01/09/2004

São Tomé e Príncipe - 1

A úlima edição da revista Fortune tem um pequeno artigo sobre a descoberta de petróleo em São Tomé e Príncipe, e especula sobre as suas possíveis consequências para o futuro desse país. Muitas questões e poucas respostas, pois os exemplos que abundam não deixam lugar a certezas absolutas nem a optimismos desmesurados. Antes de passarmos a essa parte, contudo, registem-se estes números para termos uma ideia do que estamos a falar:

Orçamento anual do Estado: 55 milhões de dólares (um quinto do orçamento anual da Biblioteca Pública de Nova Iorque...)

Montante que o consórcio ChevronTexaco e Exxon Mobil vai pagar para explorar uma das jazidas: 123 milhões de dólares

Número de jazidas já descobertas: 9

A história poderá contudo não ser tão simples como estes números poderão dar a entender. É que não há necessariamente uma relação directa entre os níveis de produção de petróleo de um país e o nível de vida da sua população. E quando procuramos esta ligação nos países africanos ainda mais ténue ela se revela. Senão vejamos:

Segundo o Boletim Anual Estatístico de 2003 emitido pela OPEP, foram os seguintes os maiores produtores de petróleo (em milhões de barris por dia, e incluindo apenas países membros dessa organização)



Atentemos agora nas tabelas seguintes (clicar sobre a imagem para obter uma versão mais legível)




Além de três países exportadores de petróleo (México, Venezuela e Nigéria) incluí igualmente Portugal e Espanha, para facilitar as comparações. Os valores mostrados em cada tabela foram obtidos de fontes diferentes: da revista The Economist, do já referido relatório da OPEP e do The World Factbook da CIA (que pode ser consultado via internet).

Vejam-se os valores do PIB per capita, da mortalidade infantil ou da expectativa de vida; reparemos no número de médicos por 1000 habitantes, ou no número de computadores: Portugal e Espanha estão claramente à frente de qualquer um deles. E, por último: que dizer da Nigéria? Alguém desconhecedor do assunto conseguiria dizer, pelos dados exibidos, que estamos perante o quinto ou sexto maior produtor de petróleo dos países da OPEP? Quais os benefícios que isso trouxe para os nigerianos? Com o quase nulo investimento na educação e no ensino, como é que poderão progredir?

O que é que vai suceder no caso de São Tomé e Príncipe? Só o tempo o dirá. Se não seguirem o exemplo do seu vizinho mais a sul, Angola, já terão pelo menos evitado um passo na direcção errada...