26/12/2006

Poemas Sinfónicos #3: Tapiola, Op.112, de Jean Sibelius

Nos cerca de 2 anos e meio de vida deste cantinho, tive a oportunidade de para ele convidar várias e importantes personalidades do mundo da música, muitas das vezes para contar acontecimentos curiosos com elas relacionados. O maestro e compositor Walter Damrosch (1862-1950) foi uma delas, em Maio de 2005, para assinalar o concerto de estreia do Carnegie Hall, em Nova Iorque. Conforme referi na altura, foi a bordo do navio Fulda que, quando se dirigia para a Alemanha, Damrosch travou conhecimento com o milionário Andrew Carnegie (1835-1919), de que resultaria poucos anos depois a construção da referida sala em Nova Iorque.

Já agora refira-se que, nesse ano de 1887, Damrosch ia para a Alemanha para ter lições de direcção de orquestra com Hans von Bulöw (1830-1894), pianista e maestro que também já por aqui passou, a propósito do 1º Concerto para Piano de Tchaikovsky (1840-1893) e da sua relação com o compositor Richard Strauss (1864-1949), cujo início da carreira von Bulöw apoiou.

Uns anos mais tarde, nos primeiros dias de 1926, Damrosch encomendou uma obra ao compositor finlandês Jean Sibelius (1865-1957), para a New York Symphony Society Orchestra. O facto dessa encomenda ter sido feita por telegrama fez-me lembrar aquela famosa explicação dada por Albert Einstein (1879-1955) sobre a telegrafia por fios: "(...) É uma espécie de um gato muito, muito comprido: a gente aperta-lhe o rabo em Nova Iorque e a cabeça mia em Los Angeles. Percebem?! É assim que funciona: enviamos um sinal daqui, e eles recebem-no ali. A única diferença é que não há gato!".

Dessa encomenda, e voltamos ao nosso assunto central, resultaria então o poema sinfónico Tapiola, composto entre Março e Maio desse ano, coincidindo com uma viagem que Sibelius fez a Itália. E se Kullervo, de que aqui se falou, foi uma das suas primeiras obras, Tapiola foi a última orquestral que Sibelius compôs, visto, aparentemente, não ter sobrevivido qualquer manuscrito completo de uma 8ª Sinfonia, de que apenas se tem a certeza dela ter escrito o primeiro andamento.

Nos últimos 30 anos de vida Sibelius pouco escreveu de novo, tendo-se apenas dedicado à revisão de uma boa parte das suas obras. Daí Tapiola ter sido a sua última obra orquestral, baseada no mítico deus das florestas Tapio:

Widespread they stand, the Northland's dusky forests,
Ancient, mysterious, brooding savage dreams;
Within them dwells the Forest's mighty God,
And wood-sprites in the gloom weave magic secrets.

A estreia de Tapiola teve lugar no dia 26 de Dezembro de 1926.


CD



Jean Sibelius
Symphonies - No.4, Op.63; No.7, Op.105. Tapiola, Op.112.
Suite from "Pelléas et Melisande", Op.46.
Royal Philharmonic Orchestra
Thomas Beecham
BBC Legends BBCL4041-2
(1954, 1955)


Internet

Sibelius
Wikipedia / Classical Music Pages / Jean Sibelius / Tapiola by Jean Sibelius

Walter Damrosch
The Library of Congress / Wikipedia / Walter Damrosch

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