09/12/2004

Escritores #5: Almeida Garrett (1799-1854)

Nos 150 anos da morte de Almeida Garrett, a 9 de Novembro de 1854

A eventual vocação sacerdotal de Almeida Garrett, que lhe quiseram descobrir nos Açores, foi naturalmente dizimada pelos amores juvenis, o cântico religioso substituído pela canção do bandido, o Antigo Testamento por odes de galantear. Em breve rumaria a Coimbra, para seguir Direito.


Almeida Garrett
As aventuras amorosas continuariam. Aquando em Lisboa, tendo escrito, levado à cena e participado no elenco da sua tragédia Catão, apaixonar-se-ia por Luísa Midosi, de 15 anos, uma das muitas admiradoras que o enorme sucesso da peça granjeou, e com quem acabaria por casar.

Terminados os exílios, romperia com ela, vindo depois a ter uma relação tórrida com Adelaide Deville Pastor, terminada abruptamente pelo falecimento desta. Da relação nasceria uma filha.

O caso seguinte foi bem mais badalado, quando, em 1843, Garrett se lembrou de cair de amores por Rosa Montufar Infante. Foi uma coisa em grande: não só a jovem, de nacionalidade espanhola, era casada com Joaquim António Velez Barreiros, 1º barão e 1º visconde de Nossa Senhora da Luz, general, comendador, grande oficial e sabe-se lá o que mais, como resolveu publicitar a sua paixão, sob a forma de verso e com o título de Folhas Caídas.


Este Inferno de Amar
Este inferno de amar - como eu amo! -
Quem mo pôs aqui n'alma... quem foi?
Esta chama que alenta e consome,
Que é a vida - e que a vida destrói -
Como é que se veio a atear,
Quando - ai quando se há-de ela apagar?

Eu não sei, não me lembra: o passado,
A outra vida que dantes vivi
Era um sonho talvez... - foi um sonho -
Em que a paz tão serena a dormi!
Oh!, que doce era aquele sonhar...
Quem me veio, ai de mim!, despertar?

Só me lembra que um dia formoso
Eu passei... dava o Sol tanta luz!
E os meus olhos, que vagos giravam,
Em seus olhos ardentes os pus.
Que fez ela?, eu que fiz? - Não no sei;
Mas nessa hora a viver comecei...

Nota: Enviado a partir de Bruxelas. A temperatura?! Ainda bem que amanhã é dia de regresso...