07/06/2005

Revolução liberal #17

O refúgio dos absolutistas em Santarém não resolvia o problema pois, apesar de os liberais dominarem agora a capital, uma boa parte do país não lhes era propriamente favorável. Daí a continuação das acções militares, com o objectivo de evitar a eternização do conflito.

Merece especial relevo a batalha travada em Almoster no dia 18 de Fevereiro de 1834, que terminou com uma importante vitória liberal e pesadas baixas do lado dos apoiantes de D. Miguel. Essa batalha resultou ainda na exoneração do general Póvoas, comandante em chefe das forças realistas, no dia imediato, que o desastre tinha sido de monta.


General Póvoas

Há já algum tempo que havia uma vertente espanhola no conflito passado em terras lusas, pelo facto de D. Carlos Maria Isidro, tio de D. Miguel e pretendente ao trono espanhol, por aqui se ter refugiado. Quando o seu irmão, Fernando VII, faleceu, D. Carlos procurou finalmente obter tão ambicionado posto, mas a única coisa que arranjou foi uma guerra civil no país vizinho, a Guerra Carlista. A vida não estava fácil para tio e sobrinho: D. Carlos teve a honra de ver um general espanhol vir para Portugal à frente de numerosa força, incumbido da nobre missão de lhe tirar a tosse; D. Miguel tinha os liberais à perna, que só descansariam quando dele se livrassem de vez, com ou sem tosse.

E é assim que se chega à batalha de Asseiceira, que ocorreu no dia 16 de Maio de 1834. Foi a última batalha da revolução liberal e, como não podia deixar de ser, terminou com uma expressiva vitória dos liberais. Teve de tudo, gestos heróicos, manobras suicidas, traições indescritíveis, mas o importante é que no final D. Miguel e D. Carlos tiveram que desandar de Santarém para Évora.

continua

Nota: o facto do autor destas linhas se encontrar esta semana em Singapura fará com que os postais sejam de frequência mais irregular e colocados a horas "estranhas"...