17/11/2004

Compositores #12: Heitor Villa-Lobos (1887-1959)

Passam hoje 45 anos sobre a morte do compositor brasileiro Heitor Villa-Lobos. Órfão de pai aos 12 anos, com quem tinha aprendido a tocar violoncelo a partir de uma viola adaptada (!), começa nessa altura a tocar em cafés e teatros e, ao mesmo tempo, a admirar a música dos chorões, grupos de músicos amadores por muitos considerados como tocando a melhor música popular do Rio de Janeiro, cidade natal de Villa-Lobos.


Heitor Villa-Lobos

Aparentemente o espírito itinerante desses grupos contagiou-o definitivamente, uma vez que rapidamente aderiu a um estilo de vida ambulante. Em 1905 fez a primeira de muitas viagens ao nordeste brasileiro, com o intuito de apreender as tradições musicais da região e de recolher folclore, que iria utilizar posteriormente em muitas das suas composições. Chegou a ter aulas de música no Instituto Nacional de Música do Rio de Janeiro, mas a sua vocação não era propriamente ficar fechado numa sala de aulas: rapidamente as abandonava e voltava às suas viagens. Consta mesmo que num dos seus regressos a casa, depois de mais uma prolongada ausência, teve a oportunidade de assistir a uma missa em sua memória, encomendada pela própria mãe, que há muito o julgava morto e porventura enterrado...

Musicalmente, podem-se identificar duas fases distintas na vida de Heitor Villa-Lobos:

Uma primeira, durante as duas primeiras décadas do século XX, classificada de vanguarda para a época, e que lhe valeu violentos ataques da crítica local. Terá sido essa uma das razões que o levou a passar uma primeira temporada em Paris, para onde partiu em 1923. Voltaria mais tarde, lá permanecendo entre 1927 e 1930, ano em que regressou ao Rio de Janeiro. Pertencem a esta fase obras como os Choros, as Danças Africanas, as 5 primeiras sinfonias e os bailados Amazonas e Uirapurú.

Uma segunda fase, que coincidiu com o seu regresso de Paris, em que passou a compor num estilo que se pode designar de "neo-barroco" e se dedicou à pedagogia musical, tendo sido nomeado responsável pela educação musical do Estado do Rio de Janeiro. As Bachianas Brasileiras e os Concertos para Piano, por exemplo, foram compostos neste período.

Em 1944 visitou pela primeira vez os Estados Unidos e no ano seguinte a Orquestra Sinfónica de Boston deu um concerto exclusivamente com música sua. Na assistência, entre outros, encontravam-se Claudio Arrau, Duke Ellington, Cole Porter e Arturo Toscanini.


Algumas obras

12 Sinfonias
Choros
9 Bachianas
5 Concertos para Piano
Poemas sinfónicos
17 Quartetos de Cordas
4 Óperas
Música para Piano
Música Vocal e Coral

CDs




Bachianas Brasileiras No.4. The Emperor Jones. Uirapurú.
Odense Symphony Orchestra
Jan Wagner
Bridge 9129

Choros, Vol.1.
Gran Canaria Philharmonic Orchestra
Adrian Leaper
ASV DCA1150

Symphony No.7. Sinfonietta No.1.
South West German Radio Symphony Orchestra
Carl St. Clair
CPO CPO999 713-2

Symphony No.10, "Amerindia".
Tenerife Symphony Orchestra
Victor Pablo Pérez
Harmonia Mundi HMI98 7041