30/04/2005

Lugares #74

A Ponte do Carro, de épocas medievais, liga as freguesias de Guifões e Santa Cruz do Bispo, no distrito do Porto. Era atravessada pelos peregrinos a caminho de Santiago de Compostela e hoje em dia, fazendo jus ao nome, é-o principalmente por veículos motorizados.


Ponte do Carro

Pois apesar do nome que alguém deu à ponte e da apresentação da mesma feita nas
páginas na internet da Câmara Municipal de Matosinhos, salientando o "arco ligeiramente quebrado", pudemos comprovar, por experiência própria, que quem a construiu ignorou pura e simplesmente as características dos carros que a iriam obviamente atravessar muitos séculos depois!

O piso empedrado aconselha velocidades moderadas, a largura pouco generosa reforça a sensatez de tal conselho. Assim fizemos, e lá subimos vagarosamente a primeira metade da ponte. Primeiro susto: chegados a meio, deixámos de a ver, o carro apontado para a Lua, os nossos narizes a tocarem as estrelas, da ponte nem sinal... Prosseguimos, sob o risco de aterrar em cima de carro incauto que viesse em sentido oposto. Segundo susto: não batemos nos modestos muros da ponte, não aterrámos sequer em carro inimigo, ficámos encavalitados na própria ponte! O arco ligeiramente quebrado, obra do diabo!, aguarda serena e pacientemente insensatos automobilistas, para lhes arranhar o orgulho e remexer as entranhas dos automóveis... Um quebranto que nos quebrou os corações, já para não falar da panela do carro, está bom de ver!

29/04/2005

Maestros #12: Malcolm Sargent (1895-1967)

Nalgumas das bibliografias disponíveis do maestro inglês Malcolm Sargent podem-se ler referências ao facto de ter viajado assiduamente e de ter abordado um vasto repertório. Graças ao blogue Guilhermina Suggia (ver aqui e aqui) ficámos a saber que uma dessas viagens foi ao Porto, em finais de Janeiro de 1943, para interpretar obras de John Ireland (1879-1962), Frederick Delius (1862-1934) e Antonin Dvorák (1841-1904). Deste último tocou-se o Concerto para Violoncelo, naturalmente com a nossa insigne violoncelista. Malcolm Sargent nasceu há 110 anos, no dia 29 de Abril de 1895.


Malcolm Sargent

Além de cantar em vários coros, Malcolm Sargent começou por aprender orgão e piano, instrumento em que teve como professor Benno Moiseiwitsch, de quem já falámos aqui
a propósito de um disco editado pela Naxos. A estreia como regente aconteceu apenas em 1921, e logo num Concerto Promenade, em Londres. Curiosamente, viria a ser o maestro principal desses concertos a partir de 1948 e até à data da sua morte. Diversas obras foram por ele estreadas, com destaque para a Sinfonia Nº9 de Ralph Vaughan Williams (1872-1958), no dia 2 de Abril de 1958, cerca de 5 meses antes do compositor falecer.


CDs




Frederick Delius
Violin Concerto.
Edward Elgar
Violin Concerto, Op.61.
Albert Sammons (violino)
Liverpool Philharmonic Orchestra, Malcolm Sargent
New Queen's Hall Orchestra, Henry Wood
Naxos Historical 8.110951

Jascha Heifetz
The Supreme.
Chicago Symphony Orchestra, Fritz Reiner
New Symphony Orchestra, Malcolm Sargent
RCA Red Seal 74321 63470-2

Jascha Heifetz
Plays Mozart, Vieuxtemps & Bruch.
Royal Philharmonic Orchestra, Thomas Beecham
London Symphony Orchestra, Malcolm Sargent
RCA Victor Orchestra, William Steinberg
Dutton Laboratories CDBP9704

Oistrakh
Shostakovich
Violin Concertos No.1 & No.2.
Ysaÿe
Amitie for 2 Violins.
David Oistrakh, Igor Oistrakh (violinos)
Philharmonia Orchestra, Gennadi Rozhdestvensky
USSR State Orchestra, Evgeny Svetlanov
London Philharmonic Orchestra, Malcolm Sargent
BBC Legends BBCL4060-2

Oistrakh
Tchaikovsky
Violin Concerto, Op.35.
Brahms
Violin Concerto, Op.77.
David Oistrakh (violino)
Royal Philharmonic Orchestra, Norman del Mar
London Philharmonic Orchestra, Malcolm Sargent
BBC Legends BBCL4102-2

Beethoven
Piano Concertos No.3, Op.37 & No.5, Op.73.
Benno Moiseiwitsch (piano)
Philharmonia Orchestra, Malcolm Sargent
London Philharmonic Orchestra, George Szell
Naxos Historical 8.110776


Internet

http://malcolm-sargent.biography.ms/
http://www.bach-cantatas.com/Bio/Sargent-Malcolm.htm
http://math.boisestate.edu/gas/whowaswho/S/SargentMalcolm.htm

28/04/2005

Lugares #73

À freguesia de Freigil, no concelho de Resende, velha dos seus tempos medievais, já chamaram de tudo: Fragivil, Freiginil, Freyiyel, Fragil, Fragiel. Situada em terreno montanhoso, bordando o rio Douro, Freigil tem como ex-libris o Penedo de São João que, desconhecedor das leis de Isaac Newton, insiste em manter-se em posição improvável:



E como não é provável que aconteça agora aquilo que não aconteceu até hoje, o diabo do penedo lembrar-se de rebolar encosta abaixo, lá o circundámos bravamente, desfrutando como recompensa de magnífica visão do Douro. Aos pais, que pensem em levar ao colo descendentes que se recusem a subir tão aventurosa escarpa, aconselhamos que umas boas semanas antes iniciem uma intensiva preparação no ginásio...

27/04/2005

Sopranos #5: Maria Stader (1911-1999)

Apesar de também ter participado em inúmeras óperas, a soprano Maria Stader, húngara de nascimento mas naturalizada suíça, será principalmente recordada pelas suas interpretações de cantatas, missas, oratórios, requiems e outras obras sagradas. Faleceu há 6 anos, no dia 27 de Abril de 1999.


Maria Stader

O impulso decisivo para a sua carreira deu-se com a vitória no Concurso Internacional de Genebra, em 1939. Depois de um natural interregno entre 1939 e 1945, começou por fazer uma turné interpretando Lucia na ópera Lucia di Lammermoor de Gaetano Donizetti (1797-1848), com a Orquestra Filarmónica de Israel dirigida por Ferenc Fricsay (1914-1963).

As suas principais gravações, para a editora da etiqueta amarela, foram efectuadas nas décadas de 50 e 60, e de que se podem destacar as Cantatas e Missas de Bach, as Missas de Mozart, a Missa solemnis de Beethoven e os Requiems de Brahms, Dvorák e Verdi.

As suas subidas ao palco foram mínimas, quando comparadas com a quantidade de gravações que efectuou. E porquê, perguntarão? Pela sua estatura, tinha apenas 1,45m...


CDs



Ferenc Fricsay: A Life in Music.
Obras de Beethoven, von Eimen, de Falla, Franck, Français, Hartmann,
Hindemith, Honegger, Mahler, Martin, Mendelssohn, Prokofiev, Rachmaninov,
Rimsky-Korsakov, Rossini, Strauss, Tchaikovsky
Maria Stader, Rita Steich, D. Eustrati, M. Forrester, E. Haefliger, J. Greindl
Berlin RIAS Chamber Choir
Berlin Philharmonic Orchestra
Berlin Radio Symphony Orchestra
Ferenc Fricsay
Deutsche Grammophon Original Masters 474 383-2

Bach
Cantatas.
Edith Mathis, Maria Stader, Ursula Buckel, Hertha Töpper, Júlia Hamari,
Ernst Haefliger, John van Kesteren, Peter Schreier, D. Fischer-Dieskau, K. Engen
Ansbach Bach Week Soloists Ensemble
Munich Bach Choir and Orchestra
Karl Richter
Archiv Produktion 439 387-2

Verdi
Messa da Requiem
Maria Stader, Marianna Radev, Helmut Krebs, Kim Borg
St Hedwig's Cathedral Choir
Berlin RIAS Chamber Choir and Orchestra
Ferenc Fricsay
Deutsche Grammophon 447 442-2

Beethoven
Fidelio. Leonore - Abertura Nº3.
Sena Jurinac, Maria Stader, Jan Peerce, Murray Dickie, G. Neidlinger, F. Guthrie
Bavarian State Opera Chorus and Orchestra
Hans Knappertsbusch
Deutsche Grammophon Westminster Legacy 471 204-2


Internet

http://www.bach-cantatas.com/Bio/Stader-Maria.htm
http://www.beethovenfm.cl/cgi-bin/enciclopedia_persona.cgi?id=900
http://www.doremi.com/mariastader.html

26/04/2005

Revolução liberal #14

Na tentativa de desempatar a situação, o marquês de Palmela foi enviado a Londres para obter reforços, financeiros e militares, missão que levou a bom termo, o que lhe valeu um regresso triunfal ao Porto, no dia 28 de Maio de 1833. Com ele veio também o oficial inglês Charles Napier (1782-1853), que substituiria Sartorius à frente das forças liberais e iria desempenhar um papel relevante nas acções que se seguiram. Napier conhecia bem o terreno, já por cá tinha andado durante as e invasões francesas. Era uma espécie de regresso à pátria alheia...


Marquês de Palmela, Charles Napier

Os liberais decidiram então atacar pelo Algarve, onde chegaram a 24 de Junho. Não encontraram resistência significativa, uma vez que a tarefa foi facilitada por um sem número de manobras de diversão, orquestradas com o objectivo de fazer sair as forças absolutistas do sul do país. Seguiu-se depois um período em que as forças oponentes procuraram ganhar vantagem no terreno; a levantamentos liberais respondiam os realistas com força bruta, quando não com execuções sumárias, merecendo particular referência o fuzilamento de mais de 20 liberais em Portalegre.

Da esquadra que se tinha dirigido para o Algarve, comandada por Napier, fazia também parte António José de Sousa Manuel de Meneses Severim de Noronha, mais conhecido como duque da Terceira, que iria liderar as forças desembarcadas. E muito ágil se revelou nessa função, como brevemente se verá!

continua

25/04/2005

Lugares #72

Finalmente um postal futebolístico! Depois da desfeita que os estudantes foram fazer a terras de leões, abrindo novas esperanças aos outros, só podemos mesmo deixar aqui uma sugestão, por nos parecer da mais elementar justiça: em caso de vitória dos lampiões avermelhados no campeonato de todas as surpresas, há que organizar uma excursão de reconhecimento à Nossa Senhora da Esperança, habitante de vários séculos da Capela do mesmo nome situada, como não poderia deixar de ser, na cidade do conhecimento.



Mesmo na eventualidade das águias não ganharem coisa alguma, mantendo a coerência de uma década, não deverão dirigentes, jogadores, técnicos, sócios e simpatizantes, deixar de lá ir. É que as culpas terão que ser assacadas a outrém, e o reconhecimento nunca ficou mal a ninguém...

Se tiverem mais sorte que o autor destas linhas, então encontrarão as portas abertas e, além de agradecerem a colaboração, poderão sempre apreciar os altares, os retábulos, as estátuas de Santas Inês e Luzia, os azulejos de produção local. Caso contrário, façam como eu, duas voltinhas à capela e um agradecimento sentido, que o que conta é a intenção!

24/04/2005

Concertos #12

Quando a Sinfonia Nº2 de Gustav Mahler (1860-1911) se estreou, no dia 13 de Dezembro de 1895, e perante o sucesso então obtido, poucos imaginavam o quão difícil o parto tinha sido.


G. Mahler, H. van Bülow, F. G. Klopstock

Tal como já tinha feito na , Mahler pretendia que ela integrasse uma parte vocal, processo que se viria a revelar bem mais complicado do que aquilo que o compositor previa. O primeiro andamento ficou terminado em Setembro de 1888, sendo que os dois seguintes apenas foram escritos em 1893. Aí a coisa emperrou de novo, e a inspiração para o último andamento da sinfonia, aquele que deveria conter a parte vocal, veio aquando do funeral do maestro e pianista Hans von Bülow (1830-1894), de quem certamente aqui se falará um dia. É que no serviço funerário, que decorreu em Berlim em Fevereiro de 1894, um coro de rapazes cantou uma peça baseada num poema do poeta alemão Friedrich Gottlieb Klopstock (1724-1803), a Ode da Ressurreição. Resolveu dois problemas de uma penada só: a inspiração para terminar a sinfonia e o respectivo texto, já que Mahler utilizou exactamente o mesmo poema de Klopstock...



Esta prosa toda vem naturalmente do facto de hoje irmos assistir ao concerto da Orquestra Nacional do Porto, dirigida por Marc Tardue, acompanhada pelo Coro Gulbenkian, Hilevi Martinpelto (soprano) e Charlotte Hellekant (meio-soprano) a interpretar esta sinfonia, na Casa da Música.

É um fim-de-semana extraordinário musicalmente, depois do recital de ontem de Alfred Brendel, que quem teve o privilégio de lá estar nunca poderá esquecer. Mal chegámos a casa colocámos um disco de Brendel a interpretar Schubert, numa tentativa de prolongar por mais uns momentos uma noite absolutamente mágica...

23/04/2005

Concertos #11

Um dia duplamente histórico para nós, este em que pela primeira vez iremos à Casa da Música e, igualmente uma estreia, assistir a um recital ao vivo do extraordinário pianista austríaco Alfred Brendel.

Enquanto alguns se vão entretendo com críticas acirradas ao custo eventualmente despropositado da coisa ou à falta de estruturas semelhantes na província, com argumentações sempre convincentes mas não necessariamente inocentes, nós por aqui, numa atitude assumidamente egoísta, congratulamo-nos com a sua construção e propomos mesmo a elevação de honrosas estátuas aos autores morais e materiais da bendita casa. Têm garantida a nossa contribuição, mas com uma condição: há que rodear as estátuas de floridos canteiros e frondosas árvores, de preferência autóctones, em mais uma gloriosa manifestação anti-sizentismo!



Voltando ao assunto de hoje, do programa constarão obras de Mozart (Variations on a Minuet by Duport, K573, composição de 1789), de Schumann (Kreisleriana, Op.16, de 1838), de Schubert (Moments Musicaux, D780, de 1827) e de Beethoven (Sonata para Piano Nº15, Pastoral, Op.28, composta em 1801). Começa-se e acaba-se com compositores clássicos, da 1ª escola de Viena (Mozart e Beethoven), intervalados por obras de compositores do romântico inicial (Schumann, Schubert) das escolas alemã e austríaca. Grande concerto será certamente, encontramo-nos lá!!!

22/04/2005

CDs #33: The Chamber Music of Malcolm Arnold

No dia em que se passam 89 anos sobre o nascimento do violinista americano Yehudi Menuhin, trazemos a estas páginas um disco com obras do compositor inglês Malcolm Arnold. Uma delas, as Cinco Peças para Violino e Piano, Op.84, foi composta em 1964 precisamente para Menuhin, para a sua turné americana.


Yehudi Menuhin, Malcolm Arnold

O disco, totalmente preenchido com música de câmara, tem obras compostas entre 1947 (Sonata para Violino Nº1) e 1964 (as referidas Cinco Peças e o Duo para Dois Violoncelos), tendo as interpretações ficado a cargo do agrupamento londrino The Nash Ensemble. Boas audições!



Malcolm Arnold
Violin Sonata No.2, Op.43.
Five Pieces for Violin and Piano, Op.84.
Viola Sonata, Op.17.
Violin Sonata No.1, Op.15.
Duo for Two Cellos, Op.85.
Piano Trio, Op.54.
The Nash Ensemble
Hyperion Helios CDH55071

21/04/2005

Sinfonias #4: Sinfonia Nº1, Op.25, de Prokofiev

Circunstâncias várias têm feito com que ainda por aqui não se tenha falado do compositor russo Sergei Prokofiev (1891-1953) a quem muitos chamavam de enfant terrible, para sua notória satisfação...



É que Prokofiev, igualmente um pianista prodigioso, começou desde cedo a abanar o establishment, com obras extravagantes e ultramodernas. Os Concertos para Piano Nº1 e Nº2 foram disso exemplos perfeitos, tal o impacto que causaram. Hoje, contudo, trazemos aqui uma outra composição, por passarem exactamente 87 anos sobre a sua estreia: a Sinfonia Nº1, denominada Clássica. Raramente os nomes são dados ao acaso, e aqui tem a ver com o facto de esta apresentar um estilo marcadamente clássico, bem diferente do das suas anteriores composições, talvez para acalmar as almas mais indignadas antes de nova investida...


CDs



Toscanini conducts music from Russia.
Prokofiev
Symphony No.1, "Classical", Op.25.
Glinka
Jota aragonesa.
Mussorgsky
Pictures at an Exhibition.
Tchaikovsky
Manfred Symphony, Op.58. Symphony No.6, "Pathétique", op.74.
NBC Symphony Orchestra
Arturo Toscanini
Music & Arts CD-1115

Prokofiev
Symphony No.1, "Classical", Op.25. Symphony No.3, Op.44.
Philadelphia Orchestra
Riccardo Muti
Philips 432 992-2

20/04/2005

Lugares #71

Um nome extraordinário, um local fantástico: Pitões das Júnias, aldeia do concelho de Montalegre. Um dos destinos obrigatórios, o antigo Mosteiro de Santa Maria das Júnias.




Extraordinário foi também ter lá chegado direito: descida íngreme, chuva, piso escorregadio, indumentária inapropriada, guarda-chuva numa mão, máquina fotográfica na outra. Como se tal não bastasse decidi ainda atalhar caminho, para obter uma melhor visão sobre as ruínas do mosteiro.




A visão foi óptima, o local periclitante. Dei por mim a escorregar, primeiro lentamente, depois de uma forma desabrida. Não havia nada que me parasse, qual praticante de desportos radicais em versão monástica. Foi contudo maior a sorte que o engenho, e um pequeno muro que providencialmente se atravessou no caminho revelou-se salvador. Foi um encontro sentido, selado com emocionado abraço e forte abalo!...

19/04/2005

CDs #32: Itzhak Perlman "reDiscovered"

Parece mentira, mas a verdade é que a RCA teve a coragem, para não chamar outra coisa, de manter na prateleira durante cerca de 40 anos as primeiras gravações efectuadas pelo violinista israelista Itzhak Perlman.


Itzhak Perlman

Entretanto alguém terá tido um ataque de bom senso e colocou o disco cá fora, o que o autor desta linhas agradece e aparentemente os seus familiares mais directos também(!). Se este postal tiver a felicidade de provocar uma epidemia de ataques semelhantes, mesmo que em escala reduzida, que levem os leitores de hoje a ouvintes deste disco amanhã, então o desejo de boas audições! ganhará ampliado significado...



Itzhak Perlman
reDISCOVERED
Bazzini
La Ronde des lutins.
Ben-Haim
Berceuse sfaradite.
Bloch
Baal Shem - Nigun.
Falla
La vida breve - Danse espagnole No.1.
Handel
Violin Sonata No.9 (Sonata XV).
Hindemith
Violin Sonata in E flat, Op.11 No.1.
Leclair
Violin Sonata in D, Op.9 No.3.
Paganini
24 Caprices - Nos.1, 16 & 24.
Sarasate
Navarra.
Itzhak Perlman (violino), David Garvey (piano)
RCA Red Seal 82876 62517-2