19/08/2015

Sinfonias #51: Sinfonia Nº1, de George Enescu

Apesar de ser considerado o mais importante dos compositores romenos, o virtuosismo de George Enescu (1881-1955), o violinista, eclipsou em larga medida a sua faceta de compositor. Foi como intérprete, aliás, que teve a oportunidade de partilhar os palcos com outros grandes nomes, como o pianista Alfred Cortot (1877-1962), o violoncelista Louis Fournier ou o igualmente pianista Alfredo Casella (1883-1947).

Foi precisamente a este último que Enescu dedicou a sua Sinfonia Nº1, escrita em 1905 e estreada no dia 21 de Janeiro do ano seguinte. São óbvias as influências germânicas (Brahms, Wagner) e francesas (Berlioz, Franck) nesta obra, naturais para quem estudou as respectivas escolas, primeiro em Viena e logo depois em Paris.

George Enescu nasceu há 134 anos, no dia 19 de Agosto de 1881.


CDs


George Enescu
Symphony No.1 in E flat major, Op.13. Suite No.3 in D major, "Villageoise", Op.27.
BBC Philharmonic Orchestra
Gennady Rozhdestvensky
Chandos CHAN9507
(1995, 1996)

George Enescu
Symphonies - No.1 in E flat major, Op.13; No.2 in A major, Op.17; No.3 in C major, Op.21.
Vox Maris.
Catherine Sydney (soprano), Marius Brenciu (tenor)
Les Éléments Chamber Choir
Monte-Carlo Philharmonic Orchestra
Lyon National Orchestra
Lawrence Foster
EMI Classics 5 86604-2
(1990, 1992, 2004)


Internet



George Enescu

01/08/2015

Pianistas #43: John Ogdon (1937-1989)

Seis anos depois regresso a este pianista (e compositor) inglês, cuja carreira, a partir de certa altura, foi prejudicada pelos problemas de saúde mental que começou a evidenciar. Foi um dos alunos de uma das minhas pianistas de eleição, Myra Hess (1890-1965), aquela que, enquanto Londres era intensamente bombardeada pelas forças alemãs durante a 2ª Guerra Mundial, manteve uma série de recitais à hora de almoço na National Gallery.

Incluo mais abaixo dois vídeos que considero particularmente interessantes: no primeiro interpreta a Valse Oubliée de Franz Liszt; no segundo, apenas com som, toca o Concerto para Piano de Ferruccio Busoni (1866-1924), a obra com que se estreou em palco em Londres, corria o ano de 1958.

John Ogdon faleceu há 26 anos, no dia 1 de Agosto de 1989.


CDs




John Ogdon Plays a Liszt Recital
Années de pèlerinage, deuxième année, Italie, S161- No.7.
Liebesträume, S541 - No.1 in A flat, 'Hohe Liebe'.
Trauer-Vorspiel, S206 No.1 & No.2. Réminiscences de Simon
Boccanegra, S438. Two Concert Studies, S145. Études d'exécution
transcendants d'après Paganini, S140 - No.2 & No.3. Harmonies
poétiques et religieuses, S173 - No.7. Mephisto Waltz No.1, S514,
'Der Tanz in der Dorfschenke'.
John Ogdon (piano)
Testament SBT1133
(1961, 1963, 1966, 1968)

Franz Liszt
Piano Concertos - No.1 in E flat, S124; No.2 in A, S125. Mephisto
Waltz No.1, S514. Transcendental Study, S139 No.1.
John Ogdon (piano)
Bournemouth Symphony Orchestra, Constantin Silvestri
BBC Symphony Orchestra, Colin Davis
BBC Legends BBCL4089-2
(1967, 1969, 1970, 1971)

Sergei Rachmaninov
Etudes-tableaux - Op.33; Op.39.
Ferruccio Busoni
Variations and Fugue on Chopin's C minor Prelude, K213. Turandots
Frauengemach (Intermezzo), K249 No.4. Sonatina No.6, K284.
John Ogdon (piano)
Testament SBT1295
(1961, 1974)

John Ogdon - Legendary British Virtuoso
Obras de Bach, Bartók, Beethoven, Birtwistle, D. Blake, Busoni, Chaminade, Chopin,
Maxwell Davies, Debussy, Dukas, Dutilleux, Fauré, Franck, Glazunov, Goehr, Granados,
Grieg, Richard Hall, Headington, Hoddinott, Ibert, Ireland, Liszt, Litolff,
Mendelssohn, Messiaen, Moszkowski, Mozart, Ogdon, Poulenc, Rachmaninov, Rawsthorne,
Schmitt, Schumann, C. Scott, Johnson Sherlaw, Shostakovich, Sinding, Stevenson,
Tchaikovsky e Tippett
John Ogdon (piano), com Brenda Lucas (piano), James Holland, Tristan Fry (percussão)
John Alldis Choir
Royal Philharmonic Orchestra, Daniel Revenaugh
City of Birmingham Symphony Orchestra, Louis Frémaux
Philharmonia Orchestra, John Barbirolli, John Pritchard, Colin Davis
Bournemouth Symphony Orchestra, Paavo Berglund
New Philharmonia Orchestra, Paavo Berglund
London Symphony Orchestra, Aldo Ceccato
Royal Philharmonic Orchestra, Lawrence Foster
EMI Icon 7 04637-2

John Ogdon - The Complete RCA Album Collection
Obras de Alkan, Beethoven, Liszt, Mennin, Nielsen, Rachmaninov e Yardumian
John Ogdon (piano)
RCA 88843 03907-2


Internet



John Ogdon
John Ogdon Foundation / John Ogdon: A Pianist Possessed / Wikipedia

18/07/2015

Compositores #114: Jonathan Dove (1959-)

Apesar do curriculum do compositor londrino Jonathan Dove nos informar que este se tem dedicado a compor nos vários géneros musicais, a verdade é que se verifica um claro predomínio daqueles que envolvem vozes (música coral, ópera). Não é por acaso, aliás, que na biografia apresentada no seu site oficial, se refere que "Few, if any, contemporary composers have so successfully or consistently explored the potential of opera to communicate, to create wonder and to enrich people’s lives" (é preferível levarem aqui com a versão original em inglês do texto do que esbarrarem com uma tradução minha defeituosa...).

Para esta primeira aparição no desNorte, e no dia em que o compositor completa 56 anos, trago alguns dos discos (que considero) mais representativos da sua música vocal. Para se ter uma melhor noção do reconhecimento de que já goza no meio musical, refira-se que, por exemplo, a sua obra A Song of Joys abriu a última noite dos Concertos Promenade de 2010. Não é coisa pouca.


CDs


Jonathan Dove
Bless the Lord, O my soul. Missa brevis. I am the day. Wellcome, all wonders in one sight!
The Star-Song. The Three Kings. Run, shepherds, run! Ecce beatam lucem. In beauty may I walk.
Jonathan Vaughn (org)
Wells Cathedral School Chapel Choir
Wells Cathedral Choir
Matthew Owens
Hyperion CDA67768
(2009)

Jonathan Dove
There Was a Child.
Joan Rodgers (soprano), Toby Spence (tenor)
CBSO Chorus
CBSO Youth Chorus
CBSO Children's Chorus
City of Birmingham Symphony Orchestra
Simon Halsey
Signum SIGCD285
(2011)

Jonathan Dove
Out of Winter. Cut My Shadow. Ariel. All You Who Sleep Tonight.
Claire Booth (soprano), Patricia Bardon (meio-soprano), Nicky Spence (tenor),
Andrew Matthews-Owen (piano)
Naxos 8.573080
(2014)


Internet



Jonathan Dove

05/07/2015

Sopranos #20: Régine Crespin (1927-2007)

Há mais de 5 anos que por aqui não passava um soprano, tendo na altura a honra cabido à holandesa Gré Brouwenstijn (1915-1999), aquando do 10º aniversário do seu falecimento. Compreende-se então que andasse à procura de uma desculpa para colmatar tão evidente falha, e ela apareceu hoje, dia em que passam 8 anos sobre a morte de Régine Crespin.

Teve uma carreira algo atípica, iniciada em 1950 em Paris, mas continuada depois pela província francesa pelo facto do sucesso na capital não ter sido tão retumbante como o que desejaria; corria o ano de 1952 e só 3 anos mais tarde regressaria àquela cidade para dessa vez, sim, ser recebida triunfantemente. A carreira internacional começaria por um dos palcos mais prestigiados da cena operática, o do Festival de Bayreuth, para interpretar o papel de Kundry na ópera Parsifal de Richard Wagner.

A partir do início da década de 1970 começou a abraçar papéis de meio-soprano, pelas dificuldades que começou a exibir nos registos mais agudos. Esta alteração de repertório não a impediu de continuar a registar sucessos um pouco por todo o lado, até ao momento em que decidiu colocar um ponto final na carreira, em 1989; em Paris, cidade onde ela se tinha iniciado quase 4 décadas antes.


CDs


Francis Poulenc
Dialogues des Carmélites.
F. Lott, J. Chamonin, R. Crespin, A.-M. Rodde (sopranos), G. Barrial,
F. Laurent-Gérimont (meio-sopranos), P. d'Hollander (barítono), L. Pezzino,
B. Plantey (tenores), C. Vierne (contralto)
French Radio Chorus
French National Orchestra
Jean-Pierre Marty
INA Mémoire Vive IMV035

Richard Strauss
Der Rosenkavalier.
Régine Crespin, Arleen Auger, Helen Donath, Rosl Schwaiger (sopranos), Hans Reautschigg,
Kurt Equiluz, Murray Dickie, Luciano Pavarotti, Freidrich Strack, Adolf Tomaschek, Karl Terkal,
Anton Dermota, Franz Setzer, Nikolaus Simkowsky (tenores), Manfred Jungwirth, Alfred Jerger,
Leo Heppe, Otto Wiener, Alexander Maly (baixos), Herbert Lackner, Herbert Prikopa (barítonos),
Yvonne Minton, Ingrid Mayr, Emmy Loose (meio-sopranos), Rohangiz Yachmi, Anne Howells (altos)
Vienna State Opera Chorus
Vienna Philharmonic Orchestra
Georg Solti
Decca 475 9988
(1968)


Internet




Régine Crespin

13/06/2015

Clarinetistas #2: Benny Goodman (1909-1986)

Caso raro mas não único, o clarinetista americano Benny Goodman, além de ter sido um dos expoentes da música de jazz, desenvolveu igualmente uma extraordinária carreira como intérprete de música clássica. Da primeira não falo, porque pouco ou nada sei, da segunda limito-me a referir que, a par de se ter destacado nalgumas peças notáveis do período clássico, como o Concerto para Clarinete, K622, de Wolfgang Amadeus Mozart (1756-1791), tratou ainda de encomendar obras a destacados compositores seus contemporâneos.

Neste último caso salienta-se, naturalmente, a obra Contrasts, Sz111, de Béla Bartók (1881-1945), escrita após solicitação por carta do nosso bem conhecido violinista Joseph Szigeti (1892-1973), mas, sabe-se, sob encomenda de Benny Goodman. A estreia da versão original, em 2 movimentos, teve lugar em Nova Iorque no dia 9 de Janeiro de 1939, tendo contado, além dos já citados Goodman e Szigeti, com o pianista Endre Petri (1907-1975). Bartók iria voltar a esta peça, sendo que na estreia da versão revista, agora já com 3 andamentos, seria o próprio compositor a tomar conta do piano.

Benny Goodman faleceu há 29 anos, no dia 13 de Junho de 1986.


Internet




Benny Goodman
Benny Goodman - The Official Website of the King of Swing / Biography.com / allmusic / Wikipedia

23/05/2015

CDs #237: Kempff Plays Mozart, Volume 1

O reconhecimento público do pianista alemão Wilhelm Kempff (1895-1991) chegou bem cedo, na segunda metade da década de 1910, tinha ele cerca de 20 anos. Por essa altura já ele aparecia regularmente com uma das mais conceituadas orquestras, a Filarmónica de Berlim. Curiosamente, e apesar de inúmeras apresentações fora de portas (América do Sul, Ásia, algumas zonas da Europa), apenas pôs os pés pela primeira vez em Inglaterra (Londres) em 1951 e nos Estados Unidos (Nova Iorque) em 1964, a alguns meses de celebrar o seu 70º aniversário!

Algo de comum aos (grandes) pianistas alemães, construiu o seu repertório à volta dos compositores germânicos e austríacos dos períodos clássico e romântico, tendo-se destacado particularmente em Ludwig van Beethoven (1770-1827), Johannes Brahms (1833-1897), Franz Schubert (1797-1828) e Robert Schumann (1810-1856). A esta lista deveremos acrescentar Wolfgang Amadeus Mozart (1756-1791), como fica amplamente demonstrado nas interpretações que constam do disco duplo aqui hoje trazido, no dia em que se assinalam os 24 anos passados sobre a morte de Kempff.




Wolfgang Amadeus Mozart
Piano Concertos - No.8 in C major, 'Lützow', K246; No.21 in C major, K467;
No.22 in E flat major, K488; No.23 in A major, K488; No.24 in C minor, K491.
Wilhelm Kempff (piano)
Bamberger Symphoniker, Ferdinand Leitner
Berliner Philharmoniker, Ferdinand Leitner
Symphonieorchester des Bayerischen Rundfunks, Bernard Klee
Deutsche Grammophon Eloquence 480 6645
(1960, 1962, 1977)


Internet



Wilhelm Kempff
Bach Cantatas Website / allmusic / The New York Times / Wikipedia

02/05/2015

Obras Orquestrais #27: Lachian Dances, de Leos Janácek

Até meados da década de 1890 o compositor checo Leoš Janáček (1854-1928) dedicou muito do seu tempo ao estudo da música tradicional da sua região, a Morávia. As suas obras viriam a reflectir amplamente os resultados dessa pesquisa, sendo as Lachian Dances um dos bons exemplos de tal influência.

Datando a sua publicação de 1928, o ano da morte de Janáček, elas foram inicialmente compostas entre os finais da década de 1880 e os inícios da seguinte, precisamente na época em que ele procedia à pesquisa e recolha do folclore da sua região natal.

A 11 de Janeiro de 1889 chegou a haver uma interpretação pública da primeira versão da obra; em 1925, contudo, Janáček voltaria a pegar nela, resultando das alterações introduzidas a sua versão final. Esta teria a sua estreia no dia 2 de Maio de 1925 (passam hoje 90 anos), apenas 3 anos e pouco antes do falecimento do compositor.


CD



Leoš Janáček
Taras Bulba. Lachian Dances. Moravian Dances.
Warsaw Philharmonic Orchestra
Antoni Wit
Naxos 8.572695
(2010, 2011)


Internet



Leoš Janáček
Leoš Janáček / allmusic / Naxos / Wikipedia

18/04/2015

Poemas Sinfónicos #6: The Isle of the Dead, de Sergei Rachmaninov

Em Maio de 1880 o pintor suíço Arnold Böcklin (1827-1901) pintou a primeira das cinco versões do seu mais famoso quadro, "Isle of the Dead" ("Die Toteninsel"):


Dies irae ("Dias da ira") é um hino em latim, do século XIII, popularizado pela sua utilização na Missa de Requiem da Igreja Católica:


Inspirado no primeiro e atraído pelo segundo, o compositor russo Sergei Rachmaninov (1873-1943) compôs, em 1909, o poema sinfónico The Isle of the Dead, uma obra inevitavelmente melancólica e sombria (e incrivelmente bela, diria ainda), estreada passam hoje 106 anos (embora nem todas as fontes coincidam na data da estreia).


CDs




Sergei Rachmaninov
Symphony No1 in D minor, Op.13. Isle of the Dead, Op.29.
USSR State Symphony Orchestra
Evgeni Svetlanov
Regis RRC1247
(1966)

Sergei Rachmaninov
The Isle of the Dead, Op.29. Etudes-tableaux (orch. Respighi) - Op.33 No.4; Op.39 No.2.
Modest Mussorgsky
Picture at an Exhibition (orch. Ravel).
BBC Symphony Orchestra
Evgeni Svetlanov
BBC Legends BBCL4259-2

Sergei Rachmaninov
The Isle of the Dead, Op.29. The Rock, Op.7. Symphonic Dances, Op.45.
Royal Liverpool Philharmonic Orchestra
Vasily Petrenko
Avie AV2188

Dimitri Shostakovich
Symphony No.5 in D minor, Op.47.
Sergei Rachmaninov
The Isle of the Dead, Op.29.
London Symphony Orchestra
USSR State Symphony Orchestra
Evgeni Svetlanov
BBC Legends BBCL4226-2

Sergei Rachmaninov
Symphony No.l in D minor, Op.13. The Isle of the Dead, Op.29.
Detroit Symphony Orchestra
Leonard Slatkin
Naxos 8.573234
(2012)

Great Conductors of the 20th Century - Serge Koussevitzky
Pyotr Ilyich Tchaikovsky
Symphony No.5 in E minor, Op.64.
Sergei Rachmaninov
The Isle of the Dead, Op.29.
Franz Liszt
Mephisto Waltz No.1, S110.
Jean Sibelius
Symphony No.7 in C, Op.105.
Roy Harris
Symphony No.3.
Ludwig van Beethoven
Symphony No.5 in C minor, Op.67.
Boston Symphony Orchestra
BBC Symphony Orchestra
London Philharmonic Orchestra
Serge Koussevitzky
EMI 5 75118-2
(1944, 1945, 1936, 1933, 1939, 1934)


Internet



Sergei Rachmaninov
Rachmaninoff / allmusic / naxos / Wikipedia

28/03/2015

Pianistas #42: Rudolf Serkin (1903-1991)

O pianista austríaco Rudolf Serkin, de quem hoje se assinalam os 112 anos passados sobre o seu nascimento, já por aqui passou algumas vezes, a última das quais em 2008, sem, contudo, ter tido direito à inserção de qualquer vídeo onde aparecesse a tocar.

Serkin distinguiu-se principalmente nos grandes compositores austríacos e alemães em geral, e em Ludwig van Beethoven (1770-1827), em particular, sendo precisamente a interpretar uma sonata deste último que o podemos ver (e ouvir) num dos vídeos anexos.

Aproveitei ainda a oportunidade para incluir uma entrevista em que Serkin é questionado por outro grande músico, o violinista Isaac Stern (1920-2001).


CDs


Ludwig van Beethoven
Piano Concertos - No.1 in C major, Op.15; No.2 in B flat major, Op.19;
No.3 in C minor, Op.37; No.4 in G major, Op.58; No.5 in E flat major,
'Emperor', Op.73. Fantasia in C minor, 'Choral Fantasy', Op.80.
Rudolf Serkin (piano)
Bavarian Radio Symphony Orchestra
Rafael Kubelik
Orfeo C647 053D
(1977)

Johann Sebastian Bach
Capriccio in E major, BWV993.
Max Reger
Variations and Fugue on a Theme of J. S. Bach.
Ludwig van Beethoven
Piano Sonata No.24 in F sharp major, Op.78.
Piano Sonata No.21 in C major, 'Waldstein', Op.53.
Rudolf Serkin (piano)
BBC Legends BBCL4177-2
(1973)

Wolfgang Amadeus Mozart
Piano Concerto No.20 in D minor, K466.
Ludwig van Beethoven
Piano Concertos - No.1 in C major, Op.15; No.5 in E flat major, 'Emperor', Op.73.
Symphony No.7 in A major, Op.92.
Rudolf Serkin (piano)
New York Philharmonic Symphony Orchestra
Guido Cantelli
Music & Arts CD1170
(1953, 1954)

Felix Mendelssohn
Prelude and Fugue, Op.35 No.1.
Johannes Brahms
Four Pieces, Op.119.
Ludwig van Beethoven
Diabelli Variations, Op.120.
Rudolf Serkin (piano)
BBC Legends BBCL4211-2
(1969, 1975)

Ludwig van Beethoven
Piano Sonatas - No.29, 'Hammerklavier', Op.106; No.31, Op.110.
Rudolf Serkin (piano)
BBC Legends BBCL4241-2


Internet



Rudolf Serkin


15/03/2015

Obras Orquestrais #26: Rhapsodie espagnole, de Maurice Ravel

A mãe do compositor francês Maurice Ravel (1875-1937) era basca, embora tenha passado uma boa parte da juventude em Madrid. As memórias maternais desse tempo inspiraram o jovem Ravel em várias obras, particularmente na ópera L'Heure espagnole e na peça orquestral que aqui trago hoje, a Rhapsodie espagnole, de 1907.

A estreia, em Paris, a 15 de Março de 1908, passam hoje 107 anos, foi mais um daqueles eventos que ficaram na história da música e daquela cidade; não que a orquestra, dirigida pelo maestro, igualmente francês, Édouard Colonne (1838-1910), não tenha estado à altura do acontecimento, mas pelo facto de os ocupantes dos lugares (sentados) mais caros terem permanecido mais ou menos impassíveis durante toda a sua execução. Já as galerias, onde se encontravam os amigos e alunos de Ravel, manifestaram ruidosamente o seu apreço pela obra, de que resultou um encore do segundo andamento, Malagueña.

Findo esse encore, Florent Schmitt (1870-1958), que se encontrava também nas tais galerias, usou o seu vozeirão para solicitar ao maestro que voltasse a tocar o mesmo andamento, "para ver se finalmente os cavalheiros lá de baixo o conseguem entender!"...


CDs


Maurice Ravel
Boléro. Concerto for Piano Left-Hand and Orchestra. Pavane pour une infante défunte.
Rhapsodie espagnole. La valse.
Claire Chevallier (piano)
Anima Eterna
Jos van Immerseel
Zig Zag Territories ZZT060901

Maurice Ravel
Rhapsodie espagnole. Daphnis et Chloé - Suite No.2.
Igor Stravinsky
Song of the Nightingale. The Firebird - Suite.
New York Philharmonic Orquestra
Lorin Maazel
Deutsche Grammophon Concerts 477 7175

Maurice Ravel
Bolero. Alborada del gracioso. Rhapsodie Espagnole. La valse.
Orchestre Symphonique de Montréal
Charles Dutoit
Decca 410 010-2

Modest Mussorgsky
Pictures at an Exhibition.
Maurice Ravel
Rhapsodie espagnole. Ma Mere l'Oye. Bolero.
Boston Symphony Orchestra
Serge Koussevitzky
Naxos Historical 8.110154
(1930, 1945, 1947)

Claude Debussy
Nocturnes. La mer. Images - Ibéria.
Maurice Ravel
Alborada del gracioso. Rhapsodie espagnole. Daphnis et Chloé - Suite No.2.
Le tombeau de Couperin. La valse.
SWR Vocal Ensemble
SWR Stuttgart Radio Symphony Orchestra
Sergiu Celibidache
Deutsche Grammophon 453 194-2


Internet



Maurice Ravel


01/03/2015

Concertos para Violino #8: Concerto para Violino, "Concentric Paths", de Thomas Adès

O Concerto para Violino de Thomas Adès (1971-) resultou de uma encomenda conjunta da Berliner Festspiele (centro de artes em Berlim, Alemanha) e da Orquestra Filarmónica de Los Angeles; composto em 2005, teve a sua estreia a 4 de Setembro desse ano, em Berlim. O violinista de serviço nessa altura foi o inglês Anthony Marwood, o dedicatário da obra, e que iria estar igualmente na estreia em solo americano, no dia 10 de Fevereiro de 2006, com a Orquestra Filarmónica de Los Angeles a ser dirigida pelo compositor.

Não deixa de ser curioso que nenhum destes eventos apareça referido na história deste concerto apresentada no site do próprio Thomas Adès, sendo que a primeira interpretação que lá aparece referida é de 26 de Junho de 2006...

Thomas Adès celebra hoje o seu 44º aniversário.


CDs


Thomas Adès
Tevot. Violin Concerto, 'Concentric Paths'. Three Studies after Couperin.
Powder Her Face - Suite.
Anthony Marwood (violino)
National Youth Orchestra of Great Britain, Paul Daniel
Berlin Philharmonic Orchestra, Simon Rattle
Chamber Orchestra of Europe, Thomas Adès
EMI Classics 4 57813-2

Thomas Adès
Violin Concerto, 'Concentric Paths'.
Jean Sibelius
Violin Concerto, Op.47. Humoresques - Op.87 No.2 in D major; Op.89 No.2 in G minor;
Op.89 No.3 in E flat major.
Augustin Hadelich (violino)
Royal Liverpool Philharmonic Orchestra
Hannu Lintu
Avie AV2276
(2013) 


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Thomas Adès

15/02/2015

Compositores #113: John Adams (1947-)

Richard Nixon (1913-1994), foi presidente dos Estados Unidos entre 1969 e 1974, tendo sido forçado a resignar por causa do caso Watergate. Na sequência de uma vontade já por si proclamada antes de ser eleito, Nixon visitou a China de Mao Tsé-Tung (1893-1976) entre 21 e 28 de Fevereiro de 1972, numa tentativa de melhorar as relações entre os dois países. Foi a primeira visita de presidente norte-americano àquele país, e deu origem à expressão "Nixon goes to China", utilizada para identificar acções de certo modo inesperadas por parte de políticos.

Dessa visita, além das repercussões políticas, resultou também uma ópera, do compositor norte-americano John Adams, escrita entre 1985 e 1987 e apropriadamente intitulada de "Nixon in China". Foi, por sinal, a primeira ópera de John Adams, e a estreia, a 22 de Outubro de 1987, foi um sucesso "assim-assim". Apesar da acentuada melhoria das relações verificada nos últimos anos, a verdade é que esta ópera ainda espera a sua estreia em terras chinesas...

John Adams celebra hoje o seu 68º aniversário.


CD


John Adams
Nixon in China
Trudy Ellen Craney, Carolann Page (sopranos), Marion Dry, Stephanie Friedman,
Mari Opatz (meios-sopranos), John Duykers (tenor), Thomas Hammons,
James Maddalena, Sanford Sylvan (barítonos)
Orchestra of St. Luke's
Edo de Waart
Nonesuch 79177-2


Internet




John Adams

31/01/2015

Obras para Bailado #6: Bolero, de Maurice Ravel

Apesar de ser, e por larga margem, a obra mais famosa do compositor francês Maurice Ravel (1875-1937), Bolero não seria certamente a peça deste compositor que eu levaria para uma ilha deserta. Excepto, possivelmente, se, além de som, tivesse acesso a imagens; aí o caso seria completamente diferente, e a dificuldade residiria apenas na escolha dos bailarinos que interpretassem a coreografia de Maurice Béjart (1927-2007).

Deixo aqui duas versões que, na minha "ignorância bailística", me parecem extraordinárias: a primeira com a russa Maya Plisetskaya (1925-), e uma outra com o bailarino argentino Jorge Donn (1947-1992).



Internet



Maurice Ravel
Maurice Ravel / Classical Net / Wikipedia

Maurice Béjart
Béjart Ballet Lausanne / Maurice Béjart / Wikipedia

19/01/2015

Maestros #65: Simon Rattle (1955-)

O compositor de origem húngara György Ligeti (1923-2006) foi um dos mais importantes da cena musical da 2ª metade do século passado.

Escreveu música de vários géneros (instrumental, vocal, de câmara, orquestral) mas deixou-nos apenas uma ópera, Le Grand Macabre, com um libreto baseado na obra La balade du grand macabre do dramaturgo belga Michel de Ghelderode (1898-1962).

Esta ópera foi estreada em Estocolmo no dia 12 de Abril de 1978, tendo sofrido posteriormente uma revisão que iria ser estreada a 28 de Julho de 1997, em Salzburgo. Há 3 árias desta ópera que, sob o título de Mysteries of the Macabre, ganharam vida própria e uma popularidade assinalável. A canadiana Barbara Hanning (1971-) tem sido um dos seus mais destacados intérpretes, como foi possível confirmar recentemente (na semana passada) num concerto da Orquestra Sinfónica de Londres dirigida pelo maestro inglês Simon Rattle, transmitido em directo pelo canal Mezzo HD.

E porque Rattle é o nosso aniversariante de hoje, celebrando o seu 60º aniversário, e assistir ao soprano Barbara Hanning nestes Mysteries of the Macabre é uma imensa festa, deixo aqui um video onde ambos aparecem, embora numa versão truncada (o vídeo deste último concerto não está - ainda? - disponível no YouTube). Junto ainda uma versão completa, ainda com Hanning, em que ela mesma dirige a Orquestra Sinfónia de Gotemburgo.


Internet



Simon Rattle
Berliner Philharmoniker / Gulbenkian Música / Wikipedia