20/10/2004

Escolástica #1

A visita ao Mosteiro de Santa Escolástica, relatada no dia 7 de Outubro no texto Lugares #23, vai servir de ponto de partida para outro tema. Não nos vamos debruçar sobre a vida da Santa que lhe deu o nome, irmã de S. Bento e patrona das monjas beneditinas, mas sim sobre o período do pensamento cristão que vai do começo do século IX aos fins do século XVI.


Santa Escolástica

A Igreja Católica, como a instituição mais importante da idade média, desempenhou um papel primordial no ensino. A escolástica era a filosofia ensinada nas escolas da idade média pelos mestres denominados escolásticos, e promovia um saber que se baseava principalmente em obras literárias.

Historicamente, a escolástica divide-se em 3 períodos: o primitivo (séculos IX ao XII), o médio (séculos XII e XIII) e o tardio (séculos XIV e XV). De cada um desses períodos salientaram-se

João Scoto Erígena (c.800-870)

Percursor da filosofia escolástica, onde se apoiariam as doutrinas de tendência panteísta (que estabeleciam uma ligação total entre Deus e o Universo)

S. Tomás de Aquino (1224/5-1274)


S. Tomás de Aquino

Foi sem dúvida o teólogo mais representativo da escolástica. tendo-a levado ao seu ápice.

Duns Escoto (1274-1303) e Guilherme de Occam (1270-1347)

Duns Escoto Guilherme de Occam

No período áureo da escolástica, colocaram as verdades morais e religiosas acima de quaisquer outras. Levaram dessa forma à completa separação entre a razão e a fé, libertaram a filosofia da teologia, o que contribuiu, por exemplo, para o início do pensamente científico moderno.


Será interessante referir que um dos objectivos da escolástica, principalmente a partir do século XI, era o de analisar as transformações sociais e políticas, as consequências e os problemas que daí poderiam advir, e procurar consubstanciá-los nos dogmas da Igreja.

E é aqui que eu me pergunto se não seria tempo de a Igreja Católica proceder a uma "escolástica versão século XXI" e rever alguns dos seus dogmas? Que novas transformações serão necessárias para que tal venha a acontecer? Talvez a questão esteja mais em saber se serão transformações na sociedade ou dentro de própria Igreja a motivar tal processo. Ou ambas.


Internet