25/03/2017

Violoncelistas #15: Natalie Clein (1977-)

"A Room for London" é uma instalação em forma de barco plantada no Queen Elizabeth Hall, em Londres, com uma vista privilegiada sobre a cidade e o rio Tamisa, e que oferece aos convidados uma experiência que pretende ser única:

"There can be few places to stay a night in London quite as unusual, poetic and life-enhancing as A Room for London Living Architecture's 'boat' perched, as if by retreating floodwaters, on the very edge of the Queen Elizabeth hall at the Southbank Centre. The one-bedroom installation is intended to offer guests a place of refuge and reflection amidst the flow of traffic at this iconic location in the capital. "


Em troca, espera-se que os convidados deixem registos e pensamentos da experiência vivida durante a estadia. O barco, que de momento se encontra encerrado devido a obras que estão a decorrer no Queen Elizabeth Hall, poderá futuramente conhecer outros poisos na cidade, pelo menos é essa a intenção anunciada pelos responsáveis.

A violoncelista inglesa Natalie Clein, que hoje celebra o seu 40º aniversário, já por lá passou, em Agosto de 2012, e deixou-nos um testemunho sob a forma daquilo que melhor sabe fazer: a tocar violoncelo..., num programa que não é para puristas, onde Johann Sebastian Bach (1685-1750) aparece rodeado de György Ligeti (1923-2006), Witold Lutoslawski (1913-1994), Benjamin Britten (1913-1976) e György Kurtág (1926-).


Internet

A Room for London
https://youtu.be/yyNpR3-p5qg

Natalie Clein
Natalie Clein / Hyperion Records / Wikipedia

19/03/2017

Quartetos de Cordas #14: Quarteto de Cordas Nº1, de Béla Bartók

O primeiro concerto para violino do compositor húngaro Béla Bartók (1881-1945) foi escrito entre 1907 e 1908, numa altura em que andava perdido de amores pela violinista Stefi Geyer (1888-1956). Como seria de esperar, Bartók dedicou-lhe esse concerto, mas o coração de Geyer apontava para outras latitudes, pelo que ela acabou por rejeitar a obra, que apenas seria estreada em 1958, já nenhum dos dois se encontrava vivo.

Ainda em 1908 compôs o seu primeiro quarteto de cordas, desta vez não dedicado a Geyer mas seguramente inspirado na violinista: as primeiras notas são idênticas às que abrem o segundo movimento do concerto para violino, e que eram nem mais nem menos do que a forma que Bartók encontrou para retratar Geyer musicalmente. Fosse hoje em dia (pelo menos em Portugal) e, em face de tal rejeição amorosa, ela acabaria provavelmente na morgue e ele na prisão, mas naquela altura eram bem mais civilizados...

A estreia do quarteto de cordas nº1 de Bartók aconteceu no dia 19 de Março de 1910, passam hoje 107 anos.


CDs




Béla Bartók
String Quartets - No.1, Sz40; No.2, Sz67; No.3, Sz85; No.4, Sz91; No.5, Sz102; No.6, Sz114.
Takács Quartet
Decca 445 297-2

Béla Bartók
String Quartets - No.1, Sz40; No.2, Sz67; No.3, Sz85; No.4, Sz91; No.5, Sz102; No.6, Sz114.
Juilliard Quartet
Pearl GEMS0147
(1950)

Béla Bartók
String Quartets - No.1, Sz40; No.2, Sz67; No.3, Sz85; No.4, Sz91; No.5, Sz102; No.6, Sz114.
The Fine Arts Quartet
Music and Arts CD1176

Béla Bartók
String Quartets - No.1, Sz40; No.2, Sz67; No.3, Sz85; No.4, Sz91; No.5, Sz102; No.6, Sz114.
Belcea Quartet
EMI 3 94400-2
(2007)

Béla Bartók
String Quartets - No.1, Sz40; No.2, Sz67; No.3, Sz85; No.4, Sz91; No.5, Sz102; No.6, Sz114.
Alban Berg Quartett
EMI 7 47720-8


Internet



Béla Bartók
Boosey and Hawkes / allmusic / The Famous People / Wikipedia

12/03/2017

Obras Orquestrais #31: Cello Symphony, de Benjamin Britten

Quando falamos do compositor inglês Benjamin Britten (1913-1976) e do violoncelo é quase inevitável que falemos também de Mstislav Rostropovich (1927-2007), visto que lhe foi dedicada a maioria das obras que Britten compôs para esse instrumento. A primeira obra que Britten escreveu para Rostropovich foi uma Sonata para Violoncelo, corria o ano de 1961; a obra seria estreada em Julho desse mesmo ano pelo dedicatário, no decorrer do Festival de Aldeburgh.


Em 1963 chegou a vez de escrever uma Sinfonia para Violoncelo e Orquestra, de novo com Rostropovich como destinatário. Curioso o nome que deu à obra, chamar Sinfonia a algo que normalmente se designaria por Concerto para Violoncelo e Orquestra, mas lá terá tido as suas razões (pensa-se que tal estará relacionado com o facto de o violoncelo aparecer frequentemente misturado com os restantes instrumentos da orquestras, aparecendo menos vezes a brilhar a solo do que aquilo que seria expectável num concerto para violoncelo).

A estreia da Cello Symphony teve lugar no dia 12 de Março de 1964, passam hoje 53 anos.


CD



Benjamin Britten
Symphony for Cello and Orchestra, Op.68.
William Walton
Concerto for Cello and Orchestra.
Julian Lloyd Webber (violoncelo)
Academy of St Martin in the Fields
Neville Marriner
Philips 454 442-2


Internet



Benjamin Britten
Britten-Pears Foundation / Boosey & Hawkes / Wikipedia

05/03/2017

Quartetos de Cordas #13: Quarteto de Cordas em fá maior, de Maurice Ravel

No que toca a quartetos de cordas e ao compositor francês Maurice Ravel (1875-1937) a contabilidade é relativamente fácil de fazer: apenas escreveu um. Tal e qual como Claude Debussy (1862-1918), que o compôs entre 1892 e 1893, cerca de 10 anos antes de Ravel iniciar o seu.

A referência a este facto não é inocente, uma vez que esta obra de Debussy serviu de óbvia inspiração para o quarteto de cordas de Ravel. Escrito entre 1902 e 1903, teve a sua estreia, em Paris e com o Quarteto Heymann, no dia 5 de Março de 1904, passam hoje 113 anos.

O dedicatário desta obra foi o compositor e seu antigo professor Gabriel Fauré (1845-1924) que, por sinal, ficou bem menos impressionado com ela do que Debussy...


CDs




Maurice Ravel
String Quartet in F major.
Gabriel Fauré
String Quartet in E minor, Op.121.
Ad Libitum Quartet
Naxos 8.554722
(1999)

Maurice Ravel
String Quartet in F major.
Claude Debussy
String Quartetin G minor, Op.10.
Gabriel Fauré
String Quartet in E minor, Op.121.
Quatuor Ebène
Virgin Classics 5 19045-2

Maurice Ravel
String Quartet in F major.
Henri Dutilleux
Ainsi la nuit.
Claude Debussy
String Quartet in G minor, Op.10.
Arcanto Quartet
Harmonia Mundi HMC90 2067
(2009)

Alexander Borodin
String Quartet No.2 in D major.
Maurice Ravel
String Quartet in F major.
Dimitri Shostakovich
String Quartet No.8 in C minor, Op.110.
Borodine Quartet
BBC Legends BBCL4063-2

Claude Debussy
String Quartet in G minor, Op.10.
Maurice Ravel
String Quartet in F major.
Talich Quartet
La Dolce Volta LDV08
(2012)

Maurice Ravel
String Quartet in F major.
Henri Dutilleux
Ainsi la nuit.
Claude Debussy
String Quartet in G minor, Op.10.
Belcea Quartet
EMI Debut 5 74020-2


Internet



Maurice Ravel
bio.com / allmusic / Wikipedia

28/02/2017

Clarinetistas #3: Richard Mühlfeld (1856-1907)

Composto em 1890, o Quinteto de Cordas, Op.114, era para ter sido a última obra do compositor alemão Johannes Brahms (1833-1897). A ameaça acabou por não se concretizar e, inspirado pelas interpretações do clarinetista principal da Orquestra da Corte de Meiningen, Richard Mühlfeld, acabaria por escrever um bom conjunto de novas obras, entre elas 4 que incluem clarinete:

... Trio para piano, clarinete e violoncelo, Op.114
... Quinteto para clarinete, Op.115
... Sonata para clarinete, Op.120 Nº1
... Sonata para clarinete, Op.120 Nº2

Em Março de 1891 Brahms passou uma semana em Meiningen, e aproveitou para convidar Mühlfeld para tocar para ele numa audição privada. A coisa terá corrido muito bem pois, quando em Novembro desse ano Brahms regressou a Meiningen, trazia na bagagem duas prendas para Mühlfeld: os acima referidos trio para piano, clarinete e violoncelo e quinteto para clarinete.

Richard Mühlfeld nasceu há 161 anos, no dia 28 de Fevereiro de 1856.


CDs



Johannes Brahms
Clarinet Trio in A minor, Op.114.
Carl Frühling
Clarinet Trio in A minor, Op.40.
Robert Schumann
Marchenerzahlungen, Op.132.
Michael Collins (clarinete), Steven Isserlis (violoncelo), Stephen Hough (piano)
RCA Red Seal 09026-63504-2

Johannes Brahms
Clarinet Quintet in B minor, Op.115.
Wolfgang Amadeus Mozart
Clarinet Quintet in A, K581.
Alfred Boskovsky (clarinete)
Membros do Wiener Oktett
Testament SBT1282

Johannes Brahms
Clarinet Sonatas - No.1 in F minor, Op.120 No.1; No.2 in E flat major, Op.120 No.2.
Felix Mendelssohn
Clarinet Sonata in E flat major.
Robert Schumann
Fantasiestück, Op.73.
Emma Johnson (clarinete), John Lenehan (piano)
Nimbus Alliance NI6153
(2011)


Internet




Richard Mühlfeld
A Collaborative History of the Clarinet: Brahms / Mühlfeld / Mühlfeld's Clarinet / Wikipedia

18/02/2017

Violoncelistas #14: Jan Vogler (1964-)

Heinrich Schiff (1951-2016), falecido há menos de 2 meses, além de violoncelista e maestro foi também professor, tendo contado entre os seus alunos Gautier Capuçon (1981-) e Natalie Clein (1977-). Um outro aluno de Schiff foi o alemão Jan Vogler, que hoje celebra o seu 53º aniversário.

Tal como no caso de Schiff, também Jan Vogler se notabilizou na interpretação das suites para violoncelo solo de Johann Sebastian Bach (1685-1750), de que deixo alguns exemplos nos vídeos que incluo mais abaixo.


CD



Gabriel Fauré
Piano Quintet No.2 in C minor, Op.115.
Robert Schumann
Piano Quintet in E flat, Op.44.
James Ehnes, Mira Wang (violinos), Naoko Shimizu (viola),
Jan Vogler (violoncelo), Louis Lortie (piano)
Sony Classical SK93038


Internet



Jan Vogler
Jan Vogler / Stresa Festival / Wikipedia

12/02/2017

Poetas #12: George Meredith (1828-1909)

The Death of Chatterton é o nome de um quadro do pintor inglês Henry Wallis (1830-1916), terminado em 1856 e que representa a morte, por suicídio, do poeta, também inglês, Thomas Chatterton (1752-1770). O modelo para esse quadro foi o poeta George Meredith que, todavia, não terá ficado com grandes saudades do momento: é que 2 anos depois a mulher de Meredith deu à sola com o pintor...

Em 1881, George Meredith escreveu o poema The Lark Ascending, sobre o canto da cotovia:

He rises and begins to round,
He drops the silver chain of sound
Of many links without a break,
In chirrup, whistle, slur and shake,
All intervolv’d and spreading wide,
Like water-dimples down a tide
Where ripple ripple overcurls
And eddy into eddy whirls;
A press of hurried notes that run
So fleet they scarce are more than one,
Yet changingly the trills repeat
And linger ringing while they fleet,
Sweet to the quick o’ the ear, and dear
To her beyond the handmaid ear,
Who sits beside our inner springs,
Too often dry for this he brings,
Which seems the very jet of earth
At sight of sun, her music’s mirth,
As up he wings the spiral stair,
A song of light, and pierces air
With fountain ardor, fountain play,
To reach the shining tops of day,
And drink in everything discern’d
An ecstasy to music turn’d,
Impell’d by what his happy bill
Disperses; drinking, showering still,
Unthinking save that he may give
His voice the outlet, there to live
Renew’d in endless notes of glee,
So thirsty of his voice is he,
For all to hear and all to know
That he is joy, awake, aglow,
The tumult of the heart to hear
Through pureness filter’d crystal-clear,
And know the pleasure sprinkled bright
By simple singing of delight,
Shrill, irreflective, unrestrain’d,
Rapt, ringing, on the jet sustain’d
Without a break, without a fall,
Sweet-silvery, sheer lyrical,
Perennial, quavering up the chord
Like myriad dews of sunny sward
That trembling into fulness shine,
And sparkle dropping argentine;
Such wooing as the ear receives
From zephyr caught in choric leaves
Of aspens when their chattering net
Is flush’d to white with shivers wet;
And such the water-spirit’s chime
On mountain heights in morning’s prime,
Too freshly sweet to seem excess,
Too animate to need a stress;
But wider over many heads
The starry voice ascending spreads,
Awakening, as it waxes thin,
The best in us to him akin;
And every face to watch him rais’d,
Puts on the light of children prais’d,
So rich our human pleasure ripes
When sweetness on sincereness pipes,
Though nought be promis’d from the seas,
But only a soft-ruffling breeze
Sweep glittering on a still content,
Serenity in ravishment.

For singing till his heaven fills,
’T is love of earth that he instils,
And ever winging up and up,
Our valley is his golden cup,
And he the wine which overflows
To lift us with him as he goes:
The woods and brooks, the sheep and kine
He is, the hills, the human line,
The meadows green, the fallows brown,
The dreams of labor in the town;
He sings the sap, the quicken’d veins;
The wedding song of sun and rains
He is, the dance of children, thanks
Of sowers, shout of primrose-banks,
And eye of violets while they breathe;
All these the circling song will wreathe,
And you shall hear the herb and tree,
The better heart of men shall see,
Shall feel celestially, as long
As you crave nothing save the song.
Was never voice of ours could say
Our inmost in the sweetest way,
Like yonder voice aloft, and link
All hearers in the song they drink:
Our wisdom speaks from failing blood,
Our passion is too full in flood,
We want the key of his wild note
Of truthful in a tuneful throat,
The song seraphically free
Of taint of personality,
So pure that it salutes the suns
The voice of one for millions,
In whom the millions rejoice
For giving their one spirit voice.

Yet men have we, whom we revere,
Now names, and men still housing here,
Whose lives, by many a battle-dint
Defaced, and grinding wheels on flint,
Yield substance, though they sing not, sweet
For song our highest heaven to greet:
Whom heavenly singing gives us new,
Enspheres them brilliant in our blue,
From firmest base to farthest leap,
Because their love of Earth is deep,
And they are warriors in accord
With life to serve and pass reward,
So touching purest and so heard
In the brain’s reflex of yon bird;
Wherefore their soul in me, or mine,
Through self-forgetfulness divine,
In them, that song aloft maintains,
To fill the sky and thrill the plains
With showerings drawn from human stores,
As he to silence nearer soars,
Extends the world at wings and dome,
More spacious making more our home,
Till lost on his aërial rings
In light, and then the fancy sings.

O compositor inglês Ralph Vaughan Williams (1872-1958), deixou-nos várias obras em que musicou poemas de vários autores, nomeadamente A Shropshire Lad, de A. E. Housman (1859-1936) e Leaves of Grass, de Walt Whitman (1819-1892). Em 1914 foi então a vez de Vaughan Williams musicar The Lark Ascending, inicialmente numa versão para violino e piano, e posteriormente para violino solo e orquestra, sendo esta última a versão mais utilizada.

George Meredith nasceu há 189 anos, no dia 12 de Fevereiro de 1828.


CDs



Ralph Vaughan Williams
Symphonies 1-9. The Lark Ascending.
Fantasia on a Theme by Thomas Tallis.
In the Fen Country. On Wenlock Edge.
London Philharmonic Choir
London Philharmonic Orchestra
Bernard Haitink
EMI 5 86026-2

Ralph Vaughan Williams
The Lark Ascending.
John Tavener
Song for Athene. Dhyana. Lalishri.
Nicola Benedetti (violino)
London Philharmonic Orchestra
Andrew Litton
Deutsche Grammophon 476 6198


Internet



George Meredith
Poetry Foundation / Poem Hunter / All Poetry / Wikipedia

05/02/2017

Pianistas #49: Maria João Pires (1944-)

A pianista portuguesa Maria João Pires começou a dar recitais públicos ainda muito nova, com apenas 7 anos de idade. Fez os estudos musicais em Portugal, no Conservatório de Lisboa com o professor Campos Coelho (1903-1988), e depois na Alemanha, primeiro em Munique e em seguida em Hanover, com o reputado pianista e professor Karl Engel (1923-2006).

O reconhecimento internacional chegou com a sua vitória na Beethoven Bicentennial Competition em Bruxelas, em 1970. As suas estreias nos grandes palcos mundiais e com as mais conceituadas orquestras só aconteceriam bastantes anos depois, contudo: Londres em 1986, Nova Iorque em 1989, Salzburgo em 1990 (com a Orquestra Filarmónica de Viena e o saudoso maestro Claudio Abbado).

A estreia com a Orquestra Filarmónica de Berlim teve lugar no dia 5 de Fevereiro de 1991, passam hoje 26 anos. E é precisamente com Maria João Pires e essa orquestra que vos deixo nos vídeos que aqui incluo.


Internet



Maria João Pires
Askonas Holt / Gulbenkian Música / The Telegraph / Wikipedia

29/01/2017

Compositores #123: Havergal Brian (1876-1972)

"This work has been inside my heart for a lifetime and naturally there is inside it all those who have been very dear to me - who helped and moulded me". Foi assim que Havergal Brian descreveu a sua 1ª sinfonia numa carta que escreveu ao seu amigo e igualmente compositor inglês Granville Bantock (1868-1946).

Está bom de ver que Brian tinha um grande coração, ou não seja esta sua primeira sinfonia uma das mais longas de que há registo ultrapassando nesse aspecto, por exemplo, a de Gustav Mahler (1860-1911). A duração a rondar 1 hora e 45 minutos valeu-lhe mesmo uma entrada no Guiness World Records como "a mais longa sinfonia". Além da sua duração, a sinfonia destaca-se ainda pelo elevado número de instrumentistas que são necessários, perto de 200; se a estes somarmos os cantores (estamos a falar de uma "sinfonia vocal"), então poderemos estar a falar de um total de 800 intérpretes envolvidos, algo que certamente contribui para que esta sinfonia não seja tocada mais vezes.

Havergal Brian nasceu há 141 anos, no dia 29 de Janeiro de 1876.


CDs



Havergal Brian
Symphony No.1, 'Gothic'.
Eva Jenisová (soprano), Dagmar Pecková (contralto), Vladimír Dolezal (tenor), Peter Mikulás (baixo)
Slovak Opera Chorus
Slovak Folk Ensemble Chorus
Lúcnica Chorus
Slovak Philharmonic Chorus
Slovak Philharmonic Orchestra
Ondrej Lenárd
Naxos 8.557418-19
(1989)

Havergal Brian
Symphony No.1, 'Gothic'.
Susan Gritton (soprano), Christine Rice (contralto), Peter Auty (tenor), Alastair Miles (baixo),
David Goode (órgão)
Bach Choir
Brighton Festival Chorus
Huddersfield Choral Society
London Symphony Chorus
BBC National Orchestra of Wales
BBC Concert Orchestra
Martin Brabbins
Hyperion CDA67971/2
(2011)


Internet




Havergal Brian
The Havergal Brian Society / Naxos / the guardian / Wikipedia

21/01/2017

Compositores #122: Alexander Tcherepnin (1899-1977)

Numa das ocasiões em que aqui trouxe o compositor checo Bohuslav Martinu (1890-1959) referi que, a determinada altura, efectuou estudos musicais em Paris, com o igualmente compositor Albert Roussel (1869-1937). Durante essa estada parisiense Martinu teve a oportunidade de se cruzar com um outro compositor, o russo de nascimento Alexander Tcherepnin, que para lá se tinha mudado em conjunto com a família e em consequência da Revolução Russa de 1917.

Tcherepnin, nascido e crescido num ambiente musical, começou a compor desde muito jovem, já com algumas centenas de composições no curriculum ainda antes de começar os estudos musicais formais. Sendo o piano o seu instrumento de eleição, não é de estranhar que tenha sido para ele que escreveu uma parte substancial da sua obra.

Alexander Tcherepnin nasceu há 118 anos, no dia 21 de Janeiro de 1899.


CDs



Alexander Tcherepnin
Complete Music for Cello and Piano
Cello Sonatas - No.1, Op.29; No.2, Op.30 No.1; No.3, Op.30 No.2.
The Well-Tempered Cello, Op.38. Songs and Dances, Op.84. Ode.
Alexander Ivashkin (violoncelo), Geoffrey Tozer (piano)
Chandos Records CHAN9770
(1999)

Alexander Tcherepnin
Symphonies - No.1 in E major, Op.42; No.2 in E flat major, Op.77.
Piano Concerto No.5, Op.96.
Noriko Ogawa (piano)
Singapore Symphony Orchestra
Lan Shui
BIS Records BIS-1017


Internet



Alexander Tcherepnin
The Tcherepnin Society Website / allmusic / Naxos / Wikipedia

14/01/2017

Sinfonias #55: Sinfonia Nº7, de Vaughan Williams

Robert Falcon Scott (1868-1912) foi um capitão da marinha inglesa, conhecido pelas suas duas expedições à região Antártica, tendo falecido no regresso da segunda. A "Expedição Terra Nova" resultou na morte não só do seu líder, Falcon Scott, como dos outros 4 membros da expedição que com ele tinham atingido o pólo sul. Esse grupo tinha chegado ao pólo no dia 17 de Janeiro de 1912, para rapidamente concluir que um outro, liderado pelo explorador norueguês Roald Amundsen (1872-1928), tinha ganho a corrida por 34 dias...

Em 1948 o inglês Charles Frend (1909-1977) realizou "Scott of the Antarctic" (em português recebeu o título de "A Tragédia do Capitão Scott"), sobre, está-se mesmo a ver, essa trágica expedição. Para a banda sonora foi convidado o compositor inglês Ralph Vaughan Williams (1872-1958), e daquilo que ele compôs acabaria por resultar também a sua 7ª sinfonia, apropriadamente designada por "Sinfonia Antartica", composta entre 1949 e 1952 e estreada no dia 14 de Janeiro de 1953, passam hoje 64 anos.


CDs




Ralph Vaughan Williams
Film Music, Volume 1.
Scott of the Antarctic - Suite (ed. Hogger). The People's Land (ed. Hogger).
Coastal Command - Suite.
Merryn Gamba (soprano), Jonathan Scott (órgão)
Sheffield Philharmonic Chorus
BBC Philharmonic Orchestra
Rumon Gamba
Chandos Records CHAN10007
(2002)

Ralph Vaughan Williams
Symphonies 1-9.
Isobel Baillie, Margaret Ritchie (sopranos), John Cameron (barítono),
John Gielgud (narrador)
London Pilharmonic Choir
London Philharmonic Orchestra
Adrian Boult
Decca 473 241-2

Ralph Vaughan Williams
Symphonies 1-9. The Lark Ascending.
Fantasia on a Theme by Thomas Tallis.
In the Fen Country. On Wenlock Edge.
London Philharmonic Choir
London Philharmonic Orchestra
Bernard Haitink
EMI 5 86026-2

Ralph Vaughan Williams
Symphonies - No.5; No.7, "Sinfonia Antartica".
Sheila Armstrong (soprano)
Ladies of the London Philharmonic Choir
London Philharmonic Orchestra
Bernard Haitink
LPO LPO0072
(1984, 1994)


Internet




Ralph Vaughan Williams
Ralph Vaughan Williams Society / Classic fM / allmusic / Wikipedia

31/12/2016

Violinistas #16: Nathan Milstein (1904-1994)

O primeiro concerto público de Nathan Milstein teve lugar na sua terra natal, Odessa, quando o violinista de origem russa apenas tinha 10 anos. Não tardou muito até começar a partilhar o palco com Vladimir Horowitz (1903-1989). Este último, ao contrário de Milstein, cultivava um estilo um pouco menos discreto, para não dizer outra coisa, pelo que era particularmente idolatrado pelo público, deixando para Milstein um papel mais secundário. O sucesso obtido pela dupla levou a que fossem convidados pelas autoridades russas a realizar uma turné internacional; corria o ano de 1925, e eles lá foram, só que Milstein aproveitou a oportunidade e nunca mais regressou...

Se houve compositor em que se distinguiu, tanto na Rússia como mais tarde nos Estados Unidos e na Europa Ocidental, foi Johann Sebastian Bach (1685-1750), prestígio granjeado tanto através dos recitais que deu como das gravações de referência que foi fazendo. E é precisamente com Bach e Milstein que ficamos nos vídeos exibidos mais abaixo.

Nathan Milstein nasceu, segundo algumas fontes, a 31 de Dezembro de 1904, passam hoje 112 anos.


Internet



Nathan Milstein
Legendary Violinists / The Strad / The New York Times / Wikipedia

25/12/2016

Instrumentistas #1: Ram Narayan (1927-)

A década de 1960 revelou-se de uma grande importância para a música clássica indiana: foi na segunda metade dessa década que Ravi Shankar (1920-2012) gravou conjuntamente com Yehudi Menuhin (1916-1999) o álbum West Meets East, e foi também nessa década que Ram Narayan efectuou a sua primeira turné pelos Estados Unidos e pela Europa.

Tocador de sarangi, um instrumento de cordas e arco muito popular na Índia e no Nepal, Ram Narayan enfrentou inúmeras dificuldades na sua tarefa de emancipar o seu instrumento de eleição, e que era tradicionalmente visto como um instrumento indicado para acompanhamento, principalmente de música vocal. Só em 1956, cerca de dez anos depois de ter começado a tocar regularmente sarangi, é que conseguiu levar a cabo um concerto a solo sem ter sido corrido do palco.

Ram Narayan celebra hoje o seu 89º aniversário.


Internet



Ram Narayan
Allmusic / Sarangi.net / Wikipedia

18/12/2016

Poemas Sinfónicos #7: Praga, de Josef Suk

O compositor checo Antonín Dvorák (1841-1904) faleceu em Maio de 1904, um acontecimento que se viria a revelar marcante na carreira de Josef Suk (1874-1935), genro de Dvorák e igualmente compositor. Um ano e pouco depois Otilie, esposa de Suk e filha de Dvorák, iria também falecer, o que marcou definitivamente Josef Suk que, de um estilo composicional que se pode definir como romântico tardio, passou para um outro nitidamente mais reservado, semeado de obras bem mais complexas e reveladoras das emoções que o assolavam.

O poema sinfónico Praga foi composto em 1904, marcando portanto a transição entre os dois períodos composicionais de Suk. Estreado no dia 18 de Dezembro de 1904, passam hoje 112 anos, antecedeu a composição da Sinfonia Asrael, a obra que assinalou a entrada no novo ciclo e, simultaneamente, a sua mais emblemática e conhecida.


SACD



Josef Suk
A Summer's Tale, Op.29. Praga, Op.26.
BBC Symphony Orchestra
Jirí Belohlávek
Chandos CHSA5109
(2012)


Internet



Josef Suk
New World Encyclopedia / Naxos / Wikipedia

11/12/2016

Compositores #121: Ravi Shankar (1920-2012)

Depois de um início mais dedicado à dança, ligado à companhia fundada pelo seu irmão, Ravi Shankar começou a dedicar-se, a partir dos finais da década de 1930, ao estudo do sitar, um instrumento indiano da família do alaúde. A aprendizagem foi de tal maneira bem sucedida que cerca de um ano depois dava o seu primeiro concerto público.

Não tardaria muito para Shankar se transformar numa das referências da música clássica indiana, reputação reforçada pelo primeiro encontro que teve com o violinista Yehudi Menuhin (1916-1999) aquando da primeira visita deste à Índia, em 1952. Da relação estabelecida entre ambos resultaria, uns anos mais tarde, o álbum West Meets East, lançado inicialmente em Inglaterra em Janeiro de 1967 e uns poucos meses depois nos Estados Unidos, disco esse que viria a ganhar um Grammy, por sinal o primeiro atribuído a um músico de origem asiática.

Ravi Shankar faleceu há 4 anos, no dia 11 de Dezembro de 2012.


CD



West Meets East
The Historic Shankar/Menuhin Sessions
Ravi Shankar (sitar), Yehudi Menuhin (violino)
HMV ASD2294
(1966)


Internet



Ravi Shankar
The Ravi Shankar Foundation / East Meets West Music / biography.com / Wikipedia