24/05/2005

Revolução liberal #16

D. Miguel andaria certamente um bocado cansado das chefias indígenas, dada a sequência de derrotas que parecia interminável, situação ainda agravada com a barracada de Beja e a consequente perda da capital. E se em terra as coisas não corriam muito bem para os absolutistas, não se pode afirmar que no mar fossem diferentes; na verdade, no início de Julho de 1833 a esquadra liberal, sob o comando do inglês Charles Napier (1782-1853), dizimou a absolutista e passou a reinar nos mares. Ninguém de boa fé poderá acusar os realistas de inconsistentes: tanto metiam água em terra como no mar...


Charles Napier, Marechal Bourmont

E é assim que D. Miguel contrata o marechal Bourmont para chefiar o seu exército. A 25 de Julho de 1833, portanto no dia seguinte ao da queda de Lisboa, procurou Bourmont mostrar serviço recuperando a cidade do Porto. A cena não diferiu em demasia das anteriores, devidamente sovados lá se convenceram a ir tentar a sorte noutras paragens...

Esquecido o Porto, estava-se mesmo a ver qual seria o objectivo seguinte: Lisboa, pois claro, que continuava um espinho atravessado na garganta de D. Miguel! O estágio foi efectuado em Coimbra, após o que as forças concentradas se dirigiram para sul. Por uma questão de coerência, supomos nós, voltaram a dar-se mal, mesmo muito mal: os ataques foram repelidos um a um, até que Bourmont achou a moléstia demasiada e demitiu-se. O seu sucessor, o escocês MacDonnel, nem tempo teve para se rir, escorraçado como foi de imediato pelos liberais, no dia 12 de Outubro de 1833.

Com ou sem espinho na garganta lá desistiu D. Miguel de vez de recuperar a capital, refugiando-se estrategicamente em Santarém.

continua