19/10/2005

Óperas #4: Tannhäuser, de Richard Wagner

Há cerca de um mês trouxe a este canto virtual Das Rheingold, a ópera que Richard Wagner (1813-1883) terminou em 1854, e que acabaria por ser a primeira do ciclo Der Ring des Nibelungen. Já anteriormente tinha alinhavado umas linhas sobre uma outra ópera deste compositor, Die Meistersinger von Nürnberg, pelo que o bom senso aconselhava que me virasse para outras paragens.

Acontece que um ilustre colega da blogosfera, grande amante das artes operáticas, a propósito do meu postal sobre Das Rheingold, teve a gentileza de sugerir 2 gravações que eu tinha ignorado, falha imperdoável da minha parte, e afirmar, simultaneamente, que "adorava opinar, aguardando com expectativa um futuro postal meu sobre Tannhäuser". O desafio era demasiado estimulante para ficar sem resposta...


Richard Wagner

Wagner foi uma das figuras que mais paixões despertou no mundo musical, adorado por muitos (conto que a maioria...), absolutamente odiado por outros. Muito boa gente duvidava mesmo da sanidade mental do compositor alemão. Cosima Wagner, sua esposa, chegou a escrever no seu diário que "(...) o Dr. Puschmann, professor na Universidade de Munique, publicou um artigo em que prova, do ponto de vista psiquiátrico, que Richard é louco. Como é que tais afirmações são possíveis e toleradas!". Em bom rigor, o que o Dr. Theodor Puschmann (1844-1899) tinha afirmado era que o compositor sofria de "megalomania crónica e paranóia", além de outros mimos com que o presenteou...


Cosima Wagner, Richard Wagner, Theodor Puschmann

Richard Wagner foi ainda um caso único, na medida em que foi igualmente o autor dos libretos de todas as óperas que compôs. No caso de Tannhäuser, diz-nos quem sabe que a inspiração para o libreto veio quando o compositor trepava o pico Wostrai nas montanhas da Boémia, numas férias dedicadas ao montanhismo no Verão de 1842. Nessa altura, Wagner andava ocupado com outra ópera, Der fliegende Holländer, pelo que não se pôde dedicar de imediato ao novo projecto. Em qualquer dos casos, em Maio de 1843 o libreto estava finalizado. Wagner começou a compor a música em Agosto, tendo-a terminado em 1845.

A estreia, sob a direcção do próprio Wagner, teve lugar em Dresden, Alemanha, há precisamente 160 anos, no dia 19 de Outubro de 1845. Não se pode dizer que tenha corrido muito bem! Uma boa parte dos cenários, vindos de Paris, não chegou a tempo, a reacção do público esteve longe de ser apoteótica e a da crítica foi ainda pior...

Bem pior, contudo, foi a estreia parisiense, em 1861. Para a poder apresentar na Ópera de Paris havia uma regra básica, que Wagner tinha naturalmente que seguir: teria que ser em língua francesa. Wagner procedeu assim a uma revisão de Tannhäuser e, no dia 13 de Março de 1861, chegou o grande momento. Grandioso mesmo, pois Wagner tinha ostensivamente ignorado a segunda regra básica: os membros do Jockey Club lá do sítio não eram dos maiores apreciadores de ópera, mas gostavam da refeiçãozinha que tomavam a meio da trama, e exigiam a todas as óperas que tivessem um bailado por essa altura, para poderem apreciar... as pernas das bailarinas! Acontece que o nosso amigo Wagner resistiu aos insistentes pedidos, e manteve a cena do bailado nos inícios do primeiro acto, completamente desfasada, portanto, da hora de jantar dos membros do famoso clube. Resultado: um desastre completo! A claque organizada boicotou em absoluto o espectáculo, ruidosa até não poder mais, por forma a garantir que ninguém naquela sala conseguiria ouvir uma palavra que fosse dos esforçados cantores. No final, Wagner confessaria mesmo "nunca ter ouvido ruído tão infernal"...


CDs



Richard Wagner
Tannhäuser.
P. Seiffert, G. Gudbjörnsson, S. Rügamer (tenores), J. Eaglen, W. Meier,
D. Röschmann (sopranos), T. Hampson (barítono), R. Pape, A. Raiter (baixos)
Berlin State Opera Chorus
Berlin Staatskapelle
Daniel Barenboim
Teldec 8573-88064-2
(2000)

Richard Wagner
Tannhäuser.
W. Windgassen, J. Traxel (tenores), G. Brouwenstijn (soprano),
D. Fischer-Dieskau (barítono), H. Wilfert (meio-soprano), J. Greindl (baixo)
Bayreuth Festival Chorus & Orchestra
André Cluytens
Orfeo d'Or C643043D
(1955)

Adenda

Mais uma proposta, gentilmente deixada por Il Dissoluto Punito na caixa de comentários:



Richard Wagner
Tannhäuser.
C. Studer, A. Baltsa, B. Bonney (sopranos), P. Domingo, W. Pell,
C. Biber (tenores), A. Schmidt (barítono), M. Salminen, K. Rydl,
H. Hillebrandt (baixos)
Royal Opera House Chorus, Covent Garden
Philharmonia Orchestra
Giuseppe Sinopoli
Deutsche Grammophon 427 625-2
(1988)


Internet



http://thenietzschechannel.fws1.com/cosima.htm
http://www.barbaraallen.org/Mixup-Marriage-Part-B.html
http://www.rwagner.net/opere/e-tannhauser.html
http://www.music-with-ease.com/tannhauser-history.html
http://w3.rz-berlin.mpg.de/cmp/wagner.html
http://opera.stanford.edu/Wagner/main.html

2 comentários:

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  2. Viva, Caríssimo!

    Acredite no que lhe digo... Não sei se há melhor Tannhäuser do que o dirigido por Sinopoli, com Domingo e Studer nos papéis titulares... (DG 427 625-2)
    Um abraço
    JGA

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