21/12/2004

Lugares - 35

As imagens podem sugerir, mas feliz ou infelizmente, (ainda) não exalam odores, em particular os do rio Leça, de cuja situação todos nos deveremos envergonhar. Quando dois dos nossos sentidos são violentamente agredidos mal nos aproximamos deste rio, quando sabemos de todas as discussões à sua volta e quando também sabemos que na prática nada está realmente a acontecer para resolver de uma vez o problema, só fica lugar para a indignação e para a denúncia.


Rio Leça

Não há imagens mais ou menos bucólicas que remedeiem a situação. Não há explicação nem desculpa para um povo que constroi parques infantis onde as crianças, para melhor usufruto, deveriam ir de mola no nariz. O problema não está no parque, obviamente, está naquele esgoto nojento ao ar livre, que penosamente se arrasta para o mar e a que alguns ainda teimam em designar por rio.



Termino com duas curiosas citações. A primeira, retirada da página na internet da Direcção Geral dos Edifícios e Monumentos Nacionais sobre a Ponte da Pedra, em Leça do Balio, diz o seguinte:

"O mau estado da envolvente fica a dever-se, em particular, à extrema poluição do rio Leça, uma vez que para ali afluem os esgotos da indústria das imediações."

A segunda pode ler-se nas páginas da Câmara Municipal de Santo Tirso, onde somos convidados a descer o rio:

"Pretendemos levá-los nesta viagem. Para a fazerem só terão que saber o que procuram no rio: a fauna, a flora que abunda nas suas margens; a forma como o Homem o utilizou e viveu junto ao rio ao longo do tempo; ou a forma como hoje em dia as comunidades vivem junto ao Rio Leça, no Concelho de Santo Tirso. Que a aventura comece."

Querem uma verdadeira aventura? Pois então não se fiquem por Santo Tirso, desçam o rio até à sua foz e façam uma descrição mais detalhada da fauna e da flora que encontrarem...