15/03/2005

Lugares #60

A referência mais antiga que se conhece é dos finais do século XI, mas sabe-se que a comunidade religiosa já lá existia pelo menos desde os inícios do século X. Estamos a falar do Mosteiro de Santa Maria de Arouca, um heróico sobrevivente de incêndios devastadores, liberalismos exarcebados, invasões estrangeiras, gatunos lisboetas e vá-se lá saber mais o quê!




D. Afonso Henriques, de quem já anteriormente falámos
aqui a propósito da Batalha de S. Mamede, concedeu foral a Arouca em 1151. O mosteiro conheceria um período de grande glória com a entrada de D. Mafalda, filha de D. Sancho I (1154-1211) e de D. Dulce de Aragão, aumentando imensamente os seus bens e privilégios. D. Mafalda mudou-o de mosteiro benedetino para cisterciense, e à data da sua morte, em 1256, era um dos mais importantes da Península Ibérica.

Um violento incêndio ocorrido em Fevereiro de 1725 destruiu-o quase por completo, a onda liberal dos inícios do século XIX (de que temos falado frequentemente neste blogue) cessou-lhe a actividade (assim como a de todas as outras ordens religiosas). Do pouco que sobrou o povo de Arouca fez defesa cerrada, o que permitiu que fosse possível criar mais tarde um Museu, que ainda hoje lá está.

Há um outro privilégio a não desaproveitar, aliás inexistente nos tempos de D. Mafalda. Chama-se Parlamento, fica mesmo ali à mão, e é substancialmente diferente do da capital: continuamos a ser nós a pagar, mas neste também comemos...