24/01/2006

Compositores #57: Wolfgang Amadeus Mozart (1756-1791)

As despesas da família Mozart aumentavam ao mesmo ritmo que os rendimentos, senão mesmo maior, o que, se não permitia conservar muito dinheiro debaixo do colchão, sempre dava para levar uma vida faustosa. De tal forma que, quando Leopold Mozart foi a Viena visitar o filho, em Fevereiro de 1785, ficou favoravelmente impressionado com os sinais exteriores de riqueza. Entre carruagens, várias casas, mordomos, grandes mariscadas, champanhe qb e festas até às tantas, tudo exibia o sucesso de Wolfgang.

Mas as preocupações financeiras de Mozart não eram pequenas, que às despesas referidas se somavam as relacionadas com a sua esposa Constanze, várias vezes grávida durante a década de 80 e inícios da de 90, e frequentemente doente. Urgia uma encomenda operática que, contudo, apenas chegou em 1786. Entre 1785 e 1786, e enquanto a ansiada encomenda não chegava, Mozart escreveu várias obras importantes, com particular destaque para os Concertos para Piano: Nº20 K466, Nº21 K467, Nº22 K482, Nº23 K488 e Nº24 K491.

Dando-se o caso de o imperador austríaco apoiar a ópera italiana em detrimento da alemã, e de ter uma especial preferência pelo libretista, também italiano, Lorenzo da Ponte (1749-1838), compreende-se que tenha sido deste último a responsabilidade de escrever os libretos para as 3 óperas de Mozart que se seguiram. A primeira, Le nozze di Figaro, baseada num texto de Beaumarchais (1732-1799), cuidadosamente expurgado de todas as conotações políticas por forma a não incomodar o sensível imperador. Não teve grande sucesso em Viena, ao contrário do que aconteceu em Praga, onde Mozart recebeu uma encomenda para uma nova ópera, que viria a dar origem a Don Giovanni. Estreada nessa cidade no dia 29 de Outubro de 1787, obteria um enorme sucesso, ao contrário do que viria a acontecer em Viena, onde foi recebida com frieza.

A última das 3 óperas que teve Lorenzo da Ponte como libretista foi Così fan tutte, encomendada e escrita em 1789, e estreada em Janeiro de 1790. Para não variar, o público vienense não mostrou grande apreço pela obra...



continua


Textos anteriores:

Munique e Viena (1756-1762)
Paris e Londres (1763-1766)
Viena e Itália (1767-1771)
Salzburgo (1775-1777)
Mannheim e Paris (1777-1779)
Viena (1779-1781)
Viena e Salzburgo (1781-1785)

2 comentários:

  1. Andava eu de blog em blog e encalhei aqui um dia destes. A partir dai tenho lido atentamente os posts. Com o intuito de aprender mais sobre música clássica, os compositores e etc. Obrigada, estou a gostar muito.
    Já linkei no meu blog, ok?

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  2. Olá. Eu também já retribuí a ligação, e você ganhou mais um visitante frequente...

    Saudações,

    HVA

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