23/09/2005

Lugares #109

Em Novembro do ano passado, neste texto, procurei expressar a minha admiração por Carlos Relvas (1838-1894), com particular destaque para a sua faceta de fotógrafo, actividade em que foi pioneiro no nosso país. Nesse postal referi ainda o facto de Carlos Relvas ter sido também inventor, músico, lavrador, cavaleiro tauromáquico, mestre de equitação e desportista nato.


Carlos Relvas

Consultando (copiando) o Dicionário histórico on-line
, lê-se a seguinte apresentação: "Fidalgo da Casa Real, comendador da ordem de Nossa Senhora da Conceição do Vila Viçosa, opulento lavrador e proprietário na Golegã. O seu nome completo era Carlos Augusto Mascarenhas Relvas de Campos, sendo, porém, conhecido mais vulgarmente só pelo nome abreviado de Carlos Relvas". Ainda na mesma página ficamos a par dos prémios fotográficos que ganhou, coisa para envergonhar qualquer mortal dos dias que correm.

No tal texto de Novembro afirmei que, na primeira oportunidade, iria (iríamos...) dar um salto à Golegã, com o fito de conhecer a famosa casa e o respectivo Museu de Fotografia. A casa estava então em obras, coisa habitual neste país, pelo que solicitei à senhora que casou comigo há uns anos para, nos tempos (mais) livres, ir ligando para a Câmara lá do burgo e indagar da ansiada abertura. E assim se foi passando o tempo, algo igualmente usual neste país, primeiro abriria passado um par de meses, depois estava quase e, finalmente, a honrosa abertura teria lugar antes do final da Primavera! Não houve resposta à questão sobre se se estava a referir à Primavera deste ano, mas aqui a família, após aturada reflexão, achou que não lembraria ao diabo que a funcionária da Câmara estivesse a falar de 2006...



E foi assim que no mês passado pegámos no calhambeque e zarpámos em direcção à Golegã. Sem voltar a falar com a digníssima senhora funcionária da Câmara, que palavra de senhora é lei, e neste país o Verão (ainda) vem depois da Primavera. Está bom de ver que demos com o nariz na porta, encontrando-se a casa fechada a 7 chaves. Bem que fomos avisados pelos frequentadores do café (tasca...) que fica logo a seguir, na estrada que liga a Santarém. Inicialmente desconfiados, ao ver a garrafa de água mineral que a minha esposa segurava, mas depois de eu exibir orgulhosamente a minha imperial (apesar de eu ter pedido um fino...) viram que estavam entre velhos conhecidos, e a resposta veio imediata: "A casa abrir???!!! Só quando o PSD eleger um Presidente da República!". Não percebi a relação, mas entendi o desalento...



O resultado de tudo isto é que, por agora, apenas podemos exibir fotografias do exterior da extraordinária casa. Mas havemos de lá voltar, é garantido. Só que ainda temos ainda que decidir em que estação do ano...


Internet

http://www.arqnet.pt/dicionario/relvasc.html
http://lua.weblog.com.pt/arquivo/016823.html
http://acultura.no.sapo.pt/indexGravadFotog.html
http://www.ipmuseus.pt/pt/lojas/P24814/TA.aspx

3 comentários:

  1. Nascido em concelho que pertence a Santarém, não conheço nem a Golegã nem a casa. Só de ouvir falar. Mas ontem, de caminho, transitei por Conímbriga. E aqui, serenamente, se pode concluir que este país é uma ruína. A casa de Carlos Relvas ainda está longe. Mas já esteve mais! Quanto ao post, utilizando uma velha expressão que julgo mirandesa, "no comments". Simples, directo, pedagógico. E chega de adjectivos porque destes o que eu gosto mesmo, como dizia o Thomaz, é "gostei"!

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  2. Quando lá voltarmos, daqui a uns (largos?) meses, veremos em que pé está a coisa...

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  3. Eu já lá estive há alguns anos, tantos que a memória me atraiçoa, e pude admirar então a riqueza do espólio deixado por Carlos Relvas. Se não me engano embora naquela altura se pudesse visitar a casa, esta já se encontrava em obras...
    É o país em que vivemos. Se fosse para transformar o recinto num campo de futebol por ventura já estaria pronto num tempo recorde. Sendo assim, há que esperar sentado !!!

    Sérgio Brandão

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