13/02/2005

Revolução liberal - 5

Todo o processo que levou à instauração do regime liberal foi conduzido, de certo modo, à revelia do rei D. João VI. A revolução começou sem o seu conhecimento, a Constituição confirmava o estatuto superior de que as cortes gozavam e estas, cientes do poder que detinham, condicionavam as actividades do rei. Daí não ser de estranhar o facto da rainha Carlota Joaquina se ter recusado a jurar a referida Constituição.

A iniciativa de procurar mudar este estado de coisas partiu da própria família real. Não de D. João VI, mas de seu filho D. Miguel, que com ele tinha regressado do Brasil, em 1821. No dia 27 de Maio de 1823 publicou, a partir de Vila Franca, para onde se havia dirigido com algumas tropas sob o seu comando, um manifesto onde expressava o desagrado pela situação do país, em geral, e pelo papel de mero figurante que tinha sido reservado ao rei, em particular.

D. Carlota Joaquina
D. Miguel I

D. Carlota Joaquina, por seu lado, também não tinha estado inactiva. Mesmo deportada para o palácio de Ramalhão, por andar entretida a conspirar para derrubar o rei, urdiu com D. Miguel o golpe de Maio de 1823, que veio a ficar conhecido por Vilafrancada.

O rei, após um período de hesitação, a que nos tempos que correm chamamos de tabu, lá acabou por se juntar à festa familiar e publicar o seu próprio manifesto. O resultado de tudo isto é o que se sabe: suspendeu-se a Constituição, as todas poderosas cortes foram dissolvidas e o governo impiedosamente demitido! Cento e oitenta e dois anos depois estivemos em vias de assistir a uma réplica histórica, mas alguém se esqueceu de colocar a Constituição em banho-maria...


continua