09/03/2005

Lugares #59

A nossa especialidade, assumindo que temos alguma, não é certamente a arquitectura, nem os conhecimentos sobre os diversos estilos arquitectónicos que enfeitam o planeta azul. Sabemos que os há, entre o românico dos séculos XI-XII, o gótico que lhe sucedeu, o renascentista e o nosso manuelino, o barroco de há 3 ou 4 séculos atrás, o clássico, o romântico e outros que Deus saberá. Há depois aquelas referências que podemos sempre usar, muito úteis perante dúvidas persistentes: a janela manuelina do Convento de Cristo, a frontaria barroca da Igreja dos Grilos, no Porto, entre outras que nos vão chegando à memória.

Depois temos as opiniões, pessoais e nada avalizadas: "gosto pouco", "não é feio", "muito bonito". E é na faculdade de conseguir aliar o comentário crítico ao estilo do monumento em causa, tipo "gosto muito deste convento manuelino", que conseguimos passar para o primeiro patamar: de absolutos ignorantes elevamo-nos a conhecedores do assunto, respeitados pelos inquilinos do rés-do-chão. A veneração geral virá com a promoção ao segundo patamar, apenas atingido pela elite que, à conjugação anterior, consegue adicionar um termo de comparação, algo como: "este arco gótico faz-me lembrar os existentes na igreja...". Já não somos apenas conhecedores, somos eruditos!

Isto vem a propósito de recentemente (ver postal anterior) termos passado por Ponte de Lima e, entre outros locais, visitado a igreja matriz. Ora esta igreja é muito semelhante à igreja matriz de Chaves. Os mais curiosos (ou desconfiados...) podem espreitar a de Chaves
aqui e comparar com a de Ponte de Lima aqui:



A igreja original será provavelmente dos inícios do século XIV, sendo que as obras mais importantes foram efectuadas no decorrer do século seguinte: a nave principal (1446) e a torre do sino (1449). As naves laterais foram adicionadas em finais do século XVI.



Determinados os estilos arquitectónicos e conhecido o termo de comparação, não há razões aparentes para não nos encontrarmos todos no 2º patamar... Até lá!