31/01/2005

Compositores #19: Franz Schubert (1797-1828)

O termo música clássica é utilizado normalmente para a distinguir dos outros tipos de música que o não são (!!!) quando, em rigor, dever-se-ia aplicar à música produzida no período clássico, e que corresponde, aproximadamente, aquele em que Haydn, Mozart e Beethoven conceberam as suas obras. Posto em anos, algo que vai desde 1750 (ano da morte de Johann Sebastian Bach) a 1827 (ano da morte de Ludwig van Beethoven). Seguir-se-ia o período romântico; os compositores passaram a procurar outros motivos para as suas obras, que se tornaram mais emotivas, mais variadas, com alterações mais frequentes de ritmo. Digamos que a forma e a ordem deram lugar à expressividade.

Este paleio todo vem a propósito de se celebrarem hoje os 208 anos do nascimento do primeiro grande compositor do período romântico, Franz Schubert.


Franz Schubert

Precoce no talento e na morte, tal como Mozart (Schubert morreu com 31 anos, Mozart com 35), distinguiu-se de Beethoven pela prolificidade: Beethoven compôs perto de 140 obras, Schubert mais de 950, onde se incluem mais de 600 canções (lieder)!

À data da sua morte era ainda principalmente conhecido como um compositor de lieder; a primeira canção (lied) foi composta tinha Schubert 14 anos, e ao longo da sua curta vida deu som a poemas de muitos poetas, com particular destaque para o grande escritor alemão Johann Wolfgang von Goethe (1749-1832).


CDs




Lieder.
Ian Bostridge (tenor), Julius Drake (piano)
EMI 5 56347-2

Lieder, vol.2.
Ian Bostridge (tenor), Julius Drake (piano)
EMI 5 57141-2

Lieder.
Elisabeth Schwarzkopf (soprano), Edwin Fischer (piano)
EMI Références 5 67494-2

Lieder.
Janet Baker (meio-soprano), Geoffrey Parsons, Graham Johnson, Martin Isepp (piano)
BBC Legends BBCL4070-2

Die schöne Müllerin, D795. Lieder.
Dietrich Fischer-Dieskau (barítono), Jörg Demus, Gerald Moore (piano)
Deutsche Grammophon 463 502-2

Lieder.
Dietrich Fischer-Dieskau (barítono), Gerald Moore (piano)
EMI 5 74754-2

Die schöne Müllerin, D795.
Werner Güra (tenor), Jan Schultsz (piano)
Harmonia Mundi HMC90 1708

Complete Songs, vol.34.
L. Dawson, O. Rozario, M. Schade, I. Bostridge, T. Hampson
Graham Johnson, piano
London Schubert Chorale, Stephen Layton
Hyperion CDJ33034

Complete Songs, vol.35.
L. Dawson, O. Langridge, I. Bostridge, T. Hampson
Graham Johnson, piano
London Schubert Chorale, Stephen Layton
Hyperion CDJ33035

Lieder, vol.37.
J. M. Ainsley, A. R. Johnson, M. Schade (tenores)
Graham Johnson, piano
Hyperion CDJ33037


Internet

http://w3.rz-berlin.mpg.de/cmp/schubert.html
http://myweb.tiscali.co.uk/franzschubert/intro/
http://www.carolinaclassical.com/articles/schubert.html

30/01/2005

Neste dia, em

1838: Estreou a ópera Maria de Rudenz, de Donizetti
1948: Morreu Mahatma Gandhi, político e pensador indiano
1959: Estreou a Pittsburgh Symphony, de Paul Hindemith
1963: Morreu Francis Poulenc, compositor francês
1975: Morreu Boris Blacher, compositor alemão



Revolução liberal #3

A tentativa de parar o movimento revolucionário saiu frustrada, e a 15 de Setembro de 1820 foi a vez do pronunciamento militar de Lisboa, que iria levar à constituição de um governo provisório.

Nessa altura passou a haver dois órgãos de poder, a Junta Provisional do Governo Supremo do Reino, sediada no Porto, e o Governo Provisório, sediado em Lisboa. Esta situação seria resolvida em pouco tempo, com o estabelecimento de um acordo entre as duas juntas revolucionárias e a consequente criação de um único órgão.

Realizadas as eleições, em Dezembro de 1820, passou-se então à fase seguinte, a da elaboração da Constituição. Era esse, afinal de contas, um dos grandes objectivos dos que iniciaram a revolução. Foi um processo demorado, começado logo em Janeiro do ano seguinte, terminaria apenas em Setembro de 1822. Entretanto, no início de Julho de 1821, já o rei D. João VI, regressado do Brasil, tinha chegado a Lisboa.



No dia 23 de Setembro de 1822 o rei jurou solenemente a Constituição. Quem não o fez foi a sua esposa, a rainha Carlota Joaquina, que assim se pôs do lado da oposição.


continua

29/01/2005

Lugares - 49

Na Praça de Carlos Alberto, no Porto, existe uma placa que tem o seguinte texto:

"Na casa em frente funcionou a sede da candidatura do General Humberto Delgado à Presidência da República em Maio e Junho de 1958.

Homenagem da Câmara Municipal do Porto
Maio de 1991"

A placa encontra-se neste estado:



E a casa neste, segura por ferros para não vir de vez abaixo:



Já anteriormente aqui tive a oportunidade de referir dois casos semelhantes: o da casa onde nasceu o compositor Fernando Lopes Graça, neste postal, e o daquela, em Lisboa, onde morreu o escritor Almeida Garrett, neste.

Um músico, um escritor, um político, a mesma fatalidade: a absoluta incapacidade de preservarmos a nossa história! Está (mal) presa por escoras...

28/01/2005

Concertos #7

Amanhã lá iremos de novo a mais uma aventura musical. Da parte musical se encarregarão a soprano Dora Rodrigues e a Orquestra Nacional do Porto dirigida por Marc Tardue.



A primeira parte do concerto será preenchida com a Sinfonia Mathis der Maler (Mathis o pintor) do compositor alemão Paul Hindemith (1895-1963), obra inspirada na vida do pintor do século XVI Mathis Grünewald. A estreia desta sinfonia aconteceu a 12 de Março de 1934, com a Orquestra Sinfónica de Berlim dirigida por Wilhelm Furtwängler (de quem recentemente falei aqui
).


Paul Hindemith

Na segunda parte teremos a Sinfonia Nº4 de Gustav Mahler (1860-1911) que na sua estreia, a 25 de Novembro de 1901, registou um fracasso assinalável. E tal não se deveu certamente a um menor conhecimento da obra por parte do maestro, dado que à frente da orquestra esteve... o próprio Mahler.

O lado da aventura será assegurado pelos dois minorcas que insistimos em levar connosco, com o objectivo elevado de os cultivar desde pequenos. E não haja dúvidas que eles se esforçam: já tentaram cultivar amizade com uma das segundas violinistas, desenvolveram especiais aptidões para imitar o maestro e, da última vez, depois de uma corrida desenfreada, o mais novo quase mergulhava de cabeça na cultura... e ficava com ela enfiada no meio da harpa!

27/01/2005

CDs #19: Mozart (1756-1791), Piano Concertos

O concerto a que assisti em Janeiro e que referi aqui fez-me ir buscar ao baú um disco extraordinário, com o pianista inglês Clifford Curzon (1907-1982) a tocar os Concertos para Piano nºs 20, 23, 24, 26 & 27 de Wolfgang Amadeus Mozart.

W. A. Mozart
Clifford Curzon

Como se o facto de termos aqui um dos maiores pianista mozartianos de sempre não fosse por si só recomendação suficiente, temos ainda Benjamin Britten (1913-1976) a dirigir a English Chamber Orchestra
nos Concertos nºs 20 & 27. A Orquestra Sinfónica de Londres, sob a direcção do maestro alemão de origem húngara István Kertész (1929-1973), encarrega-se dos outros 3 concertos constantes deste cd duplo. Boas audições!




CD




Mozart
Piano Concertos 20, 23, 24, 26 & 27.
Clifford Curzon, piano
English Chamber Orchestra, Benjamin Britten
London Symphony Orchestra, István Kertész
Decca Legends 468 491-2

26/01/2005

Lugares - 48

Recentemente fomos duas vezes à Igreja de Santa Clara, ao Largo Primeiro de Dezembro, no Porto. Da primeira, demos com o nariz na porta. Fotografámos o exterior. Da segunda, os narizes lá passaram a ombreira. Fotografámos o interior. Ainda não conseguimos, contudo, ver aquilo que nos levou lá. O senhor padre ausente, os acessos são-nos vedados. Acreditamos que o provérbio prevalecerá, pelo que a terceira tentativa se seguirá... E aí teremos oportunidade de contar ao que fomos!



Construída na primeira metade do século XV, o seu interior foi revestido a talha dourada durante o século XVIII. É um curioso paralelismo com a Igreja da Ordem de S. Francisco que, conforme relatámos
aqui, foi terminada em 1425 e teve a talha dourada adicionada entre os séculos XVII e XVIII.





Internet

http://www.porto-digital.com/turismo/monumentos/mreligiosos/igstaclara.html
http://www.portoturismo.pt/visitar_porto/que_visitar/igreja_sclara.asp
http://faroldasletras.no.sapo.pt/artebarroca.htm
http://www.portugalvirtual.pt/_tourism/costaverde/porto/ptcity.html

25/01/2005

Maestros #7: Wilhelm Furtwängler (1886-1954)

Passam hoje 119 anos sobre o nascimento do maestro e compositor alemão Wilhelm Furtwängler, ocorrido a 25 de Janeiro de 1886.


Wilhelm Furtwängler

Começou por aprender piano, se bem que a sua ambição inicial era a de ser compositor. Contudo, bem cedo começou a reger orquestras, tinha 20 anos ainda mal feitos. Em 1911 tornou-se director da Ópera de Lübeck e em 1920 sucedeu a Richard Strauss (1864-1949) na direcção dos concertos sinfónicos da Ópera do Estado de Berlim. Ainda na década de 20 sucederia a Artur Nikisch (1855-1922) à frente da Orquestra do Gewandhaus de Leipzig e da Orquestra Filarmónica de Berlim. Posteriormente asseguraria também a direcção musical do Festival de Bayreuth.



Por essa altura já tinha uma reputação solidamente estabelecida na Europa e nos Estados Unidos, alicerçada principalmente na interpretação das obras dos clássicos alemães. A década de 30, contudo, foi muito complicada para Furtwängler, acusado de ser complacente com o regime que imperava na Alemanha. Tal viria mesmo a estar na base do corte de relações com outro maestro famoso, Arturo Toscanini (1867-1957), conforme recentemente referi aqui. Acabou mal amado pelos nazis e pelos que se lhes opunham; forçado a fugir do país antes que os nazis lhe deitassem a unha, em Fevereiro de 1945, não mais seria autorizado a reger nos Estados Unidos.

As suas interpretações nem sempre seguiam marcações precisas, a emoção e a improvisação predominavam, associadas a frequentes alterações de tempos e flutuações de andamentos. Algumas das gravações que nos deixou são ainda hoje consideradas de referência, e são discos a que regresso assiduamente com prazer renovado.


CDs



Live Recordings 1944-53
Beethoven, Schubert, Schumann, Brahms, Bruckner, Strauss, Tchaikovsky,
Hindemith, Cesar Franck, Ravel, Wagner
Berlin Philharmonic Orchestra
Vienna Philharmonic Orchestra
Wilhelm Furtwängler
Deutsche Grammophon 474 030-2

Ludwig van Beethoven
Symphony No.9.
Elisabeth Schwarzkopf, Elisabeth Höngen, Hans Hopf, Otto Edelmann
Bayreuth Festival Chorus and Orchestra
Wilhelm Furtwängler
EMI GROC 5 66953-2

Richard Wagner
Tristan und Isolde.
Kirsten Flagstad, Ludwig Suthaus, Blance Thebom, Fischer-Dieskau,
Josef Greindl, Rudolf Schock
Chorus of the Royal Opera House, Covent Garden
Philharmonia Orchestra
Wilhelm Furtwängler
EMI 5 85873-2

24/01/2005

Neste dia, em

1835: Estreou a ópera I puritani, de Vincenzo Bellini
1875: Estreou Danse Macabre, de Camille Saint-Saëns
1919: Nasceu Leon Kirchner, compositor norte-americano
1946: Nasceu Rafael Orozco, pianista espanhol
1960: Morreu Edwin Fischer, pianista suíço
1965: Morreu Winston Churchill, político e escritor inglês