31/10/2004

Invasões Francesas - 6

3ª invasão francesa: continuação

Uma vez que Massena não conseguiu avançar para sul atravessando a serra do Buçaco, decidiu contorná-la. Pode parecer óbvio, mas o que é certo é que resultou, para o que contribuiu significativamente o facto de Wellington ter ficado a dormir na forma...


Lord Wellington

Massena contornou o Buçaco no dia 29 de Setembro de 1810. Mal se apercebeu do que estava a acontecer, Wellington tratou de se mexer, tendo chegado a Coimbra no dia 30 e ordenado a imediata evacuação da cidade. Quando as tropas francesas lá chegaram no dia seguinte encontraram-na deserta. No primeiro dia instalaram-se, no segundo entretiveram-se a saquear a cidade, no dia 4 de Outubro puseram-se a caminho de Lisboa, deixando para trás apenas os feridos e os doentes. Não foi portanto difícil para os aliados recuperar Coimbra, o que foi feito pelo coronel Trant, numa altura em que Wellington já se ocupava com a defesa de Lisboa. Quando se aperceberam do sucedido os aliados vingaram-se do saque massacrando todos os franceses que apanharam a jeito, os desgraçados que não tinham podido acompanhar as tropas rumo a Lisboa. Foi uma verdadeira chacina, numa página não muito louvável da nossa história.

Wellington constituiu uma linha defensiva que ia do oceano ao rio Tejo, em Alhandra, e centrada em Torres Vedras.




Na primeira quinzena de Outubro estava tudo pronto do lado dos aliados, pelo que a primeira investida dos franceses foi prontamente repelida. Massena decidiu retirar para o interior e reorganizar as suas forças em Santarém, dado ter-se apercebido da dimensão das tropas oponentes. Durante vários meses reinou o marasmo: ninguém se atrevia a atacar ninguém. E assim se chegou a Março de 1811.

Gorada a junção das tropas sob o comando de Soult, que viriam de Espanha reforçar as de Massena, Wellington passou à ofensiva. Obrigou Massena a recuar, e obteve vitórias sucessivas em Pombal, Redinha, Condeixa e Casal Novo. Os franceses acabariam por retirar, primeiro para a Guarda, depois para o Sabugal, acabando por atravessar a fronteiro no dia 4 de Abril de 1811, pondo termo à 3ª invasão francesa.

Os combates, todavia, não terminariam aí. Embalado pelo sucesso, Wellington achou que era chegada a altura de devolver os franceses à origem, o que equivalia a fazê-los sair de Espanha.

continua

30/10/2004

Lugares - 27

Em Janeiro deste ano tive a oportunidade de passar por Viena, e de assim realizar parcialmente um objectivo há muito delineado. Essa foi a parte positiva. A menos positiva foi o escasso tempo que lá pude estar, foi apenas um ponto de passagem entre a Eslováquia e Portugal, que tentei aproveitar ao máximo, uma tarde e uma noite em que houve que dar à sola...



Perante a magnitude da oferta e a limitação do tempo optei por visitar o Kunsthistorisches Museum, que fica na Praça Maria Teresa, que, por sinal, é absolutamente deslumbrante.



A colecção do museu inclui obras de Raphael, Rembrant, Rubens, Velázquez, Vermeer, ... Possui ainda uma excelente colecção de objectos antigos do Egipto, da Grécia e de Roma, além das exposições temporárias.

Rubens Velázquez

Em frente, ainda na mesma praça, fica o Museu da História Natural, num edifício igual ao do Kunsthistorisches. Infelizmente não houve tempo para o visitar, o que foi investido no outro inviabilizou essa pretensão.




Links

http://www.aboutvienna.org/museums/fine_arts.htm
http://www.khm.at/homeE/homeE.html
http://www.nhm-wien.ac.at/d/engvorschau.html

continua

29/10/2004

Ordem de Malta - 6

O título não está completamente correcto, porque vou aproveitar a deixa do último post (a perda da Ilha de Malta para os franceses) para uma pequena deriva histórica. É que, tomada a Ilha de Malta em 1798, os franceses não lograram permanecer por lá muito tempo. Os locais não morriam de amores por eles e vai daí pediram ajuda aos ingleses. Lá como cá (ver posts que correm em paralelo sobre as Invasões Francesas) os britânicos estavam disponíveis para sovar os gauleses, pelo que no ano seguinte as tropas inglesas, lideradas por Horatio Nelson (1758-1805), os puseram a andar de Malta, que passou então a ser o Quartel-General da frota britânica do Mediterrâneo.


Horatio Nelson

Vale a pena referir em breves palavras a vida militar de Horatio Nelson (Lord Nelson). Depois de ter atingido o posto de Capitão aos 20 anos, voltou aos mares aquando do envolvimento dos ingleses nas invasões francesas, isto em 1793. Viria a perder a vista direita em 1794 na Batalha de Calvi, Córsega, e o braço direito na Batalha de Santa Cruz de Tenerife, em 1797. Aquilo que restou dele foi o suficiente para ir infligindo sucessivas derrotas aos seus adversários. Venceu os espanhóis no Cabo Vicente em 1797 e os franceses na Batalha do Nilo, em 1798.


Batalha do Cabo Vicente

Dizimou depois a frota dinamarquesa na Batalha de Copenhaga, em 1801, e derrotou a Invencível Armada na Batalha de Trafalgar, em 1805, onde faleceria atingido pelo fogo inimigo.

Batalha de Trafalgar
Batalha de Copenhaga


Links

http://www.admiralnelson.org/
http://www.bbc.co.uk/history/historic_figures/nelson_horatio.shtml
http://www.royal-navy.mod.uk/static/pages/3524.html

continua

28/10/2004

CDs #9: Modest Mussorgsky (1839-1881), Canções

No âmbito de uma série que designou por Great Recordings of the Century, a EMI Classics tem vindo a lançar mão dos seus extraordinários arquivos para pôr cá fora alguns excelentes discos. Um deles repõe gravações efectuadas em 1958 das canções do compositor russo Modest Mussorgsky, normalmente mais conhecido pelos seus Quadros de Uma Exposição.



O grande destaque do disco vai naturalmente para o baixo búlgaro Boris Christoff (1914-1993), que nesse longínquo ano teve a ousadia de gravar todas as canções de Mussorgsky, numa altura em que a canção russa não gozava de grande popularidade.


Boris Christoff

Este disco apresenta uma selecção dessas gravações, incluindo o ciclo Canções e Danças de Morte, com orquestrações de Glazunov e Rimsky-Korsakov, composto entre 1875 e 1877. Inclui ainda o ciclo The Nursery, um dos meus favoritos, e onde Boris Christoff tem a oportunidade de exibir todos os seus dotes vocais, quando imita as vozes da criança e da enfermeira. Nada mau para um... baixo... Boas audições!



Modest Mussorgsky
The Nursery. Sunless. Songs and Dances of Death.
Boris Christoff (baixo)
Alexandre Labinsky (piano)
Orchestre National de la Radiodiffusion Française
Georges Tzipine
EMI Classics 5 67993-2


Internet

http://w3.rz-berlin.mpg.de/cmp/mussorgsky.html

27/10/2004

Exposições - 3: Forças Armadas

Uma das consequências do fim do serviço militar obrigatório é transformar alguns putativos guerreiros do novo milénio em técnicos de relações públicas, objectivando a manutenção da espécie e, porventura, a soberania nacional e outros desígnios igualmente pouco lembrados.

Daí no passado fim-de-semana as nossas Forças Armadas terem-se exposto ao público em geral, no Parque da Cidade do Porto, aquele mesmo onde eu e muitos outros indígenas nortenhos procuramos manter o físico em estado minimamente aceitável, através de extenuantes corridas higiénicas.

Corrida realizada, máquina fotográfica em riste e alguma curiosidade à mistura, resultaram em 3 horas bem passadas, alguns bons dedos de conversa, umas dezenas de fotografias sofríveis e uma fome atroz no fim. Das primeira, segunda e quarta consequências não vou deixar aqui evidências, da terceira ficam alguns exemplos:




26/10/2004

Lugares - 26

Nas minhas deambulações numa Sexta-feira de Setembro último por Brugge não apreciei apenas os monumentos e a gastronomia (por vezes também designada por cerveja belga...) locais, tive inevitavelmente de me cruzar com alguns dos canais da cidade.

É também comum chamar-lhe a Veneza do Norte. Nunca tive a oportunidade de visitar Veneza, admito que a designação possa ter o seu quê de exagero. Se leram o post Lugares - 18, de 22 de Setembro, recordarão certamente que Brugge, cidade do interior, se encontra ligada ao Mar do Norte por um canal. Crê-se que num passado distante o mar tenha inundado por diversas vezes a área onde a cidade nasceu, e que por via disso tenha deixado para trás vários braços quando por fim decidiu encurtar os seus domínios.




Steenhouwers Dijk

Uma volta de barco teria sido agradável, mas o tempo disponível não o permitiu: esperavam-me ao fim da tarde em Bruxelas uma simpáticas hospedeiras da TAP, ansiosas pela oportunidade de me servirem umas coisas para ingerir a que, vá-se lá saber por que carga de água, insistem em chamar de jantar!... Por forma a limitar as benesses e a não habituar os passageiros a uma vida demasiado faustosa, no vôo seguinte, de ligação entre Lisboa e o Porto, não serviram nada...

Links

http://www.trabel.com/brugge.htm

25/10/2004

Compositores #8: Pyotr Ilyich Tchaikovsky (1840-1893)

Quando chegou o ano de 1874 o compositor russo Tchaikovsky tinha obtido razoável sucesso com as suas e 2ª Sinfonias, a datada de 1868 a 2ª de 1874. Já tinha igualmente composto duas óperas: Voievoda, estreada em 1869 com pouco sucesso, e Opritchnik, que teve algum em S. Petersburgo. De caminho tinha igualmente escrito dois quartetos de cordas.


Tchaikovsky

Nesse ano de 1874 Tchaikovsky decidiu compor um concerto para piano, o seu primeiro. Destinou-o a Nikolai Rubinstein (1835-1881), à altura Director do Conservatório de Moscovo, e a ideia era que fosse tocado na festa de Natal desse ano. Assim que a partitura ficou alinhavada Tchaikovsky tocou-a para Rubinstein, no decorrer de uma das aulas no Conservatório. O que aí se passou vem nos livros, e é relatado pelo próprio compositor numa carta que escreveu uns anos depois. Tchaikovsky tocou o concerto de fio a pavio sem que Rubinstein tivesse dito uma palavra. Assim que terminou e pediu uma opinião ela veio, de uma forma devastadora: Rubinstein arrasou-a por completo, apelidou-a de tudo e mais alguma coisa, de vulgar a intocável, de mal composta a irremediável...

A recusa de Tchaikovsky em lhe alterar uma nota que fosse levou a que o destinatário passasse a ser Hans von Bülow (1830-1894). Esse admirou-a desde o início, e viria a estreá-la em Boston em 25 de Outubro de 1875, faz hoje exactamente 129 anos. O Concerto para Piano e Orquestra Nº1 de Tchaikovsky é hoje um dos concertos do género mais admirados e tocados em todo o mundo.

Hans von Bülow
Nikolai Rubinstein

... E uma vez que a obra não mudou, acabou por ser Nikolai Rubinstein a mudar de opinião: viria a ser um dos seus intérpretes mais destacados, tendo-a tocado, por exemplo, na Exposição Mundial de Paris de 1878...

CD



Tchaikovsky
Piano Concerto No.1, Op.23.
Solomon
Kansas City Symphony Orchestra
Hans Schweiger
APR APR5651


Links

http://fmg-www.cs.ucla.edu/fmg-members/geoff/prognotes/tchaikovsky/pianoCon1.html

http://www.unitel.de/uhilites/010700.htm

24/10/2004

Notícias - 6

É o terceiro dia consecutivo em que sou forçado a voltar às ligações telefónicas analógicas para conseguir aceder a páginas internacionais da internet, em particular as dos blogues, pela absoluta inoperacionalidade da NetCabo. Não adianta ligar para o serviço de atendimento aos clientes, a única coisa do outro lado da linha que se ouve é uma gravação a informar que estão cientes do problema e que este está a ser resolvido. Na semana passada já tinha estado dois dias sem TV Cabo nem NetCabo. Em 20% dos dias deste mês a NetCabo não existiu nesta casa. Dentro de uma semana chegará a factura com os 35€ do serviço prestado. É uma empresa portuguesa, pois então!

Concertos #1

No centenário da morte do compositor checo Antonin Dvorák (1841-1904), nada melhor do que ter a hipótese de ouvir ao vivo uma das suas mais emblemáticas obras. Foi ontem, Sábado, e a obra em causa o Stabat Mater. Para os menos atentos, refira-se que Stabat Mater ("Estava a mãe [do Salvador]"), é um poema do século XIII de autor anónimo, que fez parte da liturgia romana, foi banido pelo Concílio de Trento e recuperado nos inícios do século XVIII. Vários compositores escreveram partituras para esse poema, desde Domenico Scarlatti (1685-1757) até mais recentemente Rossini (1792-1868), Verdi (1813-1901), Poulenc (1899-1963) e, naturalmente, Dvorák.


Antonin Dvorak

O Stabat Mater foi composto por Dvorák num período dramático da sua vida em que, no espaço de um mês, perdeu os seus dois filhos (um por ingestão de veneno, outro vítima de varíola). Nessa altura pegou nos esboços anteriormente abandonados e atirou-se furiosamente ao trabalho. Completou a obra em 2 meses!, mas teve que esperar 3 anos pela sua estreia.

O concerto teve lugar na Igreja de S. Francisco, no Porto, e a interpretação esteve a cargo de:

Larissa Savchenco (meio-soprano), Ana Ester Neves (soprano)
Pedro Chaves (tenor), Ruben Amoretti (baixo)
Orfeão de Pamplona, Alfonso Huarte
Orquestra do Norte, José Ferreira Lobo

Foi uma óptima audição! Antonin Dvorák e a Igreja de S. Francisco voltarão a ser certamente assunto para futuras páginas. Por agora, ficam por aqui algumas fotos da igreja, tiradas antes do concerto.


Igreja de S. Francisco

22/10/2004

Compositores #7: Nadia Boulanger (1887-1979)

O título deste post está assumidamente incorrecto, por redutor. É que Nadia Boulanger, que morreu há 25 anos atrás, no dia 22 de Outubro de 1979, além de compositora, foi maestrina e professora de música. A sua actividade como professora foi aquela que mais profundamente marcou a cena musical do século XX. Nadia Boulanger teve como alunos, entre outros, Daniel Barenboim, Elliott Carter, Aaron Copland, Clifford Curzon, John Eliot Gardiner, Philip Glass, Roy Harris, Dinu Lipatti, Astor Piazolla, Walter Piston. É uma lista impressionante, e o melhor testemunho da sua grandeza.


Nadia Boulanger

Deve-se-lhe a primeira interpretação em Londres do Requiem de Fauré, em 1936. Apenas em 1948 viria a gravar essa obra em disco, reeditada há uns anos pela EMI (ver lista mais abaixo). Foi uma das poucas gravações que fez, não há muitos discos por onde escolher...


CDs



Gabriel Fauré
Requiem, Op.48.
Gisèle Peyron (soprano), Doda Conrad (baixo)
Boulanger Ensemble
Coro
Orquestra (não identificada)
Nadia Boulanger
EMI CDH7 61025-2




Gabriel Fauré
Requiem, Op.48.
Janet Price (soprano), Bernadette Greevy (meio-soprano),
Ian Partridge (tenor), John Carol Case (barítono)
Coro da BBC
Orquestra Sinfónica da BBC
Nadia Boulanger
BBC Music BBCL 4026-2


Internet

http://www.nadiaboulanger.org/

http://www.americansymphony.org/dialogues_extensions/97_98season/6th_concert/leon.cfm