30/11/2004

CDs #12: Gustav Mahler (1860-1911), Sinfonia Nº3

As sinfonias de Mahler são seguramente das que mais aprecio. A 3ª sinfonia, depois do grande sucesso que obteve a , foi composta num período particularmente difícil da vida de Mahler, com o suicídio do irmão mais novo.


Gustav Mahler

Os últimos 5 andamentos foram compostos no Verão de 1895 e o no ano seguinte. A estreia deu-se no dia 9 de Junho de 1902, com o próprio Mahler a conduzir a orquestra.

O CD em audição aqui no burgo foi gravado em 2003 e lançado pela Telarc já no decorrer do presente ano. É uma excelente interpretação, que recomendo vivamente. Boas audições!



Gustav Mahler
Symphony No.3.
Lilli Paasakivi (meio-soprano)
Ladies of the London Philharmonic Choir
Tiffin Boys' Choir
Philharmonia Orchestra, Benjamin Zander
Telarc 3CD-80599


Internet

http://www.telarc.com/

http://www.benjaminzander.com/

29/11/2004

Neste dia, em

1268: Nasceu Guy Foulques, papa Clemente IV
1314: Morreu o rei Filipe IV de França
1643: Morreu Claudio Monteverdi, compositor italiano
1780: Morreu Maria Teresa da Áustria
1797: Nasceu Gaetano Donizetti, compositor italiano
1924: Morreu Giacomo Puccini, compositor italiano
1954: Nasceu Joel Coen, realizador norte-americano
1957: Morreu Erich Korngold, compositor norte-americano de origem austro-húngara
1963: Morreu Ernesto Lecuona, compositor cubano
1986: Morreu Cary Grant, actor norte-americano de origem inglesa

Concertos - 4

Na passada Sexta lá conseguimos assistir ao concerto, o que constituiu a indiscutível demonstração da nossa complexa equação:



A qualidade da interpretação não foi surpresa, já recentemente tinhamos tido a oportunidade de a confirmar (no concerto onde interpretaram a Sinfonia Nº9 de Mahler, ver postal de 13 de Novembro).

A primeira parte foi preenchida com a Inacabada de Schubert, tendo a novidade ficado reservada para a segunda: o Requiem de Lopes-Graça, que desconhecíamos em absoluto.

Excelente forma de acabar o dia, 20 horas depois de ter saído do leito e com dois vôos pelo meio... Há dias assim.

28/11/2004

Ordem de Malta - 9

Desconhecendo-se a data exacta, pensa-se que a Ordem dos Hospitaleiros terá entrado em Portugal no início do século XII. São conhecidas doações feitas por Afonso VII (1104-1157), Rei de Leão, e por D. Teresa (1092-1130), que lhes outorgou o Mosteiro de Leça do Bailio.

Poucos anos depois receberiam carta de couto de D. Afonso Henriques e as terras do Crato das mãos de D. Sancho II (1209-1248), isto no ano de 1232. Nessas terras construiriam um castelo, bem conhecido por quem já teve a oportunidade de passar pela Pousada Flor da Rosa, que hoje lhe ocupa as instalações.


D. Sancho II

Nos séculos seguintes a Ordem manteve a sua presença em Portugal e alargou mesmo os seus domínios. Em 1519 instituiu o primeiro convento feminino, na cidade de Évora.

Tudo terminaria em 1834. Tal como já referi no post Lugares - 29, de 14 de Novembro, a propósito da Igreja de S. Francisco e das Ordens Franciscanas em Portugal, nesse ano todas as ordens religiosas e militares foram extintas, não tendo a Ordem de Malta sido excepção.

Termino com uma pequena referência aos portugueses que chegaram à posição de Grão-Mestre da Ordem de Malta:



D. Afonso de Portugal, entre 1203 e 1206
Fr. Luís Mendes de Vasconcelos, entre 1622 e 1623
Fr. António Manuel de Vilhena, entre 1722 e 1736
Fr. Manuel Pinto da Fonseca, entre 1741 e 1773

27/11/2004

Invasões Francesas #9

3ª invasão francesa (continuação)

Uma vez recuperada Badajoz, o objectivo estratégico seguinte de Wellington era a ponte de Almaraz, sobre o rio Tejo. A sua destruição impossibilitaria a junção das forças de Soult (Exército do Sul) e de Marmont (Exército de Portugal). Tal foi realizado com sucesso no dia 18 de Maio de 1812.


Ponte de Almaraz

Wellington dirigiu-se em seguida para Salamanca, coordenando uma força de 60.000 homens. Do lado francês estavam cerca de 50.000, comandados por Marmont. As hostilidades iniciaram-se no dia 15 de Julho com um ataque do marechal Marmont às tropas de Wellington.


Batalha de Salamanca

A batalha decisiva teve contudo apenas lugar no dia 22 de Julho, e resultou numa estrondosa vitória de Wellington, que aproveitou da melhor maneira uma imprevidência de Marmont, quando este mandou avançar a sua ala esquerda, pensando que Wellington estava a bater em retirada. Enganou-se, e Wellington, em vez de bater em retirada bateu, isso sim, nos franceses!... Lorde Wellington registou desse modo a sua mais expressiva vitória sobre os franceses, ainda que com elevados custos humanos: cerca de 5.000 baixas, entre mortos e feridos. Do lado francês os mortos e feridos totalizaram 7.000, tendo outros tantos sido feito prisioneiros.

Vendo as coisas mal paradas, José Bonaparte (1768-1844), anteriormente designado Rei de Espanha por seu irmão Napoleão, achou por bem pirar-se de Madrid. Estava-se no dia 10 de Agosto de 1812. A cidade foi de imediato tomada por Wellington, que, depois de a deixar à guarda de Hill, se dirigiu para Burgos.


José Bonaparte

Aí enfrentou fortíssima resistência da parte francesa, que ganhou tempo suficiente para se reorganizar e marchar para Madrid. A situação complicar-se-ia de tal forma, que, em Outubro, o general Hill teve que abandonar rapidamente aquela cidade. Wellington, por seu turno, viu-se forçado a levantar o cerco a Burgos e a desandar para Salamanca. Aí reuniram-se as forças de Wellington e de Hill, que lá lograram escapulir por entre os três exércitos franceses que os cercavam, rumando primeiro a Cidade Rodrigo e depois a Portugal.


continua

25/11/2004

Músicos #2: Myra Hess (1890-1965)

Os intérpretes estiveram até agora ausentes do desNorte, algo que carecia de ser rapidamente corrigido. Aproveito então o 39º aniversário do falecimento da extraordinária pianista inglesa Myra Hess, que hoje se assinala, para começar a colmatar essa falha.


Myra Hess

Nascida em Londres a 25 de Fevereiro de 1890, aos 5 anos já tocava os primeiros acordes no piano, aos 7 estudava na Guildhall School of Music
, passando posteriormente para a Royal Academy of Music, onde foi aluna de Tobias Matthay.

A estreia aconteceu em Londres em 1907, tinha Myra Hess 17 anos, com Thomas Beecham (1879-1961) à frente da orquestra. A obra escolhida foi o Concerto para Piano Nº4 de Ludwig van Beethoven (1770-1827).

Aos 18 anos escreveu um ensaio a que chamou Como tocar Beethoven, o que surpreendeu os meios musicais londrinos, não habituados a semelhantes audácias juvenis...

Houve dois momentos cruciais que catapultaram a sua carreira: em Fevereiro de 1912 interpretou o Concerto para Piano de Schumann em Amesterdão, com a Concertgebouw Orchestra dirigida por Willem Mengelberg (1871-1951), e em 1922 deu o seu primeiro concerto em Nova Iorque, que resultou num sucesso estrondoso.

O seu repertório, inicialmente muito vasto, foi reduzido ao longo do tempo, acabando por se concentrar num pequeno número de compositores, entre os quais Beethoven, Mozart e Schumann. As suas interpretações de Schumann foram particularmente apreciadas, e hoje temos a felicidade de as poder saborear através de algumas gravações disponíveis no mercado (ver lista mais abaixo).

Ao longo da sua carreira tocou com alguns dos mais conceituados músicos, formando uma lista notável: Ernest Ansermet (de que falei no post do dia 11 de Novembro), Thomas Beecham, Adrian Boult, Pablo Casals, Serge Koussevitsky, Willem Mengelberg, Dimitri Mitropoulos, Isaac Stern, Leopold Stokowski, Arturo Toscanini, Bruno Walter.




Durante a II Guerra Mundial Myra Hess organizou uma série de recitais à hora de almoço na National Gallery
, em Londres. Foram mais de 1300 os concertos efectuados, que não foram interrompidos mesmo quando Londres estava a ser bombardeada, e que lhe valeram ter sido nomeada Dama do Império Britânico. Grande senhora, grandes audições!


CDs



The Complete Pre-war Schumann Recordings.
Myra Hess, piano
Orquestra, Walter Goehr
Naxos Historical 8.110604

Beethoven. Wagner.
Myra Hess (piano)
NBC Symphony Orchestra, Arturo Toscanini
Naxos Historical 8.110804

Live Recordings from the University of Illinois, 1949.
Brahms. Chopin. Schubert. Scarlatti.
Myra Hess, piano
APR APR5520


Internet

24/11/2004

Neste dia, em

1784: Nasceu Zachary Taylor, 12º presidente dos EUA
1864: Nasceu Henri de Toulouse-Lautrec, pintor francês
1934: Nasceu Alfred Schnittke, compositor russo


P.S. Holanda, Novembro, estou cá há 3 dias e ainda não tive que abrir o guarda-chuva. A temperatura média ronda os 10ºC. Algo está diferente no reino desta majestade...

Compositores #14: Alfred Schnittke (1934-1998)

Passam hoje 70 anos sobre o nascimento do compositor russo Alfred Schnittke, a 24 de Novembro de 1934. Os estudos musicais foram feitos em Viena, numa primeira fase, e no Conservatório de Moscovo, numa segunda e onde viria a leccionar até 1972.


Alfred Schnittke

A sua obra fez uso frequente de citações de outros compositores, a quem também imitou e parodiou... Do conjunto das obras destacam-se as sinfonias, os concertos e sonatas para violino e a música de câmara.

Em 1985 teve sérios problemas de saúde, que o deixaram em estado de coma. Apesar dos vários anúncios da sua morte acabou por recuperar, embora apenas parcialmente, o suficiente contudo para voltar a compôr. Nova série de ataques terminariam com a sua morte em 3 de Agosto de 1998, em Hamburgo, cidade onde residia desde 1990.

CDs



Quasi una sonata. Piano Trio. Piano Sonata No.2.
Mark Lubotsky, Irina Schnittke
English Chamber Orchestra
Mstislav Rostropovich
Sony Classical SK53271

Cello Concerto No.2. (K)ein Sommernachtstraum.
Alexander Ivashkin
Russian State Symphony Orchestra
Valeri Polyansky
Chandos CHAN9722

Symphony No.4. Three Sacred Hymns.
Dmitri Pianov, Elena Adamovich, Evgeniya Khlynova, Iaroslav Zdorov, Igor Khudolei
Russian State Symphony Cappella
Russian State Symphony Orchestra
Valeri Polyansky
Chandos CHAN9463

Symphony No.6. Concerto Grosso No.2.
Tatiana Grindenko, Alexander Ivashkin
Russian State Symphony Orchestra
Valeri Polyansky
Chandos CHAN10180

Symphony No.7. Cello Concerto No.1.
Alexander Ivashkin
Russian State Symphony Orchestra
Valeri Polyansky
Chandos CHAN9852

Links

http://www.schirmer.com/composers/schnittke_bio.html
http://www.greatwar.org.nz/schnittke.htm
http://www.chandos-records.com/

23/11/2004

Concertos #3

Afinal parece que quem tinha razão era mesmo o Europarque (ver texto Viagens - 2, de Segunda-feira), e o concerto vai começar às 22:00, evitando aquele nervoso miudinho de estar no aeroporto e ver o tempo a passar... e o concerto a ir ao ar... Desta vez o duo lusitano TAP / Portugália pode distribuir entre si um atraso máximo de 30 minutos...

Recordo apenas o programa para a noite da próxima Sexta-feira, no Europarque, Santa Maria da Feira:

Franz Schubert, Sinfonia Nº8, Inacabada
Fernando Lopes Graça, Requiem pelas vítimas do fascismo em Portugal
Ana Paula Russo, Liliane Bizineche, Rui Taveira, Armando Possante, João Miranda
Coro da Universidade de Lisboa
Coro da Câmara da Universidade de Lisboa
Coral de Letras do Porto
Orquestra Nacional do Porto
Marc Tardue

Para os nossos amigos sulitas a dose repetir-se-á nos dias 27 e 28 de Novembro, na Aula Magna da Reitoria da Universidade de Lisboa.

Lugares #31

Tal como acontece em muitas outras cidades, há sempre locais que constituem uma saudável alternativa aos muito em voga hinos ao consumismo, materialisados sob a forma de jardins de betão. Estes outros locais "alternativos" são verdadeiros edulcorantes da nossa vida. Estão pacatamente à nossa espera, generosamente disponíveis para nos ajudarem a esquecer o frenesim quotidiano da vida que se passa à sua volta.



Bem no centro do Porto, rodeado de dragões azulados, torres desproporcionadas, outro jardim de betão em construção e trânsito caótico, encontra-se o Parque de S. Roque, já várias vezes referido no interessantíssimo
Dias com árvores. Deixamos aqui o convite para que lá vão na primeira oportunidade. Boas visitas, lá certamente nos encontraremos!





HVA, Eindhoven, Holanda (04.11.22)