23/04/2017

Pianistas #50: Colin Horsley (1920-2012)

Lennox Berkeley (1903-1989) foi mais um dos ilustres alunos da extraordinária professora Nadia Boulanger (1887-1979), que começou pela composição mas que cedo se virou para o ensino, após a morte em 1918 da sua irmã Lili Boulanger (1893-1918). E que sucesso ela teve no ensino, a lista dos alunos que passaram pelas suas aulas é algo de único no mundo da música.


Pois do inglês Lennox Berkeley diz-se habitualmente que deixou uma marca indelével na música britânica, apesar de não ter atingido a notoriedade de Benjamin Britten, Michael Tippett ou William Walton, o que é, simultaneamente, uma coisa simpática e assim não tão simpática para se dizer sobre alguém, mas que, neste caso, não andará longe da realidade.

O pianista Colin Horsley não era inglês, longe disso (se atendermos ao facto da Nova Zelândia ficar do outro lado do globo...), mas foi estudar para Londres em 1936 e acabaria por desenvolver toda a sua carreira em Inglaterra. Além de ter encomendado algumas obras a Lennox Berkeley, teve a oportunidade de estrear um apreciável número de outras deste compositor, entre as quais, em 1948, o Concerto para Piano, uma obra que tinha sido finalizada nesse mesmo ano.

Colin Horsley nasceu no dia 23 de Abril de 1920, passam hoje 97 anos.


CDs



'Colin Horsley - Rachmaninoff Preludes & Transcriptions'
Colin Horsley (piano)
Atoll Music ACD442
(1954-59)

Frederick Delius
Violin Sonata No.2.
Edward Elgar
Violin Sonata in E minor, Op.82.
William Walton
Violin Sonata.
Max Rostal (violino), Colin Horsley (piano)
Testament SBT1319

Lennox Berkeley
Piano Sonata in A major, Op.20. Six Preludes, Op.23. Scherzo in D major, Op.32 No.2.
Impromptu in G minor, Op.7 No.1.
Arthur Benjamin
Pastorale, Arioso and Finale. Scherzino. Études Improvisées. Siciliana.
Colin Horsley, Lamar Crowson (pianos)
Lyrita REAM2109


Internet



Colin Horsley
The Telegraph / the guardian / Independent / Wikipedia

16/04/2017

Obras Orquestras #33: Lichens, de Iannis Xenakis

Iannis Xenakis (1922-2001) cedo começou a utilizar nas suas composições os vastos conhecimentos matemáticos que possuía, baseando muitas das suas obras em programas informáticos e equações matemáticas por ele desenvolvidos. Não será, portanto, de admirar, que vários distintos nomes da música o tenham rejeitado como aluno, numa altura em que ele já vivia em Paris: Nadia Boulanger (1887-1979), primeiro, Arthur Honegger (1892-1955) e Olivier Messiaen (1908-1992), depois. Este último, sabedor do curriculum do candidato a aluno, depois de salientar a idade de Xenakis (na altura com quase 30 anos) e a sorte que este tinha em ser grego, arquitecto e ter estudado matemática, aconselhou-o a tirar o melhor partido de tudo isso nas suas obras musicais e... despachou-o...

Xenakis deixou-nos um significativo conjunto de obras instrumentais, de música de câmara, orquestrais e "avant-garde". Lichens, de 1983, é uma obra orquestral para 96 músicos, com uma duração aproximada de 16 minutos, e que foi estreada pela Orquestra Filarmónica de Liège, dirigida por Pierre Bartholomée (1937-), no dia 16 de Abril de 1984, passam hoje 33 anos.


CD



Iannis Xenakis
Jonchaies. Shaar. Lichens. Antikhthon.
Luxembourg Philharmonic Orchestra
Arturo Tamayo
Timpani 1C1062


Internet



Iannis Xenakis
Iannis Xenakis / the guardian / Wikipedia

08/04/2017

Obras Orquestrais #32: Arcana, de Edgard Varèse

Paracelso (1493-1541) foi daquele tempo em que muito boa gente sabia muito de muita coisa, em evidente contraste com os tempos actuais, em que, neste país, a maior parte das pessoas abandona a meio o percurso escolar, saindo lá sem saber quase nada de coisa alguma. Assim, o nosso Paracelso, nascido em Einsiedel, Suíça, foi médico, filósofo, físico, botânico, astrólogo e ocultista, pelo que, além se ter especializado em ciências, possuía também um especial conhecimento do oculto/paranormal.


O compositor de origem francesa, mais tarde naturalizado americano, Edgard Varèse (1883-1965), tinha uma particular admiração por Paracelso, tendo mesmo chegado a afirmar que "podem considerar Paracelso como um dos meus amigos". Varèse compôs entre 1925 e 1927 a obra orquestral Arcana, por ele apresentada como um poema sinfónico, e cujo título, "Arcano" em português, significa misterioso, enigmático, remete precisamente para escritos de Paracelso. Esta obra de Varèse, contudo, não se inspira em Paracelso, tendo, isso sim, sido composta em sua homenagem.

A estreia de Arcana teve lugar em Filadélfia, Estados Unidos, no dia 8 de Abril de 1927, passam hoje 90 anos. À frente da Orquestra de Filadélfia esteve o já nosso bem conhecido Leopold Stokowski (1882-1977), de que foi maestro principal entre 1912 e 1940.


CDs



Edgard Varèse
The Complete Works.
Sarah Leonard, Mireille Delunsch (sopranos), Kevin Deas (baixo), Jacques Zoon (flauta),
François Kerdoncuff (piano), Edgard Varèse (electrónica)
ASKO Ensemble
Prague Philharmonic Chorus
Royal Concertgebouw Orchestra
Riccardo Chailly
Decca 460 208-2

Edgard Varèse
Amériques. Arcana. Déserts. Ionisation.
Chicago Symphony Orchestra
Pierre Boulez
Deutsche Grammophon 471 137-2
(1995, 1996)


Internet



Edgard Varèse
the guardian / allmusic / Wikipedia

02/04/2017

Sinfonias #56: Sinfonia Nº4, de Hartmann

Karl Amadeus Hartmann (1905-1964) foi um compositor alemão que ganhou especial proeminência após o final da Segunda Grande Guerra, ao organizar uma série de concertos na sua terra natal, Munique, designada por Musica Viva, com o objectivo de divulgar os compositores do século XX. Autor de óperas, música vocal, de câmara e instrumental e de concertos, foi na vertente sinfónica que mais se salientou. A primeira incursão no género foi Miserae, um poema sinfónico estreado em Praga em 1935, e que mereceu a reprovação do regime nazi, o que acabou por impedir a sua interpretação por longo tempo em solo germânico.

Hartmann compôs um total de 8 sinfonias, escritas entre 1936 (Sinfonia Nº1, revista em 1950) e 1962, o ano anterior ao da sua morte. A Sinfonia Nº4, composta entre 1947 e 1948, aproveitou parte de um anterior Concerto para Cordas e Soprano, de 1938, e iria ser estreada pela Orquestra Sinfónica da Rádio da Baviera no dia 2 de Abril de 1948, passam hoje 69 anos.


CDs



Karl Amadeus Hartmann
Symphonies 1-8.
Cornelia Kallisch (alto), Arno Bornkamp (saxofone barítono)
Bamberg Symphony Orchestra
Ingo Metzmacher
EMI Classics 5 56911-2
(1993-6)

Karl Amadeus Hartmann
Concerto funebre. Symphony No.4. Chamber Concerto.
Isabelle Faust (violino), Paul Meyer (clarinete)
Petersen Quartet
Munich Chamber Orchestra
Christoph Poppen
ECM New Series 465 779-2


Internet



Karl Amadeus Hartmann
The OREL Foundation / Schott Music / Wikipedia

25/03/2017

Violoncelistas #15: Natalie Clein (1977-)

"A Room for London" é uma instalação em forma de barco plantada no Queen Elizabeth Hall, em Londres, com uma vista privilegiada sobre a cidade e o rio Tamisa, e que oferece aos convidados uma experiência que pretende ser única:

"There can be few places to stay a night in London quite as unusual, poetic and life-enhancing as A Room for London Living Architecture's 'boat' perched, as if by retreating floodwaters, on the very edge of the Queen Elizabeth hall at the Southbank Centre. The one-bedroom installation is intended to offer guests a place of refuge and reflection amidst the flow of traffic at this iconic location in the capital. "


Em troca, espera-se que os convidados deixem registos e pensamentos da experiência vivida durante a estadia. O barco, que de momento se encontra encerrado devido a obras que estão a decorrer no Queen Elizabeth Hall, poderá futuramente conhecer outros poisos na cidade, pelo menos é essa a intenção anunciada pelos responsáveis.

A violoncelista inglesa Natalie Clein, que hoje celebra o seu 40º aniversário, já por lá passou, em Agosto de 2012, e deixou-nos um testemunho sob a forma daquilo que melhor sabe fazer: a tocar violoncelo..., num programa que não é para puristas, onde Johann Sebastian Bach (1685-1750) aparece rodeado de György Ligeti (1923-2006), Witold Lutoslawski (1913-1994), Benjamin Britten (1913-1976) e György Kurtág (1926-).


Internet

A Room for London
https://youtu.be/yyNpR3-p5qg

Natalie Clein
Natalie Clein / Hyperion Records / Wikipedia

19/03/2017

Quartetos de Cordas #14: Quarteto de Cordas Nº1, de Béla Bartók

O primeiro concerto para violino do compositor húngaro Béla Bartók (1881-1945) foi escrito entre 1907 e 1908, numa altura em que andava perdido de amores pela violinista Stefi Geyer (1888-1956). Como seria de esperar, Bartók dedicou-lhe esse concerto, mas o coração de Geyer apontava para outras latitudes, pelo que ela acabou por rejeitar a obra, que apenas seria estreada em 1958, já nenhum dos dois se encontrava vivo.

Ainda em 1908 compôs o seu primeiro quarteto de cordas, desta vez não dedicado a Geyer mas seguramente inspirado na violinista: as primeiras notas são idênticas às que abrem o segundo movimento do concerto para violino, e que eram nem mais nem menos do que a forma que Bartók encontrou para retratar Geyer musicalmente. Fosse hoje em dia (pelo menos em Portugal) e, em face de tal rejeição amorosa, ela acabaria provavelmente na morgue e ele na prisão, mas naquela altura eram bem mais civilizados...

A estreia do quarteto de cordas nº1 de Bartók aconteceu no dia 19 de Março de 1910, passam hoje 107 anos.


CDs




Béla Bartók
String Quartets - No.1, Sz40; No.2, Sz67; No.3, Sz85; No.4, Sz91; No.5, Sz102; No.6, Sz114.
Takács Quartet
Decca 445 297-2

Béla Bartók
String Quartets - No.1, Sz40; No.2, Sz67; No.3, Sz85; No.4, Sz91; No.5, Sz102; No.6, Sz114.
Juilliard Quartet
Pearl GEMS0147
(1950)

Béla Bartók
String Quartets - No.1, Sz40; No.2, Sz67; No.3, Sz85; No.4, Sz91; No.5, Sz102; No.6, Sz114.
The Fine Arts Quartet
Music and Arts CD1176

Béla Bartók
String Quartets - No.1, Sz40; No.2, Sz67; No.3, Sz85; No.4, Sz91; No.5, Sz102; No.6, Sz114.
Belcea Quartet
EMI 3 94400-2
(2007)

Béla Bartók
String Quartets - No.1, Sz40; No.2, Sz67; No.3, Sz85; No.4, Sz91; No.5, Sz102; No.6, Sz114.
Alban Berg Quartett
EMI 7 47720-8


Internet



Béla Bartók
Boosey and Hawkes / allmusic / The Famous People / Wikipedia

12/03/2017

Obras Orquestrais #31: Cello Symphony, de Benjamin Britten

Quando falamos do compositor inglês Benjamin Britten (1913-1976) e do violoncelo é quase inevitável que falemos também de Mstislav Rostropovich (1927-2007), visto que lhe foi dedicada a maioria das obras que Britten compôs para esse instrumento. A primeira obra que Britten escreveu para Rostropovich foi uma Sonata para Violoncelo, corria o ano de 1961; a obra seria estreada em Julho desse mesmo ano pelo dedicatário, no decorrer do Festival de Aldeburgh.


Em 1963 chegou a vez de escrever uma Sinfonia para Violoncelo e Orquestra, de novo com Rostropovich como destinatário. Curioso o nome que deu à obra, chamar Sinfonia a algo que normalmente se designaria por Concerto para Violoncelo e Orquestra, mas lá terá tido as suas razões (pensa-se que tal estará relacionado com o facto de o violoncelo aparecer frequentemente misturado com os restantes instrumentos da orquestras, aparecendo menos vezes a brilhar a solo do que aquilo que seria expectável num concerto para violoncelo).

A estreia da Cello Symphony teve lugar no dia 12 de Março de 1964, passam hoje 53 anos.


CD



Benjamin Britten
Symphony for Cello and Orchestra, Op.68.
William Walton
Concerto for Cello and Orchestra.
Julian Lloyd Webber (violoncelo)
Academy of St Martin in the Fields
Neville Marriner
Philips 454 442-2


Internet



Benjamin Britten
Britten-Pears Foundation / Boosey & Hawkes / Wikipedia

05/03/2017

Quartetos de Cordas #13: Quarteto de Cordas em fá maior, de Maurice Ravel

No que toca a quartetos de cordas e ao compositor francês Maurice Ravel (1875-1937) a contabilidade é relativamente fácil de fazer: apenas escreveu um. Tal e qual como Claude Debussy (1862-1918), que o compôs entre 1892 e 1893, cerca de 10 anos antes de Ravel iniciar o seu.

A referência a este facto não é inocente, uma vez que esta obra de Debussy serviu de óbvia inspiração para o quarteto de cordas de Ravel. Escrito entre 1902 e 1903, teve a sua estreia, em Paris e com o Quarteto Heymann, no dia 5 de Março de 1904, passam hoje 113 anos.

O dedicatário desta obra foi o compositor e seu antigo professor Gabriel Fauré (1845-1924) que, por sinal, ficou bem menos impressionado com ela do que Debussy...


CDs




Maurice Ravel
String Quartet in F major.
Gabriel Fauré
String Quartet in E minor, Op.121.
Ad Libitum Quartet
Naxos 8.554722
(1999)

Maurice Ravel
String Quartet in F major.
Claude Debussy
String Quartetin G minor, Op.10.
Gabriel Fauré
String Quartet in E minor, Op.121.
Quatuor Ebène
Virgin Classics 5 19045-2

Maurice Ravel
String Quartet in F major.
Henri Dutilleux
Ainsi la nuit.
Claude Debussy
String Quartet in G minor, Op.10.
Arcanto Quartet
Harmonia Mundi HMC90 2067
(2009)

Alexander Borodin
String Quartet No.2 in D major.
Maurice Ravel
String Quartet in F major.
Dimitri Shostakovich
String Quartet No.8 in C minor, Op.110.
Borodine Quartet
BBC Legends BBCL4063-2

Claude Debussy
String Quartet in G minor, Op.10.
Maurice Ravel
String Quartet in F major.
Talich Quartet
La Dolce Volta LDV08
(2012)

Maurice Ravel
String Quartet in F major.
Henri Dutilleux
Ainsi la nuit.
Claude Debussy
String Quartet in G minor, Op.10.
Belcea Quartet
EMI Debut 5 74020-2


Internet



Maurice Ravel
bio.com / allmusic / Wikipedia

28/02/2017

Clarinetistas #3: Richard Mühlfeld (1856-1907)

Composto em 1890, o Quinteto de Cordas, Op.114, era para ter sido a última obra do compositor alemão Johannes Brahms (1833-1897). A ameaça acabou por não se concretizar e, inspirado pelas interpretações do clarinetista principal da Orquestra da Corte de Meiningen, Richard Mühlfeld, acabaria por escrever um bom conjunto de novas obras, entre elas 4 que incluem clarinete:

... Trio para piano, clarinete e violoncelo, Op.114
... Quinteto para clarinete, Op.115
... Sonata para clarinete, Op.120 Nº1
... Sonata para clarinete, Op.120 Nº2

Em Março de 1891 Brahms passou uma semana em Meiningen, e aproveitou para convidar Mühlfeld para tocar para ele numa audição privada. A coisa terá corrido muito bem pois, quando em Novembro desse ano Brahms regressou a Meiningen, trazia na bagagem duas prendas para Mühlfeld: os acima referidos trio para piano, clarinete e violoncelo e quinteto para clarinete.

Richard Mühlfeld nasceu há 161 anos, no dia 28 de Fevereiro de 1856.


CDs



Johannes Brahms
Clarinet Trio in A minor, Op.114.
Carl Frühling
Clarinet Trio in A minor, Op.40.
Robert Schumann
Marchenerzahlungen, Op.132.
Michael Collins (clarinete), Steven Isserlis (violoncelo), Stephen Hough (piano)
RCA Red Seal 09026-63504-2

Johannes Brahms
Clarinet Quintet in B minor, Op.115.
Wolfgang Amadeus Mozart
Clarinet Quintet in A, K581.
Alfred Boskovsky (clarinete)
Membros do Wiener Oktett
Testament SBT1282

Johannes Brahms
Clarinet Sonatas - No.1 in F minor, Op.120 No.1; No.2 in E flat major, Op.120 No.2.
Felix Mendelssohn
Clarinet Sonata in E flat major.
Robert Schumann
Fantasiestück, Op.73.
Emma Johnson (clarinete), John Lenehan (piano)
Nimbus Alliance NI6153
(2011)


Internet




Richard Mühlfeld
A Collaborative History of the Clarinet: Brahms / Mühlfeld / Mühlfeld's Clarinet / Wikipedia

18/02/2017

Violoncelistas #14: Jan Vogler (1964-)

Heinrich Schiff (1951-2016), falecido há menos de 2 meses, além de violoncelista e maestro foi também professor, tendo contado entre os seus alunos Gautier Capuçon (1981-) e Natalie Clein (1977-). Um outro aluno de Schiff foi o alemão Jan Vogler, que hoje celebra o seu 53º aniversário.

Tal como no caso de Schiff, também Jan Vogler se notabilizou na interpretação das suites para violoncelo solo de Johann Sebastian Bach (1685-1750), de que deixo alguns exemplos nos vídeos que incluo mais abaixo.


CD



Gabriel Fauré
Piano Quintet No.2 in C minor, Op.115.
Robert Schumann
Piano Quintet in E flat, Op.44.
James Ehnes, Mira Wang (violinos), Naoko Shimizu (viola),
Jan Vogler (violoncelo), Louis Lortie (piano)
Sony Classical SK93038


Internet



Jan Vogler
Jan Vogler / Stresa Festival / Wikipedia

12/02/2017

Poetas #12: George Meredith (1828-1909)

The Death of Chatterton é o nome de um quadro do pintor inglês Henry Wallis (1830-1916), terminado em 1856 e que representa a morte, por suicídio, do poeta, também inglês, Thomas Chatterton (1752-1770). O modelo para esse quadro foi o poeta George Meredith que, todavia, não terá ficado com grandes saudades do momento: é que 2 anos depois a mulher de Meredith deu à sola com o pintor...

Em 1881, George Meredith escreveu o poema The Lark Ascending, sobre o canto da cotovia:

He rises and begins to round,
He drops the silver chain of sound
Of many links without a break,
In chirrup, whistle, slur and shake,
All intervolv’d and spreading wide,
Like water-dimples down a tide
Where ripple ripple overcurls
And eddy into eddy whirls;
A press of hurried notes that run
So fleet they scarce are more than one,
Yet changingly the trills repeat
And linger ringing while they fleet,
Sweet to the quick o’ the ear, and dear
To her beyond the handmaid ear,
Who sits beside our inner springs,
Too often dry for this he brings,
Which seems the very jet of earth
At sight of sun, her music’s mirth,
As up he wings the spiral stair,
A song of light, and pierces air
With fountain ardor, fountain play,
To reach the shining tops of day,
And drink in everything discern’d
An ecstasy to music turn’d,
Impell’d by what his happy bill
Disperses; drinking, showering still,
Unthinking save that he may give
His voice the outlet, there to live
Renew’d in endless notes of glee,
So thirsty of his voice is he,
For all to hear and all to know
That he is joy, awake, aglow,
The tumult of the heart to hear
Through pureness filter’d crystal-clear,
And know the pleasure sprinkled bright
By simple singing of delight,
Shrill, irreflective, unrestrain’d,
Rapt, ringing, on the jet sustain’d
Without a break, without a fall,
Sweet-silvery, sheer lyrical,
Perennial, quavering up the chord
Like myriad dews of sunny sward
That trembling into fulness shine,
And sparkle dropping argentine;
Such wooing as the ear receives
From zephyr caught in choric leaves
Of aspens when their chattering net
Is flush’d to white with shivers wet;
And such the water-spirit’s chime
On mountain heights in morning’s prime,
Too freshly sweet to seem excess,
Too animate to need a stress;
But wider over many heads
The starry voice ascending spreads,
Awakening, as it waxes thin,
The best in us to him akin;
And every face to watch him rais’d,
Puts on the light of children prais’d,
So rich our human pleasure ripes
When sweetness on sincereness pipes,
Though nought be promis’d from the seas,
But only a soft-ruffling breeze
Sweep glittering on a still content,
Serenity in ravishment.

For singing till his heaven fills,
’T is love of earth that he instils,
And ever winging up and up,
Our valley is his golden cup,
And he the wine which overflows
To lift us with him as he goes:
The woods and brooks, the sheep and kine
He is, the hills, the human line,
The meadows green, the fallows brown,
The dreams of labor in the town;
He sings the sap, the quicken’d veins;
The wedding song of sun and rains
He is, the dance of children, thanks
Of sowers, shout of primrose-banks,
And eye of violets while they breathe;
All these the circling song will wreathe,
And you shall hear the herb and tree,
The better heart of men shall see,
Shall feel celestially, as long
As you crave nothing save the song.
Was never voice of ours could say
Our inmost in the sweetest way,
Like yonder voice aloft, and link
All hearers in the song they drink:
Our wisdom speaks from failing blood,
Our passion is too full in flood,
We want the key of his wild note
Of truthful in a tuneful throat,
The song seraphically free
Of taint of personality,
So pure that it salutes the suns
The voice of one for millions,
In whom the millions rejoice
For giving their one spirit voice.

Yet men have we, whom we revere,
Now names, and men still housing here,
Whose lives, by many a battle-dint
Defaced, and grinding wheels on flint,
Yield substance, though they sing not, sweet
For song our highest heaven to greet:
Whom heavenly singing gives us new,
Enspheres them brilliant in our blue,
From firmest base to farthest leap,
Because their love of Earth is deep,
And they are warriors in accord
With life to serve and pass reward,
So touching purest and so heard
In the brain’s reflex of yon bird;
Wherefore their soul in me, or mine,
Through self-forgetfulness divine,
In them, that song aloft maintains,
To fill the sky and thrill the plains
With showerings drawn from human stores,
As he to silence nearer soars,
Extends the world at wings and dome,
More spacious making more our home,
Till lost on his aërial rings
In light, and then the fancy sings.

O compositor inglês Ralph Vaughan Williams (1872-1958), deixou-nos várias obras em que musicou poemas de vários autores, nomeadamente A Shropshire Lad, de A. E. Housman (1859-1936) e Leaves of Grass, de Walt Whitman (1819-1892). Em 1914 foi então a vez de Vaughan Williams musicar The Lark Ascending, inicialmente numa versão para violino e piano, e posteriormente para violino solo e orquestra, sendo esta última a versão mais utilizada.

George Meredith nasceu há 189 anos, no dia 12 de Fevereiro de 1828.


CDs



Ralph Vaughan Williams
Symphonies 1-9. The Lark Ascending.
Fantasia on a Theme by Thomas Tallis.
In the Fen Country. On Wenlock Edge.
London Philharmonic Choir
London Philharmonic Orchestra
Bernard Haitink
EMI 5 86026-2

Ralph Vaughan Williams
The Lark Ascending.
John Tavener
Song for Athene. Dhyana. Lalishri.
Nicola Benedetti (violino)
London Philharmonic Orchestra
Andrew Litton
Deutsche Grammophon 476 6198


Internet



George Meredith
Poetry Foundation / Poem Hunter / All Poetry / Wikipedia

05/02/2017

Pianistas #49: Maria João Pires (1944-)

A pianista portuguesa Maria João Pires começou a dar recitais públicos ainda muito nova, com apenas 7 anos de idade. Fez os estudos musicais em Portugal, no Conservatório de Lisboa com o professor Campos Coelho (1903-1988), e depois na Alemanha, primeiro em Munique e em seguida em Hanover, com o reputado pianista e professor Karl Engel (1923-2006).

O reconhecimento internacional chegou com a sua vitória na Beethoven Bicentennial Competition em Bruxelas, em 1970. As suas estreias nos grandes palcos mundiais e com as mais conceituadas orquestras só aconteceriam bastantes anos depois, contudo: Londres em 1986, Nova Iorque em 1989, Salzburgo em 1990 (com a Orquestra Filarmónica de Viena e o saudoso maestro Claudio Abbado).

A estreia com a Orquestra Filarmónica de Berlim teve lugar no dia 5 de Fevereiro de 1991, passam hoje 26 anos. E é precisamente com Maria João Pires e essa orquestra que vos deixo nos vídeos que aqui incluo.


Internet



Maria João Pires
Askonas Holt / Gulbenkian Música / The Telegraph / Wikipedia

29/01/2017

Compositores #123: Havergal Brian (1876-1972)

"This work has been inside my heart for a lifetime and naturally there is inside it all those who have been very dear to me - who helped and moulded me". Foi assim que Havergal Brian descreveu a sua 1ª sinfonia numa carta que escreveu ao seu amigo e igualmente compositor inglês Granville Bantock (1868-1946).

Está bom de ver que Brian tinha um grande coração, ou não seja esta sua primeira sinfonia uma das mais longas de que há registo ultrapassando nesse aspecto, por exemplo, a de Gustav Mahler (1860-1911). A duração a rondar 1 hora e 45 minutos valeu-lhe mesmo uma entrada no Guiness World Records como "a mais longa sinfonia". Além da sua duração, a sinfonia destaca-se ainda pelo elevado número de instrumentistas que são necessários, perto de 200; se a estes somarmos os cantores (estamos a falar de uma "sinfonia vocal"), então poderemos estar a falar de um total de 800 intérpretes envolvidos, algo que certamente contribui para que esta sinfonia não seja tocada mais vezes.

Havergal Brian nasceu há 141 anos, no dia 29 de Janeiro de 1876.


CDs



Havergal Brian
Symphony No.1, 'Gothic'.
Eva Jenisová (soprano), Dagmar Pecková (contralto), Vladimír Dolezal (tenor), Peter Mikulás (baixo)
Slovak Opera Chorus
Slovak Folk Ensemble Chorus
Lúcnica Chorus
Slovak Philharmonic Chorus
Slovak Philharmonic Orchestra
Ondrej Lenárd
Naxos 8.557418-19
(1989)

Havergal Brian
Symphony No.1, 'Gothic'.
Susan Gritton (soprano), Christine Rice (contralto), Peter Auty (tenor), Alastair Miles (baixo),
David Goode (órgão)
Bach Choir
Brighton Festival Chorus
Huddersfield Choral Society
London Symphony Chorus
BBC National Orchestra of Wales
BBC Concert Orchestra
Martin Brabbins
Hyperion CDA67971/2
(2011)


Internet




Havergal Brian
The Havergal Brian Society / Naxos / the guardian / Wikipedia

21/01/2017

Compositores #122: Alexander Tcherepnin (1899-1977)

Numa das ocasiões em que aqui trouxe o compositor checo Bohuslav Martinu (1890-1959) referi que, a determinada altura, efectuou estudos musicais em Paris, com o igualmente compositor Albert Roussel (1869-1937). Durante essa estada parisiense Martinu teve a oportunidade de se cruzar com um outro compositor, o russo de nascimento Alexander Tcherepnin, que para lá se tinha mudado em conjunto com a família e em consequência da Revolução Russa de 1917.

Tcherepnin, nascido e crescido num ambiente musical, começou a compor desde muito jovem, já com algumas centenas de composições no curriculum ainda antes de começar os estudos musicais formais. Sendo o piano o seu instrumento de eleição, não é de estranhar que tenha sido para ele que escreveu uma parte substancial da sua obra.

Alexander Tcherepnin nasceu há 118 anos, no dia 21 de Janeiro de 1899.


CDs



Alexander Tcherepnin
Complete Music for Cello and Piano
Cello Sonatas - No.1, Op.29; No.2, Op.30 No.1; No.3, Op.30 No.2.
The Well-Tempered Cello, Op.38. Songs and Dances, Op.84. Ode.
Alexander Ivashkin (violoncelo), Geoffrey Tozer (piano)
Chandos Records CHAN9770
(1999)

Alexander Tcherepnin
Symphonies - No.1 in E major, Op.42; No.2 in E flat major, Op.77.
Piano Concerto No.5, Op.96.
Noriko Ogawa (piano)
Singapore Symphony Orchestra
Lan Shui
BIS Records BIS-1017


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Alexander Tcherepnin
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