31/01/2006

Obras para Piano #3: Sonatas, de Franz Schubert

As sonatas para piano tiveram um papel importante na música de Franz Schubert (1797-1828), algo não tão comum como isso entre os compositores do período romântico. Os compositores românticos em geral, e os que eram simultaneamente pianistas em particular, preferiam as peças líricas, de pequenas dimensões, às sonatas, obras normalmente mais vastas, compostas por vários andamentos. E assim, depois da morte de Schubert, a sonata não mais voltou a ter a mesma predominância, e compositores como Brahms (1833-1897), Chopin (1810-1849), Liszt (1811-1886), Mendelssohn (1809-1847) e Schumann (1810-1856) poucas vezes se dedicaram a esse género.

Schubert compôs 23 sonatas para piano, mas apenas deixou 12 completamente acabadas, o que leva, por vezes, a alguma confusão na sua numeração. As primeiras 15 são do seu período da juventude, escritas entre 1815 e 1819. A 16ª, dedicada a Mendelssohn, aparece como uma obra isolada. Seguiu-se-lhe um conjunto de 7 grandiosas sonatas, formado por 2 ciclos de 3 sonatas, um de 1825 e o outro de 1828, separados pela Sonata D894, de 1826, que Schubert considerava "a mais perfeita de todas quanto ao espírito e à forma".

Schubert nasceu há 209 anos, no dia 31 de Janeiro de 1797.


CDs





Franz Schubert
The Piano Sonatas.
Wilhelm Kempff (piano)
Deutsche Grammophon 463 766-2
(7 CDs)

Franz Schubert
Piano Sonata in B flat, D960.
Stephen Kovacevich (piano)
EMI 5 55359-2

Franz Schubert
Piano Sonatas in B, D575; in F minor, D625 & in A, D664.
Sviatoslav Richter (piano)
BBC Legends BBCL4010-2

Franz Schubert
Piano Sonatas in A minor, D845 & in B, D575.
Mitsuko Uchida (piano)
Philips 462 596-2

Franz Schubert
Piano Sonatas in D major, D850 & in A minor, D784.
Mitsuko Uchida (piano)
Philips 464 480-2

Franz Schubert
Piano Sonatas in A minor, D537 & in A, D664.
Mitsuko Uchida (piano)
Philips 470 265-2

Franz Schubert
Piano Sonatas in B, D575; in G, D894; in A, D959 & in B flat, D960.
Alfred Brendel (piano)
Philips 456 573-2

Franz Schubert
Piano Sonatas in E, D157; in G, D894.
Arcadi Volodos (piano)
Sony Classical SK89647

Franz Schubert
Piano Sonatas in A major, D664 & in A minor, D784.
Maria João Pires, Ricardo Castro (pianos)
Deutsche Grammophon 477 5233


Internet

Classical Music Pages / Wikipedia / Master of Song

30/01/2006

CDs #68: Cyril Scott, String Quartets 1, 2 & 4

O nome Cyril Scott não dirá grande coisa a muita gente. Não o diz no seu país natal, a Inglaterra, não será de estranhar então que não seja demasiadamente popular em Portugal... Mas na viragem do século, Cyril Scott (1879-1970) obteve assinalável notoriedade como pianista e compositor. Foi ainda escritor e um destacado ocultista, facetas a que talvez um dia regressemos.



As suas composições denotam clara influência do impressionismo, o que lhe valeu mesmo o apelido de "Debussy inglês". A sua obra mais representativa é o Concerto para Piano, escrito em 1915. Também se dedicou a outros géneros musicais, como a música de câmara, a que pertencem as obras constantes do disco que hoje aqui se traz, os Quartetos de Cordas Nº1 (estreado há 87 anos, no dia 30 da Janeiro de 1919), Nº2 e Nº4. Refira-se, a terminar, que o Quarteto Nº4 foi finalizado em 1965, 46 anos depois do , tinha Cyril Scott a respeitável idade de 85 anos.



Cyril Scott
String Quartets Nos. 1, 2 & 4.
Archaeus Quartet
Dutton Epoch CDLX 7138


Internet

Cyril Scott / Composer-Author-Poet / Wikipedia

29/01/2006

Reis de Portugal #12: D. Maria II (1819-1853)

Esperar-se-ia que, depois de todas as vicissitudes que o seu reinado já tinha enfrentado, D. Maria II gozasse finalmente de um período prolongado de acalmia. As atrapalhações constitucionais, com a reposição, em 1836, da Constituição de 1822, a elaboração da Constituição de 1838 e, em 1842, a restauração da Carta seriam por si só suficientes para atestar da instabilidade do reino. Somar-se-iam os episódios envolvendo Sá da Bandeira e Passos Manuel, numa primeira fase, e Costa Cabral, durante a década de 1840. Mas o desassossego continuaria...

O duque de Saldanha, que presidia a um ministério desde o dia 18 de Dezembro de 1848, viu D. Maria II dar-lhe guia de marcha nos finais de Junho do ano seguinte, que o seu ministério era de transição. Ferido no seu orgulho, que quem não se sente não é filho de boa gente, o duque de Saldanha fez a vida negra ao seu sucessor, o já nosso bem conhecido Costa Cabral. Primeiro através de uma oposição feroz, verbal e escrita, que lhe valeu a demissão de todos os outros cargos que ocupava, e que depois se valeu das armas, um meio que se revelou assaz convincente. Não quando arrancou, no dia 7 de Abril de 1851, pois saiu de Sintra apenas com alguns oficiais e poucos soldados se lhes juntariam no caminho para Mafra, de tal forma que, vendo a coisa mal parada, tratou de diligentemente ir gastar as solas para o país nosso vizinho...

Já lá se encontrava, aliás, quando, surpresa das surpresas, foi informado do sucesso do seu movimento em terras lusas, para onde de imediato regressou e onde, no dia 13 de Maio de 1851, teve uma triunfante entrada em Lisboa. Foi a vez de Costa Cabral ser apeado, e foi também o fim da sua carreira política. D. Maria II lá se viu compelida a aclamar quem anteriormente tinha demitido e a dar-lhe de novo a direcção do governo, de que também viria a fazer parte Fontes Pereira de Melo (1819-1887), e que duraria 5 anos, no segundo dos quais procedeu à reforma da Carta Constitucional, fazendo passar um Acto Adicional.

D. Maria II viria a falecer no dia 15 de Novembro de 1853, durante o parto do seu décimo primeiro filho.


Internet

D. Maria II / Duque de Saldanha / Costa Cabral / Fontes Pereira de Melo

27/01/2006

DVDs #10: Die Zauberflöte, Mozart

250 anos nascia Wolfgang Amadeus Mozart (1756-1791), um dos mais prodigiosos compositores de todos os tempos. E um dos mais precoces, também, bastando recordar que, aos 12 anos de idade, já tinha escrito 3 óperas!

Escreveu algumas (muitas...) das mais conhecidas e admiradas óperas de sempre, como Idomeneo, rè di Creta (1781), Le nozze di Figaro (1786), Don Giovanni (1787), Così fan tutte (1790), Die Zauberflöte (1791) e La clemenza di Tito (1791), para referir apenas algumas.

O libreto para A Flauta Mágica foi da autoria do actor, cantor, compositor, empresário, libretista e poeta Emanuel Schikaneder (1751-1812), a partir do conto Lulu, oder Die Zauberflöte, de August Jacob Liebeskind. Schikaneder precisava urgentemente de uma ópera de sucesso para salvar o seu Theater auf der Wieden da falência eminente e Mozart, igualmente membro da loja maçónica vienense Nova Esperança Coroada, aceitou ajudá-lo.

Há quem especule, aliás, sobre eventuais mensagens maçónicas incluídas na própria ópera, nomeadamente as relacionadas com o místico número 3 (3 damas, 3 rapazes, 3 testes efectuados por Tamino, supervisionados por 3 padres,...). É uma tese que, por mais interessante que seja, nunca foi provada; nem Mozart, nem Schikaneder, fizeram alguma vez qualquer referência a estas hipotéticas ligações, pelo que, possivelmente, estaremos condenados a ficar pelas teses...

A estreia teve lugar no dia 30 de Setembro de 1791, e foi um evento bastante familiar: Mozart tocou fortepiano e dirigiu a récita, a Rainha da Noite foi interpreta por Josepha, sua cunhada, o próprio Schikaneder fez o papel de Papageno e o seu pai, Urban Schikaneder, de um dos padres. Do elenco fez ainda parte uma Anna Schikaneder, soprano, não fosse alguém da família ficar esquecido...

Teve um sucesso enorme, de que Mozart não desfrutou muito, dado ter falecido cerca de 2 meses depois, no dia 5 de Dezembro. Rezam as crónicas que, no dia anterior ao da sua morte, Mozart, delirante, imaginava-se a assistir a uma nova récita d'A Flauta Mágica, tendo pedido repetidamente silêncio para melhor ouvir a Rainha da Noite, naquelas que terão sido as suas últimas palavras. E a verdade é que, nessa altura, decorria mesmo uma récita da ópera, só que Mozart estava já no seu leito de morte.

Das interpretações da gravação ora aqui trazida, todas de excelente nível, destaco em particular a do barítono Simon Keenlyside demonstrando, além dos vocais, extraordinários dotes de representação. Mais do que justa a excepcional ovação com que foi premiado no final. E que extraordinária forma de celebrar Mozart!!!



Mozart
Die Zauberflöte.
Will Hartmann, Dorothea Röschmann, Diana Damrau, Franz-Josef Selig,
Simon Keenlyside, Ailish Tynan, Adrian Thompson, Gillian Webster,
Christine Rice, Yvonne Howard, Thomas Allen, Matthew Beale,
Richard van Allan, Alan Oke, Graeme Broadbent, Zico Shaker,
Tom Chapman, John Holland-Avery
The Royal Opera Chorus
The Orchestra of the Royal Opera House
Colin Davis
BBC Opus Arte OA 0885 D


Internet

Wolfgang Amadeus Mozart
the Mozart Project
/ Mozart.at / Biografia
Die Zauberflöte
/ Libreto

26/01/2006

Compositores #58: Wolfgang Amadeus Mozart (1756-1791)

A morte do imperador José II, em Fevereiro de 1790, não veio facilitar em nada a vida de Mozart. O sucessor, Leopoldo II (1747-1792), irmão de José II, decidiu cortar nos custos, a começar pelos apoios às artes, de que resultou, por exemplo, o encerramento de todos os teatros. Como se tal não bastasse, ainda se dava o caso da sua esposa, Maria Luísa, ter uma especial aversão pela música de Mozart... A consequência mais imediata para o compositor foi ver o fim das récitas de Così fan tutte, na altura em cena na capital austríaca.

O ano de 1790 foi assim muito difícil para Mozart que, além dos problemas referidos, foi ainda afectado por problemas de saúde. Mas se nesse ano a sua produção foi parca, contando-se apenas uma dezena de obras, já 1791, ano da sua morte, assistiu a uma explosão de criatividade, contando-se, entre as cerca de 30 obras que escreveu, algumas das suas mais significativas. São desta fase, por exemplo, os Quintetos para Cordas K593 (este de Dezembro de 1790) e K614, o Concerto para Clarinete, K622, o Concerto para Piano Nº27, K595, as óperas La clemenza di Tito e Die Zauberflöte, e o Requiem, deixado incompleto e posteriormente finalizado por Franz Xaver Süssmayr (1766-1803).

Mozart fez os possíveis para cair nas boas graças do imperador, assistindo às suas coroações em Francoforte, em Setembro de 1790, e em Praga, um ano depois, altura em que La clemenza di Tito teve a sua estreia. Sem registar um grande sucesso, diga-se, até por esta não ser certamente uma das melhores óperas do compositor. Escusado será referir o empenho com que a imperatriz Maria Luísa divulgou a sua opinião sobre a obra...

Por essa altura Mozart recebeu do conde Walsegg uma encomenda para um Requiem. O conde, de apenas 28 anos, chorava a morte de sua esposa, 8 anos mais nova, e ambicionava interpretar aquela obra em sua memória. Mozart, contudo, não viveria o suficiente para a terminar. Atacado de febre reumática, faleceria no dia 5 de Dezembro de 1791. Uma morte porventura já esperada pelo compositor que, uns meses antes, se despediu de Haydn, que estava de partida para Londres, com um "este será provavelmente o nosso último adeus". Já no leito da morte, Mozart afirmaria mesmo que "estava a escrever um Requiem para ele mesmo".


fim


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Munique e Viena (1756-1762)
Paris e Londres (1763-1766)
Viena e Itália (1767-1771)
Salzburgo (1775-1777)
Mannheim e Paris (1777-1779)
Viena (1779-1781)
Viena e Salzburgo (1781-1785)
Viena e Praga (1785-1790)


Bibliografia

The Lives & Times of The Great Composers, Michael Steen
The Oxford Companion to Music
The Rough Guide to Opera, Matthew Boyden
The Opera Lover's Companion, Charles Osborne
Ópera, András Batta
Dicionário Grove de Música, Stanley Sadie


Internet

Mozart forum
/ the Mozart Project / Wolfgang Mozart / Mozart 2006 Salzburg / Mozart 2006 / Classical Music Pages

24/01/2006

Compositores #57: Wolfgang Amadeus Mozart (1756-1791)

As despesas da família Mozart aumentavam ao mesmo ritmo que os rendimentos, senão mesmo maior, o que, se não permitia conservar muito dinheiro debaixo do colchão, sempre dava para levar uma vida faustosa. De tal forma que, quando Leopold Mozart foi a Viena visitar o filho, em Fevereiro de 1785, ficou favoravelmente impressionado com os sinais exteriores de riqueza. Entre carruagens, várias casas, mordomos, grandes mariscadas, champanhe qb e festas até às tantas, tudo exibia o sucesso de Wolfgang.

Mas as preocupações financeiras de Mozart não eram pequenas, que às despesas referidas se somavam as relacionadas com a sua esposa Constanze, várias vezes grávida durante a década de 80 e inícios da de 90, e frequentemente doente. Urgia uma encomenda operática que, contudo, apenas chegou em 1786. Entre 1785 e 1786, e enquanto a ansiada encomenda não chegava, Mozart escreveu várias obras importantes, com particular destaque para os Concertos para Piano: Nº20 K466, Nº21 K467, Nº22 K482, Nº23 K488 e Nº24 K491.

Dando-se o caso de o imperador austríaco apoiar a ópera italiana em detrimento da alemã, e de ter uma especial preferência pelo libretista, também italiano, Lorenzo da Ponte (1749-1838), compreende-se que tenha sido deste último a responsabilidade de escrever os libretos para as 3 óperas de Mozart que se seguiram. A primeira, Le nozze di Figaro, baseada num texto de Beaumarchais (1732-1799), cuidadosamente expurgado de todas as conotações políticas por forma a não incomodar o sensível imperador. Não teve grande sucesso em Viena, ao contrário do que aconteceu em Praga, onde Mozart recebeu uma encomenda para uma nova ópera, que viria a dar origem a Don Giovanni. Estreada nessa cidade no dia 29 de Outubro de 1787, obteria um enorme sucesso, ao contrário do que viria a acontecer em Viena, onde foi recebida com frieza.

A última das 3 óperas que teve Lorenzo da Ponte como libretista foi Così fan tutte, encomendada e escrita em 1789, e estreada em Janeiro de 1790. Para não variar, o público vienense não mostrou grande apreço pela obra...



continua


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23/01/2006

Compositores #56: Wolfgang Amadeus Mozart (1756-1791)

Em 1781, por encomenda de Joseph II, Mozart começou a escrever a ópera Die Entführung aus dem Serail (O Rapto do Serralho), que seria estreada em Julho de 1782 e representaria o seu maior sucesso até então, apesar da crítica mordaz do imperador, pois "tinha notas a mais"... Quatro anos depois e a ópera já tinha passado por mais de 20 cidades.

Pouco tempo depois, Mozart seria contratado pelo barão Gottfried van Swieten (1733-1803), o mesmo que viria mais tarde a colaborar com Joseph Haydn (1732-1809) nos oratórios A Criação e As Estações, conforme em Outubro do ano passado
aqui referimos. Mozart ficou encarregue de colocar ordem nas obras de Johann Sebastian Bach (1685-1750) e de George Frideric Handel (1685-1759) pertencentes à Biblioteca Imperial, e teve a oportunidade de se cruzar com o Cravo Bem-Temperado e a Arte da Fuga, bem como com vários oratórios de ambos os compositores.

Nos finais de Julho de 1783, o casal Mozart deslocou-se a Salzburgo para uma estadia de curta duração, cerca de 3 meses. A adesão de Mozart à maçonaria aconteceu pouco depois do regresso a Viena apesar de, na altura, esta estar a ser olhada com alguma desconfiança, por "suspeita de actividades subversivas". Pelos vistos essa decisão aumentou-lhe as possibilidades de obter crédito, algo fundamental para quem tinha que fazer face a elevadas despesas e se tinha especializado no sistema "chapa ganha, chapa gasta"...

As encomendas de obras, especialmente de óperas, representavam importantes fontes de rendimento para Mozart. Os concertos em casa das famílias mais abonadas foram a outra forma que o compositor encontrou de complementar os rendimentos, e de estar menos dependente das sempre imprevisíveis encomendas. Das composições dessa época salientam-se 9 Concertos para Piano (K413, K414, K415, K449, K450, K451, K453, K456 e K459), escritos entre 1782 e 1784, os Quartetos dedicados a Joseph Haydn (K387, K421, K428, K458, K464 e K465), a Sinfonia Nº35, "Haffner" e um outro Concerto para Piano, o Nº20, K466, terminado em Fevereiro de 1785.


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22/01/2006

Concertos #33

Ao contrário do sucedido com Die schöne Müllerin e Winterreise, Franz Schubert (1797-1828) não concebeu Schwanengesang como um ciclo de canções. Quis o destino, e o editor Tobias Haslinger (1787-1842) também..., que duas séries de canções que Schubert tinha escrito, uma musicando poemas de Heinrich Heine (1797-1856), a outra de Ludwig Rellstab (1799-1860), viessem a ser juntas e a dar origem a um ciclo, o referido Schwanengesang.

Schubert escreveu esses dois grupos de canções em 1828, e levou o grupo Heine ao seu editor, Heinrich Probst, em Outubro desse ano, poucas semanas antes de falecer. A edição viria a ter lugar apenas no ano seguinte, e pela mão do referido Haslinger que, na altura, efectuou a junção com o grupo Rellstab. Para confundir um pouco as coisas, Haslinger dividiu o recém-criado ciclo em dois volumes, e meteu uma das canções de Rellstab no volume dedicado às de Heine... Schwanengesang contém, aliás, todas as canções em que Schubert musicou poemas de Heine.

No recital desta tarde, na Casa da Música, o barítono alemão Matthias Goerne (1967-) irá cantar ainda o ciclo An die ferne Geliebte, de Ludwig van Beethoven (1770-1827), acompanhado pelo pianista, igualmente alemão, Eric Schneider. Fosse outro o pianista, e teríamos um remake do disco gravado ao vivo em 2003 e lançado este ano pela Decca. Um dos melhores do ano, na minha opinião, e alvo de revoluções persistentes durante o estágio de preparação para este recital. E quanto ao pianista que acompanha Goerne neste disco, é só esperar pelo início de Junho...


Programa

Ludwig van Beethoven
An die ferne Geliebte, Op.98.
Franz Schubert
Schwanengesang, D957.
Matthias Goerne (barítono), Eric Schneider (piano)


Internet

Matthias Goerne: Site Oficial
/ Biografia
Franz Schubert: Classical Music Pages
/ Classical Net / The Schubert Institute

21/01/2006

Compositores #55: Wolfgang Amadeus Mozart (1756-1791)

Goradas as hipóteses parisienses, Mozart viu-se confinado a Salzburgo durante perto de 2 anos, entre Janeiro de 1779 e Novembro de 1780. Não caía de amores pelo arcebispo Colloredo, desprezava a vida cultural e política, e tinha em conta de mediana, ou mesmo má, a maioria da música que se produzia naquela cidade.

Na falta de melhor alternativa, Mozart foi por ali ficando, e que fazer senão aquilo que ele mais gostava? São desse tempo a Sinfonia Concertante para Violino e Viola, K364, as Sinfonias Nº32, K318 e Nº33, K319, e duas Missas, K317 e K337.

Até que veio uma encomenda de Munique para uma ópera, cidade a que Mozart se dirigiu nos finais de 1780 para aí terminar e supervisionar a preparação de Idomeneo, a sua primeira grande obra do género. Tinham apenas decorrido 3 récitas quando, em Janeiro de 1781, Mozart foi para Viena incluído na comitiva do arcebispo Colloredo, que ia visitar o pai, doente. Tratado com pouca deferência e impedido de dar concertos públicos, Mozart preferiu ficar por Viena a regressar com o resto da comitiva a Salzburgo, assim encerrando de forma definitiva as (tempestuosas) relações com o arcebispo.

Enfrentava um desafio de monta, sobreviver em Viena como músico e sem patrono, contando ainda com a hostilidade da família imperial, naquele que acabaria por ser, todavia, o seu período mais produtivo. Em meados de 1781, Mozart dava aulas para sobreviver e vivia em casa dos Weber. Nessa altura já Aloysia Weber (ver este postal) havia casado, e Mozart acabaria por casar com a irmã mais nova, Constanze Weber (1762-1842), em Agosto de 1782. Para grande desgosto do pai, Leopold Mozart, que desejava para o filho um bom casamento que trouxesse os proventos que almejava para a família...


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20/01/2006

Compositores #54: Wolfgang Amadeus Mozart (1756-1791)

Talvez com o objectivo de limitar os danos, desta vez Leopold ficou em casa, e o jovem Mozart partiu de Salzburg apenas acompanhado pela mãe. Não se pode dizer que o pai tenha estado ausente dessa viagem, contudo, uma vez que inundou o filho de cartas, com preocupações várias e conselhos muitos...

Tendo saído de Salzburgo em Setembro de 1777, tiveram uma primeira estadia, pequena, em Augsburg, após o que seguiram para Mannheim, casa de uma das mais importantes orquestras. Aqui, contudo, para além de confraternizar com vários músicos da orquestra e, no que a Mozart disse respeito, de uma forma mais intensa com a cantora Aloysia Weber, não atingiram o principal objectivo, o de Mozart arranjar um emprego estável. São dessa data os Quartetos para Flauta, K285 e K285a, uma das poucas encomendas que Mozart recebeu, insuficientes, todavia, para garantirem sustento por muito tempo.

A situação política na Alemanha, com a mudança da corte da Bavária de Mannheim para Munique e a tentativa dos Habsburgos aumentarem o seu domínio territorial, não dava grandes perspectivas aos músicos em geral e a Mozart em particular, que apenas via um destino possível para tentar a sua sorte: Paris, para onde partiu em Março de 1778.

Aí, todavia, a situação não se apresentaria fácil para Mozart, embrenhada como estava a sociedade musical lá do burgo na disputa operática entre Christoph Gluck (1714-1787) e Niccolò Piccinni (1728-1800). Luta renhida, que os partidários do estilo realista de Gluck e do italiano de Johann Hasse (1699-1783) desconheciam o significado de tréguas, tendo os segundos chamado Piccini a Paris para ajudar à sua causa. Tempos difíceis para Mozart, também, que por essa altura viu a mãe falecer e as relações com o pai deteriorarem-se. Era tempo de voltar a casa, onde chegou em Janeiro de 1779. De Paris, além da morte da mãe e do insucesso em arranjar o tal emprego, ficaram meia dúzia de obras, de entre as quais algumas Sonatas (K304, K306, K310) e a Sinfonia Nº31, "Paris", K297.


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19/01/2006

Compositores #53: Wolfgang Amadeus Mozart (1756-1791)

Para as suas viagens, os Mozart tinham sempre contado com a colaboração do arcebispo Sigismund Christoph (1698-1771), mas com a morte deste, que coincidiu com o regresso da 2ª viagem a Itália, o panorama mudou de figura. O seu sucessor, o arcebispo Hieronymus von Colloredo (1732-1812), adepto fervoroso da disciplina e da obediência, limitou a duração das missas bem como a execução de música na catedral de Salzburgo, privilegiando ainda os músicos italianos. Tempos desfavoráveis para Wolfgang, que se viu apenas como mais um dos compositores residentes naquela cidade.

Em qualquer dos casos, os Mozart ficariam por Salzburgo até ao Outono de 1777. O pai, Leopold, dava aulas de música privadas, e Mozart, além de Konzertmeister, dedicava-se à composição. São desta época obras como a Sinfonia Nº25, K183, o Concerto para Fagote, K191, a Sinfonia Nº29, K201, 5 Concertos para Violino (K207, K211, K216, K218, K219), assim como vários Divertimentos e Serenatas. Em 1775, Mozart escreveu, por encomenda de Munique, La finta giardiniera, uma ópera buffa em três actos e, entre 1776 e 1777, um conjunto de Concertos para Piano, incluindo o extraordinário Nº9, K271, dedicado à virtuosa pianista francesa Mademoiselle Jeunehomme (cuja existência muito boa gente põe em causa).

Apesar da vida social agradável, com serões musicais, jogos vários, e idas ao teatro e à ópera, Mozart sentia-se deveras frustrado, pela qualidade da música de Salzburgo, por um lado, e pela falta de oportunidades que lhe eram dadas, pelo outro. Daí até à decisão de partir de novo em viagem foi um pequeno passo. Apesar dos cuidados com que os Mozart colocaram essa hipótese, por forma a não melindrar o arquiduque Colloredo, foram brindados com um "pai e filho têm a oportunidade para ir procurar fortuna noutro lado", segundo umas fontes, ou um ainda mais seco "pode ir, não vou ter saudades!", segundo outras. Simpático...


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18/01/2006

Compositores #52: Wolfgang Amadeus Mozart (1756-1791)

Aquando do regresso a Salzburgo, Mozart era já um compositor respeitado e admirado, tendo recebido encomendas para várias obras. São dessa altura a cantata Grabmusik, o drama Die Schuldigkeit des ersten Gebots e a ópera Apollo et Hyacinthus.

Tal não impediu, contudo, que em Setembro de 1767 voltassem às viagens, e de novo com destino a Viena. Nem a epidemia de varíola que por lá grassava demoveu Leopold Mozart, que a recompensa que almejava justificava correr tais riscos. O que é certo é que lá acabaram por ser chamados pelo imperador, para quem Mozart escreveu a sua primeira ópera italiana, La finta semplice.

Data também dessa altura a ópera Bastien und Bastienne que, impedida de se estrear na corte por intrigas várias, viria a registar a sua estreia, em Setembro de 1768, na casa do doutor Franz Anton Mesmer (1734-1815), o mesmo que deu origem à palavra mesmerismo, a cura de doenças pelo uso do magnetismo animal.

Os Mozart regressaram então a Salzburgo, para uma estadia de curta duração, uma vez que em Dezembro de 1769 já estavam de novo de abalada, rumo a Itália. Desta vez apenas foram Leopold e o filho Wolfgang, possivelmente para limitar os custos. Por lá tocaram, improvisaram, foram à ópera, andaram por Milão, Bolonha, Florença, Veneza, Roma. Foi nesta última cidade que se deu um célebre episódio quando, na Capela Sistina, Mozart escreveu de cor o Miserere, do compositor italiano Gregorio Allegri (1582-1652). Em Milão, Mozart compôs a sua primeira ópera séria, Mitridate.

Em Março de 1771 os Mozart regressaram a casa onde, para não variar, pouco tempo ficaram: em Agosto voltaram a Itália, para o casamento do arquiduque Ferdinand (1754-1806), e por lá ficaram cerca de 4 meses. É dessa época a ópera Ascanio in Alba. O principal objectivo desta viagem e, por sinal, também da seguinte, ficou por atingir: arranjar emprego em Itália. Tarefa tornada impossível pela já anteriormente referida aversão de Maria Teresa pela família Mozart, que levou a que o arquiduque Ferdinand, seu filho, tivesse rapidamente desistido de ter Mozart ao seu serviço. Foi o fim da carreira italiana para os Mozart.


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17/01/2006

Compositores #51: Wolfgang Amadeus Mozart (1756-1791)

Não passou muito tempo sem que os Mozart voltassem à estrada, com destino a algumas cidades alemãs, a Paris e a Londres. Em Junho de 1763 partiram em direcção a Munique, primeira paragem de tão ambiciosa jornada. Começo auspicioso, com bastante e generosa assistência no Palácio de Nymphenburg. Passaram ainda por Augsburg, Heidelberg e Francoforte, após o que se detiveram 6 semanas em Bruxelas, antes de seguirem para Paris.

Chegaram a Paris no dia 18 de Novembro de 1763. Na impossibilidade de tocarem na Academia Real de Música, hoje Ópera Nacional de Paris, mas na altura dominada em exclusivo pelos herdeiros do compositor Jean-Baptiste Lully (1632-1687), apareceram no Palácio de Versalhes, tendo Mozart travado conhecimento com a rainha Marie Leszinska e com Madame de Pompadour (1721-1764), famosa amante do rei Luís XV (1710-1774).

Em Abril do ano seguinte os Mozart foram para Londres, onde o jovem Wolfgang teve a oportunidade de conhecer Johann Christian Bach (1735-1782), filho mais novo de Johann Sebastian Bach (1685-1750) e que, na altura, era o professor de música da rainha. Em Londres deram 4 concertos públicos e tocaram ainda para o rei George III (1738-1820) e a rainha Charlotte (1744-1818), com assinável sucesso, musical mas não financeiro, que o casal real era forreta até dizer basta...

Em Julho de 1765 deixaram Londres, passaram alguns meses na Holanda e, em Julho do ano seguinte regressaram a Paris, antes de voltarem a Salzburgo, onde chegaram em Novembro de 1766. Mozart ainda não tinha 11 anos, e estava há mais de 3 anos e meio fora de casa.


continua


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15/01/2006

Compositores #50: Wolfgang Amadeus Mozart (1756-1791)

Johannes Chrysostomos Wolfgang Theophilus nasceu em Salzburgo no dia 27 de Janeiro de 1756. Desde muito cedo adoptou o nome de Wolfgang Amadeus Mozart, e ficou para a história como um dos maiores e mais precoces talentos musicais de todos os tempos.

Um pequeno génio é, simultaneamente, uma potencial fonte de rendimento, daquelas que têm que ser rapidamente aproveitadas, pois uma criança prodígio não será nunca, por definição, algo para durar muitos anos...

Por iniciativa própria, começou a assistir às lições de música que a sua irmã Nannerl recebia, e não tardou a exibir progressos notáveis: aos 3 anos já se desenrascava no cravo, aos 5 compunha as primeiras obras e aos 7 já tocava violino. As viagens destinadas a exibir os dotes de Mozart, ou melhor, a aumentar o rendimento familiar pela exibição dos dotes de Mozart, começaram tinha ele apenas 6 anos. Os primeiros destinos: Munique e Viena.

Após ter tocado na Universidade de Salzburgo, em Setembro de 1761, Mozart rumou a Munique, em Janeiro do ano seguinte e, em Setembro, a Viena, onde a família tocou perante o vice-chanceler imperial: Leopold Mozart (1719-1787) ao violino, Nannerl (1751-1829) tocou piano e cantou, com Mozart no cravo e também ao violino. Consta que no cravo, os pés de Mozart nem ao chão chegavam...

Em Viena tocaram ainda para a imperatriz Maria Teresa (1717-1780) e para a sua filha Maria Antonieta (1755-1793), futura rainha de França e detentora de um pescoço admirável. Mozart não perdeu a oportunidade para brilhar, ordenando a Georg Christoph Wangenseil (1715-1777), músico da corte que gozava de bastante popularidade, que lhe virasse as páginas da partitura!

A família Mozart foi generosamente paga na altura, mas a imperatriz viria a desenvolver-lhe um ódio de estimação, apelidando os Mozart de um bando de inúteis e pedintes...

continua

14/01/2006

Concertos #32

Entre uma semana passada na frescura dos Países Baixos e o início da próxima, a ser passado em Munique, onde as previsões apontam para uma temperatura máxima de 3ºC (...), nada como voltar às andanças musicais para promover o degelo e aquecer o espírito. E grande escolha fizemos, digo-o sem hesitações, ao optar por um recital que vai juntar esta noite um grande músico português, o pianista Artur Pizarro, o violinista francês Raphaël Oleg e a violoncelista britânica Josephine Knight.

Em Julho do ano passado tivemos a oportunidade de, por 2 vezes, ouvir Artur Pizarro na Casa da Música, conforme referimos aqui e aqui. A novidade de hoje reside no facto de ele se apresentar com o seu trio, oportunamente apelidado de Artur Pizarro Piano Trio.

A poucos dias da celebração do 250º aniversário do seu nascimento teremos, a abrir, um Trio de Wolfgang Amadeus Mozart (1756-1791), o K502. O trio foi terminado em Novembro de 1786, numa altura da vida em que o compositor procurava incessantemente obter receitas, fundamentais para fazer face às avultadas despesas. Na ausência de encomendas para óperas (que, todavia, chegariam pouco depois), Mozart escreveu vários Concertos para Piano, entre os quais o Nº25, K503, a Sinfonia Nº38 "Praga", K504, ambas as obras terminadas poucos dias depois do referido Trio, bem como diversas peças de música de câmara.

Do menu fazem ainda parte obras de
Franz Schubert (1797-1828), Frank Bridge (1879-1941) e Sergei Rachmaninov (1873-1943), 3 compositores de que por aqui já se falou (alguém anda a ler este blogue...):

Wolfgang Amadeus Mozart
Trio em si bemol maior, K502.
Franz Schubert
Nocturno em mi bemol maior, D897.
Frank Bridge
Trio fantasia Nº1 em dó menor.
Sergei Rachmaninov
Trio Nº2 em ré menor.
Artur Pizarro Piano Trio


Internet

Mozart:
the Mozart Project / Wolfgang Mozart / Wikipedia
Schubert:
Classical Music Pages / Classical Net
Bridge:
Frank Bridge / Wikipedia
Rachmaninov:
Rachmaninoff.co.uk / Classical Net / bbc.co.uk

Artur Pizarro:
Calouste Gulbenkian Foundation / Artur Pizarro / bbc.co.uk


Adenda

Afinal o programa não teve muito a ver com aquele que a Casa da Música tinha anteriormente anunciado, pelo que podem esquecer tudo aquilo que sobre ele escrevi! Na sua versão final ficou assim:

Frank Bridge
Trio-Fantasia Nº1 em dó menor, H79.
Robert Schumann
Trio em fá menor, Op.80.
Sergei Rachmaninov
Trio Elegíaco Nº2 em ré menor, Op.9.
Artur Pizarro Piano Trio

A composição do Trio de Artur Pizarro manteve-se inalterável...

12/01/2006

CDs #67: Beethoven, Brahms, Violin Concertos

A estreia do Concerto para Violino de Beethoven, no dia 23 de Dezembro de 1806, esteve longe de ser aquilo a que se poderia chamar um grande sucesso. Consta que Franz Clement, o violinista na estreia, mal teve tempo para estudar o concerto, terminado por Beethoven pouco tempo antes, tendo mesmo tocado a parte solo sem nunca a ter ensaiado. Além disso, os 3 andamentos foram tocados separadamente e nos intervalos, para entreter a audiência, Clement exibiu alguns dos seus dotes como, por exemplo, tocar com o violino de pernas para o ar...

Passar-se-iam largos anos sem que o concerto entrasse definitivamente no repertório internacional, até que Joseph Joachim (1831-1907) o tocou em Londres em 1844, com Felix Mendelssohn (1809-1847) a dirigir a orquestra. E foi assim que um adolescente pegou numa obra por muitos considerada impossível de ser tocada e a transformou numa das mais admiradas e interpretadas.

Joseph Joachim viria mesmo a ser o principal elo de ligação entre as duas obras que constituem o disco hoje aqui trazido: no Verão de 1878, Johannes Brahms (1833-1897) finalizaria o seu Concerto para Violino, dedicado ao seu amigo de longa data Joseph Joachim e por este estreado no dia 1 de Janeiro de 1879, após algumas modificações impostas pelo violinista, conforme recentemente aqui referimos.

Para o Concerto para Violino de Beethoven a RCA juntou, em 1940, duas das suas principais estrelas: o violinista norte-americano de origem russa Jascha Heifetz (1901-1987) e o maestro italiano Arturo Toscanini (1867-1957). Em 1937, a National Broadcasting Company (NBC) convidou o maestro, na altura com 70 anos, a dirigir uma orquestra acabada de formar com músicos do mais alto calibre, a NBC Symphony Orchestra
. Pretendia-se que, semanalmente, a orquestra tocasse para emissões radiofónicas, bem como gravasse frequentemente discos. A gravação do Concerto para Violino de Beethoven foi um dos resultados dessas decisões.

Arturo Toscanini faleceu há 49 anos, no dia 16 de Janeiro de 1957.



Ludwig van Beethoven
Violin Concerto in D major, Op.61.
Johannes Brahms
Violin Concerto in D major, Op.77.
Jascha Heifetz (violino)
NBC Symphony Orchestra
Arturo Toscanini
Boston Symphony Orchestra
Serge Koussevitzky
Naxos Historical 8.110936
(1940, 1939)


Internet

Ludwig van Beethoven
LvBeethoven.com
/ Beethoven: A Musical Titan / Classical Music Pages

Joseph Joachim
Biografia
/ NNDB / Wikipedia

Arturo Toscanini
Toscanini Online
/ The Recorded Legacy / Opera Italiana

11/01/2006

Maestros #21: Klaus Tennstedt (1926-1998)

Quando, em Setembro, para aqui trouxe um disco com a 8ª Sinfonia de Gustav Mahler (1860-1911), deixei em aberto a possibilidade de posteriormente voltar a Klaus Tennstedt (1926-1998), o maestro que, nessa gravação, dirigiu a Orquestra Filarmónica de Londres.

É que, apesar de Tennstedt ter sido um excelente maestro, particularmente em Beethoven (1770-1827), Mahler, e no repertório operático, é alguém de quem pouco se fala hoje em dia, passados apenas 8 anos sobre a sua morte (Klaus Tennstedt faleceu no dia 11 de Janeiro de 1998). Entre 1948 e 1971, Tennstedt desenvolveu a sua actividade na antiga Alemanha de Leste, com limitada exposição internacional, se exceptuarmos o Bloco de Leste. Depois disso, regeu algumas das mais importantes orquestras, como as de Dresden, Gotemburgo e Estocolmo. Em 1974 esteve no continente americano, primeiro dirigindo a
Orquestra Sinfónica de Toronto e depois, na sua estreia nos Estados Unidos, a Orquestra Sinfónica de Boston, tocando obras de Johannes Brahms (1833-1897) e Anton Bruckner (1824-1896) e registando um enorme sucesso. A estreia operática nos Estados Unidos aconteceria apenas em 1983, quando, no Met de Nova Iorque, dirigiu o Fidélio, de Beethoven.

Em 1976 fez a sua estreia londrina, à frente da Orquestra Sinfónica de Londres e, no ano seguinte, iniciaria a ligação com a Filarmónica da mesma cidade, de que foi o principal maestro convidado a partir de 1980, e maestro principal e director musical a partir de 1983. Nessa altura era já um maestro reconhecido internacionalmente, aquém e além Atlântico, mas viria a reger pela primeira vez a Orquestra Filarmónica de Berlim apenas em 1985, para digirir As Estações de Joseph Haydn (1732-1809), uma obra de que por aqui se falou há não muito tempo.

Fumador inveterado, consta que despachava um cigarro a cada dez minutos, acabou por morrer de cancro, doença que lhe foi diagnosticada nos fins de 1985. Para trás tinha ficado um momento que o marcou particularmente, quando dirigiu a Orquestra de Filadélfia. É que o interesse de Tennstedt pela música começou com discos que o seu pai lhe dava a ouvir, e em que
Leopold Stokowski dirigia essa mesma orquestra.


CDs



Ludwig van Beethoven
Symphony No.9 in D minor, "Choral", Op.125.
Mari Anne Häggander (soprano), Alfreda Hodgson (contralto),
Robert Tear (tenor), Gwynne Howell (baixo)
London Philharmonic Choir & Orchestra
Klaus Tennstedt
BBC Legends BBCL4131-2

Tennstedt
Bedrich Smetana

The Bartered Bride - Overture.
Antonín Dvorák
Symphony No.8 in G, B163.
Leos Janácek
Sinfonietta.
London Philharmonic Orchestra
Klaus Tennstedt
BBC Legends BBCL4139-2

Gustav Mahler
Symphony No.8. Des Knaben Wunderhorn.
Elizabeth Connell, Edit Wiens, Felicity Lott, Trudeliese Schmidt,
Nadine Denize, Richard Versalle, Jorma Hynninen, Hans Sotin,
Lucia Popp, Berndt Weikl
Tiffin School Boys' Choir
London Philharmonic Choir & Orchestra
Klaus Tennstedt
EMI Double Forte 5 75661-2


Internet

Une vision personelle puissante et immédiate / Biografia