26/01/2006

Compositores #58: Wolfgang Amadeus Mozart (1756-1791)

A morte do imperador José II, em Fevereiro de 1790, não veio facilitar em nada a vida de Mozart. O sucessor, Leopoldo II (1747-1792), irmão de José II, decidiu cortar nos custos, a começar pelos apoios às artes, de que resultou, por exemplo, o encerramento de todos os teatros. Como se tal não bastasse, ainda se dava o caso da sua esposa, Maria Luísa, ter uma especial aversão pela música de Mozart... A consequência mais imediata para o compositor foi ver o fim das récitas de Così fan tutte, na altura em cena na capital austríaca.

O ano de 1790 foi assim muito difícil para Mozart que, além dos problemas referidos, foi ainda afectado por problemas de saúde. Mas se nesse ano a sua produção foi parca, contando-se apenas uma dezena de obras, já 1791, ano da sua morte, assistiu a uma explosão de criatividade, contando-se, entre as cerca de 30 obras que escreveu, algumas das suas mais significativas. São desta fase, por exemplo, os Quintetos para Cordas K593 (este de Dezembro de 1790) e K614, o Concerto para Clarinete, K622, o Concerto para Piano Nº27, K595, as óperas La clemenza di Tito e Die Zauberflöte, e o Requiem, deixado incompleto e posteriormente finalizado por Franz Xaver Süssmayr (1766-1803).

Mozart fez os possíveis para cair nas boas graças do imperador, assistindo às suas coroações em Francoforte, em Setembro de 1790, e em Praga, um ano depois, altura em que La clemenza di Tito teve a sua estreia. Sem registar um grande sucesso, diga-se, até por esta não ser certamente uma das melhores óperas do compositor. Escusado será referir o empenho com que a imperatriz Maria Luísa divulgou a sua opinião sobre a obra...

Por essa altura Mozart recebeu do conde Walsegg uma encomenda para um Requiem. O conde, de apenas 28 anos, chorava a morte de sua esposa, 8 anos mais nova, e ambicionava interpretar aquela obra em sua memória. Mozart, contudo, não viveria o suficiente para a terminar. Atacado de febre reumática, faleceria no dia 5 de Dezembro de 1791. Uma morte porventura já esperada pelo compositor que, uns meses antes, se despediu de Haydn, que estava de partida para Londres, com um "este será provavelmente o nosso último adeus". Já no leito da morte, Mozart afirmaria mesmo que "estava a escrever um Requiem para ele mesmo".


fim


Textos anteriores:

Munique e Viena (1756-1762)
Paris e Londres (1763-1766)
Viena e Itália (1767-1771)
Salzburgo (1775-1777)
Mannheim e Paris (1777-1779)
Viena (1779-1781)
Viena e Salzburgo (1781-1785)
Viena e Praga (1785-1790)


Bibliografia

The Lives & Times of The Great Composers, Michael Steen
The Oxford Companion to Music
The Rough Guide to Opera, Matthew Boyden
The Opera Lover's Companion, Charles Osborne
Ópera, András Batta
Dicionário Grove de Música, Stanley Sadie


Internet

Mozart forum
/ the Mozart Project / Wolfgang Mozart / Mozart 2006 Salzburg / Mozart 2006 / Classical Music Pages

3 comentários:

  1. É sempre um prazer lê-lo, meu caro HVA.

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  2. um verdadeiro prazerrrrrr...

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  3. Obrigado. Nada que se compare, obviamente, ao prazer de ouvir Mozart. Aqui a casa hoje transpira sons mozartianos, de instrumentais a operáticos e terminando no Requiem, que estou precisamente agora a ouvir. Um prazer que chega a ser arrepiante!

    Saudações,

    HVA

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