02/03/2005

Amigos de Gaia #2

Em mais uma organização dos Amigos de Gaia, no passado dia 12 de Fevereiro tivemos uma visita guiada ao Palácio do Freixo, exemplar único da arquitectura dos séculos XVIII e XIX e memória (ainda) viva das repetidas tentativas de assassinato de que foi alvo por parte deste povo suave e indiferente.




A construção inciou-se em meados do século XVIII, em pleno período barroco, mandado erigir pelo deão D. Jerónimo de Távora e Noronha e encomendado a Nicolau Nasoni, de quem já falámos
aqui a propósito da Torre dos Clérigos. Algo de pouco comum, qualquer das 4 fachadas poderia funcionar como a principal, dado o nível de detalhe e acabamentos que todas receberam (as 4 fotografias anteriores foram tiradas às 4 fachadas), apesar de se pensar que a virada a leste seria a entrada mais importante (fotografia do canto superior direito).



Uma vez finalizado, a posse do Palácio do Freixo passou por vários membros da família Noronha, até que, em 1825, João António Salter de Mendonça o doou a seu filho Jorge Salter de Mendonça, de quem se pode dizer não ter sido um grande admirador das artes arquitectónicas. Era mais adepto de outro tipo de artes, daquelas relacionadas com jogo, mulheres ou vinho... Não é então de estranhar que tal personagem tenha rapidamente derretido a fortuna da família e, em 1850, acabou por vender o palácio a António Afonso Velado, um negociante portuense que tinha feito fortuna no Brasil. Afonso Velado, mais tarde varão e depois visconde do Freixo, introduziu grandes alterações no palácio, nomeadamente no seu interior, que hoje de barroco pouco tem. Uma das salas tem uma admirável colecção de trabalhos em estuque de artistas da escola de Afife:



Já no decorrer do século XX o palácio teve um incêncio e esteve largos anos ao abandono. Naturalmente que os portugueses não seriam portugueses se não tivessem ajudado à festa, pelo que acharam que Nossa Senhora ficaria melhor assim:



E antes que alguns dos nossos amigos apontem de novo uma eventual menor sensibilidade nossa para jardins e afins, terminamos referindo que a rodear o palácio existem algumas árvores, não muitas, mas de belo porte. As fotografias e os detalhes, nomes científicos incluídos, podem ser encontrados
aqui.