21/06/2006

DVDs #13: Richard Wagner, Die Meistersinger von Nürnberg

Os mestres cantores eram membros de diversas classes profissionais que, organizados em guildas (associações), praticavam as suas habilidades musicais segundo a tradição alemã de composição e interpretação de canções, que se desenvolveu entre os séculos XIV e XVII. Uma das guildas mais activas, e a única de que se conhecem detalhes, foi a de Nuremberga, liderada pelo famoso sapateiro-cantor Hans Sachs (1494-1576).


Richard Wagner, Hans Sachs, Eduard Hanslick

O libreto da ópera Die Meistersinger von Nürnberg
, da autoria do próprio compositor, Richard Wagner (1813-1883), baseia-se precisamente nesta tradição alemã. Foi um parto deveras difícil: Wagner começou a pensar nela no Verão de 1845 e viria a completá-la apenas em 1867. Ao contrário da sua restante produção operática, esta baseia-se em personagens reais, tão reais que Wagner aproveitou para ridicularizar o crítico musical Eduard Hanslick (1825-1904), através do personagem Beckmesser, apresentado como completamente desprovido de talento.

Consta, aliás, que Wagner convidou Hanslick para a sessão de apresentação do libreto da ópera, sendo que este último a abandonou a meio quando se apercebeu (desconfiou...) da malvadez em curso! A ópera teria a sua estreia138 anos, no dia 21 de Junho de 1868.


Karita Mattila

Por último, este postal é dedicado a JGA, Il Dissoluto Punito
, pela participação de Karita Mattila no DVD que aqui hoje trago, soprano por ele apelidada de "expoente máximo", "genial intérprete", ...



Richard Wagner
Die Meistersinger von Nürnberg.
James Morris, Karita Mattila, Ben Heppner, Thomas Allen,
René Pape, Matthew Polenzani, Jill Grove
The Metropolitan Opera Orchestra and Chorus
James Levine
Deutsche Grammophon 00440 073 0949
(2001)


Internet

http://en.wikipedia.org/wiki/Meistersinger
http://www.music-with-ease.com/mastersingers-history.html
http://en.wikipedia.org/wiki/Eduard_Hanslick
http://www.die-tonkunst.de/dtk-0408/Foyer/ind.html

5 comentários:

  1. Hanslick era um crítico especialmente cruel e o que ele fez a Bruckner não tem desculpa. Ainda por cima o genial compositor austríaco era extremamente inseguro e vulnerável às críticas alheias, o que o levou a rever muitas das suas obras, como a 3ª e a 8ª sinfonias. À conta disso o Mestre perdeu tempo precioso e não veio a completar a 9ª.
    Sobre os "Mestres Cantores", sabe o HVA que Camille Saint-Saens disse que a obra era uma declaração de guerra do mundo germânico aos povos latinos?...
    Saudações.

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  2. Caro F. Santos,

    O empenho com que Hanslick defendia e promovia Brahms só era superado por aquele com que atacava Wagner (e Bruckner, como refere). Hanslick não era o único, naturalmente, e um outro crítico disse mais ou menos isto de Wagner: "É superior a Beethoven como poeta, e a Schiller como músico"...

    Desconhecia o comentário de Camille Saint-Saëns sobre esta ópera, mas não me surpreende. O apelo que faz ao nacionalismo e o engrandecimento das artes germânicas, fizeram as delícias dos nazis, que de imediato adoptaram a ópera, e provocaram a desconfiança de muitos outros, Saint-Saëns incluído.

    Saudações,

    HVA

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  3. Caríssimo HVA,

    Quanta honra :-))))
    Deixe que lhe diga - a si e ao outro comentador - que urge separar a criatura da criação, sob pena de uma contaminação estética!
    Todos sabemos quão filho-da-mãe Wagner era! So what? As suas óperas não deixam, por isso, de ser geniais! Não vos parece?

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  4. Caro João,

    Penso mesmo que a única forma de apreciarmos devidamente as óperas de Wagner é esquecendo a história do dito cujo. Um bocado à semelhança do que fazemos com as gravações de Furtwängler: muitas delas, geniais, mas o homem... Não deixo, contudo, de me interrogar, se esta voluntária separação do criador e da criação será a atitude mais correcta. Complicado, não acha?!

    Saudações,

    HVA

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  5. Deveras complicado, caríssimo HVA... Deveras...
    Cumprimentos ;-)

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