24/12/2006

Compositores #76: Alban Berg (1885-1935)

Passam hoje 71 anos sobre o falecimento do compositor austríaco Alban Berg (1885-1935). Se Mozart (1756-1791), Beethoven (1770-1827) e Schubert (1797-1828) formaram aquela que foi conhecida como a 1ª Escola de Viena, Berg, juntamente com Arnold Schoenberg (1874-1951) e Anton Webern (1883-1945) deram origem à 2ª Escola de Viena.

E se a 1ª escola marcou a transição do classicismo para o romantismo, sendo Schubert normalmente considerado o primeiro compositor romântico, a marcou decisivamente a música do século XX, com a introdução dos sistemas atonal e serial, surgidos como oposição ao sistema tonal e aos seus conceitos (tónica, consonância, hierarquia das notas, cadência,...). Alban Berg iniciou os estudos musicais em 1904, com Schoenberg. Foi nesse mesmo ano que Webern começou também a ter lições privadas com Schoenberg, diferindo apenas no facto de Webern já ter formação musical anterior.

Apesar de ter aderido às modernidades introduzidas por Schoenberg, a verdade é que Berg nunca negou a influência que Brahms (1833-1897), Schumann (1810-1856), Wagner (1813-1883) e, especialmente, Mahler (1860-1911) tiveram na sua música. A influência de Mahler é evidente na sua primeira obra, a Sonata para Piano, escrita entre 1907 e 1908, e vai-se fazendo sentir em diversas obras que compôs posteriormente, como as 3 Peças Orquestrais, de 1915, e a ópera Wozzeck, terminada em 1922. O sucesso de Wozzeck, estreada em Berlim no dia 14 de Dezembro de 1925, trouxe a Berg o reconhecimento generalizado e o desafogo financeiro. Na altura à frente da orquestra esteve o maestro Erich Kleiber
, o tal que levou a efeito 137 ensaios até a achar em condições...


CDs




Alban Berg
Violin Concerto.
Wolfgang Rihm
Gesungene Zeit.
Anne-Sophie Mutter (violino)
Chicago Symphony Orchestra
James Levine
Deutsche Grammophon 437 093-2

Alban Berg
Piano Sonata, Op.1.
Arnold Schoenberg
3 Piano Pieces, Op.11. 6 Little Piano Pieces, Op.19. 5 Piano Pieces, Op.23.
Suite for Piano, Op.25. Piano Piece, Op.33a. Piano Piece, Op.33b.
Anton Webern
Variations, Op.27.
Peter Hill (piano)
Naxos 8.553870

Alban Berg
Lulu suite. 3 Pieces for Orchestra, Op.6.
Margaret Price (soprano)
London Symphony Orchestra
Claudio Abbado
Deutsche Grammophon The Originals 449 714-2

Alban Berg
Wozzeck.
Walter Berry, Max Lorenz, Murray Dickie, Peter Klein, Karl Dönch,
Christel Goltz
Vienna State Opera Chorus & Orchestra
Karl Böhm
Andante AND3060

Alban Berg
Lulu.
Teresa Stratas, Yvonne Minton, Hanna Schwarz,Frans Mazura, Kenneth Riegel,
Robert Tear, Toni Blankenheim, Helmut Pampuch, Gerd Nienstedt
Paris Opera Orchestra
Pierre Boulez
Deutsche Grammophon The Originals 463 617-2


Internet

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6 comentários:

  1. Caro HVA,

    Belo e didáctico post!
    Mais sugiro o indispensável Wozzeck dirigido por Mitropoulus, nos anos 1950.
    Felis Natal ;D

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  2. 137? Você disse 137? Meu Deus!

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  3. Caro João,

    Sabe que eu sou apenas um curioso eventual das lides operáticas, enquanto o nosso amigo é um especialista militante. Dá-me assim um gozo especial escrever sobre estes assuntos, procurando adivinhar as suas reacções: "O que é que este gajo está para aqui a dizer?! E sobre aquela gravação de 19xx? Nem uma palavra?!".

    Tenho então que agradecer mais esta sua sugestão e, passada a quadra natalícia, desejar-lhe um óptimo 2007 e uma boa estadia nova-iorquina.


    Saudações,

    HVA

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  4. Caro P.Q.P. Bach,

    Pois é! Embora nem todas as fontes coincidam nos números. Charles Osborne, no seu livro "The Opera Lover's Companion", fala em 34 ensaios com a orquestra, além de outros 14 com todos os cantores. Números mais modestos, mas ainda assim impressionantes!

    Saudações,

    HVA

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  5. Só uma coisa. Até onde sei a primeira escola de compositores vienense é Mozart, Beethoven e Haydn. Não Schubert.

    Sendo Beethoven o que marcou mais fortemente a transição do classicismo para o romantismo.

    Isso é até onde eu sei, é claro.

    Abraços.

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  6. Como estou a fazer uma cópia da LULU (feita da antiga EN em fita), encontrei este texto no seu blogue e digo-lhe que a gravação com Ilona Steingruber voltou a cativar-me, preferindo-a à de Stratas. A título de curiosidade, o LP é de 1951 com a direcção de Herbert Hafner e foi agora reeditado pelo Naxos. Bem hajam!

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