26/04/2006

Sinfonias #16: Sinfonia Nº4, de Charles Ives

Quem (se der ao trabalho de) ler alguns artigos (ver, por exemplo, este) sobre a história das companhias de seguros nos Estados Unidos, cruzar-se-á amiúde com o nome de Charles Ives (1874-1954), co-fundador, na 1ª década do século XX, da Mutual Life Insurance, cujo primeiro escritório foi aberto em Manhattan, Nova Iorque. Foi o resultado mais visível do encontro, em 1902, entre Ives e o agente de seguros Julian Myrick; a empatia de Ives e a facilidade com que comunicava com os clientes asseguraram o sucesso da companhia. Ives e Myrick viriam mesmo a ser dos maiores agentes de seguros dos Estados Unidos da América.

Pois o mesmo Charles Ives foi também um dos mais importantes compositores daquele país, cujo espírito inovador também se fez sentir na música que escreveu, para evidente desgosto de Horatio Parker (1863-1919), seu professor de harmonia em Yale, menos dado a estilos experimentais. Entende-se assim que a 1ª Sinfonia de Ives, com que obteve o canudo em Yale, seja uma obra convencional, não deixando antever o inovador que ele viria a ser.

Não é o caso da Sinfonia Nº4 que, de todas as obras orquestrais de Ives, é aquela que mais meios exige, com a orquestra aumentada de vários elementos, nomeadamente na percussão, e acrescentada de piano (tocado a 4 mãos) e de órgão. Requer ainda um coro, cujos elementos deverão estar espalhados pelo auditório, o mesmo acontecendo, aliás, com os percussionistas. Como resultado de tudo isto, são necessários 3 maestros para dar conta do recado e a estreia da versão completa, em 1965, contou com Leopold Stokowski (1882-1977), José Serebrier (1938-) e David Katz. A estreia em 1927 dos 2 primeiros andamentos desta sinfonia, com a Orquestra Filarmónica de Nova Iorque
dirigida por Eugene Goossens (1867-1958), foi tudo menos um sucesso, o que terá levado o compositor a uma nova revisão da obra e à adição de um 4º andamento, em 1943.


CDs



Charles Ives
An American Journey.
Symphony No.4 - Fugue. From the Steeples and Mountains. Remembrance.
The Things our Fathers Loved. Memories. Charlie Rutlage. Serenity.
In Flanders Fields. They Are There! Tom Sails Away. The Circus Band.
Thomas Hampson (barítono)
San Francisco Girls Chorus
San Francisco Symphony Chorus
San Francisco Symphony Orchestra
Michael Tilson Thomas
RCA Red Seal 09026 63703-2
(1999)

Charles Ives
Symphonies - No.2; No.4.
John Alldis Choir
London Philharmonic Orchestra
Philadelphia Orchestra
José Serebrier, Eugene Ormandy
RCA Red Seal 09026 63316-2
(1973, 1974)


Internet

Charles Ives
Danbury Muscum & Historical Society
/ The Charles Ives Society / Wikipedia / Classical Music Pages


Nota

Aparentemente não estava assim tão mal do juízo, e lá aguentei os 3 dias a pedalar até Santiago de Compostela. Foi uma experiência extraordinária, culminada com a repousante visão da Catedral e a recepção da Compostellae. A repetir.

2 comentários:

  1. esse Charles Ive era capaz de ter sido importante, mas e aquele gajo que foi de BTT a Santiago de Compostela ? Safou-se ? Foi preciso accionar alguma apólice de seguro ? A máquina e o homem resistiram à dureza da aventura ? Ficam aqui algumas perguntas que gostaria que fossem reveladas (juntamente com registos fotográficos) o mais brevemente possível !

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  2. Caro Sérgio,

    Equimoses e arranhadelas à parte, consequência de caminhos agrestes e tombos vários, lá chegámos inteiros ao destino. É espantosa a quantidade de gente a fazer o Caminho de Santiago de bicicleta; da Sé do Porto, local donde saímos, partiram ainda outros dois grupos, um deles com mais de 30 elementos. Foi fantástico.


    Saudações,

    HVA

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