01/05/2016

Compositores #116: Percy Whitlock (1903-1946)

Percy Whitlock, falecido passam hoje 70 anos, é um dos menos conhecidos compositores ingleses do século passado. Aluno de Ralph Vaughan Williams (1872-1958) no Royal College of Music, foi principalmente como organista que interveio no meio musical, actividade que foi conciliando com a composição. Não será de espantar que as obras instrumentais que compôs tenham sido na sua maioria, se não na sua totalidade..., para órgão; deixou-nos ainda um conjunto apreciável de obras orquestrais e vocais.

Não há, conforme seria de esperar, muitos discos (de relevo) dedicados à sua obra, sendo o que aparece abaixo listado um dos mais representativos das suas peças para órgão. John Scott, o organista de serviço neste disco, morreu recentemente, em Agosto do ano passado, na parte final de uma digressão que o levou a sete países europeus e aos Estados Unidos (Nova Iorque, onde faleceria vítima de problemas cardíacos).


CD



Percy Whitlock
Organ Sonata in C minor. Five Short Pieces.
Fantasie Choral No.1 in D flat major.
John Scott (órgão)
Hyperion CDA67470
(2004)


Internet



Percy Whitlock
The Percy Whitlock Trust / MusicWeb International / Wikipedia

24/04/2016

Obras Vocais #13: Music for 18 Musicians, de Steve Reich

A palavra que mais depressa nos vem à mente quando pensamos em Steve Reich (1936-) é "minimalismo", ou não seja ele um dos seus maiores expoentes. Ao ter-se cruzado, ao longo do seu período de formação, com Philip Glass (1937-) e Terry Riley (1935-), o fascínio pela repetição de padrões era quase inevitável.

A obra que primeiro chamou a atenção para Reich e lhe trouxe um reconhecimento generalizado foi Music for 18 Musicians, escrita entre 1974 e 1976 e estreada em Nova Iorque no dia 24 de Abril de 1976, passam hoje 40 anos.

É uma obra obviamente marcada pelo minimalismo mas, ao mesmo tempo, é também a primeira de Reich que apresenta uma assinalável variedade harmónica. Há mesmo quem diga que foi a obra que marcou o fim da fase minimalista do compositor.

Para vos poupar trabalho, posso confirmar que, no vídeo abaixo incluído, com membros do Ensemble InterContemporain, são 18 os músicos de serviço...


CD



Steve Reich
Music for 18 Musicians.
Ensemble Signal
Brad Lubman
Harmonia Mundi HMU90 7608
(2011)


Internet



Steve Reich
The Steve Reich Webiste / Boosey and Hawkes / Wikipedia

17/04/2016

Contraltos #2: Pamela Bowden (1925-2003)

A inglesa Pamela Bowden, contralto, compensou a ausência dos palcos operáticos, onde poucas presenças registou, com uma dedicação extraordinária aos compositores seus contemporâneos, nomeadamente Malcolm Arnold (1921-2006), Lennox Berkeley (1903-1989), Benjamin Britten (1913-1976) e Michael Tippett (1905-1998).

William Blake (1757-1827), que dificilmente poderia ser um contralto..., foi um poeta, pintor e tipógrafo inglês, cuja obra poética, em particular, apenas teve o devido reconhecimento já bem depois da sua morte. Malcolm Arnold musicou 5 poemas de Blake em 1959 ("Five William Blake Songs"), tendo precisamente em vista Pamela Bowden, a quem dedicou as canções. A estreia ocorreu no dia 26 de Março de 1959, naturalmente com a própria Bowden,  e com o compositor a dirigir a orquestra (de cordas).

Dos 5 poemas escolhidos por Arnold este passa por ser o meu preferido:

Memory, hither come

Memory, hither come,
    And tune your merry notes;
And, while upon the wind,
    Your music floats,
I'll pore upon the stream,
    Where sighing lovers dream,
And fish for fancies as they pass
    Within the watery glass.

I'll drink of the clear stream,
    And hear the linnet's song;
And there I'll lie and dream
    The day along:
And, when night comes, I'll go
    To places fit for woe,
Walking along the darken'd valley,
    With silent Melancholy.

Pamela Bowden nasceu há 91 anos, no dia 17 de Abril de 1925.


CD



Malcolm Arnold
Peterloo Overture, Op.97. Concerto for Two Pianos (three hands) & Orchestra, Op.104.
Song of Simeon - A Nativity Masque, Op.69. Viola Concerto, Op.108. Four Cornish Dances, Op.91.
The Fair Field - Overture, Op.110. Concerto for Two Violins, Op.77.
Fantasy for Solo Harp, Op.117. Sinfonietta No.1, Op.48. Horn Concerto No.2, Op.58.
Five Blake Songs, Op.66.
Ann Dowdall, Ursula Connors (sopranos), Jean Allister, Pamela Bowden (contraltos),
Ian Partridge (tenor), Christopher Keyte, Forbes Robinson (baixos), Simon Hutton (narrador),
Roger Best (viola)
BBC Symphony Orchestra, Northern Sinfonia, London Symphony Orchestra,
English Chamber Orchestra, BBC Northern Orchestra
Malcolm Arnold
BBC Radio Classics 15656 91817-2
(1966, 1967, 1968, 1969, 1971, 1973, 1976, 1977)


Internet



Pamela Bowden
The Telegraph / Wikipedia

09/04/2016

Obras Orquestrais #29: Amériques, de Edgard Varèse

Edgard Varèse (1883-1965), parisiense de nascimento. dividiu os primeiros anos de vida entre a França, Itália e a Alemanha, onde viveu entre 1907 e 1915. As dificuldades em arranjar um emprego regular que lhe desse um mínimo de estabilidade levaram-no a mudar-se para os Estados Unidos, acabando mesmo por adquirir a cidadania norte-americana em 1926.

Um incêndio em Berlim tinha destruído a quase totalidade das partituras das obras que escreveu em solo europeu, pelo que Amériques, a primeira obra que compôs em solo americano, se tornou, na prática, na primeira do seu percurso como compositor.

Escrita entre 1918 e 1921, foi estreada por Leopold Stokowski  (1882-1977) e a Orquestra de Filadélfia no dia 9 de Abril de 1926, passam hoje 90 anos.


CDs



Edgard Varèse
The Complete Works
Tuning Up. Amériques. Déserts. Hyperprism. Poème électronique. Arcana. Nocturnal.
Un grand sommeil noir. Offrandes. Octandre. Intégrales. Ecuatorial. Ionisation.
Density 21.5. Dance for Burgess.
Sarah Leonard, Mireille Delunsch (sopranos), Kevin Deas (baixo), Jacques Zoon (flauta),
François Kerdoncuff (piano), Edgard Varèse (electrónica)
ASKO Ensemble
Prague Philharmonic Chorus
Royal Concertgebouw Orchestra
Riccardo Chailly
Decca 460 208-2

Edgard Varèse
Amériques. Arcana. Déserts. Ionisation.
Chicago Symphony Orchestra
Pierre Boulez
Deutsche Grammophon 471 137-2
(1995, 1996)

Edgard Varèse
Orchestral Works, Vol.2
Amériques. Ecuatorial. Nocturnal. Ionisation. Hyperprism. Densité 21.5. Un grand sommeil noir.
Dance for Burgess. Tuning Up.
Elizabeth Watts (soprano), Maria Grochowska (flauta), Thomas Bloch (onde),
Christopher Lyndon-Gee (piano)
Camerata Silesia
Polish National Radio Symphony Orchestra
Christopher Lyndon-Gee
Naxos 8.557882
(2005)


Internet



Edgard Varèse
Carnegie Hall / allmusic / Wikipedia

03/04/2016

Pianistas #45: Lili Kraus (1903-1896)

Lili Kraus ainda foi daquele tempo em que nós olhamos para a lista de professores que teve e não conseguimos deixar de ficar impressionados; hoje em dia, parece-me, já não é tanto assim, sendo difícil identificar muitos que se distingam simultaneamente como professores e compositores.

Voltando a Lili Kraus e ao meu ponto inicial, reparemos nalguns dos professores que ajudaram na sua formação:

Primeiro em Budapeste, cidade onde nasceu e frequentou a Academia de Música: Zoltán Kodály (1882-1967) e Béla Bartók (1881-1945);

Depois em Viena, onde encontrou Eduard Steuermann (1892-1964), que também foi professor de Alfred Brendel (1931-), e Artur Schnabel (1882-1951).
    Nos vídeos que incluo a seguir aparece a interpretar obras de um dos compositores em que mais se distinguiu, Franz Schubert (1797-1828).

    Lili Kraus nasceu há 111 anos, no dia 3 de Abril de 1905.


    CD



    'Great Pianists, Vol.1'
    Ludwig van Beethoven
    Piano Concerto No.4 in G major, Op.58.
    Carl Maria von Weber
    Konzertstück for Piano and Orchestra in F minor, Op.79.
    Sergei Rachmaninov
    Rhapsody on a Theme of Paganini, Op.43.
    Wilhelm Backhaus (piano), New York Philharmonic Orchestra, Guido Cantelli
    Lili Kraus (piano), Concertgebouw Orchestra, Pierre Monteux
    Arthur Rubinstein, New York Philharmonic Orchestra, Victor de Sabata
    Guild GHCD2349
    (1956, 1939, 1953)


    Internet



    Lili Kraus
    The New York Times / Naxos / Wikipedia

    26/03/2016

    Poetas #9: A. E. Housman (1859-1936)

    "A Shropshire Lad", um ciclo de 63 poemas publicado pela primeira vez em 1896, passa por ser a obra mais conhecida do poeta inglês A. E. Housman e, caso contrário provavelmente não seria para aqui chamado..., atraiu a atenção de importantes compositores, que musicaram vários dos seus poemas.

    Ralph Vaughan Williams (1872-1958) foi um deles, com o ciclo de 6 canções On Wenlock Edge, de 1909; outro foi o igualmente inglês George Butterworth (1885-1916) que, em 1911, publicou um ciclo de 6 canções baseadas noutros tantos poemas de "A Shropshire Lad":

    • Loveliest of trees
    • When I was one and twenty
    • Look not in my eyes
    • Think no more, lad
    • The lads in their hundreds
    • Is my team ploughing?

    When I was one-and-twenty

    When I was one-and-twenty
    I heard a wise man say,
    “Give crowns and pounds and guineas
    But not your heart away;
    Give pearls away and rubies
    But keep your fancy free.”
    But I was one-and-twenty,
    No use to talk to me.

    When I was one-and-twenty
    I heard him say again,
    “The heart out of the bosom
    Was never given in vain;
    ’Tis paid with sighs a plenty
    And sold for endless rue.”
    And I am two-and-twenty,
    And oh, ’tis true, ’tis true.

    Este é o poema lido pelo actor inglês Donald Pleasence (1919-1995) no memorável episódio de 1962 "The Changing of the Guard" da série The Twilight Zone, no papel de um professor a quem calhou em sorte um notável conjunto de alunos não particularmente motivados para os encantos da aprendizagem.

    A. E. Housman nasceu há 157 anos, no dia 26 de Março de 1859.


    CDs



    George Butterworth
    'The Complete Butterworth Songbook'.
    A Shropshire Lad. Eleven Folksongs from Sussex. Love Blows as the Wind Blows. Requiescat.
    Mark Stone (barítono), Stephen Barlow (piano)
    Stone Records 506019 2780024
    (2009)

    George Butterworth
    A Shropshire Lad. Bredon Hill and other songs from 'A Shropshire Lad'. 11 Folksongs from Sussex.
    I will make your brooches. Requiescat.
    Roderick Williams (barítono), Iain Burnside (piano)
    Naxos 8.572426
    (2010)


    Internet



    A. E. Housman
    PoemHunter / The Victorian Web / Wikipedia

    George Butterworth
    War Composers / FirstWorldWar / Wikipedia

    19/03/2016

    Concertos para Violoncelo #4: Concerto para Violoncelo, de Dvorák

    A primeira tentativa de Antonín Dvorák (1841-904) para compor um concerto para violoncelo foi em 1865, bem no início da sua carreira como compositor, portanto. A coisa não saiu exactamente como ele esperava, pelo que o abandonou sem ter chegado sequer a proceder à respectiva orquestração.

    Foram precisos quase 30 anos para Dvorák voltar ao assunto e, entre Novembro de 1894 e Fevereiro de 1895, lá se entreteve às voltas com um concerto para violoncelo. Um processo que, de novo, não esteve isento de peripécias: Hanuš Wihan (1855-1920), violoncelista amigo de Dvorák e dedicatário da obra, era o escolhido para o concerto de estreia, mas após várias desavenças (relacionadas com alterações que Wihan procurou fazer na obra sem autorização do compositor), e desencontros (relacionados com a data do concerto de estreia), acabou por ser Leo Stern (1862-1904) a ter a honra de ser o violoncelista responsável pela estreia da obra.

    Estreia essa que teve lugar em Londres no dia 19 de Março de 1896, passam hoje 120 anos, com o próprio Dvorák à frente da orquestra.


    CDs







    Antonín Dvorák
    Cello Concerto in B minor, Op.104 B101.
    Edward Elgar
    Cello Concerto in E minor, Op.85.
    André Navarra (violoncelo)
    National Symphony Orchestra, Rudolf Schwarz
    Hallé Orchestra, John Barbirolli
    Testament SBT1204
    (1954, 1957)

    Antonín Dvorák
    Cello Concerto in B minor, Op.104 B101.
    Camille Saint-Saëns
    Cello Concerto No.1 in A minor, Op.33.
    Mstislav Rostropovich (violoncelo)
    London Philharmonic Orchestra
    Carlo Maria Giulini
    EMI GROC 5 67593-2

    Antonín Dvorák
    Cello Concerto in B minor, Op.104 B101.
    Robert Schumann
    Cello Concerto in A minor, Op.129.
    Mstislav Rostropovich (violoncelo)
    USSR State Symphony Orchestra, Evgeni Svetlanov
    London Symphony Orchestra, Benjamin Britten
    BBC Legends BBCL4110-2
    (1961, 1968)

    Antonín Dvorák
    Cello Concerto in B minor, Op.104 B101.
    Jacques Ibert
    Concerto for Cello and Wind Instruments.
    Jacqueline du Pré (violoncelo)
    Royal Liverpool Philharmonic Orchestra, Charles Groves
    Michael Krein Orchestra, Michael Krein
    BBC Legends BBCL4156-2
    (1962, 1969)

    Antonín Dvorák
    Cello Concerto in B minor, Op.104 B101. Piano Trio No.4 in E minor, , 'Dumky', Op.90 B166.
    Jean-Guihen Queyras (violoncelo), Isabelle Faust (violino), Alexander Melnikov (piano)
    Prague Philharmonia
    Jiří Bělohlávek
    Harmonia Mundi HMC90 1867

    Antonín Dvorák
    Cello Concerto in B minor, Op.104 B101. Piano Concerto in G minor, Op.33 B63.
    Frantisek Maxian (pianof), Mstislav Rostropovich (violoncelo)
    Czech Philharmonic Orchestra
    Vaclav Talich
    Supraphon SU3825-2
    (1951, 1952)

    Antonín Dvorák
    Cello Concerto in B minor, Op.104 B101.
    Victor Herbert
    Cello Concerto No.2 in E minor, Op.30.
    Gautier Capuçon (violoncelo)
    Frankfurt Radio Symphony Orchestra
    Paavo Järvi
    Virgin Classics 5 19035-2

    Antonín Dvorák
    Cello Concerto in B minor, Op.104 B191. The Water Goblin, Op.107 B195.
    In Nature's Realm, Op.91 B168.
    Zuill Bailey (violoncelo)
    Indianapolis Symphony Orchestra
    Jun Märkl
    Telarc TEL32927-02

    Antonín Dvorák
    Cello Concertos - in A major, B10; in B minor, Op.104 B191 (plus original ending).
    Lasst mich allein, Op.82 B157 No.1.
    Steven Isserlis (violoncelo)
    Mahler Chamber Orchestra
    Daniel Harding
    Hyperion CDA67917
    (2012)

    Antonín Dvorák
    Cello Concerto in B minor, Op.104 B191. Lasst mich allein, Op.82 B157 No.1 (arr. Lenehan).
    Rondo in G minor, Op.94 B171. Goin' Home (Theme from Symphony No.9, arr. Fisher/Lehenan).
    Songs my mother taught me, Op.55 B104 No.4 (arr. Grünfeld).
    Silent Woods, Op.68 No.5 B173. Slavonic Dance in G minor, Op.46 B172 No.8.
    Alisa Weilerstein (violoncelo), Anna Polonsky (piano)
    Czech Philharmonic Orchestra
    Jirí Belohlávek
    Decca 478 5705

    Antonín Dvorák
    Cello Concerto in B minor, Op.104 B101.
    Camille Saint-Saëns
    Cello Concerto No.1 in A minor, Op.33.
    Pablo Casals
    El cant dels ocells.
    Pierre Fournier (violoncelo)
    Swiss Festival Orchestral, István Kertész
    Orchestre Philharmonique de l'ORTF, Jean Martinon
    Audite AUDITE95.628
    (1962, 1967, 1976)

    Anton Bruckner
    Symphony No.8 in C minor.
    Antonín Dvorák
    Cello Concerto in B minor, Op.104 B101.
    Enrico Mainardi (violoncelo)
    Hessian Radio Symphony Orchestra
    Eugen Jochum
    Tahra TAH638/9

    Piotr Ilyich Tchaikovsky
    Variations on a Rococo Theme, Op.33.
    Antonín Dvorák
    Cello Concerto in B minor, Op.104 B101.
    Mstislav Rostropovich (violoncelo)
    Berlin Philahrmonic Orchestra
    Herbert von Karajan
    Deutsche Grammophon 447 413-2
    (1968)

    Luigi Cherubini
    Anacreón Overture.
    Antonín Dvorák
    Cello Concerto in B minor, Op.104 B101.
    César Franck
    Symphony in D minor.
    Paul Tortelier (violoncelo)
    French Radio National Orchestra
    Willem Mengelberg
    Malibran Music CDRG188
    (1944)


    SACD



    Antonín Dvorák
    Cello Concerto in B minor, Op.104 B101. Symphonic Variations, Op.78 B70.
    Pieter Wispelwey (violoncelo)
    Budapest Festival Orchestra
    Iván Fischer
    Channel Classics CCSSA25807


    Internet





    Antonín Dvorák
    Antonín Dvorák / mfiles / Wikipedia

    06/03/2016

    Maestros #67: Nikolaus Harnoncourt (1929-2016)

    Foi o último maestro que por aqui passou, em Dezembro do ano passado, numa altura em que eram já conhecidos os seus problemas de saúde, que o levaram a abandonar os palcos. A notícia desse abandono foi dada pelo próprio Nikolaus Harnoncourt no dia 5 de Dezembro de 2015, no dia anterior à publicação do texto no desNorte. Fomos hoje surpreendidos com a triste notícia do seu falecimento, ocorrido ontem. No vídeo exibido a seguir Harnoncourt dirige o Concentus Musicus Wien, um agrupamento que ele mesmo (co-)fundou em Viena há mais de 60 anos, em 1953.

    Harnoncourt distinguiu-se pelas suas interpretações historicamente informadas, pelo que o Concentus Musicus Wien, inevitavelmente, utiliza instrumentos da época. Um dos compositores de eleição teria que ser Johann Sebastian Bach (1685-1750), e é dele o Magnificat que podemos ouvir a seguir.


    Internet



    Nikolaus Harnoncourt
    Nikolaus Harnoncourt / BBC / Wikipedia

    28/02/2016

    Sinfonias #54: Sinfonia Nº2, de Vincent d'Indy

    As obras do compositor francês Vincent d'Indy (1851-1931) sofrem desde há muito de uma indiferença quase generalizada, pelo que dificilmente alguém adivinharia estarmos em presença de uma das figuras mais relevantes da cena musical parisiense dos finais do século XIX. Há boas razões para isso, naturalmente, a começar pela forma obstinada como sempre recusou quaisquer modernices, dedicando-se a compor música eminentemente conservadora, num estilo classicista que foi tendo cada vez menos adeptos.

    Dedicou-se também à docência, área onde, porventura, terá deixado uma marca mais duradoura, notada, por exemplo, na lista de alunos que passaram pelas suas aulas, como Isaac Albéniz (1860-1909), Arthur Honegger (1892-1955), Darius Milhaud (1892-1974), Albert Roussel (1869-1937) e Erik Satie (1866-1925).

    Vincent d'Indy compôs três sinfonias, sendo que apenas a segunda e a terceira tiveram direito a receber números de opus; composta entre 1902 e 1903 , a 2ª sinfonia foi estreada no dia 28 de Fevereiro de 1904, passam hoje 112 anos.


    CDs



    Vincent d'Indy
    Symphony No.2 in B flat, Op.57. Souvenirs, Op.52.
    Monte Carlo Philharmonic Orchestra
    James DePreist
    Koch International 37280-2

    Vincent d'Indy
    Orchestral Works, Vol.2
    Symphony No.2, Op.57. Tableaux de voyage, Op.36. Karadec, Op.34.
    Iceland Symphony Orchestra
    Rumon Gamba
    Chandos CHAN10514
    (2008)


    Internet



    Vincent d'Indy
    allmusic / Naxos / Wikipedia

    21/02/2016

    Realizadores #2: Margarethe von Trotta (1942-)

    A lista de prémios da realizadora alemã Margarethe von Trotta, que hoje celebra o 74º aniversário, é deveras impressionante, não sei mesmo se não será maior do que a lista de filmes que realizou. Além dos méritos cinematográficos propriamente ditos, nós por aqui também damos uma particular atenção às bandas sonoras, dando-se o caso de também aqui von Trotta não "ter facilitado".

    O meio-soprano inglês Janet Baker (1933-), alvo de uma enorme admiração por parte da realizadora, participa na banda sonora de 3 filmes: Das zweite Erwachen der Christa Klages (O segundo despertar de Christa Klages, 1978), Schwestern oder die Balance des Glücks (As Irmãs, 1979) e Die bleierne Zeit (Anos de Chumbo, 1981).

    Em As Irmãs interpreta uma área da ópera Dido e Aeneas de Henry Purcell (1659-1695), e nos Anos de Chumbo uma cantata de George Frideric Handel (1685-1759), Lucrezia. Ainda não descobri qual a cantata escolhida para O segundo despertar de Christa Klages, mas a esperança é a última coisa a morrer.


    Internet



    Margarethe von Trotta
    IMDb / Wikipedia

    Janet Baker
    Bach Cantatas Website / allmusic / Wikipedia

    14/02/2016

    Sopranos #21: Soile Isokoski, Renée Fleming


    Uma das coisas que damos naturalmente por adquirida (pelo menos é esse o meu caso) é a electricidade; quando nos vemos privados dela pelo menos desde as 8 da manhã (antes disso não sei, estava demasiado ocupado a dormir) até às 8 da noite (neste caso tenho a certeza, ainda estava acordado), temos garantido um dia diferente, no mínimo.

    Eu também dava por adquirido que um portão fechado é passível de ser aberto, mesmo na presença da falha eléctrica do dia; pensei que era para isso mesmo que, na respectiva caixa de comando, existe uma posição que diz "abertura manual". Pois se quisemos ir almoçar fora (este também foi um bom dia para descobrir que não há um aparelho na cozinha que funcione na falta de electricidade) bem que tivemos que ir a pé, ainda não temos nenhum carro que consiga sair de casa com o portão encerrado.

    Como resultado disto tudo, não houve possibilidades para preparar o pequeno texto dominical da praxe, regado de músicos e musiquinhas. Na falta de tempo para mais, deixo aqui vídeos de dois sopranos que hoje comemoram os respectivos aniversários: Soile Isokoski (59 anos) e Renée Fleming (57 anos).


    Internet



    Soile Isokoski
    allmusic / Wikipedia

    Renée Fleming
    Renee-fleming.com / Wikipedia

    06/02/2016

    Obras Orquestrais #28: Scherzo Fantastique, de Igor Stravinsky

    Alexander Siloti (1863-1945), ucraniano de nascença, foi uma importante figura do meio musical russo dos últimos anos do século XIX e das primeiras duas décadas do século XX; e só não o foi mais tempo porque decidiu mudar de ares pouco após o nascimento da União Soviética. A partir de 1921 assentaria arraiais em Nova Iorque, onde viveu até à data da sua morte, nos finais de 1945.

    Siloti celebrizou-se como pianista, tendo construído uma assinalável carreira internacional, mas tal não o impediu de, paralelamente, ter sido um maestro de sucesso. Foi sob a sua batuta, nomeadamente, que, em Novembro de 1901, se deu a estreia do Concerto para Piano Nº2 de Sergei Rachmaninov (1873-1943); foi também com Siloti que, no dia 6 de Fevereiro de 1909, a cidade de São Petersburgo assistiu à estreia do Scherzo Fantastique.

    Uma das primeiras obras do compositor russo Igor Stravinsky (1882-1971), o Scherzo Fantastique iria representar um marco decisivo na sua carreira: é que uma das apresentações desta obra, ainda em 1909, contou na assistência com o empresário Sergei Diaghilev (1872-1929), aquele dos famosos Ballets Russes. O resultado do encontro entre este dois foi um dos mais notáveis conjuntos de obras para bailado da história da música (O Pássaro de Fogo, Petrushka, A Sagração da Primavera, etc.).



    CDs




    Igor Stravinsky
    Scherzo fantastique, Op.3. L'histoire du soldat - Suite. King of the Stars. Le chant du rossignol.
    Cleveland Chorus
    Cleveland Orchestra
    Pierre Boulez
    Deutsche Grammophon 471 197-2

    Igor Stravinsky
    The Firebird - suite (1945). Apollon musagète (1947 version). Scherzo fantastique, Op.3.
    Royal Concertgebouw Orchestra
    Riccardo Chailly
    Decca 458 142-2
    (1994, 1995)

    Stravinsky conducts Stravinsky
    Igor Stravinsky
    The Firebird. Scherzo à la russe. Scherzo fantastique, Op.3. Fireworks, Op.4.
    The Columbia Symphony Orchestra
    Igor Stravinsky
    CBS Masterworks MK 42432
    (1961, 1962, 1963)

    Igor Stravinsky
    The Firebird. Scherzo fantastique.
    WDR Symphony Orchestra
    Jukka-Pekka Saraste
    Profil PH11041


    Internet



    Igor Stravinsky
    Igor Stravinsky Foundation / Boosey & Hawks / Wikipedia

    Alexander Siloti
    Bach Cantatas Website / Wikipedia

    31/01/2016

    CDs #239: Schubert Chamber Works

    A música de câmara tem no compositor austríaco Franz Schubert (1797-1828) um dos seus melhores representantes, com um extenso e impressionante legado, que passa por sonatinas para violino e piano, trios de cordas, (15) quartetos e quintetos de cordas, além de diversas outras obras.

    Em Maio de 1919, pouco depois do final da 1ª Grande Guerra, portanto, o compositor e violinista Adolf Busch (1891-1952) funda em Berlim o Quarteto Busch, que se manteria activo por mais de 32 anos, sendo apenas dissolvido nos finais de 1951 por motivos de saúde de Busch. Ao longo da sua carreira especializaram-se principalmente nos grandes representantes do período clássico, com incursões não tão frequentes quanto isso no período romântico, e contaram muita vezes com a colaboração de um já velho conhecido nosso, o pianista, igualmente austríaco, Rudolf Serkin (1903-1991).

    Este triplo CD, que aqui trago no dia em que se assinala o 219º aniversário do nascimento de Shubert, conta precisamente com várias "formações Busch" a interpretar música de câmara do grande compositor austríaco; começa pelo próprio Quarteto Busch, aparecendo mais tarde Serkin em duas obras: um trio para piano e uma fantasia. As gravações datam todas da década de 1930.




    Franz Schubert
    String Quartets - G major, D887; B flat major, D112;
    D minor, 'Death and the Maiden', D810.
    Piano Trio in E flat major, D929. Fantasia in C major, D934.
    Rudolf Serkin (piano)
    Busch Quartet
    Regis RRC3012
    (1931, 1935, 1936, 1938)


    Internet




    Busch Quartet
    allmusic / Wikipedia

    Franz Schubert
    allmusic / Franz-Schubert-Institut / Wikipedia

    23/01/2016

    Quartetos de Cordas #11: Quarteto de Cordas Nº3, de Elliott Carter

    O Quarteto Juilliard foi formado em Nova Iorque em 1946, sendo a formação inicial composta pelos violinistas Robert Mann (1920-) e Robert Koff (1919-2005), pelo violoncelista Arthur Winograd (1920-2010) e pelo violista Raphael Hillyer (1914-2010). A formação ainda existe, naturalmente com outros membros, comemorando este ano o 70º aniversário. O último dos fundadores (e único que ainda está vivo) a sair do grupo foi Robert Mann, em 1997; ou seja, 51 anos depois de para lá ter entrado...

    Olhando para a história deste grupo vê-se que há um compositor em particular que tem merecido desde sempre uma atenção especial: o norte-americano Elliott Carter (1908-2012), ele próprio a certa altura professor na Juilliard School de Nova-Iorque, local onde o quarteto se formou.

    Elliott Carter venceu por duas vezes o Prémio Pulitzer, a segunda das quais com o Quarteto de Cordas Nº3, composto em 1971 e estreado no dia 23 de Janeiro de 1973, passam hoje 43 anos, pelos seus dedicatários: o Quarteto Juilliard.


    CD



    Elliott Carter
    String Quartets - No.2; No.3; No.4.
    Pacifica Quartet
    Naxos 8.559363
    (2008)


    Internet



    Juilliard Quartet
    Juilliard String Quartet / Juilliard String Quartet's Classical Music App / Wikipedia

    Elliott Carter
    Official Website / Boosey & Hawks / Wikipedia

    17/01/2016

    Compositores #115: Ryuichi Sakamoto (1952-)


    O japonês Ryuichi Sakamoto, que hoje celebra o seu 64º aniversário, começou por ser notado no mundo da música nos finais da década de 1970, como membro do grupo de música electrónica Yellow Magic Orchestra. Ao mesmo tempo iniciou, e mantém até aos dias de hoje, uma carreira a solo, nomeadamente como compositor, teclista, cantor, produtor e actor.

    Uma das áreas em que tem registado mais sucesso tem sido na composição de bandas sonoras para filmes, que já lhe valeram um prémio BAFTA, dois Globos de Ouro e um Óscar. O primeiro filme para que compôs a música foi Merry Christmas, Mr. Lawrence, realizado em 1983 pelo igualmente japonês Nagisa Oshima (1932-2013), e que contou no elenco com, entre outros, o próprio Sakamoto e o recentemente falecido David Bowie (1947-2016).


    CD



    Ryuichi Sakamoto
    'Three'.
    Happy End. The Last Emperor. Bibo No Aozora. High Heels. Seven Samurai.
    A Flower is not a Flower. Still Life in A. Nostalgia. Tango.
    Merry Christmas, Mr. Lawrence. Ichimei (Harakiri - Death of a Samurai).
    Tamago 2004. Parolibre.
    Ryuichi Sakamoto (piano), Judy Kang (violino), Jacques Morelenbaum (violoncelo)
    Decca 373 6645
    (2011)


    Internet



    Ryuichi Sakamoto
    siteSakamoto / Ryuichi Sakamoto / Wikipedia

    David Bowie
    David Bowie / Wikipedia