14/11/2004

Lugares - 29

Ou onde se falará também das histórias à volta de um lugar. Melhor dizendo, de uma igreja, a de S. Francisco, no Porto. Para que não seja uma história com princípio, meio e fim, vou começar pelo meio, tentar espreitar o início e acabar no fim(!).

Comecemos então por referir que a igreja de S. Francisco em particular, e as Ordens Franciscanas em geral, tiveram a sua história intimamente ligada à de D. Miguel (1802-1866).


D. Miguel I

Com efeito, não conseguiram passar indiferentes à vida atribulada de D. Miguel I. Entre Vilafrancadas, Abriladas, que o levaram ao exílio em 1824, e Lutas Liberais, iniciadas no Porto em Março de 1828, ano em que D. Miguel chegou a rei, há dois acontecimentos que merecem destaque nesta pequena história:

1 - Das trocas de tiros entre os liberais e os miguelistas resultou um incêndio que destruiu o claustro e parte da igreja de S. Francisco, isto em 1833;

2 - O advento do liberalismo não acarretou necessariamente coisas positivas para os franciscanos; na verdade, todas as ordens religiosas foram declaradas extintas por decreto governamental de Maio de 1834, a Ordem Franciscana naturalmente incluída .

A igreja de S. Francisco, por sinal, não teve um início menos atribulado. Os franciscanos, estabelecidos em Portugal desde inícios do século XIII, não foram propriamente bem recebidos, nomeadamente pelos religiosos de outras ordens ou institutos. Apesar de lhes ter sido doado terreno no Porto, as tricas locais levaram-nos mesmo a fundar inicialmente o convento do lado de Gaia, decisão apenas alterada posteriormente por intervenção directa do papa Inocêncio IV (?-1254). As obras lá começaram em 1245, tendo terminado somente em 1425, constituindo um excelente exemplar do estilo gótico. A talha dourada que lhe reveste boa parte do interior foi adicionada anos mais tarde, entre os séculos XVII e XVIII.



Anexo à Igreja de S. Francisco, a Ordem dos Frades Observantes de S. Francisco dispunha ainda de um edifício, onde ainda hoje se encontram os restos mortais de ilustres portuenses, falecidos em meados do século XIX.



O andar térreo serve actualmente de guarida a um museu de arte sacra, e no primeiro piso situa-se a magnífica Sala de Sessões.