06/05/2006

Lugares #130

Em 1340, D. Constança, que havia casado 4 anos antes com D. Pedro (1320-1367), veio finalmente para Portugal. Entre as damas que a acompanharam contava-se Inês de Castro, por quem o filho do rei D. Afonso IV (1290-1357) se apaixonou perdidamente. D. Constança, filha de um fidalgo galego, viria a falecer pouco tempo depois de dar à luz D. Fernando (1345-1383), tendo D. Pedro e D. Inês de Castro aproveitado para finalmente juntar os trapos.



Da união nasceriam 4 rebentos, tendo-se instalado no reino o receio de que eles viessem a ser considerados os herdeiros de D. Pedro, em vez de D. Fernando, filho legítimo e natural herdeiro do trono de Portugal. D. Afonso IV, aconselhado, ou melhor, instigado por Pedro Coelho, Álvaro Gonçalves e Diogo Lopes Pacheco, aproveitou a primeira oportunidade para resolver o problema, mandando cortar a cabeça de Inês de Castro. A decisão terá sido tomada no Paço das Infantas do castelo de Montemor-o-Velho, tendo a execução tido lugar no dia 7 de Janeiro de 1355:

Traziam-na os horríficos algozes
Ante o Rei, já movido a piedade;
Mas o povo, com falsas e ferozes
Razões, à morte crua o persuade.
Ela, com tristes e piedosas vozes,
Saídas só da mágoa e saudade
Do seu Príncipe e filhos, que deixava
Que mais que a própria morte a magoava,

Camões, Os Lusíadas, Canto III, Estância 124



D. Afonso IV e D. Pedro I chegaram a travar-se de razões mas, em Agosto de 1355, lá se entenderam e fumaram o cachimbo da paz. O que, está bom de se ver, não impediu D. Pedro de ir atrás dos executores da sentença de Inês de Castro para lhes explicar o seu desgosto. Dos 3, apenas Diogo Lopes Pacheco sobreviveu, por ter dispensado as explicações e dado à sola rapidamente...

Os túmulos de D. Pedro I e de D. Inês de Castro encontram-se no Mosteiro de Alcobaça, local onde o rei os mandou construir em 1360.


Internet

D. Inês de Castro
Enciclopédia Universal Multimédia Online / Wikipédia / Inês de Castro

Montemor-o-Velho
Câmara Municipal de Montemor-o-Velho / Castelo / regiaocentro.net

2 comentários:

  1. O TEC tem em cena a peça «Inês de Portugal», de Alejandro Casona. Vale a pena. Já agora: a D. Pedro I deve Cascais a sua «carta de vila», passada a 7 de Junho de 1364. A estátua da autoria de António Duarte, inaugurada 600 anos depois dá-nos um imponente «Justiceiro».

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  2. Caro Ricardo,

    Obrigado pelas informações. Tenho pena de não me ser possível viajar mais frequentemente para o sul do país, ficando-me demasiadas vezes por "histórias nortenhas". E.. continuação dos maiores sucessos para os blogues Abencerragem e Ferreira de Castro.


    Saudações,

    HVA

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