Stokowski
Pristine Audio PASC174
(1948, 1949)


Internet



Manuel de Falla