09/11/2005

Reis de Portugal #10: D. Maria II (1819-1853)

Na segunda metade dos anos 30 houve um outro nome, além do de Sá da Bandeira, que marcou indelevelmente o reinado de D. Maria II: o de António Bernardo da Costa Cabral (1803-1889), 1º conde e 1º marquês de Tomar.

Depois de se ter formado em Direito com apenas 20 anos de idade, em Coimbra, Costa Cabral exerceu advocacia durante algum tempo, até à altura em que decidiu envolver-se nas lutas liberais. Foi um dos muitos que, com a derrota dos constitucionalistas, teve que se refugiar primeiro na Galiza e depois em Inglaterra, tendo-se finalmente juntado às hostes liberais na ilha Terceira,
último reduto da resistência.


Costa Cabral

Em 1836 é eleito deputado pela 2ª vez e, em 1839, assume a pasta da Justiça tendo, no desempenho dessas funções, promulgado a Novíssima Reforma Judiciária. No dia 14 de Janeiro de 1842 iniciou o movimento que ficaria para a história como a Revolução Cartista, quando se dirigiu para o Porto (sempre o Porto...) para lá preparar e organizar uma junta de governo. Nos finais desse mesmo mês Costa Cabral marchou de regresso à capital, com os resultados que se conhecem: no dia 10 de Fevereiro a
Carta Constitucional é restaurada, e no dia 24 o próprio Costa Cabral é nomeado Ministro do Reino.

Promoveu a abertura de novas estradas e a construção de pontes, com destaque para a ponte pênsil do Porto e, no domínio mais cultural, foram igualmente de sua responsabilidade a construção do Teatro D. Maria II e a organização do Conservatório, da Imprensa Nacional e da Academia Portuense de Belas Artes.


Sá da Bandeira, Almeida Garrett

No dia 18 de Março de 1842, Costa Cabral promulgou o Novo Código Administrativo. Foi do bom e do bonito... As forças opositoras, onde pontuava um irmão de Costa Cabral, lutaram longa e duramente, culminando em 1844 na Revolta de Torres Novas. Entre os dirigentes da coligação oposicionista encontravam-se Sá da Bandeira (naturalmente...) e... Almeida Garrett. A revolta de Torres Novas, que se iniciara nos finais de Junho de 1843, terminaria apenas no dia 4 de Fevereiro do ano seguinte, com um pronunciamento militar que, todavia, foi sufocado, uma vez que o exército se manteve fiel ao governo.


Internet

http://www.arqnet.pt/dicionario/tomar1c.html
http://www.arqnet.pt/portal/portugal/liberalismo/lib1842.html
http://www.arqnet.pt/dicionario/sabandeira1m.html
http://www.arqnet.pt/portal/biografias/garrett.html

3 comentários:

  1. É um período fascinante da história portuguesa. O tempo em que os escritores eram políticos. Hoje os escritores são só escritores e os políticos só políticos.

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  2. (...)onde pontuava um irmão de Costa Cabral(..)

    Não seria antes um irmão de António Bernardo?.
    Muitos anos depois, os descendentes primogénitos do 1º Marquês de Tomar passaram a chamar-se, alternadamente, António Bernardo e Bartolomeu.
    Os últimos dessa lihnagem, nossos contemporâneos, são arquitectos.
    Um abraço.

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  3. Caro Afonso Henriques,

    No Dicionário Histórico (on-line), pode-se ler o seguinte:

    "Costa Cabral promulgou o Novo Código Administrativo em 18 de Março de 1842 e logo a 30 do mesmo mês se forma a coalizão de todas as oposições cartistas dissidentes, capitaneadas pelo próprio irmão, setembristas e miguelistas."

    Daqui depreendi que a revolta foi liderada, entre outros, por um dos irmãos de António Bernardo da Costa Cabral.

    Saudações,

    HVA

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