18/08/2006

Compositores #69: João Domingos Bomtempo (1775-1842)

Entre 1750 e 1777 reinou no nosso país D. José I, por sinal o único rei da nossa história a ostentar tal nome. Cognominado o Reformador, se bem que haja muito boa gente que pense que o título deveria ter tido outro destino, o do seu primeiro ministro, Sebastião José de Carvalho e Melo (1699-1782), também conhecido como Marquês de Pombal.

Francesco Saverio Buontempo, oboísta, era um dos músicos que o rei, amante da ópera e do teatro, tinha ao seu serviço na Corte de Lisboa. Um dos seus 10 filhos, que o homem era extremamente produtivo, foi João Domingos Bomtempo que, ainda muito novo, começou a estudar oboé, piano e contraponto, e que, em 1795, com a morte do pai, tornar-se-ia oboísta principal da Orquestra Real. Em 1801 mudou-se de armas e bagagens para Paris, para aí aperfeiçoar os seus conhecimentos, e por lá ficou até ao final da década. E foi lá que encontrou aquele que o iria marcar decisivamente, pela influência que musicalmente exerceu: o compositor italiano Muzio Clementi (1752-1832), que se dedicou igualmente ao ensino e foi professor, entre outros, de
John Field (1782-1837).

O nosso João Domingos Bomtempo não se deu nada mal em Paris, e começou a fazer nome, não só como compositor, mas igualmente como pianista. Em 1809 editou a Sinfonia Nº1 e, no ano seguinte, mudou-se para Londres. O regresso a Portugal aconteceu em 1814, mas não de forma definitiva, pois continuou a deslocar-se frequentemente às capitais inglesa e francesa. Tal só aconteceu em 1820, ano em que se instalou de vez em Lisboa. Em 1822 fundou a Sociedade Filarmónica, graças ao bom relacionamento que mantinha com o rei D. João VI (1767-1826), cujo reinado ficou marcado pelas invasões francesas e pela revolução liberal. Pois foram os acontecimentos da revolução liberal que levaram, em 1823, ao fim dos concertos que a Sociedade Filarmónica levava a cabo na rua Nova do Carmo.

Em 1833 foi criado o Conservatório de Lisboa, de que Bomtempo foi nomeado director e, em 1836, é nomeado director da Escola de Música do Conservatório Geral de Arte Dramática, acabado de criar. Bomtempo faleceu há 164 anos, no dia 18 de Agosto de 1842. Escreveu música para diversas formações, destacando-se 2 sinfonias, 5 concertos para piano e orquestra, música de câmara, cantatas e obras religiosas, entre as quais o Requiem em Memória de Camões.


CD



João Domingos Bomtempo
Symphony No.1, Op.11. Symphony No.2.
Algarve Orchestra
Álvaro Cassuto
Naxos 8.557163


Internet

João Domingos Bomtempo
Wikipédia / Vidas Lusófonas / Biografia

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