27/07/2014

Tenores #11: Carlo Bergonzi (1924-2014)

Carlo Bergonzi foi o primeiro tenor que por aqui passou, em Julho de 2005; regressaria exactamente 4 anos depois, a propósito de um disco com árias de óperas de Giuseppe Verdi (1813-1901) e Giacomo Puccini (1858-1924).

Carlo Bergonzi foi um extraordinário intérprete, tendo-se distinguido particularmente em Verdi; foi com obras deste compositor, aliás, que se estreou em vários locais: Londres, Nova Iorque, Chicago, Filadélfia ou São Francisco.

Bergonzi faleceu anteontem, em Milão, e a melhor maneira de o recordar e homenagear é ouvindo-o precisamente a cantar Verdi.


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Carlo Bergonzi
Carlo Bergonzi / The Guardian / The New York Times




14/07/2014

Maestros #62: Lorin Maazel (1930-2014)

Faleceu ontem Lorin Maazel, um dos mais reputados maestros das últimas décadas.

O seu reconhecimento mais generalizado terá vindo dos vários Concertos de Ano Novo em que dirigiu a Orquestra Filarmónica de Viena. Há outras façanhas suas, contudo, que, na minha modesta opinião, são bem mais significativas: por exemplo, o facto de ter sido o primeiro norte-americano (e, além do mais, judeu) a dirigir em Bayreuth, isto no já longínquo ano de 1960 - um feito extraordinário!

E que melhor homenagem, então, do que recordar algumas das suas interpretações de Richard Wagner (1813-1883)?


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Lorin Maazel
The Official Web Site / Euronews

07/07/2014

CDs #236: Bruno Walter, The Vienna Farewell Concert

O maestro de origem alemã Bruno Walter (1876-1962), nascido Bruno Schlesinger em Setembro de 1876, já por aqui passou mais do que uma vez (por exemplo aqui: 1, 2), em textos onde dei particular realce ao início da sua carreira, que ficou obviamente marcado pela estreita colaboração com o compositor Gustav Mahler (1860-1911). Depois de ter dirigido o seu concerto de estreia em 1894, em Colónia, e de ter passado por várias orquestras, a vida de Walter, durante a 1ª década do século XX, centrou-se em Viena, onde reencontrou Mahler, de quem já tinha sido maestro assistente em Hamburgo.

Bruno Walter manter-se-ia em Viena até 1912, e teve a oportunidade de dirigir a Orquestra Filarmónica dessa cidade várias vezes, nomeadamente a 26 de Junho desse ano, quando estreou (postumamente) a Sinfonia Nº9 de Mahler. 1933 marcaria o regresso de Bruno Walter a Viena, depois de se ter visto impedido de reger na Alemanha pelo regime nazi. Walter trabalharia como maestro convidado da Ópera de Estado de Viena e como director musical da Orquestra Filarmónica de Viena. Não seria uma estadia muito prolongada, contudo, dado que apenas 5 anos depois o Anschluss forçá-lo-ia a procurar novo poiso. Que seria primeiro a França e pouco depois, em 1939, de novo e de forma definitiva, os Estados Unidos.

Uma vez terminada a guerra Walter regressou várias vezes à Europa, para dar concertos em diversas cidades, Viena incluída. Em 1957, contudo, viu-se forçado a abrandar o ritmo, depois de ter sofrido um ataque cardíaco. Em Maio de 1960 dirigiu pela última vez a Orquestra Filarmónica de Viena, num concerto com um enorme simbolismo: além de marcar o seu adeus definitivo àquela cidade, nele voltou a dirigir uma sinfonia de Mahler, na ocasião no âmbito de um festival concebido para assinalar o centenário do nascimento do grande compositor.

Este último concerto de Walter em Viena teve lugar no dia 29 de Maio de 1960; Gustav Mahler nasceu cerca de 100 anos antes, no dia 7 de Julho de 1860, passam hoje 154 anos.




Bruno Walter
The Vienna Farewell Concert.
Franz Schubert
Symphony No.8 in B, "Unfinished".
Gustav Mahler
Symphony No.4 in G. Three Lieder.
Elisabeth Schwarzkopf (sop)
Vienna Philharmonic Orchestra
Bruno Walter
Music and Arts CD-4705(2)


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Bruno Walter
Bach Cantatas Website / Recorded Performances of Bruno Walter / Wikipedia

29/06/2014

Compositores #112: Bernard Herrmann (1911-1975)

O compositor norte-americano Bernard Herrmann compôs as bandas sonoras de alguns dos mais relevantes realizadores e filmes da história do cinema. Foi notória, em particular, a sua ligação a Alfred Hitchcock (1899-1980), tendo musicado 7 dos seus filmes.

Psycho, de 1960, foi um desses filmes, que apareceu a meio da colaboração entre Hitchcock e Herrmann, que foi de 1955 (com o filme The Trouble with Harry) até 1964 (com o filme Marnie). Contém uma das mais famosas cenas de sempre, aquela em que Marion Crane (interpretada por Janet Leigh) é assassinada no chuveiro. Consta que não era intenção de Hitchcock que a cena fosse musicada, o que só viria a acontecer por insistência do compositor e para nossa sorte...

Bernard Herrmann nasceu há 103 anos, no dia 29 de Junho de 1911.


CD



Bernard Herrmann
Marnie - Theme; Hunting Theme. North by Northwest - Main Titles.
Psycho: Narrative for Orchestra. The Trouble with Harry.
Ernest Gold
Main Theme from - Exodus; It's a Mad, Mad, Mad, Mad World;
The Young Philadelphians; Judgement at Nuremberg; The Last Sunset.
London Festival Orchestra, Ernest Gold
London Philharmonic Orchestra, Bernard Herrmann
Dutton Vocalion CDLK4178
(1963, 1969)


Internet



Bernard Herrmann
The Bernard Herrmann Society / IMDb / Wikipedia

22/06/2014

Obras Orquestrais #25: Portsmouth Point, de William Walton

Thomas Rowlandson (1756-1827) foi um artista inglês que, por vocação e necessidade (£...) dedicou uma boa parte da sua vida a desenhar caricaturas. Muitíssimo prolífico, estima-se que tenha deixado mais de 10.000 obras, entre pinturas e desenhos, o que levou alguém a afirmar que o conjunto da sua obra daria provavelmente para forrar a grande muralha da China...

Este nosso amigo sofria de socialite incurável, derretendo rapidamente o dinheiro que ia recebendo; a sua única fonte de rendimento eram as pinturas, pelo que desenhava sem parar para conseguir levar a vidinha que tanto apreciava...

Uma das suas pinturas, Portsmouth Point, apresenta-nos o movimento no porto de Portsmouth no início do século XIX, e foi nela que o compositor inglês William Walton (1902-1983) se inspirou para escrever uma abertura para orquestra, a que convenientemente deu o nome de... Portsmouth Point.

 
A estreia ocorreu em Zurique 88 anos, no dia 22 de Junho de 1926.


CD



William Walton
"The Collector's Edition"
EMI Classics 3 40868-2


Internet



Thomas Rowlandson
The British Museum / art.com / Wikipedia

William Walton
The William Walton Trust / allmusic / Wikipedia

09/06/2014

Pianistas #38: Claudio Arrau (1903-1991)

O repertório do pianista chileno Claudio Arrau estendeu-se do barroco aos compositores contemporâneos (século XX...), mas hoje, dia em que passam 23 anos sobre o seu falecimento, vou trazer aqui as suas interpretações das obras de um único compositor, Franz Liszt (1811-1886)

Liszt, ele próprio um extraordinário pianista, deixou-nos uma vasta e importante obra para piano, tendo tido em Arrau um dos seus melhores intérpretes. A precocidade de Claudio Arrau é por demais conhecida, sabendo-se, por exemplo, que aos 11 anos já não tinha problemas em tocar os Estudos Transcendentais de Liszt, uma série de 12 composições para piano solo.

A longevidade de Arrau foi igualmente notável; vejam-se (e ouçam-se) os vídeos em anexo (e em vários outros disponíveis no YouTube) ao nível a que ele tocava quando a idade já rondava os 80 anos.


CDs


Franz Liszt
Piano Sonata in B minor, S178. Années de pèlerinage - Première année: Suisse - 'Vallée d'Obermann.
Two Concert Studies.
Claudio Arrau (piano)
Philips 50 Great Recordings 464 713-2

Ludwig van Beethoven
Piano Sonata No.23, "Appassionata", Op.57.
Franz Liszt
Piano Sonata in B minor, S178. Après une lecture du Dante, S161 No.7.
Claudio Arrau (piano)
Orfeo d'Or C611031B

Franz Liszt
Sonata, Dante Sonata, Piano Concertos
Rare Live and Historic Recordings
Claudio Arrau (piano)
Frankfurt Radio Symphony Orchestra, Hans Rosbaud
New York Philharmonic Symphony Orchestra, Dimitri Mitropoulos
Piano Classics PCLD0015


Internet



Claudio Arrau

01/06/2014

Maestros #61: Edo de Waart (1941-)

Bernard Haitink (1929-) foi o maestro principal da Royal Concertgebouw Orchestra durante mais de 20 anos, entre o início da década de 1960 e o final da de 1980. Foi quase logo no início desse reinado que Haitink teve como maestro assistente o igualmente holandês Edo de Waart que, desde então, e passando o exagero, já conheceu quase tantas orquestras como mulheres (vai no 6º casamento...), e em diversos continentes (refiro-me às orquestras...), com particular destaque para o americano, tendo sido, ou sendo ainda, o maestro principal de algumas das mais importante orquestras dos Estados Unidos:


No vídeo que abaixo incluo Edo de Waart, que hoje celebra o 73º aniversário, aparece a dirigir a Orquestra Filarmónica da Rádio da Holanda (que, curiosamente, tem na actualidade como patrono Bernard Haitink), numa obra, no caso o Concerto para Piano Nº2, de um dos compositores em que mais se tem distinguido, Johannes Brahms (1833-1897).


CDs



Michael Torke
Book of Proverbs. Four Proverbs.
Valdine Anderson, Catherine Bott (sopranos), Kurt Ollmann (barítono)
Netherlands Radio Philharmonic Orchestra Chorus
Netherlands Radio Philharmonic Orchestra
Edo de Waart
Decca 466 721-2
(1993, 1996)

Johannes Brahms
Piano Concerto No.1 in D minor, Op.15. Piano Pieces - Op.117; Op.118; Op.119.
Piano Sonata No.3 in F minor, Op.5. Two Rhapsodies, Op.79. Theme and Variations.
Radu Lupu (piano)
London Philharmonic Orchestra
Edo de Waart
Decca 475 7070


Internet



Edo de Waart
Milwaukee Symphony Orchestra / allmusic / Urban Milwaukee / Wikipedia

18/05/2014

Arquitectos #1: Walter Gropius (1883-1969)

Walter Gropius foi o arquitecto fundador da Bauhaus, a famosa escola das artes e da arquitectura estabelecida em Weimar em 1919, e que viria a ter extensões em outras 2 cidades alemãs, Dessau e Berlim. Em 1933 a última ainda em funcionamento, a de Berlim, foi definitivamente encerrada, por pressões dos nazis que a achavam um antro de comunistas intelectuais.

Entre 1915 e 1920 este arquitecto alemão foi casado com Alma Mahler (1879-1964), casamento de que resultou uma filha, Manon Gropius, nascida em Outubro de 1916 e falecida em Abril de 1935, vítima de poliomielite. Pouco antes da morte de Manon o compositor austríaco Alban Berg (1885-1935) tinha recebido uma encomenda do violinista Louis Krasner (1903-1995) para um concerto para violino, que acabou por ver a sua composição antecipada pela notícia da morte de Manon. Na altura Berg estava ocupado com a ópera Lulu, cuja escritou abandonou  para se dedicar então ao seu Concerto para Violino, que ficou com o título de "À memória de um anjo".

Walter Gropius nasceu há 131 anos, no dia 18 de Maio de 1833.


Internet



Walter Gropius
Walter Gropius / Bauhaus online / Bauhaus Dessau / Wikipedia

11/05/2014

Obras Orquestrais #24: Central Park in the Dark, de Charles Ives

Depois de aqui ter trazido a primeira obra de Claude Debussy (1862-1918) que levou com o epíteto de "impressionista", chega hoje a vez do compositor norte-americano Charles Ives (1874-1954) e a sua versão dessa corrente musical, no caso com a obra Central Park in the Dark.

Escrita em 1906, ninguém melhor do que o autor para nos dizer o que com ela pretendeu (vai no mesmo no inglês original, para não dar cabo da coisa com uma tradução tacanha...): "...is a picture-in-sound of the sounds of nature and the happenings that man would hear some thirty or so years ago (before the combustion engine and radio monopolized the earth and air) when sitting on a bench in Central Park on a hot summer night".

Além do aspecto impressionista da obra fica evidente pela descrição a sua vertente programática, por ambicionar fazer-nos uma narrativa de algo que vai para além da música. A estreia foi a 11 de Maio de 1946, passam hoje 68 anos.


CD



Charles Ives
Symphonies - No.1; No.4. Central Park in the Dark.
Dallas Symphony Orchestra
Andrew Litton
Hyperion CDA67540
(2006)


Internet



Charles Ives
The Charles Ives Society, Inc. / Bach Cantatas Website / Wikipedia


01/05/2014

Violoncelistas #14: Antonio Janigro (1918-1989)

O violoncelo é um dos meus instrumentos preferidos, pelo que procuro, sempre que possível, trazer para estas páginas os seus maiores intérpretes; já aqui passaram, por exemplo, Pablo Casals (1876-1973), Mstislav Rostropovich (1927-2007) e Jacqueline du Pré (1945-1987), além da nossa Guilhermina Suggia (1885-1950).

Quem ainda não tinha passado era o italiano Antonio Janigro, cujos estudos musicais foram, por coincidência, facilitados pelo primeiro dos intérpretes antes referido (Pablo Casals); na verdade, após ter ouvido Janigro tocar (quando este ainda tinha apenas 11 anos), recomendou-o para a École Normale de Musique de Paris (fundada em 1919 por um outro músico bem conhecido, o pianista Alfred Cortot), e onde, além de Casals, teve a oportunidade de ter aulas com alguém de absoluta referência na área da docência musical: Nadia Boulanger (1887-1979).
 
A vida de Janigro ficaria definitivamente ligada à Jugoslávia, se bem que de uma forma não totalmente voluntária: era lá que se encontrava aquando início da 2ª Grande Guerra, e lá ficou encravado enquanto ela durou... E se uma vez libertado realizou diversas turnés pela Europa fora, a verdade é que Zagred nunca deixou de ser a sua casa, e lá continuou a residir até à sua morte, a 1 de Maio de 1989, passam hoje 25 anos.

Também se dedicou ao ensino, sendo que já tive a oportunidade de assistir ao vivo a um concerto que contou com a participação de um dos seus alunos, o brasileiro António Meneses (1957-).


SACD



Richard Strauss
Don Quixote, Op.35. Don Juan, Op.20.
Milton Preves (viola), Antonio Janigro (violoncelo), John Weicher (violino)
Chicago Symphony Orchestra
Fritz Reiner
RCA Living Stereo 88697 04604-2
(1954, 1959)


Internet



Antonio Janigro
Internet Cello Society / International Cello Competition Antonio Janigro / Wikipedia

27/04/2014

Compositores #111: Steve Reich (1936-)

Depois de um pequeno interregno, com uma visita à Primavera de Claude Debussy (1862-1918), regresso à música minimalista, e com outro dos seus grandes expoentes, o compositor norte-americano Steve Reich.

Em 2006 tive a oportunidade de assistir ao vivo na Casa da Música a um concerto em que o próprio Reich participou, na ocasião com a obra Daniel Variations, escrita por solicitação da Daniel Pearl Foundation, uma associação criada na sequência do assassinato do jornalista Daniel Pearl (1963-2002) no Paquistão em Fevereiro de 2002.

Em 1972, e com o objectivo de escrever uma peça que não necessitasse de instrumentos musicais, Steve Reich compôs Clapping Music que, como o nome indica, apenas requer que os intépretes (originalmente 2, apesar de haver várias versões disponíveis com mais) saibam bater palmas em condições.

O vídeo que incluo a seguir tem um condimento extra, visto que conta com Reich na interpretação, em parceria com o percussionista David Cossin, um dos membros do grupo nova-iorquino Bang on a Can.

A estreia de Clapping Music ocorreu há 42 anos, no dia 27 de Abril de 1972.


CD



African Rhythms
African Traditional
György Ligeti
Etudes - Fanfares; Fém; Entrelacs; Pour Irina; A bout de souffle.
Steve Reich
Clapping Music. Music for Pieces of Wood.
Pierre-Laurent Aimard (piano)
Aka Pygmies
Teldec 8573-86584-2
(2001, 2002)


Internet



Steve Reich
The Steve Reich Website / Wikipedia



18/04/2014

Obras Orquestrais #23: Printemps, de Claude Debussy

A Villa Medici albergou a Academia Francesa em Roma desde 1803, na altura por decisão de Napoleão Bonaparte (1769-1821), até aos finais da década de 1960, sendo que os últimos Prix de Rome foram atribuídos em 1968.

Já por aqui referi noutras ocasiões que um dos vencedores desse prémio foi o compositor francês Claude Debussy (1862-1918), em 1884 com a cantata L'enfant prodigue.  A conquista desse prémio incluía uma estadia prolongada na Villa Medici e uma obrigação: a de enviar regularmente para a Academia de Belas Artes Francesa uma nova obra orquestral, para que o seu progresso como compositor pudesse ser confirmado.

Além de ter detestado a residência na mansão, tendo-a abandonado antes do prazo previsto, Debussy foi falhando com a entrega das partituras, tendo-se dado o caso de uma delas, a de Printemps, composta em 1887, ter chegado a Paris numa versão para dois pianos e coro, o que não corresponde exactamente a uma obra orquestral... A explicação dada pelo compositor foi a de que um incêndio teria destruído a partitura com a versão orquestral da obra, mas o que é certo é que essa versão apenas apareceria em 1912, e pelas mãos do compositor, organista e maestro Henri Büsser (1872-1973).



Algumas curiosidades:

- A inspiração para escrever Printemps veio da observação de um estudo do pintor francês Marcel Baschet (1862-1941), ele próprio um vencedor do Prix de Rome (em 1883, naturalmente na categoria de pintura), e que, por sua vez, se terá inspirado no quadro A Primavera de Botticelli (1445-1510);

- O quadro de Debussy aqui reproduzido é precisamente da autoria de Marcel Baschet, e foi pintado no ano em que o compositor venceu o Prix de Rome (1884).

- A Academia de Artes de Paris não gostou da obra, achando-a "demasiado progressiva" e apelidando-a de "impressionista", tendo sido a primeira vez que tal termo foi utilizado para cunhar uma obra de Debussy, e logo num sentido pejorativo!

Por último, refira-se que a estreia de Printemps ocorreu no dia 18 de Abril de 1913, passam hoje 101 anos.


SACD



Claude Debussy
Images. Jeux. Nocturnes. La mer. Prélude à L'après-midi d'un faune. Marche écossaise sur un thème populaire. Printemps. Two Movements from L'enfant prodigue. Berceuse héroïque.
Women of the Royal Scottish National Orchestra Chorus
Royal Scottish National Orchestra
Stephane Denève
Chandos CHSA5102
(2011, 2012)



Internet




Claude Debussy
allmusic / Naxos / Wikipedia

13/04/2014

Escritores #7: Samuel Beckett (1906-1989)

Um pouco à imagem do país, continuamos por aqui algo minimalistas, desta vez às voltas com a música do compositor norte-americano Philip Glass (1937-). E porque ele compôs obras para várias peças do poeta, romancista e dramaturgo irlandês Samuel Beckett, nascido no dia 13 de Abril de 1906, passam hoje 108 anos.

O primeiro encontro entre eles ocorreu em meados da década de 1960, quando Glass compôs a música para a peça Play, que tinha sido primeiro levada à cena no dia 14 de Junho de 1963, na Alemanha. Na década de 1970 a parceria prosseguiu, com Glass a musicar várias peças de Beckett (The Lost Ones, Cascando, Mercier and Camier). A primeira metade da década de 1980 assistiu a novos projectos, com Glass a providenciar a música para duas obras importantes de Beckett: Company (1983) e Endgame (1984).

Se a produção da segunda esteve longe de agradar ao escritor, já o caso de Company foi diferente, com Beckett a aprovar a música de Glass, para quarteto de cordas, que iria ser interpretada nos intervalos da peça. Company acabaria por ser editada como o Quarteto de Cordas Nº2 de Philip Glass, com o título de... Company, obviamente...

Além do carácter minimalista da música de Michael Nyman (1944-) e de Philip Glass, há ainda um outro ponto de contacto entre este e o anterior texto que publiquei: o documentário que incluo mais abaixo (embora apenas a 1ª parte) sobre Glass foi realizado por Peter Greenaway (1942-).


CD



Philip Glass
String Quartets 1-4.
Carducci String Quartet
Naxos 8.559636
(2008)


Internet



Samuel Beckett
The Samuel Beckett On-Line Resources and Links Pages / Nobel Prizes and Laureates / Wikipedia

Philip Glass
Official Website / Wikipedia

05/04/2014

Realizadores #1: Peter Greenaway (1942-)

O realizador britânico Peter Greenaway nasceu no dia 5 de Abril de 1942, celebrando então hoje o seu 72º aniversário. Tem vários e notáveis filmes no seu curriculum, sendo que um deles, The Cook, the Thief, His Wife and Her Lover ("O Cozinheiro, o Ladrão, a Sua Mulher e o Amante Dela"), me impressionou particularmente, e por dois motivos principais: o argumento, uma rebuscada história de amores, traições e vinganças (cujo ponto alto acontece quando a mulher adúltera obriga o marido a comer do corpo cozinhado do amante), e a banda sonora, da autoria do compositor inglês Michael Nyman (1944-).


A colaboração entre os dois já vinha de trás e estendeu-se no tempo, com Nyman a escrever as músicas para vários outros filmes de Greenaway: The Draughtsman's Contract (1982), A Zed and Two Noughts (1985), Drowning by Numbers (1988) e Propero's Books (1991).


CD



Michael Nyman
The Cook, The Thief, His Wife and Her Lover.
The Michael Nyman Band
EMI 5 98459-2


Internet



Peter Greenaway
IMDb / A Tribute to: Peter Greenaway / Wikipedia

Michael Nyman
IMDb / Official Website / Wikipedia

01/04/2014

CDs #235: Rachmaninov, 24 Preludes

Apesar de hoje ser o dia que é, um novo regresso do compositor russo Sergei Rachmaninov (1873-1943) não resulta de qualquer descuido ou engano, mas apenas do facto de ele se ter lembrado de nascer a um dia 1 de Abril, no caso do ano de graça de 1873. E também não é por acaso que a sua música para piano volta à baila pois, além de ter sido um extraordinário pianista, deixou-nos um importante conjunto de obras para esse instrumento.

Desse conjunto fazem parte os Prelúdios, num total de 24, assim distribuídos:

- Um isolado, o Op.3 Nº2,
- Outros 10 prelúdios, sob o Op.23, e
- Mais 13, sob o Op.32

Por feliz coincidência estes 24 prelúdios demoram, regra geral (!), um pouco menos de 80 minutos a serem tocados, o que cabe perfeitamente dentro de um único CD. Foi precisamente o que fez o pianista escocês Steven Osborne (1971-), que os gravou em Agosto de 2008, resultando neste disco da editora Hyperion.




Sergei Rachmaninov
Preludes - in C sharp minor, Op.3 No.2; Op.23; Op.32.
Steven Osborne
Hyperion CDA67700
(2008)


Internet



Sergei Rachmaninov
The Rachmaninoff Network / Piano Society

Steven Osborne
Steven Osborne Pianist