11/02/2006

Blogues #4

Por tradição, a família mais chegada sempre teve uma certa queda para as ciências, e enveredou maioritariamente pelas matemáticas e engenharias, poupando assim o trabalho de procurar um daqueles cursos em que a Matemática não fosse disciplina obrigatória. Irmãos, irmãs, primas e outros eventuais familiares mostraram apetência pelos números, só me restava manter a tradição.

Lá fui seguindo os ditames dessa tradição familiar, desenrascando-me nas actividades numéricas e entupindo noutras áreas, com destaque especial para os Trabalhos Manuais. Eu era um daqueles que, para fazer uma caixinha de madeira para guardar clips, necessitava de uma tábua que daria para fazer um guarda-fatos e não terminava a obra por falta de matéria prima...

A História, seguramente, também não foi dos meus pontos fortes. Adepto da improvisação em detrimento da memorização, confiava que uma prosa escorreita, à volta de uns conhecimentos vagos da matéria em causa, chegaria para convencer os doutos professores. Puro engano, conforme constatei rapidamente nas primeiras notas esborrachadas nas pautas. Para grandes males, grandes remédios, pelo que a certa altura do campeonato mudei de estratégia: em vez de tentar compreender os livros de história e expressar a minha criatividade nos testes, passei a fazer como os outros, os bons alunos, memorizando textos completos, que despejava religiosamente nas provas escritas. Deixei de perceber os assuntos, mas passei a tirar boas notas...

A Filosofia, curiosamente e para meu desespero, não foi muito diferente, só que, em vez de perguntarem em que dia D. Carlos tinha sido assassinado, queriam saber em que data Descartes fora pela primeira vez assaltado pela Dúvida. O mesmo problema, a mesma solução. Só que, se a História já tinha sérias interrogações sobre aquilo que escrevia, imaginem a Filosofia... Ainda hoje dou comigo a pensar nesta coisa extraordinária, no facto daquela disciplina ter-me servido principalmente para treinar a memória!

E aqui chego ao objecto deste (demasiadamente longo) texto, para referir dois dos meus blogues favoritos: o
Digitalis e o Persona. Versam a Psicologia, a Filosofia, esplanam pensamentos e, no caso do Digitalis, ainda somos frequentemente premiados com receitas culinárias, certamente admiráveis, soubesse eu cozinhar. Fazem parte das minhas leituras diárias, tendo renovado o meu interesse pelos assuntos que abordam. O meu obrigado aos seus autores, espero que continuem a bloggar por muitos e bons anos.

1 comentário:

  1. Os programas de Filosofia eram sobretudo de História da Filosofia...

    Fico muito grata pela preferência uma vez que como já afirmei tenho uma grande admiração pelo desNorte.

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