21/02/2005

Revolução liberal - 6

Os efeitos da Vilafrancada fizeram-se também sentir na vida musical portuguesa. No início da 2ª década do século XIX, o pianista e compositor português João Domingos Bomtempo (1775-1842) era já um nome conceituado nos meios musicais parisienses e londrinos. Um dos seus amigos era Muzio Clementi (1752-1832), famoso pianista, compositor e professor de música. John Field (1782-1837), criador do noturno e sobre quem já alinhavei uns parágrafos aqui, foi um dos alunos de Clementi.

M. Clementi
J. D. Bomtempo

A formação musical dos portugueses era, na altura (!!!), muito deficiente, pelo que Domingos Bomtempo ambicionava criar em Portugal uma Sociedade Filarmónica, ao estilo daquela que vira em Londres. A primeira tentativa aconteceu aquando do seu regresso a Portugal, em 1814, sem sucesso. A
revolução liberal de 1820 e a Constituição de 1822 proporcionaram o seu regresso definitivo ao nosso país e o retomar do projecto.

A Sociedade Filarmónica foi instituída nesse mesmo ano de 1822. Os concertos, levados a cabo na Rua Nova do Carmo, foram coisa de pouca duração. A influência dos miguelistas aumentou com o episódio da Vilafrancada, e não perderam muito tempo até proibirem a sua realização. Foi o fim dos concertos mas não o da Sociedade, assunto a que voltarei posteriormente.


continua