28/08/2006

Obras Orquestrais #11: Concerto para Orquestra, de Michael Tippett

O Festival Internacional de Edinburgo teve a sua primeira edição em 1947, pouco tempo depois do final da 2ª Grande Guerra portanto, e com o objectivo de enriquecer a vida cultural da Europa em geral, e da Grã-Bretanha e da Escócia em particular. Tinha ainda como objectivo, que ainda hoje se mantém, o desenvolvimento do turismo, razões (que têm sido) suficientes para receberem continuados apoios do sector público que, em 2005, totalizaram 3,23 milhões de libras (mais de 4,7 milhões de euros), representando perto de metade dos custos totais do festival. Há que ter uma visão para além da meramente economicista, algo aparentemente difícil de entender pelos nossos amigos auto-intitulados de liberais, pujantes e inflexíveis na defesa do princípio de que não deveria haver subsídios para ninguém.

No início da década de 1960, o Festival de Edinburgo, de que George Henry Hubert Lascelles (1923-) era director na altura, encomendou uma obra ao compositor Michael Tippett
(1905-1998), de que resultou o Concerto para Orquestra. O nome deve-se ao facto de os intrumentos serem agrupados em vários concertinos, um pouco como no concerto grosso, só que, ao contrário deste, sem a oposição entre o agrupamento de músicos solistas (o concertino) e o conjunto intrumental acompanhador (o ripieno). Composta em 1963, foi dedicada a outro grande compositor inglês, Benjamin Britten (1913-1976), e teve a sua estreia no dia 28 de Agosto desse mesmo ano.


CD



Michael Tippett
Concerto for Violin, Cello and Orchestra. Concerto for Orchestra.
Levon Chilingirian (violino), Simon Rowland-Jones (viola),
Philip de Groote (violoncelo)
Bournemouth Symphony Orchestra
Richard Hickox
Chandos CHAN9384
(1995)


Internet

Festival de Edinburgo
Edinburgh International Festival
/ Wikipedia

Michael Tippett
Official Website / Wikipedia / The Society of Recorder Players / BBC

2 comentários:

  1. Gosto bastante de ler o seu blog. As informações que contém são preciosas e de uma leitura bastante agradável. Uma das minhas paragens quase diárias, sempre que possível.
    Sobre este post gostaria de comentar a sua crítica aos liberais e subsídios.
    Pessoalmente considero-me um liberal e também tenho como princípio considerar que os subsídios devem ser reduzidos ao extremamente necessário. A iniciativa privada deve ter um papel bastante intreventivo, a nível de investimentos e não só, na sociedade. No entanto considero que o Estado também deve ser um investidor, e concretamente com subsídios ou outras formas que considere positivo, deve apoiar essas iniciativas. O caso referido de apoio com vista ao desenvolvimento do turismo é sem dúvida um apoio positivo. Considero pois que o caso aqui referido foi bem apoiado.
    O que é preciso é o Estado ser selectivo, saber o que deve apoiar e quanto. Não o fazer indescriminadamente. Como qualquer investidor deve querer ter retorno no seu investimento, com lucro. Neste caso o Estado teria o seu 'lucro' no desenvolvimento do turismo.

    ResponderEliminar
  2. Eu referia-me aqueles, alguns deles colegas da blogosfera, que têm repetidamente afirmado serem, por princípio, contra todos e quaisquer subsídios. Não me custa aceitar em termos gerais a sua argumentação, sempre fui apologista de que cada caso deverá ser analisado individualmente, evitando receitas gerais para todas as maleitas...


    Saudações,

    HVA

    ResponderEliminar