06/09/2004

Lugares #12

No último Domingo, a ideia inicial era regressar de Viseu utilizando o IP5, gorada de imediato pelo trânsito caótico da referida via. Admito a indevida utilização da palavra trânsito, que pressupõe que alguma coisa se move, o que não era certamente o caso...

Em alternativa decidimos matar saudades e regressar por S. Pedro do Sul, fazendo o mesmo percurso que os meus pais faziam sempre que iam ver a família ou os terrenos que lá possuíam. Na altura tanto eu como o meu irmão éramos putos, e aquelas viagens eram inesquecíveis. Não tanto pela beleza da paisagem, algo a que não éramos particularmente sensíveis, mas pelas malditas curvas e curvinhas entre Sever de Vouga e Oliveira de Frades. Eu desenvolvi um ódio de estimação por aquela viagem; sabia de antemão que me esperava um terrível enjoo, não perto do destino, mas logo ali ao fim do segundo quilómetro de curvas. Atingido o ponto limite (pela experiência acumulada, a decisão de parar o carro já não se baseava apenas na cor da nossa pele, haveria um outro conjunto de parâmetros que eu nunca consegui apreender), o meu pai lá parava o carro, nós fazíamos aquilo que o organismo tinha determinado, e prosseguíamos. Quando por fim o suplício serpentuoso terminava, as duas criaturas amarelas que tinham conseguido sobreviver sentadas no banco de trás procuravam aguentar-se nas pernas o suficiente para se afastarem daquele instrumento de tortura sobre rodas, se possível sem fazerem figuras demasiado tristes. A odisseia acabava normalmente com aquela expressão familiar: "Ai coitadinhos, que vêm tão amarelinhos!". Ainda hoje não sei o que me custava mais, a indisposição ou a humilhação.

O regresso não era tão complicado, o estômago não se dispunha a ser apanhado desprevenido duas vezes no mesmo dia. Lembro-me claramente daquilo que, na altura, era para mim o percurso do terror: Porto - S. João da Madeira - Vale de Cambra - Sever do Vouga - (enjoo) - Ribeiradio - Oliveira de Frades - S. Pedro do Sul - Viseu.

Há mais de dez anos que não fazia este percurso. Dada a hora tardia a que saímos de Viseu não haveria tempo para efectuar muitas paragens, houve que optar. A primeira, coisa de poucos minutos, foi feita em Oliveira de Frades, terra dos meus avós paternos e do meu pai. A fotografia mostra a Câmara Municipal, onde ambos chegaram a trabalhar. Por que acho que fica bonito, incluo também o Brasão e o Estandarte da Vila de Oliveira de Frades.





Em próximo(s) post(s) relatarei o resto do passeio.