14/12/2014

Quartetos de Cordas #10: Quarteto de Cordas Nº2, de György Ligeti

A década de 1960 foi uma das mais produtivas para o compositor de origem húngara György Ligeti (1923-2006), período em que compôs algumas das suas obras mais significativas:

» Orquestrais (Lontano, 1967. Ramifications, 1968/9)
» Concertantes (Concerto para Violoncelo, 1966)
» De câmara (Quarteto de Cordas Nº2, 1968. 10 Peças para Quinteto de Sopros, 1968)
» Instrumentais (2 Estudos para Órgão: Harmonies, 1967; Coulée, 1969. Continuum, 1968)

O Quarteto de Cordas Nº2 foi escrito entre Março e Julho de 1968, tendo sido estreado no dia 14 de Dezembro de 1969, passam hoje 45 anos, pelos seus dedicatários, o Quarteto Lasalle. Este agrupamento notabilizou-se principalmente pelas interpretações dos compositores da 2ª Escola de Viena (Arnold Schoenberg, Alban Berg, Anton Webern) que, e não foi por mera coincidência, foram as principais referências de Ligeti para a escrita deste quarteto.


CDs


György Ligeti
String Quartets - No.1, 'Métamorphoses nocturnes'; No.2.
Artemis Quartet
Ars Musici AM1276-2

György Ligeti
String Quartets - No.1, "Métamorphoses Nocturnes"; No.2.
Hommage à Hilding Rosenberg. Balada Si Joc. Andante and Allegretto.
Arditti Quartet
Sony Classical SK62306

György Ligeti
String Quartets - No.1, 'Métamorphoses nocturnes'; No.2. Andante and Allegretto.
Parker Quartet
Naxos 8.570781
(2007)

György Ligeti
String Quartets - No.1, 'Métamorphoses nocturnes'; No.2. Solo Cello Sonata.
Béla Quartet
Aeon AECD1332
(2012)


Internet



György Ligeti

07/12/2014

Pianistas #40: Clara Haskil (1895-1960)

Há já algum tempo que os pianistas andavam arredados deste canto, pelo que aproveito o facto de hoje passarem 54 anos sobre a morte da romena Clara Haskil para ultrapassar essa injustiça. Haskil notabilizou-se principalmente na interpretação dos compositores do período clássico (a que eu vou dar realce hoje) e dos inícios do período romântico (que eu por esta vez vou ignorar...); do período clássico houve um compositor em que eu a admiro particularmente, Wolfgang Amadeus Mozart (1756-1791), e são dele as obras que se podem ouvir nos vídeos que incluo mais abaixo.

E não é por acaso que falo em "ouvir os vídeos"; é que há poucas, muito poucas, imagens disponíveis de Clara Haskil, muito menos vídeos em que apareça a tocar. Apenas encontrei dois, ambos mudos, em que ela aparece, mas em nenhum deles se vê um piano por perto... Porque são documentos históricos, apresentados como "raros", incluo-os também lá mais para o fundo. Bem mais fácil será encontrar CDs em que Haskil aparece como solista, pelo que deixo aqui alguns que considero "de referência".


CDs

Wolfgang Amadeus Mozart
Piano Concertos - No.9 in E flat major, 'Jeunehomme', K271; No.19 in F, K459.
Clara Haskil (piano)
Stuttgart Radio Symphony Orchestra
Carl Schuricht
Hänssler Classic Faszination Musik CD93 079
(1952, 1956)

Wolfgang Amadeus Mozart
Piano Concertos - No.9 in E flat major, 'Jeunehomme', K271; No.19 in F major, K569.
Variations for Piano on a Minuet by Duport, K573.
Clara Haskil (piano)
WDR Symphony Orchestra
Otto Ackermann, Ferenc Fricsay
Medici Masters MM004-2
(1952, 1954, 1956)

Ludwig van Beethoven
Piano Concerto No.4 in G major, Op.58.
Piano Sonatas - No.18 in E flat major, Op.31 No.3, 'The Hunt'; No.32 in C minor, Op.111.
Clara Haskil (piano)
Vienna Symphony Orchestra
Herbert von Karajan
Andromeda ANDRCD9057
(1952, 1953)


Internet




Clara Haskil


23/11/2014

Obras para Bailado #5: El Amor Brujo, de Manuel de Falla

Em 1907 o compositor espanhol Manuel de Falla (1876-1946) visitou Paris, naquilo que se pensava vir a ser uma estadia breve. Acabou por lá ficar cerca de 7 anos, e foi pouco depois do seu regresso a Madrid que começou a trabalhar naquela que viria a ser uma das suas obras mais marcantes, a música de bailado El Amor Brujo.

Composta entre 1915 e 1917, Falla acabaria por nos deixar várias versões desta obra (sexteto e pequena orquestra e suite para piano, nomeadamente), sendo que a mais popular sempre foi a segunda versão que fez para música de bailado.

O vídeo que exibo mais abaixo foi escolhido por me permitir fazer uma dupla homenagem: ao compositor, nascido passam hoje 138 anos, e ao maestro Rafael Frühbeck de Burgos (1933-2014), falecido recentemente, no dia 11 de Junho deste ano.


CDs


Manuel de Falla
El sombrero de tres picos. El amor brujo. Interlude and Dance from La vida breve.
Teresa Berganza (soprano), Marina de Gabarain (meio-soprano)
Suisse Romande Orchestra
Ernest Ansermet
Decca Legends 466 991-2
(1955, 1961)

Manuel de Falla
La vida breve. Canciones populares españolas. El sombrero de tres picos. El amor brujo.
Soneto a Córdoba. Psyché.
Victoria de Los Angeles, M Higueras (sopranos), I. Rivadeneyra (meio-soprano),
C. Cossutta, J. M. Higuero, J. de Andia (tenores), V. de Narké (baixo)
Spanish National Orchestra, Rafael Frühbeck de Burgos
Philharmonia Orchestra, Carlo Maria Giulini
EMI 5 67587-2

Manuel de Falla
Noches en los jardines de España. El Amor brujo. El sombrero de tres picos - Neighbours'
Dance (Seguidillas); Miller's Dance (Farruca).
Teresa Berganza (meio-soprano), Gonzalo Soriano (piano)
French Radio National Orchestra, Grand Symphony Orchestra
Ataúlfo Argenta
Medici Classics MM025-2
(1957)

Manuel de Falla
El Amor Brujo. Noches in los jardines de España.
Nan Merriman (meio-soprano), William Kapell (piano)
New York Philharmonic Symphony Orchestra
Leopold Stokowski
Pristine Audio PASC174
(1948, 1949)


Internet



Manuel de Falla

15/11/2014

Maestros #64: Daniel Barenboim (1942-)

Daniel Barenboimaqui tinha passado como pianista, que foi como se iniciou no mundo da música, e hoje, dia do seu 72º aniversário, regressa como maestro, vertente em que se tem igualmente notabilizado.

A etapa mais importante na sua formação como regente terá tido lugar em Salzburgo quando, em meados da década de 1950, lá teve aulas com o compositor, maestro e professor Igor Markevitch (1912-1983). Apesar de nunca se ter dedicado à composição, foi um dos privilegiados que teve a oportunidade de ter aulas de teoria e composição com Nadia Boulanger (1887-1979).

Quando se fala de Barenboim tem que se falar inevitavelmente da orquestra West-Eastern Divan, que ele fundou em 1999 em conjunto com Edward Said (1935-2003), um intelectual palestiniano detentor igualmente de cidadania norte-americana. Uma orquestra que é formada por músicos de Israel, da Palestina e de outros países árabes, para promover a coexistência pacífica entre os povos.


CDs


Richard Strauss
Ein Heldenleben, Op.40. Till Eulenspiegels, Op.28. Lustige Streiche, Op.28.
Chicago Symphony Orchestra
Daniel Barenboim
Erato 2292-45621-2

Johannes Brahms
Violin Concerto in D major, Op.77. Piano Sonata No.3 in D minor, Op.108.
Daniel Barenboim (piano), Maxim Vengerov (violino)
Chicago Symphony Orchestra
Daniel Barenboim
Teldec 0630-17144-2

Wolfgang Amadeus Mozart
Concerto for Two Pianos in E flat, K365/K316a. Piano Concerto No.27 in B flat, K595.
Sonata for Two Pianos in D, K448.
Clifford Curzon, Benjamin Britten, Daniel Barenboim (pianos)
English Chamber Orchestra
Daniel Barenboim
BBC Legends BBCL4037-2

Pierre Boulez
Notations VII.
Claude Debussy
La mer.
Igor Stravinsky
The Rite of Spring.
Chicago Symphony Orchestra
Daniel Barenboim
Teldec 8573-81702-2

Richard Wagner
Tannhäuser.
Peter Seiffert, Gunnar Gudbjörnsson, S. Rügamer (tenores), Jane Eaglen, Waltraud Meier,
Dorothea Röschmann (sopranos), Thomas Hampson (bar); R. Pape, A. Reiter (basses)
Berlin State Opera Chorus
Berlin Staatskapelle
Daniel Barenboim
Teldec 8573-88064-2

Richard Wagner
Der Ring des Nibelungen.
John Tomlinson, Philip Kang (baixos), Birgitta Svendén, Jane Turner (meios-sopranos),
Eva Johansson, Anne Evans, Nadine Secunde (sopranos), Siegfried Jerusalem, Poul Elming (tenores)
Bayreuth Festival Chorus
Bayreuth Festival Orchestra
Daniel Barenboim
Warner Classics 2564-62091-2
(1991, 1992)

The Ramallah Concert
Ludwig van Beethoven
Symphony No.5 in C minor, Op.67.
Edward Elgar
Variations on an Original Theme, 'Enigma' - Nimrod.
Wolfgang Amadeus Mozart
Sinfonia Concertante in E flat major, K297b.
Mohamed Saleh (oboé), Kinan Azmeh (clarinete), Mor Biron (fagote), Sharon Polyak (trompa)
West-Eastern Divan Orchestra
Daniel Barenboim
Warner Classics 2564-62791-2

Hector Berlioz
Symphonie Fantastique, Op.14.
Berlin Philharmonic Orchestra
Daniel Barenboim
CBS Masterworks MK 39859

Ludwig van Beethoven
Triple concert in C, Op.56. Fantasia in C minor, 'Choral Fantasy', Op.80.
Itzhak Perlman (violino), Daniel Barenboim (piano), Yo-Yo Ma (violoncelo)
Chor Der Deutschen Staatsoper
Berlin Philharmonic Orchestra
Daniel Barenboim
EMI Classics 5 55516-2

Wolfgang Amadeus Mozart
Piano Concertos - No.18 in B flat major, K456; No.19 in F major, K459.
Daniel Barenboim (piano)
Berlin Philharmonic Orchestra
Daniel Barenboim
Teldec 90674-2

René Pape
Wagner Arias
René Pape (baixo), Placido Domingo (tenor)
Staatskapelle Berlin
Daniel Barenboim
Deutsche Grammophon 477 6617

Edward Elgar
Cello Concerto in E minor, Op.85.
Elliott Carter
Cello Concerto.
Max Bruch
Kol Nidrei, Op.47.
Alisa Weilerstein (violoncelo)
Staatskapelle Berlin
Daniel Barenboim
Decca 478 2735
(2012)

Giuseppe Verdi
Messa da Requiem.
Anja Harteros (soprano), Elina Garanca (meio-soprano), Jonas Kaufamnn (tenor), René Pape (baixo)
Chorus del Teatro Alla Scala, Milan
Orchestra del Teatro Alla Scala
Daniel Barenboim
Decca 478 5245
(2012)


Internet



Daniel Barenboim

02/11/2014

Maestros #63: Rudolf Barshai (1924-2010)

Rudolf Barshai, nascido em Krasnodarsk, Russia, em 1924, começou por ganhar notoriedade como músico de câmara, tendo tocado (viola) com alguns dos mais conceituados músicos, muitos dos quais já por aqui passaram: Sviatoslav Richter (1915-1997), David Oistrakh (1908-1974), Mstislav Rostropovich (1927-2007), Emil Gilels (1916-1985), Leonid Kogan (1924-1982).

Na década de 1950, e para facilitar o início da sua actividade como regente, fundou a Orquestra de Câmara de Moscovo. Foi o primeiro passo de uma carreira que o levou a várias paragens, tendo dirigido, nomeadamente, a Orquestra de Câmara de Israel, a Orquestra Nacional de França e a Orquestra Sinfónica de Vancouver.

Rudolf Barshai morreu há 4 anos, no dia 2 de Novembro de 2010.


CDs


Gustav Mahler
Symphony No.5
Junge Deutsche Philharmonie
Rudolf Barshai
Laurel Record LR905
(1999)

Historical Russian Archives: Rudolf Barshai
Moscow Chamber Orchestra
Rudolf Barshai
Brilliant Classics 9010


Internet



Rudolf Barshai

09/10/2014

Sinfonias #49: Sinfonia Nº7, de Einojuhani Rautavaara

Einojuhani Rautavaara (1928-) é geralmente considerado como o maior compositor finlandês desde Jean Sibelius (1865-1957), o que é (mais ou menos) o mesmo que dizer que é o mais divulgado compositor contemporâneo do seu país.

Rautavaara só por aqui tinha passado uma vez, há 8 anos, aquando do seu 78º aniversário. Regressa hoje, embora por um motivo diferente, pois desta vez é pelo 86º aniversário... E com aquela que passa por ser a sua sinfonia mais emblemática, a nº7, "Angel of Light", de 1994. Foi com ela que se afirmou definitivamente no panorama internacional, se bem que já fosse devidamente apreciado desde a década de 1970 em diversos círculos musicais, em particular europeus.


CD


Einojuhani Rautavaara
Symphony No.7, 'Angel of Light'. Cantus arcticus, Op.61. Dances with the Winds, Op.69.
Petri Alanko (flauta)
Lahti Symphony Orchestra
Osmo Vänskä
BIS BIS-CD1038


Internet



Einojuhani Rautavaara

28/09/2014

Violinistas #14: Alina Ibragimova (1985-)

A aniversariante de hoje é a violinista russa Alina Ibragimova, nascida no dia 28 de Setembro de 1985. Embora muito jovem, tem um repertório já muito interessante e diversificado, que vai do barroco (J. S. Bach) ao (quase) contemporâneo (K. A. Hartmann, N. Roslavets), passando pelos grandes clássicos (L. v. Beethoven).


Não deixando de fora o período romântico, conforme se pode verificar pela gravação em anexo, em que interpreta o Concerto para Violino e Orquestra em mi menor de Felix Mendelssohn (1809-1847), com a orquestra (Radio Kamer Filharmonie) a ser dirigida pelo maestro belga Philippe Herreweghe (1947-).


Internet



Alina Ibragimova

13/09/2014

Quintetos de Sopros #1: Quinteto de Sopros, Op.26, de Schoenberg

O 50º aniversário do compositor austríaco Arnold Schoenberg (1874-1951) ficou marcado pela estreia de uma obra para flauta, oboé, clarinete, trompa e fagote, o Quinteto de Sopros, Op.26. Temos então, neste dia, uma dupla celebração: os 140 anos passados sobre o nascimento do compositor, e os 90 anos da estreia desta obra.

Que, apesar de estruturada de uma forma clássica (com 4 andamentos, mais ou menos tradicionais), resulta da aplicação do método de composição desenvolvido por Schoenberg, com os doze sons. Foi escrito numa altura (entre Abril e Julho de 1923) em que ainda tinha algumas incertezas quanto à viabilidade e sucesso deste seu novo método; foi, na realidade, a segunda obra que escreveu utilizando as 12 notas, e a primeira em larga escala e com vários andamentos que compôs em 15 anos.


CD


Arnold Schoenberg
Chamber Symphony No.2, Op.38. Wind Quintet, Op.26. Die glückliche Hand, Op.18.
Mark Beesley (baixo), Simon Joly Chorale, New York Woodwind Quintet
Philharmonia Orchestra
Robert Craft
Naxos 8.557526
(2000, 2004)


Internet




Arnold Schoenberg

24/08/2014

Violinistas #13: Albert Sammons (1886-1957)

Apenas constam obras de compositores ingleses nos dois discos que apresento mais abaixo, e em que aparece em destaque o violinista, igualmente inglês, Albert Sammons. Tal não resulta de uma qualquer estranha coincidência, mas do facto de Sammons, quer em grupo quer a solo, lhes ter dado uma atenção muito especial, facilmente demonstrada pela lista de compositores britânicos de quem estreou obras: Granville Bantock (1868-1946), Frank Bridge (1879-1941), Frederick Delius (1862-1934), George Dyson (1883-1964), Edward Elgar (1857-1934), Herbert Howells (1892-1983), John Ireland (1879-1962), Edmund Rubbra (1901-1986), Ralph Vaughan Williams (1872-1958).

O facto de ter sido basicamente um autodidacta não o impediu de granjear um grande reconhecimento, principalmente no Reino Unido, tendo tocado com alguns dos mais prestigiados maestros, de que destaco Thomas Beecham (1879-1961), Pierre Monteux (1875-1964) e Henry Wood (1869-1944), todos eles já velhos conhecidos deste burgo.

Albert Sammons faleceu há 57 anos, no dia 24 de Agosto de 1957.


CDs


Frederick Delius
Violin Concerto.
Edward Elgar
Violin Concerto in B minor, Op.61.
Albert Sammons (violino)
Liverpool Philharmonic Orchestra, Malcolm Sargent
New Queen's Hall Orchestra, Henry Wood
Naxos Historical 8.110951

Albert Sammons Plays Delius and Rubbra
Frederick Delius
Violin Sonatas - Nos.1; 2; 3.
Edmund Rubbra
Violin Sonata No.1.
Albert Sammons (violino), Evelyn Howard-Jones, Kathleen Long, Gerald Moore (pianos)
Dutton CDBP9768


Internet



Albert Sammons


11/08/2014

Concertos para Trompa #1: Concerto para Trompa Nº2, de Richard Strauss

Há já quase 7 anos trouxe a estas páginas o trompista inglês Dennis Brain (1921-1957), e apresentei-o como o grande responsável pela maior divulgação da trompa, um dos instrumentos que mais despercebido passa numa orquestra. Uma das razões para tal estará relacionada com o escasso repertório onde a trompa apareça como solista, algo que Dennis Brain procurou corrigir através de encomendas de novas obras a compositores de reconhecidos méritos.

A par disso, Brain tratou igualmente de ressuscitar algumas das obras que já existiam para trompa, comos os quatro concertos de Wolfgang Amadeus Mozart (1756-1791) e os dois de Richard Strauss (1864-1949). Os dois concertos para trompa e orquestra de Strauss têm a particularidade de terem sido escritos com um intervalo de seis décadas (isso mesmo, 60 anos bem contadinhos) o que permite, entre outras coisas, apreciar devidamente a evolução estilística do compositor entretanto verificada.

A estreia do Concerto para Trompa e Orquestra Nº2 de Richard Strauss ocorreu há 71 anos, no dia 11 de Agosto de 1943. Na altura o solista de serviço foi o austríaco Gottfried von Freiberg (1908-1962), acompanhado pela Orquestra do Festival de Salzburgo sob a direcção do nosso já bem conhecido Karl Böhm (1894-1981). Nas gravações que anexo, contudo, não é ele que aparece como solista, mas sim o referido Dennis Brain, de quem em breve se assinalarão os 57 anos da sua morte, ocorrida no dia 1 de Setembro de 1957.


CDs


Richard Strauss
Concertos for Horn and Orchestra - No.1, Op.11; No.2, AV132.
Duet-Concertino for Clarinet, Bassoon, Strings and Harp, AV147.
David Pyatt (trompa), Joy Farrall (clarinete), Julie Andrews (fagote)
Britten Sinfonia
Nicholas Cleobury
EMI Eminence CD-EMX 2238
(1994)

Richard Strauss
Also sprach Zarathustra. Horn Concerto No.2. Vier letzte Lieder.
Don Juan. Till Eulenspiegels lustige Streiche. Ein Heldenleben.
Norbert Hauptmann (trompa), Gundula Janowitz (soprano)
Berliner Philharmoniker
Herbert von Karajan
Deutsche Grammophon 469 208-2


Internet



Richard Strauss

Dennis Brain

04/08/2014

Pianistas #39: Anna Vinnitskaya (1983-)

Da imponente lista de prémios obtidos em competições internacionais pela pianista russa Anna Vinnitskaya, há dois que merecem particular destaque: o 4ª lugar obtido na Competição Internacional de Piano Ferruccio Busoni, em 2005, e a vitória na Competição Raínha Elisabete, em 2007. A consulta às listas dos vencedores de edições anteriores destes concursos dá-nos uma boa ideia sobre o peso que têm tido no mundo da música em geral, e na dos pianistas em particular. Realço apenas alguns dos nomes, sem qualquer intenção de desvalorizar os outros:

Ferruccio Busoni International Piano Competition
1956 - Jörg Demus
1957 - Martha Argerich
1966 - Garrick Ohlsson
1969 - Ursula Oppens
1972 - Arnaldo Cohen
1984 - Louis Lortie

Queen Elisabeth Competition
1938 - Emil Gilels
1952 - Leon Fleisher
1956 - Vladimir Ashkenazy
1972 - Valery Afanassiev

A gravação que exibo a seguir é um "dois em um", permitindo-nos assinalar condignamente:

- O aniversário da própria Anna Vinnitskaya, nascida a 4 de Agosto de 1983;
- O falecimento do arquitecto e pintor russo Viktor Hartmann, a 4 de Agosto de 1873, em cujas obras, exibidas no ano seguinte ao da sua morte, o compositor Modest Mussorgsky (1839-1881) se inspirou para escrever os Quadros de Uma Exposição.

Nota: a melhor oportunidade para a ouvir ao vivo será em Janeiro do próximo ano, altura em que dará um concerto em Santiago de Compostela.


Internet



Anna Vinnitskaya

27/07/2014

Tenores #11: Carlo Bergonzi (1924-2014)

Carlo Bergonzi foi o primeiro tenor que por aqui passou, em Julho de 2005; regressaria exactamente 4 anos depois, a propósito de um disco com árias de óperas de Giuseppe Verdi (1813-1901) e Giacomo Puccini (1858-1924).

Carlo Bergonzi foi um extraordinário intérprete, tendo-se distinguido particularmente em Verdi; foi com obras deste compositor, aliás, que se estreou em vários locais: Londres, Nova Iorque, Chicago, Filadélfia ou São Francisco.

Bergonzi faleceu anteontem, em Milão, e a melhor maneira de o recordar e homenagear é ouvindo-o precisamente a cantar Verdi.


Internet



Carlo Bergonzi
Carlo Bergonzi / The Guardian / The New York Times




14/07/2014

Maestros #62: Lorin Maazel (1930-2014)

Faleceu ontem Lorin Maazel, um dos mais reputados maestros das últimas décadas.

O seu reconhecimento mais generalizado terá vindo dos vários Concertos de Ano Novo em que dirigiu a Orquestra Filarmónica de Viena. Há outras façanhas suas, contudo, que, na minha modesta opinião, são bem mais significativas: por exemplo, o facto de ter sido o primeiro norte-americano (e, além do mais, judeu) a dirigir em Bayreuth, isto no já longínquo ano de 1960 - um feito extraordinário!

E que melhor homenagem, então, do que recordar algumas das suas interpretações de Richard Wagner (1813-1883)?


Internet



Lorin Maazel
The Official Web Site / Euronews

07/07/2014

CDs #236: Bruno Walter, The Vienna Farewell Concert

O maestro de origem alemã Bruno Walter (1876-1962), nascido Bruno Schlesinger em Setembro de 1876, já por aqui passou mais do que uma vez (por exemplo aqui: 1, 2), em textos onde dei particular realce ao início da sua carreira, que ficou obviamente marcado pela estreita colaboração com o compositor Gustav Mahler (1860-1911). Depois de ter dirigido o seu concerto de estreia em 1894, em Colónia, e de ter passado por várias orquestras, a vida de Walter, durante a 1ª década do século XX, centrou-se em Viena, onde reencontrou Mahler, de quem já tinha sido maestro assistente em Hamburgo.

Bruno Walter manter-se-ia em Viena até 1912, e teve a oportunidade de dirigir a Orquestra Filarmónica dessa cidade várias vezes, nomeadamente a 26 de Junho desse ano, quando estreou (postumamente) a Sinfonia Nº9 de Mahler. 1933 marcaria o regresso de Bruno Walter a Viena, depois de se ter visto impedido de reger na Alemanha pelo regime nazi. Walter trabalharia como maestro convidado da Ópera de Estado de Viena e como director musical da Orquestra Filarmónica de Viena. Não seria uma estadia muito prolongada, contudo, dado que apenas 5 anos depois o Anschluss forçá-lo-ia a procurar novo poiso. Que seria primeiro a França e pouco depois, em 1939, de novo e de forma definitiva, os Estados Unidos.

Uma vez terminada a guerra Walter regressou várias vezes à Europa, para dar concertos em diversas cidades, Viena incluída. Em 1957, contudo, viu-se forçado a abrandar o ritmo, depois de ter sofrido um ataque cardíaco. Em Maio de 1960 dirigiu pela última vez a Orquestra Filarmónica de Viena, num concerto com um enorme simbolismo: além de marcar o seu adeus definitivo àquela cidade, nele voltou a dirigir uma sinfonia de Mahler, na ocasião no âmbito de um festival concebido para assinalar o centenário do nascimento do grande compositor.

Este último concerto de Walter em Viena teve lugar no dia 29 de Maio de 1960; Gustav Mahler nasceu cerca de 100 anos antes, no dia 7 de Julho de 1860, passam hoje 154 anos.




Bruno Walter
The Vienna Farewell Concert.
Franz Schubert
Symphony No.8 in B, "Unfinished".
Gustav Mahler
Symphony No.4 in G. Three Lieder.
Elisabeth Schwarzkopf (sop)
Vienna Philharmonic Orchestra
Bruno Walter
Music and Arts CD-4705(2)


Internet



Bruno Walter
Bach Cantatas Website / Recorded Performances of Bruno Walter / Wikipedia

29/06/2014

Compositores #112: Bernard Herrmann (1911-1975)

O compositor norte-americano Bernard Herrmann compôs as bandas sonoras de alguns dos mais relevantes realizadores e filmes da história do cinema. Foi notória, em particular, a sua ligação a Alfred Hitchcock (1899-1980), tendo musicado 7 dos seus filmes.

Psycho, de 1960, foi um desses filmes, que apareceu a meio da colaboração entre Hitchcock e Herrmann, que foi de 1955 (com o filme The Trouble with Harry) até 1964 (com o filme Marnie). Contém uma das mais famosas cenas de sempre, aquela em que Marion Crane (interpretada por Janet Leigh) é assassinada no chuveiro. Consta que não era intenção de Hitchcock que a cena fosse musicada, o que só viria a acontecer por insistência do compositor e para nossa sorte...

Bernard Herrmann nasceu há 103 anos, no dia 29 de Junho de 1911.


CD



Bernard Herrmann
Marnie - Theme; Hunting Theme. North by Northwest - Main Titles.
Psycho: Narrative for Orchestra. The Trouble with Harry.
Ernest Gold
Main Theme from - Exodus; It's a Mad, Mad, Mad, Mad World;
The Young Philadelphians; Judgement at Nuremberg; The Last Sunset.
London Festival Orchestra, Ernest Gold
London Philharmonic Orchestra, Bernard Herrmann
Dutton Vocalion CDLK4178
(1963, 1969)


Internet



Bernard Herrmann
The Bernard Herrmann Society / IMDb / Wikipedia