30/11/2005

Lugares #118

Quando, em momentos mais melancólicos, dou comigo a recuar no tempo e a recordar acontecimentos passados, uns relevantes, outros nem por isso, apercebo-me mais claramente da evolução que fui sofrendo com os tempos, aquilo a que as almas menos subtis chamam de envelhecer. Suponho que qualquer dos comuns mortais terá destes momentos de fraqueza, em que começa a fazer contas aquilo que perdeu e ganhou, dependendo o balanço final do optimismo com que se encara a coisa. Assim:

- ganha-se um emprego das 8 às 5, não se perde a mesada (= prémio de nada se fazer);
- ganham-se mulher e filhos, não se perde a liberdade;
- ganha-se peso, não se perde a linha;
- ganha-se uma careca, não se perde o cabelo,
- ... e por aí adiante.

Neste deve e haver de resultado sempre positivo há uma rubrica que destoa: também ganhei vertigens! Não de qualquer jeito, mas num processo altamente controlado e de fácil descrição: aumentaram de um forma directamente proporcional à idade.



O problema até poderia não ser grande problema, não se fosse dar o caso dos descendentes directos terem vindo a este mundo totalmente desprovidos de tais sensações! Têm mesmo uma atracção desmesurada pelas alturas, não há torres, montanhas, russas ou não, cumes de qualquer espécie a que não queiram trepar. Mas nunca sozinhos, obviamente, fazem sempre questão que o pai vá atrás...

Imaginarão então o turbilhão de sentimentos quando, em Praga, me deparei com o monstro metálico que as fotografias documentam. Quando me apercebi da escada encaralocada que apenas terminava na plataforma superior, vi logo o que me esperava. Ainda li a correr a literatura sobre a Torre Petrin, ou Torre de Observação, tendo ficado a saber que tinha sido construída em 1891, para a Exposição do Jubileu, que, com os seus 60 metros, era uma cópia em miniatura da Torre Eiffel, e que para chegar à referida plataforma bastava subir 299 degraus! Não esquecendo que fica no topo do Monte Petri que, por sua vez, já tem 318 metros de altura! Meia dúzia de palavrões depois já estava a comprar os bilhetes...




Desde então tento-me esquecer da subida e já não me lembro da descida, mas exibo orgulhosamente estas fotografias, apenas possíveis de tirar por bravas almas destemidas...


Internet

Petrin Hill & Observation Tower / Petrin Observation Tower / Petrin

7 comentários:

  1. Por uma dessas coincidências incríveis, estive no mesmo local em Junho deste ano. Lá ouvi uma história que vendo pelo mesmo preço que comprei.
    Em poucas palavras, a mencionada torre foi encomendada ao mesmo arquiteto que projetou a torre Eifel em Paris.
    Quando os planos chegaram é que se deu conta que o seu custo de construção seria proibitivo.
    Daí surgiu a idéia de colocá-la sobre uma colina, e cortar o suficiente em sua base para que, de longe, ela tivesse uma semelhança com sua irmã mais velha.
    Também não afirmo, assim ouvi, que do pé da colina ao topo da torre esta teria a mesma altura da torre Eifel.
    Se a história não for verdadeira pelo menos é simpática...

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  2. Caro Jacques,

    É, na realidade, uma coincidência notável. Não sei se partilha da mesma opinião, mas achei Praga uma cidade extraordinária. Passámos lá 8 dias frenéticos, e mesmo assim não conseguimos ver tudo...

    Saudações,

    HVA

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  3. Ai Praga dos meus amores: depois de Paris e Veneza, a cidade que mais gostei até hoje

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  4. Caro Mário,

    E já agora, deixe-me parabenizá-lo pela Barriguinha de Freira. Mas que extraordinárias fotografias!

    HVA

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  5. Amigo HVA,

    Realmente Praga é das mais lindas cidades que visitei. Embora estivesse prevenido quanto à sua beleza, fiquei muito surpreso.
    Por lá fiquei cinco dias, apenas, e aproveitei todos os minutos.
    Desnecessário dizer que pretendo lá retornar.

    Abraços,

    Jacques

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  6. Praga! Cidade musical por excelência. Não conheço e tenho pena. Este ano irei a Viena, disseram-me q Praga fica a um passo...Mas uma semana para ver duas capitais tão ricas, parece-me disparate! Para mais, comemora-se o ano Mozart, não é? Confusão....

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  7. Estar-se-á certamente a referir às comemorações dos 250 anos do nascimento de Mozart, mas essas terão lugar no próximo ano, dado o compositor ter nascido em 1756. E olhe que ver Viena e Praga na mesma semana é um disparate incomparavelmente menor do que ir abanar o capacete para Ibiza...

    HVA

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