30/04/2006

Óperas #9: Pelléas et Mélisande, de Claude Debussy

Não é a primeira vez que para aqui se traz Claude Debussy (1862-1918): em Fevereiro deste ano, a propósito da obra Ibéria, referimos de passagem a ópera Pelléas et Mélisande, e as atribulações por que ela passou. Pouco depois da publicação, em 1892, da obra homónima de Maurice Maeterlinck (1862-1949), Prémio Nobel da Literatura em 1911, Debussy teve a oportunidade de assistir à estreia da peça em Paris, em Maio de 1893.

Por essa altura Debussy ambicionava afastar-se da influência da música de Richard Wagner (1813-1883) e, ao decidir passar para ópera o texto de Maeterlinck, procurou que a música "servisse as subtilezas do texto", muito mais do que se verificava no estilo operático dominante na época, ou seja, no de Wagner. Não deixa de ser curioso verificar, todavia, as influências de Wagner nesta obra, nomeadamente da ópera Parsifal...

Pelléas et Méllisande viria a ser a única ópera deixada completa por Debussy, que começou a trabalhar nela em 1889, depois de ter recebido autorização para tal do próprio Maeterlinck. Até aí tudo parecia correr bem, os problemas vieram depois... Apesar de Debussy apenas ter introduzido pequenas alterações no texto, eliminando algumas cenas e cortando alguns diálogos, não evitou a irritação de Maeterlinck por, enquanto esperava pela estreia da ópera, ter feito mais algumas modificações como, por exemplo, a adição de interlúdios entre as mudanças de cena. Situação agravada, e muito, quando Debussy decidiu contratar a soprano escocesa Mary Garden (1874-1967) em detrimento de Georgette Leblanc, a preferida de Maeterlinck, quiçá, por ser amante dele... A estreia teria lugar no dia 30 de Abril de 1902, passam hoje 104 anos.

No texto original não abunda a acção que, assim, se encontra basicamente ausente da ópera, algo que esteve longe de preocupar Debussy: "Preferirei sempre um assunto onde, de alguma forma, a acção seja sacrificada em favor dos sentimentos". Debussy procurou, assim, a criação de uma certa atmosfera, o que não o livrou de um elogio ácido de um crítico do New York Post, pela seu "simples mas original processo de abolir o ritmo, a melodia e a tonalidade da música e, desse modo, não deixando nada para além da atmosfera"...


CDs



Claude Debussy
Pelléas et Mélisande.
Wolfgang Holzmair, Laurent Naouri, Jérôme Varnier (barítonos),
Anne Sofie von Otter, Florence Couderc (sopranos), Alain Vernhes (baixo),
Hanna Schaer (meio-soprano)
Radio France Chorus
French National Orchestra
Bernard Haitink
Naïve V4923
(2001)

Claude Debussy
Pelléas et Mélisande.
Mary Garden, Leila Ben Sedira, Yvonne Brothier, Marthe Nespoulos, Simone
Berriao (sopranos), Germaine Cernay (contralto), Jacques Jansen, Emile
Rousseau, Henri Etcheverry, Armand Narçon, André Gaudin, Alfred Maguenat,
Charles Panzéra, José Beckmans (barítonos), Paul Cabanel, Hector Dufranne,
Jean-Emile Vanni-Marcoux, Willy Tubiana (baixos), Claire Croiza, Germaine
Cernay (meios-sopranos)
Yvonne Gouverné Choir
Paris Opera Orchestra
Symphony Orchestra
Roger Desormière
Andante ANDCD3990
(1941)

Claude Debussy
Pelléas et Mélisande.
Frederica von Stade, Christine Barbaux (sopranos), Nadine
Denize (contralto), José van Dam, Pascal Thomas, Richard
Stilwell (barítonos), Ruggero Raimondi (baixo)
Berlin Deutsche Oper Chorus
Berlin Philharmonic Orchestra
Herbert von Karajan
EMI 5 67057-2
(1978)


Internet

Maurice Maeterlinck
Nobelprize.org
/ Écrivains Belges Francophones / Wikipedia

Claude Debussy
Claude Debussy Web Site / Claude Debussy and Impressionism / Wikipedia / Classical Music Pages

3 comentários:

  1. Viva caríssimo!
    E se lhe disser que assisti à récita dirigida por Haitink???
    Já agora, a leitura de Abbado (DG), a meu ver, também merece uma referência!
    Cumprimentos,
    João

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  2. Caro João,

    Pois, a inveja não será dos sentimentos mais nobres, mas...
    Não conheço a interpretação de Claudio Abbado, vou procurar ouvi-la logo que possível. O elenco é extraordinário (Ewin, Le Roux, van Dam, Ludwig, ...), não me custa admitir que seja uma versão excelente!


    Saudações,

    HVA

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