06/12/2004

Escritores #4: Almeida Garrett (1799-1854)

Da vida atribulada de Almeida Garrett fizeram parte diversas fugas do território continental, motivadas por acontecimentos já aqui abordados a propósito de outros assuntos.


Almeida Garrett
A primeira fuga foi para os Açores, terra de seu pai, e teve lugar nos inícios de 1809. Sabemos que as forças de Soult (ver postal de 4 de Outubro), no desenvolvimento da 2ª invasão francesa, entraram no Porto no dia 29 de Março desse ano, e era delas que a família de Garrett queria distância.

Depois de confirmada a sua falta de vocação sacerdotal, Garrett regressa para cursar Direito em Coimbra. É aí que adopta o novo nome, inicia-se nas lides literárias e adopta as ideias liberais. A conjungação destas duas últimas resultou na fórmula mágica para uma vida de sarilhos.

É que em Maio de 1823 dá-se a Vila-francada, com a qual D. Miguel procurou pôr fim ao regime liberal. Sentindo-se ameaçado ao ver os liberais a serem perseguidos, Almeida Garrett pirou-se para Inglaterra. Em Agosto, contudo, regressaria, filado que o seu poder de argumentação e verbo fácil tudo resolveriam. Enganou-se, e dessa vez não foi uma fuga preventiva; foi mesmo corrido daqui para fora, tendo voltado a Inglaterra. É caso para dizer que, 180 anos depois, nem tudo mudou. O discurso fácil, o tom dramático e convincente, voltaram a não ser suficientes para desviar o curso inevitável da história. Só que Almeida Garrett era competente naquilo que fazia...

Com a morte de D. João VI, em Março de 1826, Garrett pôde novamente regressar a Portugal. Estadia de curta duração, no entanto. Em 1828, D. Miguel é proclamado rei absoluto pelas Cortes de Lisboa, e o nosso amigo, que tinha passado os últimos dois anos, boca no trombone e mão na pena, na propagação das ideias liberais, não teve outra solução senão dar de novo à sola. Destino? Inglaterra, pois então!

O seu último exílio forçado no estrangeiro terminaria em 1832, altura em que voltou a Portugal para participar no desembarque no Mindelo e no cerco das tropas liberais ao Porto. Outras histórias, para outra altura.