24/04/2005

Concertos #12

Quando a Sinfonia Nº2 de Gustav Mahler (1860-1911) se estreou, no dia 13 de Dezembro de 1895, e perante o sucesso então obtido, poucos imaginavam o quão difícil o parto tinha sido.


G. Mahler, H. van Bülow, F. G. Klopstock

Tal como já tinha feito na , Mahler pretendia que ela integrasse uma parte vocal, processo que se viria a revelar bem mais complicado do que aquilo que o compositor previa. O primeiro andamento ficou terminado em Setembro de 1888, sendo que os dois seguintes apenas foram escritos em 1893. Aí a coisa emperrou de novo, e a inspiração para o último andamento da sinfonia, aquele que deveria conter a parte vocal, veio aquando do funeral do maestro e pianista Hans von Bülow (1830-1894), de quem certamente aqui se falará um dia. É que no serviço funerário, que decorreu em Berlim em Fevereiro de 1894, um coro de rapazes cantou uma peça baseada num poema do poeta alemão Friedrich Gottlieb Klopstock (1724-1803), a Ode da Ressurreição. Resolveu dois problemas de uma penada só: a inspiração para terminar a sinfonia e o respectivo texto, já que Mahler utilizou exactamente o mesmo poema de Klopstock...



Esta prosa toda vem naturalmente do facto de hoje irmos assistir ao concerto da Orquestra Nacional do Porto, dirigida por Marc Tardue, acompanhada pelo Coro Gulbenkian, Hilevi Martinpelto (soprano) e Charlotte Hellekant (meio-soprano) a interpretar esta sinfonia, na Casa da Música.

É um fim-de-semana extraordinário musicalmente, depois do recital de ontem de Alfred Brendel, que quem teve o privilégio de lá estar nunca poderá esquecer. Mal chegámos a casa colocámos um disco de Brendel a interpretar Schubert, numa tentativa de prolongar por mais uns momentos uma noite absolutamente mágica...