28/02/2005

CDs #24: Previn conducts Korngold

É um daqueles discos que nunca atingirá o top 10 nacional nem será nomeado disco do ano pelos especialistas musicais cá do sítio. Fossem os nossos pais ou avós a pronunciarem-se e, possivelmente, a história seria diferente. É que aos sons deste disco associariam as imagens dos filmes da juventude, daqueles chamados de capa e espada. Elas, em particular, trariam imediatamente à memória a imagem do actor principal, ou não fosse ele Errol Flynn...

Através deste disco podemos assim ouvir a música que o compositor norte-americano de origem austro-húngara Erich Korngold (1897-1957) compôs para os seguintes filmes:



Captain Blood (1935), de Michael Curtiz
com Errol Flynn, Olivia de Havilland, Lionel Atwill, Basil Rathbone

The Prince and the Pauper (1937), de William Keighley
com Errol Flynn, Claude Rains, Henry Stephenson, Barton MacLane, Billy Mauch

The Private Lives of Elizabeth and Essex (1939), de Michael Curtiz
com Bette Davis, Errol Flynn, Olivia de Havilland, Donald Crisp, Alan Hale

The Sea Hawk (1940), de Michael Curtiz
com Errol Flynn, Brenda Marshall, Claude Rains, Donald Crisp, Flora Robson, Alan Hale



Erich Wolfgang Korngold
Music from the Films
The Sea Hawk
The Private Lives of Elizabeth and Essex
Captain Blood
The Prince and the Pauper
London Symphony Orchestra
André Previn
Deutsche Grammophon 471 347-2

27/02/2005

Lugares - 56

Os azulejos de Jorge Colaço (1868-1942) podem ser encontrados em vários edifícios do nosso país, desde o Pavilhão Carlos Lopes e a Faculdade de Ciências Médicas, em Lisboa, às estações de Vila Franca de Xira e de Évora.


Estação de S. Bento

Menos a sul, e portanto mais perto das bases do desNORTE, podemos encontrá-los no Porto, na estação de S. Bento e na igreja de Santo Ildefonso, e perto de Coimbra, no antigo convento de Santa Cruz do Buçaco, hoje Palace Hotel.


Igreja de Santo Ildefonso


Palace Hotel, Buçaco


Internet

http://www.instituto-camoes.pt/cvc/azulejos/sec19_20.html
http://www.gaac.pt/actividades/visitas/mealhadahotel.htm
http://www.monumentos.pt/edicoes/20/20_d15.html
http://www.cp.pt/private/azulejos.htm

26/02/2005

Pianistas #1: Lazar Berman (1930-2005)

Passou ao lado dos noticiários, não foi sequer notícia de rodapé, ao contrário do que aconteceu recentemente com os falecimentos das sopranos Victoria de los Angeles, referido aqui, e Renata Tebaldi, referido aqui. Pois no passado dia 6 de Fevereiro faleceu um dos grandes pianistas do século XX, o italo-russo Lazar Berman. Não fosse este trágico acontecimento e estaríamos aqui hoje a celebrar o seu 75º aniversário.


Lazar Berman

Nasceu em Leninegrado e fez os estudos musicais no
Conservatório de Moscovo. O primeiro concerto público deu-o quando tinha 4 anos, e aos 10 interpretou Mozart acompanhado pela Orquestra Filarmónica de Moscovo. Conhecido e reconhecido nos países de leste, só no início dos anos 70 foi autorizado pelas autoridades soviéticas a sair do país. As suas interpretações de Franz Liszt (1811-1886), Robert Schumann (1810-1856) e Piotr Tchaikovsky (1840-1893) foram particularmente apreciadas. Em 1990 mudou-se definitivamente para Itália, dando aulas no Conservatório de Música de Imola, e em 1994 adquiriu a nacionalidade italiana.


CDs



Chopin
Piano Sonata No.3, Op.58. Polonaises Nos.1-6.
Lazar Berman, Emil Gilels (pianos)
Deutsche Grammophon 449 090-2

Liszt
Années de pèlerinage 1-3.
Lazar Berman
Deutsche Grammophon 437 206-2


Internet

http://www.transartuk.com/berman/index.htm
http://www.audiofonrecords.com/Berman/berman-bio.htm
http://www.internazionale.it/pagine/blognote/berman.htm

25/02/2005

Revolução liberal - 7

Entre outras consequências, além das já referidas nos últimos postais sobre este assunto, refiram-se aqui mais duas da Vilafrancada:

1. D. Miguel foi nomeado comandante-chefe do exército português;
2. Almeida Garrett teve que desandar do país, conforme referi
aqui em Dezembro.

A. Garrett
D. Miguel I

Ao ter tentado agradar a gregos e a troianos o rei D. João VI conseguiu não agradar a nenhuns, cada um dos lados achava-o demasiado simpático para com o outro. Quem também não tinha ficado de todo convencido era D. Miguel, que espreitava a primeira oportunidade para reinstalar a monarquia absolutista em Portugal.

Motivado pelo relativo sucesso da Vilafrancada, procura novo golpe de estado no dia 30 de Abril de 1824, para "salvar o rei, a Real Família e a Nação", naquilo que ficou conhecido como a Abrilada. O rei foi cercado na Bemposta, e a 3 de Maio chegou mesmo a aprovar a golpada do filho.

Não fosse a intervenção da diplomacia estrangeira, em particular a francesa e a inglesa, e a história poderia ter tido um rumo bem diferente. Assim, lá conseguiram persuadir o rei da possibilidade de D. Miguel lhe vir a usurpar o trono, no que veio a resultar na demissão deste a 9 de Maio e o consequente exílio em Viena, para onde partiu a 13 de Maio a bordo da fragata Pérola, nome bem apropriado para semelhante preciosidade...

continua

24/02/2005

Compositores #24: Arrigo Boito (1842-1918)

Ora aqui está mais um daqueles títulos complicados. É que o italiano Arrigo Boito, nascido em Pádua163 anos, apenas compôs uma única obra (ópera) completa em toda a sua vida, Mefistofele, estreada em 1868 sob a sua própria regência. E não foi propriamente um sucesso, a palavra catástrofe estará mais perto da realidade! Paralelamente, desenvolveu intensa actividade como libretista e crítico musical.

Arrigo Boito com Giuseppe Verdi
Arrigo Boito

Revista posteriormente, Mefistofele acabou por triunfar nos principais palcos italianos, em Bolonha, Veneza e no La Scala de Milão. Pelos vistos terá gasto toda a sua inspiração operática nesta obra, dado ter andado mais de 50 anos às voltas com a sua segunda ópera, Nerone, sem nunca a ter terminado!

Ficará igualmente para a história como o libretista de algumas das mais importantes óperas de Verdi: da versão revista de Simon Boccanegra, de Otello e de Falstaff. Escreveu ainda o libreto de La Gioconda, de Amilcare Ponchielli (1834-1886).


CD



Mefistofele.
Cesare Siepi, Lucia Danieli, Renata Tebaldi, Florina Cavalli, Mario del Monaco
Coro del Teatro dell'Opera di Roma
Orchestra dell'Accademia di Santa Cecilia
Tullio Serafin
Decca 440 054-2


Internet

http://www.classical.net/music/comp.lst/boito.html
http://opera.stanford.edu/Boito/main.html

23/02/2005

Lugares - 55

A história de Trier, a mais antiga cidade alemã (já anteriormente referida aqui), é uma história de lutas, guerras, períodos negros e outros nem tanto assim. As suas origens são anteriores a Cristo; perto do final do século II os romanos construiram uma muralha a protegê-la, com cinco portas de acesso à cidade.




A sua população registou grandes variações: de algumas dezenas de milhar no século IV, decresceu para menos de 2.000 no século seguinte. No século XIV tinha cerca de 12.000 habitantes, e no início do século XIX, quando Karl Marx (1818-1883) lá nasceu, já não chegavam a 10.000 os que lá viviam.

As vicissitudes da guerra marcaram Trier profundamente: a Guerra dos Trinta Anos (1618-1648), as várias guerras que se sucederam contra os franceses, que a tomaram em 1794, em plenas invasões francesas; contaram-se às dezenas os bombardeamentos a que foi sujeita na 1ª guerra mundial, e a destruiu-lhe mais de 40% do centro.

Hoje essas marcas não são facilmente visíveis para o viajante acidental. À parte os vários monumentos que denunciam pedaços da sua história, a cidade cresceu, desenvolveu uma importante universidade e recuperou um pouco da sua anterior relevância.

Justifica plenamente uma visita, mesmo que curta como a nossa o foi. Fica perto da fronteira com o Luxemburgo, e a Holanda, França e Bélgica também não estão longe, pelo que... boa viagem! E tem uns polícias eficientíssimos a passar multas de estacionamento. Fossem os do Porto assim e a cidade pareceria outra!

22/02/2005

Maestros #8: Karel Ancerl (1908-1973)

As histórias de terror e morte, referidas anteriormente aqui e aqui, são, por vezes, acompanhadas por extraordinárias histórias de sobrevivência e persistência. Uma delas, indubitavelmente, é a do maestro checo Karel Ancerl.


Karel Ancerl

Depois de efectuados os estudos musicais, Ancerl foi regente principal da Orquestra da Rádio de Praga
entre 1933 e 1939. Os problemas começaram com a entrada das tropas germânicas em Praga, altura em que foi demitido (despedido) de imediato. Passado à clandestinidade, e após peripécias várias, é definitivamente detido em 1942, juntamente com toda a sua família, e enviado para o campo de Terezin.

Foi nesse campo de concentração que Ancerl colaborou com Gideon Klein, Hans Krása e Pavel Haas, organizando sessões musicais para os outros detidos. Em 1944 Ancerl e a família foram levados para Auschwitz. De lá apenas ele sairia vivo, em circunstâncias habitualmente descritas como milagrosas. A mesma sorte não tiveram os seus pais, a sua esposa e o seu filho, mortos nas câmaras de gás.

Extraordinário é o facto de, em 1947, Ancerl voltar a assumir o cargo de maestro principal da Orquestra da Rádio de Praga. Desta vez apenas por 3 anos, visto ter então passado a reger a Orquestra Filarmónica Checa
, cargo que manteve até 1968. A partir de 1969 passou a estar à frente da Orquestra Sinfónica de Toronto, uma colaboração apenas interrompida pela sua morte, em Julho de 1973.


CDs



Shostakovich - Festive Overture, Op.96.
Novak - In the Tatras, Op.26.
Krejci - Serenade for Orchestra.
Janacek - Taras Bulba.
Macha - Variations on a Theme by and on the Death of Jan Rychlik.
Smetana - Vltava.
Dvorák - Symphony Nº8. Slavonic Dance No.5.
Martinu - Symphony No.5.
Czech Philharmonic Orchestra
Wiener Symphoniker
Concertgebouw Orchestra, Amsterdam
Toronto Symphony Orchestra
Karel Ancerl
EMI The Great Conductors 5 75091-2

Berg - Violin Concerto.
Bruch - Violin Concerto No.1, Op.26.
Mendelssohn - Violin Concerto, Op.64.
Josef Suk, violin
Czech Philharmonic Orchestra
Karel Ancerl
Supraphon SU3663-2

Janacek
Glagolitic Mass. Taras Bulba.
E. Haken (baixo), V. Soukupova (contralto), B. Blachut (tenor),
L. Domaninska (soprano), J. Vodrazka (orgão)
Czech Philharmonic Chorus & Orchestra
Karel Ancerl
Supraphon SU3667-2

21/02/2005

Revolução liberal - 6

Os efeitos da Vilafrancada fizeram-se também sentir na vida musical portuguesa. No início da 2ª década do século XIX, o pianista e compositor português João Domingos Bomtempo (1775-1842) era já um nome conceituado nos meios musicais parisienses e londrinos. Um dos seus amigos era Muzio Clementi (1752-1832), famoso pianista, compositor e professor de música. John Field (1782-1837), criador do noturno e sobre quem já alinhavei uns parágrafos aqui, foi um dos alunos de Clementi.

M. Clementi
J. D. Bomtempo

A formação musical dos portugueses era, na altura (!!!), muito deficiente, pelo que Domingos Bomtempo ambicionava criar em Portugal uma Sociedade Filarmónica, ao estilo daquela que vira em Londres. A primeira tentativa aconteceu aquando do seu regresso a Portugal, em 1814, sem sucesso. A
revolução liberal de 1820 e a Constituição de 1822 proporcionaram o seu regresso definitivo ao nosso país e o retomar do projecto.

A Sociedade Filarmónica foi instituída nesse mesmo ano de 1822. Os concertos, levados a cabo na Rua Nova do Carmo, foram coisa de pouca duração. A influência dos miguelistas aumentou com o episódio da Vilafrancada, e não perderam muito tempo até proibirem a sua realização. Foi o fim dos concertos mas não o da Sociedade, assunto a que voltarei posteriormente.


continua

20/02/2005

CDs -23: João Domingos Bomtempo (1775-1842) - Sinfonias Nº1 & Nº2

No âmbito das histórias à volta da revolução liberal terei em breve (amanhã...) oportunidade de falar um pouco do compositor português João Domingos Bomtempo. Por agora fico-me por um CD, lançamento de 2004 da editora (de preços económicos) Naxos, com as duas sinfonias por ele compostas. Há todos os motivos e mais alguns para adquirir e ouvir este disco:

» Excelente música, de um dos mais conceituados compositores portugueses;
» orquestra portuguesa (
Orquestra do Algarve);
» maestro português (Álvaro Cassuto) e, pormenor igualmente relevante,
» a menos de um terço do preço da maioria dos discos.

Apesar de algumas fontes (como o próprio disco) indicarem 1771 como o ano do nascimento de Domingos Bomtempo, penso que o correcto será 1775, conforme referido pela maioria delas.

Boas audições!



Sinfonia Nº1, Op.11. Sinfonia Nº2.
Orquestra do Algarve
Álvaro Cassuto
Naxos 8.557163

17/02/2005

Sinfonias #1: Sinfonia em ré menor, de César Franck

No dia 17 de Fevereiro de 1889 estreou no Conservatório de Paris a Sinfonia em ré menor do compositor franco-belga César Franck (1822-1890), passam hoje portanto 116 anos.


César Franck

A recepção esteve longe de corresponder às expectativas do compositor. A obra à época não era compatível com a noção francesa de uma sinfonia "a preceito": tinha 3 andamentos em vez dos tradicionais 4 e utilizava uma trompa no segundo andamento. Charles Gounod (1818-1893) achou-a como sendo "a afirmação da incompetência levada aos seus extremos". Simpático, o homem...

Como é normal nestas coisas a popularidade e apreciação geral só vieram já Franck havia falecido, e hoje, felizmente, dispomos de muitas e boas gravações desta sinfonia. A minha preferida? A efectuada por Monteux em 1961, à frente da Orquestra Sinfónica de Chicago.


CDs



Chicago Symphony Orchestra
Pierre Monteux
RCA Victor 09026 63303-2

Concertgebouw Orchestra, Amsterdam
Willem van Otterloo
Philips 442 296-2


HVA, Eindhoven, Holanda

16/02/2005

Compositores #23: Dmitri Kabalevsky (1904-1987)

Nascido em 1904 em São Petersburgo, o compositor russo Dmitri Kabalevsky bem que pode ser considerado o compositor do regime (soviético). Morreu há 18 anos, no dia 16 de Fevereiro de 1987.


Dmitri Kabalevsky

Como estudante frequentou o Conservatório de Moscovo, onde foi aluno de Nikolai Miaskovsky (1881-1950), e onde leccionaria a partir de 1932. Além do ensino e da composição, participou em organizações políticas e sindicais, trabalhou na editora de música estatal, foi editor do jornal Sovremennaya e membro do Partido Comunista.

As músicas de Kabalevsky, fazendo uso frequente de melodias tradicionais russas, eram intensamente líricas, bem ao gosto do regime vigente. Dedicou a Sinfonia Nº3 à memória de Lenine, e compôs várias outras obras versando o patriotismo heróico.


CDs



Piano Sonata No.2, Op.45. 24 Preludes, Op.38.
(+ Debussy, Moszkowski & Prokofiev)
Vladimir Horowitz, piano
Urania SP4206

The Comedians, Op.26. Piano Concerto No.2, Op.23. Piano Concerto No.3, Op.50.
Kathryn Stott, piano
BBC Philharmonic Orchestra
Vassily Sinaisky
Chandos CHAN10052

Symphonies - No.1, Op.18 & No.2, Op.19. Pathétique Overture, Op.64. Spring, Op.65.
Armenian Philharmonic Orchestra
Loris Tjeknavorian
ASV CDDCA1032


Internet

http://www.angelfire.com/ok/aimmer/kabalevsky.html
http://www.boosey.com/pages/cr/composer/composer_main.asp?composerid=2777
http://home.wanadoo.nl/ovar/kabaopus.htm

15/02/2005

Lugares - 54

No sul da Holanda, a alguns quilómetros a norte de Maastricht, há uma pequena vila, Thorn, que é conhecida principalmente pelo facto de a maioria das suas casas estar pintada de branco.



A sua história vem de tempos remotos. A povoação desenvolveu-se a partir da igreja, que lá foi construída no século X, e chegou a ser um reino soberano no tempo do império germânico. Como é normal nestas coisas a igreja foi sofrendo alterações ao longo dos tempos: no século XIII foi renovada ao gosto gótico e no século XVIII levou uns acrescentos barrocos.



Thorn não passou ao lado das vicissitudes da 2ª Guerra Mundial. Invadida pelos alemães, viria a ser libertada por uma força belga sob o comando do major Jean Piron. Essa força, a 1ª Brigada Independente Belga, tinha sido constituída em 1942 e desenvolvido acções na França, Bélgica, Holanda e Alemanha.




Internet

http://www.christusrex.org/www1/splendors/thorn/thorn.html
http://www.alliedspecialforces.org/brigadepironhistoryenglish.htm