30/06/2005

Concertos #17

A Casa da Música veio provar a existência de numeroso público no norte interessado em assistir a recitais e concertos de qualidade. Qual história do ovo e da galinha, poder-se-á sempre discutir o que é que deu origem a quê, a Casa ao público ou o seu inverso. Irrelevante, pensamos nós, perante o aumento da oferta de qualidade e quantidade no Porto e a oportunidade que finalmente nos é dada de assistirmos ao vivo a grandes momentos musicais. Pena não ser possível lá assistir a óperas, pois alguém se esqueceu do buraco...

Pois contamos usufruir hoje de mais um desses momentos (que esperamos) mágicos, com o recital do pianista polaco Piotr Anderszewski.


Piotr Anderszewski

Contamos para tal que o homem não se lembre de fazer uma gracinha semelhante à que fez no Concurso de Piano de Leeds de 1990, que abandonou a meio! Por insatisfação perante a extrema competição existente entre músicos ou por descontentamento com a sua interpretação das Variações Op.27 de Webern, o que é certo é que Anderszewski parou antes de chegar ao fim da obra, levantou-se e pôs-se a milhas...

Correndo tudo normalmente (?!), iremos poder ouvir obras que percorrem três períodos distintos da música: o moderno e o romântico, através de dois compositores polacos, Karol Szymanowski (1882-1937) e Frédéric Chopin (1810-1849), respectivamente, e o barroco, com uma das suites do seu maior representante, o compositor alemão Johann Sebastian Bach (1685-1750).


Szymanowski, Chopin, Bach

De Szymanowski pouco se falou até hoje neste blogue, apenas de passagem, neste texto, a propósito de Chopin e das mazurkas. Ao contrário destas últimas, que foram escritas já numa fase mais tardia da vida de Szymanowski, as obras que Anderszewski vai hoje interpretar pertencem ao seu período mais prolífico, que coincidiu, curiosamente com a 1ª Grande Guerra. Outras histórias para outros momentos, que agora temos que ir embora...

Karol Szymanowski
Masques. Métopes.
Frédéric Chopin
Mazurkas, Op.59.
Johann Sebastian Bach
Suite No.6.
Piotr Anderszewski (piano)

29/06/2005

Maestros #16: Rafael Kubelik (1914-1996)

Em 1941 o maestro suíço de origem checa Rafael Kubelík viu as portas do Teatro Nacional de Brno serem fechadas pelos nazis. Em Junho de 1945 daria um concerto em Praga comemorativo do final da 2ª Grande Guerra. Cerca de 3 anos depois viu-se forçado a abandonar o país natal, fugindo do regime comunista entretanto instalado. Regressaria apenas 42 anos depois, para dirigir novamente a Orquestra Filarmónica Checa. Kubelík nasceu no dia 29 de Junho de 1914, há exactamente 91 anos.


Rafael Kubelík

Em paralelo com a regência dedicou-se igualmente à composição, tendo escrito, entre outras obras, duas óperas e duas sinfonias. Estreou obras de Karl Amadeus Hartmann (1905-1963), Frank Martin (1890-1974), Bohuslav Martinu
(1890-1959) e Arnold Schoenberg (1874-1951).

Foi ainda Kubelík quem, em 1957, no Covent Garden, dirigiu a primeira interpretação completa da ópera Les Troyens de Hector Berlioz (1803-1869). Se nos lembrarmos que Berlioz a compôs entre 1856 e 1858, e que a estreia, embora numa versão truncada, teve lugar no dia 4 de Novembro de 1863, vemos que Kubelík quebrou um enguiço de quase 100 anos...


CD



A Tribute to Rafael Kubelík - II.
Obras de Dvorák, Wagner, Kubelík, Mozart, Ravel, Britten e Walton.
Nelson Leonard (barítono)
University of Illinois Choir and Men's Glee Club
University of Illinois Women's Glee Club
Chicago Symphony Orchestra
Rafael Kubelík
CSO 7544


Internet

http://www.kubelik.org/
http://www.absoluteastronomy.com/encyclopedia/L/Le/Les_Troyens.htm

27/06/2005

Lugares #88

No ano de 813 uma estrela terá assinalado o local onde se encontrava uma arca com os resto mortais de Santiago. O autor da descoberta foi Teodomiro, o bispo de Iria Flávia. Da estrela emanava uma estranha luminosidade, tornando a paisagem tão clara como a de um campo estrelado, tendo daqui nascido o nome do local: campo estrelado -> Campus Stellae -> Compostela.

Nem todas as lendas convergem nas façanhas guerreiras de Santiago; umas atribuem-lhe intervenção directa, por exemplo, na batalha de Clavijo (834), outras dizem-nos que aparecia em sonhos aos líderes espanhóis exortando-os na luta aos mouros, num apoio que se revelaria fundamental para as vitórias cristãs. Em qualquer dos casos, o resultado foi Santiago ter ficado para a história como Santiago Mata-Mouros.



E é precisamente um frontão com Santiago Mata-Mouros em acção que encima a fachada principal do Pazo Raxoi, o último edifício a ser construído na Praça do Obradoiro, já no decorrer do século XVIII. Construído por iniciativa do arcebispo de Compostela, Bartolomeu Raxoi e Losada, esteve envolto em polémica desde o início, por "ir retirar a luz natural e a ventilação" do Hospital dos Peregrinos, bem como "dificultar a entrada e saída de doentes". O Pazo Raxoi é hoje a sede da Câmara e do Governo Regional.

26/06/2005

CDs #43: Schumann, Piano Concerto, Piano Quintet

No dia em que o regente italiano Claudio Abbado (1933-) comemora o seu 72º aniversário, trazemos aqui um disco que também tem muito de português, ou não fosse Maria João Pires a pianista de serviço.


Claudio Abbado

Ambas as peças presentes no disco, o Concerto para Piano e o Quinteto para Piano, foram compostas já Robert Schumann (1810-1856) tinha abandonado as suas ambições pianísticas, por problemas em movimentar alguns dos dedos da sua mão esquerda.

O concerto foi de gestação difícil, tendo nascido em 1841 como Phantasie para piano e orquestra, que mais tarde seria utilizada como primeiro andamento do seu Concerto para Piano, Op.54, terminado em 1845. A estreia aconteceu em Dezembro desse ano, com a sua esposa, Clara Schumann, ao piano.


Maria João Pires, Augustin Dumay, Jian Wang

Durante o ano de 1842 Schumann dedicou-se essencialmente a escrever música de câmara. Nesse ano compôs, nomeadamente, os seus 3 quartetos de cordas e 3 obras para piano, entre elas o quinteto presente neste disco. A acompanhar Maria João Pires nesta obra estão alguns companheiros seus de música de câmara de longa data, como Augustin Dumay e Jian Wang, com quem gravou inúmeros discos. Grandes audições, em dia de aniversário!



Robert Schumann
Piano Concerto in A minor, Op.54.
Quintet for Piano, 2 violins, Viola and Cello in E flat major, Op.44.
Maria João Pires (piano)
Augustin Dumay, Renaud Capuçon (violinos)
Gérard Caussé (viola)
Jian Wang (violoncelo)
Chamber Orchestra of Europe
Claudio Abbado
Deutsche Grammophon 463 179-2

25/06/2005

Concertos #16

O programa é deveras interessante, indo do romantismo tardio à época moderna, incluindo a estreia mundial da nova versão de Yet Another Set To do compositor inglês Mark-Anthony Turnage (1960-).


Tchaikovsky, Turnage, Ravel

A abrir teremos a Patética, de Tchaikovsky (1840-1893), o tal romântico tardio (de que já por
aqui se falou), a que se seguirá a referida obra de Turnage, com o trombonista sueco Christian Lindberg, que foi quem a estreou, terminando com La Valse, de Maurice Ravel (1875-1937), um dos expoentes da era moderna.


Lindberg, ONP, Rundel

À frente da Orquestra Nacional do Porto estará o maestro alemão Peter Rundel, cujo curriculum demonstra bem o seu envolvimento com a música moderna (tocou no Ensemble Modern, colaborou com o Ensemble InterContemporain, gravou obras de Nono, Reich, Turnage, Feldman, Boulez, ...).

24/06/2005

Violoncelistas #1: Pierre Fournier (1906-1986)

Ainda por aqui não se tinha falado de violoncelistas, pelo que havia que encontrar rapidamente forma de corrigir tão incompreensível omissão. Fosse tudo óbvio e, portugueses como somos, começaríamos por Guilhermina Suggia (1885-1950), a insigne violoncelista lusa. Felizmente, dizemos nós, o óbvio não é necessariamente inevitável, o que tempera as nossas vidas com o inesperado e as sobressalta do tédio quotidiano. E o óbvio neste caso é que não comecemos por Guilhermina Suggia, pois já outros dela se encarregaram há muito de falar, e de uma forma única, pensamos nós.

Um dos músicos com que Suggia se cruzou foi com o violinista mexicano Henryk Szeryng (1918-1988), em circunstâncias descritas neste texto
, publicado em Março último. E um dos músicos com que Szeryng tocou música de câmara foi com o grande violoncelista francês Pierre Fournier, que nasceu há 99 anos, no dia 14 de Junho de 1906 E assim se deu a volta ao texto e chegámos ao nosso assunto...


Pierre Fournier

A imprevisibilidade também pesou muito na carreira de Fournier que, por ter sofrido de poliomielite aos 9 anos, se viu forçado a trocar os estudos de piano pelos de violoncelo. Como pianista nunca saberemos até onde iria, como violoncelista foi dos maiores. Foi dirigido por maestros como Wilhelm Furtwängler e Herbert von Karajan, e tocou música de câmara com Artur Schnabel, William Primrose, Henryk Szeryng e Wilhelm Kempff, entre outros. Pierre Fournier estreou obras de Frank Martin (1890-1974), Bohuslav Martinu (1890-1959) e Albert Roussel (1869-1937). Foi considerado um aristocrata do violoncelo, mercê da graciosidade que emprestava às suas interpretações.


CDs


Antonin DvorákCello Concerto in B minor, Op.104.Camille Saint-SaënsCello Concerto No.1, Op.33. Le Cygne.Gabriel FauréÉlégie. Berceuse.Maurice RavelPièce en forme de habanera.Claude DebussyRêverie.Pierre Fournier (violoncelo), Gerald Moore (piano)
Philharmonia Orchestra
Rafael Kubelík
Testament SBT 1016

William WaltonCello Concerto. The Twelve. Variations on a Theme by Hindemith.Pierre Fournier (violoncelo), Shyirley Mint (contralto), Robert Tear (tenor),
Michael Wakeham (barítono)
London Philharmonic Choir and Orchestra
Royal Philharmonic Orchestra
William Walton
BBC Legends BBCL4098-2

Robert SchumannPiano Concerto in A, Op.54.Franz SchubertPiano Trio No.1 in B flat, Op.54.Artur Schnabel (piano), Joseph Szigeti (violino), Pierre Fournier (violoncelo)
New York Philharmonic Symphony Orchestra
Pierre Monteux
Music & Arts CD-1111


Internet
http://www.cello.org/cnc/fournier.htm
http://www.musicologie.org/Biographies/f/fournier.html

23/06/2005

Questionários #1

Desta vez o questionário tem mais musicalidade, e Il Dissoluto Punito teve a gentileza de me desafiar a preenchê-lo. Convite aceite, vamos ver no que isto dá:

1 - Tamanho total dos arquivos de música no meu computador

Ainda pequeno, coisa para menos de 1GB, com boas probabilidades de assim não continuar por muito mais tempo. Quebrado o enguiço, com o primeiro download efectuado do site da Orquestra Filarmonia, temo que em breve não haja espaço suficiente no disco...

2 - Último disco que comprei

Foram na realidade 2, na semana passada, aquando da estadia na Holanda. A saber: a Missa Solemnis, de Hummel (Naxos 8.557193), e Éclairs sur l'Au-delà, de Messiaen (EMI 5 57788-2).

3 - Canção que estou a escutar agora

O dueto do 1º acto da Arabella, de Richard Strauss, com Renée Fleming e Barbara Bonney. Com esporádicos efeitos especiais (joaninos...), providenciados gratuitamente pelos traquinas que aqui habitam... Ainda assim, sublime!

4 - Cinco canções que ouço frequentemente ou que têm algum significado para mim

Pois, esta é complicada, mas...: o ciclo Winterreise, de Schubert, obviamente com Fischer-Dieskau e Gerald Moore (só aqui já vão 24 canções... levam 23 de borla); Mesicku na nebi hlubokém... (O moon in the velvet heavens...), outra vez Fleming, na Rusalka de Dvorák; o Liederkreis Op.24 de Schumann, com Prégardien ou Bostridge, depende do dia... (e lá vão mais uns quantos lieder de oferta...); Non la sospiri, la nostra casetta..., na Tosca, de Puccini, com Callas e di Stefano em sessões nostálgicas, Gheorghiu e Alagna nas restantes; Mots d'amour, de Chaminade, por von Otter.

5 - Lanço o testemunho a outros três bloggers

E subitamente esta tornou-se na mais complicada... mas... utilizando os créditos acumulados na resposta anterior, atrevo-me a mencionar apenas 2: passo-o ao Virgílio Marques, do blogue Guilhermina Suggia, embora ciente da eventual menor adequação deste tipo de iniciativas ao (excelente) blogue em causa, e ao Álvaro Sílvio Teixeira, do Crítica de Música.


E agora, se me permitem, tenho que ir ali num instante ouvir Quim Barreiros, um clássico, levar com martelos na cachimónia e alho-porro no nariz, e olhar para o balão, feito patego como os outros, antecipando o momento em que ele se incendeia irremediavelmente e mergulha em lágrimas no horizonte. Até já.

22/06/2005

CDs #42: Beethoven, Complete works for piano & cello

Alfred Brendel é um dos pianistas que mais apreciamos, e não perdemos uma oportunidade para expressar a nossa admiração. Já o fizemos neste texto, a propósito de um DVD e neste, aquando do recital que deu na Casa da Música. Desta vez temos uma dupla razão dupla para voltar a falar do apelido Brendel: o lançamento recente de um duplo CD com as obras de Beethoven para piano e violoncelo, interpretadas por uma dupla Brendel, pai e filho.


Alfred Brendel, Adrian Brendel

Ludwig van Beethoven (1770-1827) escreveu apenas 5 sonatas para piano e violoncelo que, curiosamente, cobrem os três períodos da sua vida, se é que esta pode ser assim fragmentada:

As duas primeiras, Op.5 No.1 & No.2, foram das primeiras obras do compositor, compostas em 1796, e tendo sido por ele tocadas nesse ano aquando de uma deslocação a Berlim;

a sonata seguinte, Op.69, foi escrita por volta de 1807, numa altura mais complicada da vida de Beethoven que, desde 1802 vinha sofrendo crescentes problemas de audição;

as duas últimas, Op.102 No.1 & No.2, datam de 1815, ano geralmente considerado de transicção para o 3º período, marcado por um decréscimo de actividade e pelo agravamento do estado de saúde.

O CD inclui ainda 2 conjuntos de Variações sobre temas de Die Zauberflöte, de Wolfgang Amadeus Mozart (1756-1791), e as 12 Variações sobre um tema de Judas Maccabaeus de Georg Friedrich Handel (1685-1759).



Ludwig van Beethoven
The complete works for piano and cello.
Alfred Brendel (piano), Adrian Brendel (violoncelo)
Philips 475 379-2

21/06/2005

Óperas #2: Die Meistersinger von Nürnberg, de Richard Wagner

A primeira interpretação da ópera de Die Meistersinger von Nürnberg, de Richard Wagner (1813-1883) teve lugar em Munique no dia 21 de Junho de 1868, há 137 anos, sob a direcção de Hans van Bülow (1830-1894).


Richard Wagner

O libreto, do próprio Wagner, num tom cómico e sem as figuras mitológicas presentes na maior parte das suas óperas, relata a conquista da mão de Eva Pogner por Walther von Stolzing, após a vitória por este obtida num torneio musical. Das várias gravações existentes destaque para as duas efectuadas por von Karajan (1908-1989), uma em 1951 (disponível na Naxos) e outra em 1970 (edição da EMI); realce ainda para uma efectuada por Kubelik (1914-1996) em 1967 (actualmente disponível na Arts).


CDs



H. Berg, H. Borst, F. Dalberg, O. Edelmann, W. Faulhaber, H. Hopf, J. Janko,
E. Kunz, E. Majkut, I. Malaniuk, K. Mikorey, H. Pflanzl, E. Schwarzkopf,
G. Stolze, H. Tandler, G. Hunger, A. van Mill
Bayreuth Festival Chorus and Orchestra
Herbert von Karajan
Naxos Historical 8.110872-5

Franz Crass, Brigitte Fassbaender, Thomas Hemsley, Gundula Janowitz, Sándor Kónya,
Thomas Stewart, Gerhard Unger
Chor des Bayerischen Rundfunks
Symphonieorchester des Bayerischen Rundfunks
Rafael Kubelik
Arts 43020-2

Rene Kollo, Helen Donath, Theo Adam, Peter Schreier, Geraint Evans, Karl Ridderbusch
Chor der Staatsoper Dresden
Chor der Leipziger Rundfunks
Staatskapelle Dresden
Herbert von Karajan
EMI GROC 5 67086-2


Internet

http://en.wikipedia.org/wiki/Die_Meistersinger
http://www.wagnermania.com/dramas/Meistersinger/
http://opera.stanford.edu/Wagner/Meistersinger/main.html

20/06/2005

Lugares #87

Os americanos têm a Route 66, de que justificadamente se orgulham. Nós temos a 222, de que alguém porventura se orgulhará. Uma tem perto de 4000 quilómetros, a outra nem por isso. A deles atravessa vários estados, a nossa diversas províncias.



Para quem não quiser percorrê-la na sua totalidade, o que os habitantes do banco traseiro agradecerão..., sugerimos que com ela serpenteiem entre Vila Nova de Gaia e a Régua.




Menos conhecida do que a estrada de "Entre-os-Rios" (108), a 222 afaga igualmente o rio Douro, fazendo-o contudo pela margem sul. Caso façam o trabalhinho de casa e saibam parar nos apeadeiros com interesse, então têm programa para um fim-de-semana bem preenchido. Esperemos que as modestas fotografias sirvam de incentivo.


19/06/2005

Obras Orquestrais #1: Enigma Variations, de Edward Elgar

Em Outubro de 1898, regressado a casa depois de mais um dia a dar lições de violino, Edward Elgar (1857-1934) sentou-se ao piano e começou a improvisar. A coisa teria provavelmente ficado por aí não fosse a sua esposa, Alice, ter gostado de uma das melodias que dali sairam. Elgar acabou por desenvolver o tema, daí tendo nascido as Enigma Variations, que tiveram a sua primeira interpretação no dia 19 de Junho de 1899, passam hoje 106 anos.


Edward Elgar

Em cada um dos seus 14 andamentos procurou retratar familiares, amigos ou ele próprio, tentando pôr em sons os seus tiques mais característicos. Há dois enigmas envolvendo esta composição: o primeiro dizia respeito aos destinatários de cada um dos andamentos, mas esse foi rápida e facilmente resolvido.





O segundo é objecto de discussão há mais de 100 anos, alimentado como foi pelo próprio Elgar, e está relacionado com um tema, que supostamente não faz parte da composição mas que é por ela sugerido. A lista de detectives para o decifrar já vai longa... e teorias não faltam.


CDs



Edward Elgar
Violin Concerto. Enigma Variations.
Yehudi Menuhin (violino)
London Symphony Orchestra
Royal Albert Hall Orchestra
Edward Elgar
EMI GROC 5 66979-2

Edward Elgar
Enigma Variations.
Gustav Holst
The Planets.
London Symphony Orchestra, Pierre Monteux
Vienna Philharmonic Orchestra, Herbert von Karajan
Decca 452 303-2

Edward Elgar
Enigma Variations. Pomp & Circumstance Marches Nos.1-5.
Royal Philharmonic Orchestra
Norman del Mar
Deutsche Grammophon 429 713-2

Edward Elgar
Enigma Variations.
Benjamin Britten
Concerto for Piano and Orchestra.
Robert Leonardy (piano)
Saarbrücken Radio Symphony Orchestra
Stanislaw Skrowaczewski
Arte Nova 74321 27769-2

The Barbirolli Elgar Album.
Hallé Orchestra
John Barbirolli
Dutton Laboratories CDSJB1017


Internet

http://www.elgar.org/3enigma.htm
http://elgar-enigma.tripod.com/


Notas
1 - Depois de 2 semanas atribuladas e longe de casa, a primeira passada em Singapura, a semana passada na Holanda, sabe bem estar de regresso. O país até ganha outro encanto...

2 - Durante esse tempo uma boa parte das notícias chegava-me via blogues. Uma delas, através do Il Dissoluto Punito, foi a do falecimento do maestro italiano Carlo Maria Giulini (1914-2005). Foi o 1º maestro de que se falou por estas paragens, em Julho do ano passado, num texto publicado nos primórdios deste blogue. Na altura referi o facto de, ao celebrar o seu 90º aniversário, estar a evitar homenagens póstumas, palavras que agora soam como premonitórias.

3 - JPP queixou-se recentemente da actual falta de brilhantismo na blogosfera lusa. Estará provavelmente a referir-se aos blogues mais dedicados à coisa política. Se assim for, é uma visão algo redutora da função dos blogues. Nós aqui, mais interessados nas outras blogosferas, continuamos a admirar diariamente o que de muita qualidade se publica em blogues como Rua da Judiaria, Almocreve das Petas, Dias com Árvores, Guilhermina Suggia ou Ópera e Demais Interesses, para referir apenas alguns. É que a blogosfera vai muito para além da política. Felizmente, dizemos nós.