13/04/2014

Escritores #7: Samuel Beckett (1906-1989)

Um pouco à imagem do país, continuamos por aqui algo minimalistas, desta vez às voltas com a música do compositor norte-americano Philip Glass (1937-). E porque ele compôs obras para várias peças do poeta, romancista e dramaturgo irlandês Samuel Beckett, nascido no dia 13 de Abril de 1906, passam hoje 108 anos.

O primeiro encontro entre eles ocorreu em meados da década de 1960, quando Glass compôs a música para a peça Play, que tinha sido primeiro levada à cena no dia 14 de Junho de 1963, na Alemanha. Na década de 1970 a parceria prosseguiu, com Glass a musicar várias peças de Beckett (The Lost Ones, Cascando, Mercier and Camier). A primeira metade da década de 1980 assistiu a novos projectos, com Glass a providenciar a música para duas obras importantes de Beckett: Company (1983) e Endgame (1984).

Se a produção da segunda esteve longe de agradar ao escritor, já o caso de Company foi diferente, com Beckett a aprovar a música de Glass, para quarteto de cordas, que iria ser interpretada nos intervalos da peça. Company acabaria por ser editada como o Quarteto de Cordas Nº2 de Philip Glass, com o título de... Company, obviamente...

Além do carácter minimalista da música de Michael Nyman (1944-) e de Philip Glass, há ainda um outro ponto de contacto entre este e o anterior texto que publiquei: o documentário que incluo mais abaixo (embora apenas a 1ª parte) sobre Glass foi realizado por Peter Greenaway (1942-).


CD



Philip Glass
String Quartets 1-4.
Carducci String Quartet
Naxos 8.559636
(2008)


Internet



Samuel Beckett
The Samuel Beckett On-Line Resources and Links Pages / Nobel Prizes and Laureates / Wikipedia

Philip Glass
Official Website / Wikipedia

05/04/2014

Realizadores #1: Peter Greenaway (1942-)

O realizador britânico Peter Greenaway nasceu no dia 5 de Abril de 1942, celebrando então hoje o seu 72º aniversário. Tem vários e notáveis filmes no seu curriculum, sendo que um deles, The Cook, the Thief, His Wife and Her Lover ("O Cozinheiro, o Ladrão, a Sua Mulher e o Amante Dela"), me impressionou particularmente, e por dois motivos principais: o argumento, uma rebuscada história de amores, traições e vinganças (cujo ponto alto acontece quando a mulher adúltera obriga o marido a comer do corpo cozinhado do amante), e a banda sonora, da autoria do compositor inglês Michael Nyman (1944-).


A colaboração entre os dois já vinha de trás e estendeu-se no tempo, com Nyman a escrever as músicas para vários outros filmes de Greenaway: The Draughtsman's Contract (1982), A Zed and Two Noughts (1985), Drowning by Numbers (1988) e Propero's Books (1991).


CD



Michael Nyman
The Cook, The Thief, His Wife and Her Lover.
The Michael Nyman Band
EMI 5 98459-2


Internet



Peter Greenaway
IMDb / A Tribute to: Peter Greenaway / Wikipedia

Michael Nyman
IMDb / Official Website / Wikipedia

01/04/2014

CDs #235: Rachmaninov, 24 Preludes

Apesar de hoje ser o dia que é, um novo regresso do compositor russo Sergei Rachmaninov (1873-1943) não resulta de qualquer descuido ou engano, mas apenas do facto de ele se ter lembrado de nascer a um dia 1 de Abril, no caso do ano de graça de 1873. E também não é por acaso que a sua música para piano volta à baila pois, além de ter sido um extraordinário pianista, deixou-nos um importante conjunto de obras para esse instrumento.

Desse conjunto fazem parte os Prelúdios, num total de 24, assim distribuídos:

- Um isolado, o Op.3 Nº2,
- Outros 10 prelúdios, sob o Op.23, e
- Mais 13, sob o Op.32

Por feliz coincidência estes 24 prelúdios demoram, regra geral (!), um pouco menos de 80 minutos a serem tocados, o que cabe perfeitamente dentro de um único CD. Foi precisamente o que fez o pianista escocês Steven Osborne (1971-), que os gravou em Agosto de 2008, resultando neste disco da editora Hyperion.




Sergei Rachmaninov
Preludes - in C sharp minor, Op.3 No.2; Op.23; Op.32.
Steven Osborne
Hyperion CDA67700
(2008)


Internet



Sergei Rachmaninov
The Rachmaninoff Network / Piano Society

Steven Osborne
Steven Osborne Pianist

23/03/2014

Sinfonias #48: Sinfonia Nº3, de Mieczysław Weinberg

O compositor polaco Mieczysław Weinberg (1919-1996) foi mais um daqueles que o tempo se encarregou de colocar na prateleira dos esquecidos, a tal ponto que hoje raramente as suas obras são interpretadas em público. Nascido em 1919 em Varsóvia, de ascendência judaica, não teve tempo para usufruir no seu país dos estudos efectuados no Conservatório daquela cidade: terminou-os em 1939, e rapidamente teve que se pôr a andar, no caso para a União Soviética, que os tempos adivinhavam-se difíceis. A restante família (pais e irmã) ficariam para trás e não sobreviviriam à brutalidade nazi.

A mudança para a União Soviética não significou, contudo, o fim dos problemas para Weinberg, que viria a ser mais uma das vítimas da política cultural de Andrei Zhdanov (1896-1948); só em 1953, com a morte de Josef Stalin (1879-1953) é que finalmente se viu livre de sarilhos. Apesar de todos estes percalços deixou-nos uma obra vasta, de cerca de centena e meia de peças, das quais apenas as duas primeiras (uma pequena peça para piano solo e um quarteto de cordas) foram escritas na Polónia.

O género sinfónico foi um dos que mais o ocupou, tendo composto 20 sinfonias entre 1942 (Op.10) e 1988 (Op.150), além de 4 "Sinfonias de Câmara". A composição da Sinfonia Nº3 foi iniciada em Março de 1949 e foi com ela que os problemas com Zhdanov & Companhia começaram; ele bem que lá enfiou melodias populares locais, conforme era o desejo das autoridades, mas não as conseguiu impressionar por aí além, tendo tido que adiar a estreia por "ter descoberto alguns erros na partitura"... Estreia essa que acabaria por ter lugar no dia 23 de Março de 1960, passam hoje 54 anos.


SACD


Mieczysław Weinberg
The Golden Key, Op.55 - Suite No.4. Symphony No.3, Op.45.
Gothenburg Symphony Orchestra
Thord Svedlund
Chandos CHSA5089
(2009, 2010)


Internet



Mieczysław Weinberg


16/03/2014

Meios-sopranos #5: Christa Ludwig (1928-)

No dia do 86º aniversário de Christa Ludwig, e na falta de tempo para preparar algo de mais substancial, deixo aqui um par de vídeos onde aparece a interpretar dois dos compositores em que mais se notabilizou: Richard Strauss (1864-1949) e Richard Wagner (1813-1883).

Estes dois documentos são absolutamente históricos, sendo que o primeiro tem ainda o aperitivo extra de Ludwig aparecer acompanhada ao piano pelo lendário Gerald Moore (1899-1987) que, além do mais, ainda faz as honras da casa...




Christa Ludwig

04/03/2014

CDs #234: Vivaldi, Stabat Mater, Clarae Stellae

O compositor italiano Antonio Vivaldi (1678-1741), o padre ruivo, tem sido dos mais nomeados por estas páginas, pela influência decisiva que teve na história da música. Vivaldi consolidou o concerto grosso e foi o grande responsável pela popularização do concerto instrumental, e têm sido estas suas facetas que têm justificado as várias aparições no desNorte. Escreveu igualmente música de cena e vocal, nomeadamente religiosa, e é a este último género que pertencem as obras que constam deste extraordinário disco.

Vivaldi foi, durante muitos e bons anos, responsável musical da Ospedale della Pietà, um convento e orfanato em Veneza, que se viria a tornar igualmente numa reputada escola de música. Pudera, com professores do calibre de Vivaldi... Tendo lá começado, em 1704, apenas como professor de violino, só a partir de 1713 passaria a ter também responsabilidades de composição. Sabe-se, contudo, que já se tinha aventurado a compor música sacra antes de 1713 pois, além de ser uma pessoa de fé (foi ordenado padre quando tinha 25 anos), não era homem para perder uma boa oportunidade e, em 1712, musicou 10 dos 20 versos de Stabat Mater, um poema medieval que descreve a angústia Maria durante a crucificação de Jesus. E como é que se sabe isto?! É que a obra foi uma encomenda da Chiesa della Pace, uma igreja em Bréscia, e o montante pago a Vivaldi aparece nos seus livros...

O cravista e maestro Rinaldo Alessandrini (1960-) é um dos intérpretes mais conceituados da música italiana composta entre 1550 e 1750, nomeadamente da de Claudio Monteverdi (1567-1643) e de Vivaldi. Neste disco Alessandrini aparece a dirigir o Concerto Italiano, um agrupamento que fundou na primeira metade da década de 1980, e conta ainda com a participação do contralto Sara Mingardo.

Antonio Vivaldi nasceu há 336 anos, no dia 4 de Março de 1678.




Antonio Vivaldi
Musica Sacra, Vol.1.

Concerto per la Solennità di S. Lorenzo, RV556. Clarae stellae
scintillate, RV625. Concerto in do maggiore per violino, violoncello,
organo, archi e continuo, RV554a. Concerto funebre, RV579. Stabat
Mater, RV621. Sonata a 4 al Santo Sepolcro, RV130.

Sara Mingardo (contralto)
Concerto Italiano
Rinaldo Alessandrini
Opus 111 OPS 30-261
(1999)


Internet



Antonio Vivaldi
Classical Music Pages / Karadar Classical Music / Naxos / Classical Music Archives / About.com / P. Q. P. Bach / Goldberg / E-biografias / Wikipedia

02/03/2014

Poemas Sinfónicos #5: Aus Italien, de Richard Strauss

Os poemas sinfónicos do compositor alemão Richard Strauss (1864-1949) têm passado por aqui frequentemente, ou não tivesse sido ele um dos grandes promotores do género depois da sua introdução por outro grande compositor, Franz Liszt (1811-1886); este último, se não os inventou, pelo menos deu-lhes a designação e popularizou-os como nunca tinha acontecido até então.

Aus Italien foi o primeiro poema sinfónico que Strauss compôs, cuja escrita foi iniciada ainda durante uma pequena visita que fez a Itália, em 1886, e terminada em Setembro desse mesmo ano. A estreia deste que passa por ser o menos tocado dos poemas sinfónicos deste compositor ocorreu há 127 anos, no dia 2 de Março de 1887. Na ocasião o próprio Strauss dirigiu a orquestra, e se não se pode afirmar que tenha sido um sucesso estrondoso também não foi um rotundo fracasso...


SACD


Richard Strauss
Aus Italien, Op.16. Don Juan, Op.20.
Vienna Radio Symphony Orchestra
Bertrand de Billy
Oehms Classics OC631


Internet



Richard Strauss

19/02/2014

Tenores #10: Vittorio Grigolo (1977-)

Peter Pears (1910-1986) foi o último tenor que por aqui passou, já lá vão bem mais de 5 anos. Interrompo hoje tão prolongada ausência, aproveitando o facto de um outro tenor, o italiano Vittorio Grigolo, celebrar hoje o seu 37º aniversário (nasceu no dia 19 de Fevereiro de 1977).

Esquecendo a marmelada que lançou em 2006, o disco que realmente conta para o seu prestígio como cantor lírico foi o que editou em 2010, intitulado "The Italian Tenor", e que passou por ser um dos melhores desse ano. Neste disco interpreta áreas de óperas de 3 distintos compositores, a saber: Giuseppe Verdi (1813-1901), Gaetano Donizetti (1797-1848) e Giacomo Puccini (1858-1924), sendo que no vídeo mais abaixo aparece precisamente a cantar uma área deste último (da ópera Tosca).

P. S. Não foi fácil encontrar uma fotografia do homem em que não se parecesse com um tal de "Vittorio Gigolo"...


CD



'The Italian Tenor'
Vittorio Grigolo (tenor)
Teatro Regio di Parma Orchestra
Pier Giorgio Morandi
Sony Classical 88697-72384-2


Internet



Vittorio Grigolo
Official Website / Wikipedia



08/02/2014

Concertos para Piano #15: Concerto para Piano Nº3, de Béla Bartók

Já sabemos (ver aqui) que o Concerto para Piano Nº1 do compositor húngaro Béla Bartók (1881-1945) esteve longe de ter sido bem recebido pelo público, e nem o facto da estreia (em Julho de 1927) ter contado com o maestro Wilhelm Furtwängler (1886-1954) ajudou a ultrapassar a indiferença generalizada. Talvez por isso o seu segundo concerto, composto no início da década de 1930, já tenha sido bem mais acessível, com o público a reagir de imediato mais favoravelmente.

O seu terceiro e último concerto para piano foi escrito quando já se encontrava nos Estados Unidos, para onde se tinha mudado em consequência do estalar da 2ª Guerra Mundial. Não dá oportunidades para grandes demonstrações de virtuosismo por parte do solista, assim como não faz muito uso de melodias tradicionais do seu país. O que perdeu nisso ganhou em melodia, o que facilitou a sua aceitação geral.

O período em que o escreveu (meados da década de 1940) não foi um período feliz na vida de Bartók, longe disso, tendo apenas escrito duas obras completas, sendo que este concerto não foi uma delas: foi terminado pelo seu amigo Tibor Serly (1901-1978) e estreado no dia 8 de Fevereiro de 1946, passam hoje 68 anos. Na ocasião, o pianista de serviço foi um outro amigo seu, o igualmente húngaro György Sándor (1912-2005), com o maestro Eugene Ormandy (1899-1985) a dirigir a Orquestra de Filadélfia.


CDs


Sergei Prokofiev
Piano Concertos - No.1 in D flat, Op.10; No.3 in C, Op.26.
Béla Bartók
Piano Concerto No.3 in E major, Sz119.
Martha Argerich (piano)
Montreal Symphony Orchestra
Charles Dutoit
EMI 5 56654-2
(1997)

Béla Bartók
Piano Concerto No.3 in E major, Sz119. For Children, Sz42 - Allegretto; Andante;
Allegro scherzando; Molto vivace.
Franz Liszt
Au bord d'une source, S160 No.4. Concert Studies, S144 - No.2, La leggierezza;
No.3, Un sospiro; S145 - No.1, Waldesrauschen.
Louis Kentner (piano)
BBC Symphony Orchestra
Adrian Boult
Pearl GEM0148
(1937-49)

Béla Bartók
Piano Concertos - No.1, Sz83; No.2, Sz95; No.3, Sz119.
Peter Donohoe (piano)
City of Birmingham Symphony Orchestra
Simon Rattle
EMI 7 54871-2

Béla Bartók
Piano Concertos - No.1, Sz83; No.2, Sz95; No.3, Sz119.
Jean-Efflam Bavouzet (piano)
BBC Philharmonic Orchestra
Gianandrea Noseda
Chandos CHAN10610
(2009, 2010)

Johann Sebastian Bach
Piano Concerto in D minor, BWV1052 (arr. Busoni).
Franz Liszt
Piano Concerto No.1 in E flat, S124.
Béla Bartók
Piano Concerto No.3, Sz119.
Dinu Lipatti (piano)
Royal Concertgebouw Orchestra, Eduard van Beinum
Orchestra de la Suisse Romande, Ernest Ansermet
South West German Radio Symphony Orchestra, Paul Sacher
EMI Références 5 67572-2


Internet



Béla Bartók


02/02/2014

Obras Vocais #12: Three Songs, Op.10, de Samuel Barber

Romancista e poeta, James Joyce (1882-1941) foi um dos mais importantes escritores da primeira metade do século passado, com uma obra em particular, o romance Ulysses, a suscitar as reacções mais apaixonadas. Apesar de editada (embora a prestações) primeiro nos Estados Unidos (no jornal The Little Review), a sua edição chegou a estar proibida nesse país, o que lhe permitiu permanecer durante vários anos na lista dos produtos mais contrabandeados...

Em Maio de 1907 o editor inglês Charles Elkin Mathews (1851-1921) publicou uma série de (36) poemas de James Joyce sob o nome de Chamber Music. O compositor norte-americano Samuel Barber (1910-1981) foi um felizes vencedores do Prix de Rome, no caso dele em 1935, prémio instituído em França em 1663 e tão conhecido pelos compositores que distinguiu como por aqueles que deixou de fora (sendo o caso mais notório o de Maurice Ravel). Pois no caso de Barber o facto de o ter ganho permitiu-lhe passar dois anos a estudar na Academia Americana de Roma, período durante o qual acabou por escrever várias canções, entre as quais três ("Rain Has Fallen", "Sleep Now" e "I Hear an Army") a partir de poemas de Joyce, retirados precisamente de Chamber Music.

Reproduzo aqui o primeiro deles, adequado aos tempos que correm:

Rain Has Fallen All the Day

Rain has fallen all the day.
O come among the laden trees:
The leaves lie thick upon the way
Of mem'ries.

Staying a little by the way
Of mem'ries shall we depart.
Come, my beloved, where I may
Speak to your heart. 


James Joyce nasceu há 132 anos, no dia 2 de Fevereiro de 1882.


CDs



Samuel Barber
The Complete Songs.
Three Songs, Op.2. Three Songs, Op.10. Four Songs, Op.13. Dover Beach, Op.3.
Two Songs, Op.18. Nuvoletta, Op.25.
Cheryl Studer (soprano), Thomas Hampson (barítono), John Browning (piano)
Emerson String Quartet
Deutsche Grammophon 459 5062

Songs by Samuel Barber
Dover Beach, Op.3. Hermit Songs, Op.29. Mélodies passagères, Op.27.
Three Songs, Op.2. Three Songs, Op.10. Four Songs, Op.13.
Gerald Finley (bar), Julius Drake (piano)
Hyperion CDA67528
(2005, 2007)


Internet



James Joyce
Zurich James Joyce Foundation / biography.com / The Literature Network / Song of America / Bloomsday / Wikipedia

Samuel Barber
allmusic / Classical Archives / Classical Net / Naxos / Song of America / Wikipedia

26/01/2014

Violoncelistas #13: Jacqueline du Pré (1945-1987)

O dia 26 de Janeiro é um dia particularmente rico no que à música diz respeito, com a celebração, por exemplo, da estreia de várias óperas importantes (de Handel, Mozart, Offenbach e Richard Strauss, para nomear apenas alguns).

Foi também neste dia, no ano de 1945, que nasceu a violoncelista inglesa Jacqueline du Pré, de quem já anteriormente aqui falei. A trágica história dela é sobejamente conhecida, com o diagnóstico de esclerose múltipla que lhe foi feito em 1973, doença de cujos sintomas começou a sofrer em 1971, e que a forçou a abandonar a carreira musical quando contava apenas 28 anos. Teve mesmo assim tempo de construir uma das mais fabulosas carreiras no mundo da música, e deixar-nos um conjunto de gravações de absoluta referência, em particular a do Concerto para Violoncelo de Edward Elgar (1857-1934), que efectuou em 1965 com a Orquestra Sinfónica de Londres sob a direcção de John Barbirolli (1899-1970).

O vídeo que mostro a seguir, onde du Pré interpreta precisamente esta obra, tem a curiosidade adicional de ter à frente da orquestra Daniel Barenboim (1942-), com quem casou em 1967. O mesmo Barenboim que este ano dirigiu a Orquestra Filarmónica de Viena no famoso Concerto de Ano Novo.

Desta vez não há aqui nenhuma lista de discos, apenas o vídeo do concerto. Disfrutem.


20/01/2014

Maestros #60: Claudio Abbado (1933-2014)


Hoje foi um dia particularmente triste, com a notícia do falecimento do grande maestro italiano Claudio Abbado. A minha admiração por ele já por aqui foi expressa várias vezes, a última das quais há cerca de um ano e meio, a propósito de um CD do tenor alemão Jonas Kaufmann (1969-), no qual Abbado aparece a dirigir uma orquestra que ele próprio ajudou a fundar em 1997, a Mahler Chamber Orchestra.


Internet



Claudio Abbado
PúblicoRTP / TSF / Expresso / Euronews / Berliner Philharmoniker / Mahler Chamber Orchestra

19/01/2014

Sinfonias #47: Sinfonia Nº38, de Wolfgang Amadeus Mozart

Ao contrário do que se possa pensar, houve uma época, em particular na segunda metade da década de 1780, em que as óperas do compositor austríaco Wolfgang Amadeus Mozart (1756-1791) eram mais apreciadas fora de portas do que propriamente em Viena. Foi o caso, por exemplo, de Le nozze di Figaro, retirada de cena após 8 récitas apenas. Não admira, assim, que em Janeiro de 1787 o nosso compositor e respectiva esposa tenham dado um salto a Praga, onde o público era bem mais receptivo às suas obras.

Para essa primeira viagem a Praga, Mozart levou na bagagem uma nova sinfonia, que tinha terminado na primeira semana de Dezembro do ano anterior (1786). A Sinfonia Nº38, K504, por via da cidade onde foi estreada, ficou irremediavelmente conhecida como "Sinfonia Praga", sendo que passam hoje 227 anos sobre a sua estreia, ocorrida a 19 de Janeiro de 1787.


CDs






Wolfgang Amadeus Mozart
Symphonies - No.38 in D, "Prague", K504; No.39 in E flat, K543.
The English Concert
Trevor Pinnock
Archiv Produktion 449 142-2

Wolfgang Amadeus Mozart
Symphonies - No.29 in A, K201/K186a; No.35 in D, 'Haffner', K385;
No.38 in D, 'Prague', K504.
Royal Philharmonic Orchestra
Thomas Beecham
BBC Legends BBCL4027-2

Wolfgang Amadeus Mozart
Symphony No.38 in D, 'Prague', K504. Piano Concerto No.25 in C, K503.
Ch'io mi scordi di te… Non temer, amato bene, K505.
Bernarda Fink (meio-soprano), Christian Zacharias (piano)
Lausanne Chamber Orchestra
Christian Zacharias
Dabringhaus und Grimm MDG340 0967-2

Wolfgang Amadeus Mozart
Symphonies - No.36 in C, 'Linz', K425; No.38 in D, 'Prague', K504;
No.40 in G minor, K550; No.41 in C, 'Jupiter', K551.
English Chamber Orchestra
Jeffrey Tate
EMI Double Forte CZS5 74185-2

Wolfgang Amadeus Mozart
Symphonies - No.36 in C, K425, 'Linz'; No.38 in D, K504, 'Prague'; No.39 in E flat, K543.
Gürzenich Orchestra of Cologne
Günter Wand
Testament SBT1305

Wolfgang Amadeus Mozart
Symphonies 38-41.
Scottish Chamber Orchestra
Charles Mackerras
Linn Records CKD308

Wolfgang Amadeus Mozart
Symphonies - No.29 in A major, K201/186a; No.33, K319; No.35, 'Haffner', K385;
No.38, 'Prague', K504; No.41, 'Jupiter', K551.
Orchestra Mozart
Claudio Abbado
Archiv Produktion 477 7598

Wolfgang Amadeus Mozart
Symphony No. 38 in D major, 'Prague', K504. Flute Concerto No. 2 in D major, K314.
Exsultate, jubilate, K165. Serenade, K361.
Leopold Mozart
Trumpet Concerto in D major.
André Pepin (flauta), Janine Micheau (soprano), Michel Cuvit (trompete)
Suisse Romande Orchestra
Paris Conservatoire Orchestra
Ernest Ansermet
Decca Eloquence 480 0379

Robert Schumann
Manfred - Overture.
Wolfgang Amadeus Mozart
Symphony No.38, 'Prague', K504.
Ludwig van Beethoven
Symphony No.3, 'Eroica'.
Berlin Philharmonic Orchestra
Carl Schuricht
Testament SBT21403

Sir Thomas Beecham in Toronto
CBC Symphony Orchestra
Toronto Symphony Orchestra
Thomas Beecham
Music & Arts CD1255
(1958-1960)

Bruno Walter - The Edition
Columbia Symphony Orchestra
New York Philharmonic Orchestra
Bruno Walter
Sony Classical 88765 48952-2

Otto Klemperer: RIAS Recordings, Berlin, 1950-1958
RIAS Symphony Orchestra
Otto Klemperer
Audite AUDITE21.408


Internet



Wolfgang Amadeus Mozart
the Mozart Project / Classical Archives / allmusic / Naxos / ArkivMusic / Wikipedia

05/01/2014

Obras Vocais #11: Cantata, BWV58, de Johann Sebastian Bach

As cantatas, género musical originário de Itália, tiveram o seu apogeu na Alemanha, onde ocuparam um lugar de enorme relevância durante os séculos XVII e XVIII, graças principalmente a um dos maiores nomes da história da música, Johann Sebastian Bach (1685-1750).

Bach compôs cerca de 250 cantatas, sendo que a 58ª (BWV58) foi escrita para o dia 5 de Janeiro de 1727, passando hoje, portanto, 287 anos sobre a sua estreia.

As primeiras linhas do texto (aqui exibidas numa tradução para inglês do original em alemão), de autor anónimo, soam quase como que premonitórias, considerando os tempos que se vivem (?!) em Portugal:

Ah God, how much heartbreak
Just patience, patience, my heart,
Do I encounter at this time!
It is an evil time!
The narrow way is full of tribulation
Yet the way of eternal Salvation
By which I must travel to heaven.
Leads to joy after pain;
Just patience, patience, my heart;
It is an evil time!


SACD



Johann Sebastian Bach
Cantatas, Volume 38
Falsche Welt, dir trau ich nicht, BWV52; Ich armer Mensch, ich Sündenknecht, BWV55;
Ach Gott, wie manches Herzeleid, BWV58; Ich habe genung, BWV82.
Carolyn Sampson (soprano), Gerd Türk (tenor), Peter Kooij (baixo)
Bach Collegium Japan
Masaaki Suzuki
BIS BIS-SACD1631
(2006)


Internet



Johann Sebastian Bach
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Cantata, BWV58
The J. S. Bach Home Page

29/12/2013

Violoncelistas #12: Pablo Casals (1876-1973)

Como protesto contra a benevolência com que o mundo em geral olhava para o regime fascista de Francisco Franco (1982-1975), o violoncelista catalão Pablo Casals retirou-se dos palcos, isto pouco depois do final da 2ª Guerra Mundial. O regresso apenas aconteceria em 1950, e por uma razão substancial: as celebrações do bicentenário do falecimento do compositor alemão Johann Sebastian Bach (1685-1750).

Nada mais apropriado para o dia de hoje, em que passam 137 anos sobre o nascimento de Pablo Casals, do que aqui juntar precisamente dois dos expoentes da música: Pablo Casals, pois claro, e Bach.


CD



Johann Sebastian Bach
6 Suites for Violoncello, BWV1007-12.
Pablo Casals (violoncelo)
EMI Classics 7 61027-2


Internet





Pablo Casals
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