08/12/2005

Lugares #119

“Pega-se no bacalhau demolhado e deita-se numa caçarola. Depois cobre-se tudo com água a ferver e depois tapa-se com uma baeta grossa ou um pedaço de cobertor e deixa-se então assim sem ferver durante 20 minutos. A seguir, ao bacalhau que está na caçarola e que devem ser 2 quilos pesados em cru, tiram-se-lhe todas as espinhas e faz-se em lascas e põe-se num prato fundo cobrindo-se com leite quente, deixando-o em infusão durante uma hora e meia a duas horas.


Depois em uma travessa de ir ao forno, deita-se três decilitros de azeite fino do mais fino (isto é essencial), quatro dentes de alho e oito cebolas alourar. Ter já dois quilos de batatas (cortadas à parte com casca) às quais se lhes tira a pele e se cortam às rodelas da grossura de um centímetro e bota-se as batatas mais as lascas do bacalhau que se retiram do leite. Põe-se então na mesma travessa no forno, deixando-se ferver tudo por dez a quinze minutos. Serve-se na mesma travessa com azeitonas grandes pretas, muito boas e mais um ramo de salsa muito picada e rodelas de ovo cozido. Deve-se servir bem quente, muito quente.”


Quem tão esmeradamente escreveu esta receita foi o comerciante portuense José Luis Gomes de Sá (1851-1926), que não deixou de recomendar a um seu amigo, de nome João: "João, se alterar qualquer cousa já não fica capaz"...

A casa onde nasceu o autor de tão famosa receita fica no número 114 da Rua de Cima do Muro, bem perto da Praça da Ribeira. Zona de culto, digo eu, aquela que junta em apertado espaço a histórica praça e tão admirável casa, origem da satisfação de tantos necessitados estômagos! Casa que, ao contrário de outras relacionadas com ilustres figuras de Portugal, se exibe orgulhosa, bem tratada e vistosa. Nada de ruínas, envergonhadas atrás de tapumes ou simplesmente esquecidas, que a cidade, ocupada em sizentas actividades graníticas, não pode velar por tudo... Triste o povo que tão empenhadamente destrói a sua memória comum!


Internet

Visitar o Porto - Gastronomia / Roteiro Gastronómico - Bacalhau à Gomes de Sá

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