31/08/2005

Alma Mahler (1879-1964)

Qual revista cor-de-rosa, o desNorte aproveitou a desculpa do 126º aniversário do nascimento de Alma Mahler-Werfel para falar de assuntos do coração.


Alma Mahler-Werfel

Se nos lembrarmos de que Alma Schindler esteve directamente ligada à música através das suas relações com Alexander von Zemlinsky
(1871-1942) e Gustav Mahler (1860-1911), então temos justificações suficientes para publicar este postal, num blogue de ambiente geralmente musical...

Alma foi, sem qualquer sombra de dúvida, uma femme fatale no seu tempo. Três casamentos,



Gustav Mahler, a 9 de Março de 1902
Walter Gropius, a 18 de Agosto de 1915
Fritz Werfel, a 6 de Julho de 1929

e um sem fim de namoriscos mais ou menos inconsequentes, à mistura com adultérios qb...,

Gustav Klimt (1862-1918), pintor austríaco
Oskar Kokoschka (1886-1980), pintor austríaco
Max Burckhard (1854-1912), advogado e director do Viennese Burgtheatre
Felix Muhr, arquitecto
Joseph Maria Olbrich (1867-1908), arquitecto e designer alemão
Erik Schmedes (1868-1931), tenor dinarmaquês
Johannes Hollnsteiner (1895-1971), padre austríaco

dão para perceber que ela se movia (muito...) principalmente nos meios artísticos. Como aqui o meio que mais nos interessa é mesmo o musical, terminamos com duas curiosidades à volta da sua relação com Zemlinsky:

- antes de se envolver com ele, Alma achava-o hediondo e absurdo, e a sua música imatura, quase cómica, uma anedota...;

- Alma tinha também uma veia compositora mas, não conseguindo passar das canções, pediu a Zemlinsky que lhe escrevesse um quarteto de cordas, o que foi por este recusado por, conforme lhe explicou de imediato, ter a certeza de que ela seria incapaz de o entender...


Internet

http://www.alma-mahler.at/engl/almas_life/almas_life.html

30/08/2005

Reis de Portugal #6: D. Maria II (1819-1853)

Quando por aqui se falou da revolução liberal referiu-se, neste postal, o facto de D. Maria II, apesar de ter teoricamente subido ao trono no dia 2 de Maio de 1826, apenas ter de facto assumido o governo do nosso reino no dia 24 de Setembro de 1834.


D. Maria II

D. Maria II tinha na altura 15 anos, mas o que não teve foi sossego, já que o seu reinado ficou marcado por acentuada instabilidade, revoluções várias e outras peripécias de que mais tarde se falará. A
Guerra Carlista prosseguia no país vizinho, e D. Maria II, apesar dos problemas caseiros, decidiu-se pelo envio de uma força, para ajudar à defesa contra as pretensões de D. Carlos Maria Isidro. Essa divisão esteve em Espanha cerca de 2 anos, entre 1835 e 1837, e só lá não esteve mais tempo porque a situação deste lado da fronteira o não permitiu.

Um dos grandes objectivos da revolução liberal tinha sido o de elaborar uma Constituição, que viria a ser jurada pela rei D. João VI (1767-1826) no dia
23 de Setembro de 1822. Esta Constituição de 1822 seria posteriormente substituída pela Carta Constitucional, o que nunca foi do agrado dos liberais. Para azar destes, todas as eleições realizadas entre 1834 e 1836 resultaram em vitórias dos chamados cartistas, pelo que não se afigurava fácil livrarem-se da famosa Carta. O Porto, como não poderia deixar de ser (!), foi das poucas cidades que manteve o apego à anterior Constituição, como ficou mais uma vez demonstrado na votação de 1836.


Passos Manuel

Aproveitando a chegada a Lisboa do navio Napier, no dia 9 de Setembro de 1836, com alguns deputados a bordo, as hostes liberais promoveram uma manifestação que rapidamente se transformou num movimento de apoio à Constituição de 1822. A coisa ganhou tal dimensão que, rapidamente, a ela se juntaram batalhões da Guarda Nacional, e não houve nada que a parasse, a tal ponto que, no dia 10, a rainha decretou a abolição da Carta Constitucional e, consequentemente, a reposição da Constituição de 1822. Foi ainda nessa altura que entrou para o governo Manuel da Silva Passos, mais conhecido por Passos Manuel.


Internet

http://www.parlamento.pt/constitucionalismo/monarquia_const/
http://www.arqnet.pt/portal/portugal/liberalismo/lib1836.html
http://www.arqnet.pt/dicionario/passosms.html

29/08/2005

Sinfonias #6: Sinfonia Nº4, de Michael Tippett

Nunca é demais referir que este ano se celebra o centenário do nascimento do compositor inglês Michael Tippett (1905-1998), nascido em Londres no dia 2 de Janeiro de 1905, conforme atempadamente referimos neste texto.


Michael Tippett

Tippett começou a compor a 4ª sinfonia em 1976, já num período tardio da sua carreira. As suas 3 primeiras sinfonias tinham sido estreadas por grandes maestros: Malcolm Sargent
(1ª sinfonia, em Novembro de 1945), Adrian Boult (2ª sinfonia, em Fevereiro de 1958) e Colin Davis (3ª sinfonia, em Junho de 1972). Não é então de espantar que a tenha sido resultado de uma encomenda da Orquestra Sinfónica de Chicago, e estreada em Outubro de 1977 pelo seu maestro residente, Georg Solti (1912-1997).


Malcolm Sargent, Adrian Boult, Colin Davis, Georg Solti

A é uma sinfonia de um movimento só, ao contrário de todas as anteriores, embora constituída por 7 secções, e exige uma orquestra de apreciáveis dimensões, que inclui 6 trompas e 2 tubas.

Terminamos referindo que há 52 anos atrás teve a sua estreia uma outra obra deste compositor, e que por sinal aparece num dos discos abaixo listados: a Fantasia Concertante on a Theme of Corelli.


CDs



Michael Tippett
Symphony No.2. Symphony No.4. (1993)
BBC Symphony Orchestra
Michael Tippett
NMC NMCD104

Michael Tippett
Symphony No.4. (1992)
Fantasia Concertante on a Theme of Corelli. (1993)
Fantasia on a Theme of Handel. (1992)
Bournemouth Symphony Orchestra
Richard Hickox
Chandos CHAN9233


Internet

http://www.michael-tippett.com/
http://www.musicweb-international.com/tippett/
http://www.fdavidpeat.com/interviews/tippett.htm
http://www.srp.org.uk/obituaries/obitmkt.htm

28/08/2005

Compositores #40: Bohuslav Martinu (1890-1959)

Compositor prolífico, nunca foi aquilo que se poderia designar por um génio musical nato, não conseguindo sequer terminar os estudos no Conservatório de Praga, mas tal não impediu o checo Bohuslav Martinu de se tornar num dos mais proeminentes do seu tempo. Morreu no dia 28 de Agosto de 1959, passam hoje 46 anos.


Bohuslav Martinu

Além da referida passagem por Praga, Martinu estudou com Josef Suk (1874-1935) e, em Paris, com Albert Roussel (1869-1937). Atravessou as duas guerras mundiais, a primeira, dispensado do exército, sem sobressaltos de maior, a segunda levá-lo-ia a procurar refúgio nos Estados Unidos.

É nesse país que tem o apogeu do seu período orquestral, tendo lá escrito, por exemplo, as primeiras 5 sinfonias e iniciado a . Por essa altura era já um compositor deveras divulgado, tendo algumas das suas obras sido estreadas por nomes sonantes: Serge Koussevitzky (1874-1951) - Concerto Grosso e Sinfonia Nº1, e Charles Munch (1891-1968) - Sinfonia Nº6 (aquela que tive a oportunidade de ouvir ao vivo em Janeiro passado, conforme referido aqui).


CDs



Sinfonias - Nº3, H299; Nº4, H305.
Czech Philharmonic Orchestra
Jiri Belohlávek
Supraphon SU3631-2

Serenades - Nº1, H217; Nº2, H216; Nº3, H218; Nº4, H215; Nº5, H199.
Suk Quartet
Prague Chamber Orchestra
Supraphon SU3643-2

Trio for Flute, Violin and Piano. Promenades. Five Madrigal Stanzas.
Alain Marion (flauta), Angèle Dubeau (violino), Marc-Andrè Hamelin (piano)
Anakleta fleurs de lys FL2 3031

Les larmes du couteau. The Voice of the Forest.
H. Jonásová, L. Smidová, R. Janál, H. Kaupová, J. Brezina, V. Okénko
Prague Chamber Choir
Prague Philharmonia
Jiri Belohlávek
Supraphon SU3386-2


Internet

http://www.martinu.cz/main.html
http://www.chez.com/craton/musique/martinu/martinu.htm

26/08/2005

CDs #51: Vaughan Williams, Symphony No.4, Flos Campi

Tal como Michael Tippett, de quem já aqui falámos, Ralph Vaughan Williams (1872-1958) foi aluno no Royal College of Music de Londres, instituição a que regressaria mais tarde como professor.


Vaughan Williams

Vaughan Williams recebeu ainda lições de Max Bruch (1838-1920), compositor e professor da Academia de Berlim, em 1897, e de Maurice Ravel (1875-1937), em 1908. O encontro com Ravel revelar-se-ia fundamental, pois Vaughan Williams, que até ao início do século XX tinha composto maioritariamente música de câmara e vocal (canções) sem grande sucesso, como que ganhou energia inspiradora. Em 1910 a sua primeira sinfonia, A Sea Symphony, registou um enorme êxito no Festival de Leeds, o que o colocou na vanguarda dos compositores ingleses.

Para a 4ª sinfonia, constante do disco aqui hoje trazido, Vaughan Williams contou com os conselhos do seu grande amigo e igualmente compositor Gustav Holst (1874-1934) que, contudo, nunca a viria a ouvir, pois esta apenas foi estreada em Abril de 1935. Dedicada a outro compositor inglês, Arnold Bax (ver aqui
e aqui), a sinfonia destoa das 3 anteriores, mais violenta e inquieta, quiçá sinal dos tempos (passados, Vaughan Williams esteve envolvido nas operações da 1ª Grande Guerra, e dos que aí viriam e originariam a ). Vaughan Williams faleceu há precisamente 47 anos, em Londres.



Vaughan Williams
Symphony No.4. Flos Campi.
Paul Silverthorne, viola
Bournemouth Symphony Chorus and Orchestra
Paul Daniel
Naxos 8.557276

25/08/2005

Lugares #102

Qualquer nova gerência que se preze começará por concluir da inadequabilidade da estratégia anteriormente definida, e até aí largamente consensual, qual macumba diabólica deixada como garantia de insucesso para os novos senhores do destino. Não há volta a dar-lhe, seja no governo das empresas ou do país, o processo de revisão da estratégia aparece no topo da lista das tarefas inadiáveis, conforme prescrição da cartilha oficial do gestor moderno.

Haverá depois uma solene apresentação daquilo que poucos compreenderão, e que terminará inevitavelmente com uma variação mais ou menos poética de "...e assim construiremos pontes para o nosso futuro comum".

Fazendo um pequeno exercício de memória, lembrar-nos-emos todos certamente de episódios que se encaixam mais ou menos bem no acima descrito. Pode ser até que nos lembremos de como a coisa terminou, normalmente mal, daí esta parte do exercício ser facultativa, porque dolorosa. E se então pensarmos na sucessão de governantes e governos da república das últimas décadas, e do estado em que foram deixando o país, teremos fundadas razões para recear as pontes que os recém-chegados se propõem construir. Escaldados pelas promessas, desiludidos pelas consequências, compreenderão que nós por aqui troquemos de bom grado futuras pontes milagrosas por antigas pontes virtuosas!


Ponte do castelo

E assim, neste dia 25 de Agosto, dia do feriado municipal de Castelo de Penalva, trazemos a estas páginas duas belas e antigas pontes: a primeira, romana, a ponte do castelo, e a segunda, medieval. Além do prazer de apreciar monumentos, a sua localização proporciona rara ocasião de desfrutar o sossego da natureza.


Ponte medieval

O que nos permite concluir o postal com um pensamento profundo, daqueles que nunca virão nas afamadas cartilhas: "não há táctica melhor do que fugir da estratégia!..."


Internet

http://www.amr-planaltobeirao.pt/penalva.php
http://www.prof2000.pt/users/insua/NetInsua_2000/Historia.htm
http://eurolista.clix.pt/sobrerodas/ptg/o-p/penalvadocastelo/penalvadocastelo.asp


PS

O autor pede desculpa pelo verde ostensivo das fotografias. A paisagem foi entretanto corrigida.

24/08/2005

CDs #50: Dietrich Fischer-Dieskau, An die Musik

Quando no mês passado por aqui falámos de um CD com Tristão e Isolda, referimos um dos marcos mais significativos deste ano musical: o 80º aniversário do barítono alemão Dietrich Fischer-Dieskau, nascido em Berlim a 28 de Maio de 1925.


Dietrich Fischer-Dieskau

O disco de hoje não é bem um disco, mas sim um conjunto constituído por dois CDs e um DVD. Este último é um documento notável, retratando uma das últimas vezes em que Fischer-Dieskau e Sviatoslav Richter
apareceram juntos em recital e sendo, ao mesmo tempo, a primeira vez que esta gravação, de 1978, é passada para formato digital.


Sviatoslav Richter

Os 2 CDs procuram ilustrar a carreira discográfica de Fischer-Dieskau, a ligada à Deutsche Grammophon, obviamente. Está lá o lieder, com certeza, com os inevitáveis (e para mim inultrapassáveis) Brahms, Schumann, Schubert e Wolf, bem como alguns excertos operáticos, de Mozart, Strauss e Wagner, nomeadamente. Grandes intérpretes, grandes discos, grandes audições!



Dietrich Fischer-Dieskau
An die Musik.
Deutsche Grammophon 477 5556


Internet

http://www.musicweb-international.com/classrev/2005/June05/Fischer_dieskau_4775556.htm
http://www.mwolf.de/start.html
http://www.fischer-dieskau.de/
http://www.gopera.com/lieder/fidi_interview.html

23/08/2005

Lugares #101

As primitivas muralhas medievais do Porto tinham 4 portas, a saber: a Porta de Sant'Ana, a Porta da Mentira, a Porta de Nossa Senhora de Vandoma e a Porta de S. Sebastião. Esta última era a mais importante, por estar mais perto do paço dos bispos. À época o Porto era uma pequena povoação, a muralha teria um perímetro total a rondar os 750 metros.



Nada resta hoje dessa muralha, o muro velho, derrubada quando a cidade já havia extravasado os seus limites. Fosse de madeira e teria sido queimada até ao tutano, prática de que ainda hoje os portugueses são dos maiores especialistas, como era de pedra teve que ser mandada abaixo...

Mais ou menos no local onde terá existido a tal Porta de S. Sebastião encontra-se ainda hoje o Oratório da Capela de S. Sebastião, capela essa mandada construir pela Ordem dos Agostinhos Descalços, com sede no Convento dos Grilos.


Internet

http://www.amp.pt/PPM/publicacoes/LSePorto/cap3_12.htm
http://lazer.publico.clix.pt/artigo.asp?id=63114
http://www.portoturismo.pt/patrimonio_mundial/area/default.asp

22/08/2005

Compositores #39: Claude Debussy (1862-1918)

O quadro "Impression, soleil levant" (1873) do pintor francês Claude Monet (1840-1926), deu origem ao impressionismo, aquando de uma exposição que decorreu em 1874. Outros pintores relevantes do movimento impressionista foram, por exemplo, Édouard Manet (1832-1883) e Camille Pissarro (1830-1903).


"Impression, soleil levant", de Claude Monet

O movimento impressionista estendeu-se igualmente à música e, tal como no caso da pintura, teve as suas origens em França e nos compositores Claude Debussy e Maurice Ravel (1875-1937) os seus mais ilustres representantes.


Claude Monet, Édouard Manet, Camille Pissarro

Só que nem sempre tudo é preto ou branco (excepto as nossas florestas, aí o preto domina claramente), e os Prelúdios (1909-10 & 1911-13) de Debussy foram inicialmente apelidados de impressionistas, quando a inspiração tinha vindo dos quadros do pintor romântico inglês J. M. W. Turner (1775-1851).


Claude Debussy

Mal-entendidos que se entenderão se nos lembrarmos que o próprio Debussy nunca mostrou grande entusiamo pela aplicação do adjectivo impressionista à sua obra; Debussy não procurava pintar quadros com sons, nem procurou, por exemplo, descrever o mar na sua obra orquestral La mer, mas antes relatar as sensações por ele provocadas
.

Complicado? Talvez não seja pior deixar as teorias de lado e gozar a música na sua plenitude!... E antes que me esqueça, este postal é publicado hoje pelo facto de passarem 143 anos sobre o nascimento deste extraordinário compositor.


CDs



Claude Debussy
Préludes, Books 1 and 2.
Walter Gieseking
EMI GROC 5 67233-2
(1953, 1954)

Claude Debussy
Images - Books 1 & 2. Children's Corner. Suite bergamasque. 12 Études.
Jean-Yves Thibaudet (piano)
Decca 460 247-2
(2000)

Claude Debussy
Études. Images.
Pierre-Laurent Aimard (piano)
Teldec 8573 83940-2
(2003)

Claude Debussy
Berceuse héroïque. (1957)
Jeux. Nocturnes. (1979)
Marche écossaise. Prélude à l'Après-midi d'un faune. La mer. (1976)
Rhapsodie pour orchestre et clarinette principale. (1976)
Danses pour harpe et orchestre à cordes. Images. (1977)
George Pieterson (clarinete), Vera Badings (harpa)
Royal Concertgebouw Orchestra
Eduard van Beinum, Bernard Haitink
Philips 438 742-2

Claude Debussy
Trois ballades de François Villon. Le martyre de Saint Sébastien.
Claudine Collart (sop), Jeannine Collard, Christiane Gayraud (contraltos),
Bernard Plantey (barítono), André Falcon (narrador)
French Radio Chorus & Orchestra
Désiré-Emile Inghelbrecht
Testament SBT1214


Internet

http://www.impressionism.org/
http://giverny.org/monet/welcome.htm
http://www.artchive.com/artchive/M/manet.html
http://www.artchive.com/artchive/P/pissarro.html
http://www.claude-debussy.com/
http://public.srce.hr/~fsupek/
http://mac-texier.ircam.fr/textes/c00000025/

21/08/2005

Lugares #100

Os últimos 8 dias foram passados na terra destes senhores:




Nos próximos tempos iremos tirando pequenas curiosidades do baú que trouxemos, em pequenas doses, que, além de saberem melhor, fazem prolongar a memória dos momentos.