15/12/2005

Concertos #31

Em Agosto último, aquando da nossa passagem por Praga, aproveitámos naturalmente para assistir a um concerto, que naquela cidade oferta é que não falta.

Escolhemos um programa adequado, totalmente dedicado aos grandes compositores checos, Bedrich Smetana (1824-1884) e Antonín Dvorák (1841-1904). O concerto iria decorrer na Casa Municipal, outro ponto a seu favor.

O actual edifício data dos inícios do século XX, após todos os anteriores terem sido arrasados, por diversos motivos, entre os quais uma reforma sanitária, nos finais do século XIX, sendo hoje um dos edifícios Arte Nova mais representativos da cidade. Como nisto de furar orçamentos os portugueses não são os únicos especialistas, o custo da obra, inicialmente previsto para 3 milhões de coroas checas, acabou em 6 milhões...

A principal sala de concertos levou o nome daquele que é geralmente considerado como o pai da música checa, Smetana. Tudo apontava então para que viesse a ser um concerto normal, em que a Orquestra Sinfónica Real de Praga, dirigida por Jaroslav Vodnansky, interpretaria Vltava, do ciclo de poemas sinfónicos Má Vlast, de Smetana, e a Sinfonia Nº9, de Dvorák, que teve a sua estreia há 112 anos, no dia 15 de Dezembro de 1893. Só que o ambiente turístico de Agosto invadiu também a sala e, além do espectáculo musical, foi-nos proporcionado um extra, sem acréscimo de custo...




Íamos já a meio do poema sinfónico e ainda entrava gente na sala, muita gente mesmo que, tendo pago o bilhetinho, não via motivo para ficar à porta. Os flashes das máquinas fotográficas foram as estrelas da noite, brilhando enquanto durou o concerto. A simpática senhora que se sentou à nossa frente desprezou em absoluto o que de musical se passava naquela sala, e passou o tempo de máquina de filmar em riste; o seu paciente marido certamente que mais tarde se esforçaria por lhe pintar o quadro que ela na altura não quis ver. Para completar o ramalhete, nada como bater furiosas palmas sempre que os músicos paravam de tocar. O pobre do maestro bem que se virava para a plateia a suplicar silêncio entre os andamentos, mas tais gestos de modéstia tinham apenas o condão de comover o público, que mais vibrantemente aplaudia. Um festival...

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