30/03/2006

Sinfonias #12: Sinfonia da Requiem, de Britten

O compositor inglês Frank Bridge (1879-1941) teve uma importância decisiva na formação do jovem Benjamin Britten (1913-1976). Numa primeira fase, sem culpa directa de Bridge que, quando em 1924, no Festival de Norwich, dirigiu a sua suite The Sea, contou com um fascinado Britten na assistência. A cena repetiu-se 3 anos depois: o mesmo festival, o mesmo maestro, o mesmo jovem maravilhado; apenas a obra mudou, pois dessa vez Bridge dirigiu Winter Spring.

Britten, na altura já um muito razoável pianista, tornar-se-ia então aluno de Bridge, estudando composição e recebendo ainda lições de pacifismo... Dali sairia um anti-militarista militante que, entre 1939 e 1942, chegou mesmo a exilar-se nos Estados Unidos para não ser forçado a colaborar no esforço de guerra. Longe da vista mas perto do coração, foi durante a estadia do outro lado do Atlântico que Britten compôs a Sinfonia da Requiem.

Estreada há 65 anos, a obra teve um parto algo atribulado e um início de vida de certa forma inesperado. Escrita por encomenda do governo japonês para assinalar o 2600º aniversário da fundação dinástica do micado, que é o mais antigo título usado pelo imperador do Japão, as referências à liturgia romana que continha fizeram com que os japoneses recusassem-se a tocá-la e a estreia, em vez de ter lugar no país do sol nascente, acabou por acontecer no Carnegie Hall. A obra, composta em 1940, é então fruto dos momentos trágicos por que passava a Inglaterra. Sem texto litúrgico de base, foi concebida como uma missa puramente orquestral, e dedicada à memória dos pais do compositor.


CDs



Benjamin Britten
Sinfonia da Requiem, Op.20. The Young Person's Guide to the Orchestra, Op.34.
Edward Elgar
In the South, "Alassio", Op.50.
William Walton
Partita.
BBC Symphony Orchestra
John Barbirolli
BBC Legends BBCL4013-2

A Tribute to Rafael Kubelik II.
Antonín Dvorák
Symphony No.8 in G major, Op.88.
Richard Wagner
Tristan and Isolde - Prelude; Liebestod.
Rafael Kubelik
Sequences for Orchestra.
Wolfgang Amadeus Mozart
Masonic Funeral Music, K477.
Maurice Ravel
Le Tombeau de Couperin.
Benjamin Britten
Sinfonia da Requiem, Op.20.
William Walton
Belshazzar's Feast.
Nelson Leonard (barítono)
University of Illinois Choir and Men's Glee Club
University of Illinois Women's Glee Club
University of Illinois Brass Bands
Chicago Symphony Orchestra
Rafael Kubelik
CSO #7544


Internet

Benjamin Britten
(Edward) Benjamin Britten
/ Naxos.com / Classical Music Pages / Wikipedia

Frank Bridge
Frank Bridge / Wikipedia / Classical Net

29/03/2006

Lugares #126

A 15 de Agosto de 1806 foi inaugurada a Ponte das Barcas, formada por 20 barcas e ligando as cidades do Porto e de Gaia. Menos de 3 anos depois deu-se a 2ª invasão francesa, tendo as forças sob comando do marechal Soult atingido o Porto no dia 29 de Março de 1809, passam hoje 197 anos (ver este postal).



Perante o ataque inimigo, as pessoas lançaram-se sobre a ponte procurando refúgio na margem sul, com nefastos resultados. A Ponte das Barcas não resistiu e, na sua queda, arrastou largas centenas de pessoas, provocando a morte da maioria delas. Em sua homenagem existe, na Ribeira do Porto, desde 1897, um baixo relevo da autoria do escultor Teixeira Lopes (pai), intitulado Alminhas da Ponte.



Internet

http://paginas.fe.up.pt/porto-ol/lfp/barcas.html
http://www.gaianet.pt/gaianet/historia_gaia/pbarcas.asp

27/03/2006

Violoncelistas #4: Mstislav Rostropovich (1927-)

Dmitri Shostakovich (1906-1975) começou por entrar no Conservatório de Moscovo aos 13 anos como aluno e, em 1937, passou a fazê-lo como professor de composição.

Entre os seus alunos contou-se Mstislav Rostropovich, que estudou nesse Conservatório entre 1943 e 1948. Aluno brilhante, diga-se, que, ainda estudante, venceria o Concurso Internacional de Praga, em 1947. A tocar violoncelo, pois aos estudos iniciais de piano sobrepuseram-se os desse instrumento, efectuados numa primeira fase com seu pai, antigo aluno de Pablo Casals (1876-1973). Para não variar, Rostropovich seria convidado para professor do Conservatório, onde leccionou entre 1949 e 1974.

E só não terá ficado por lá mais tempo porque, em 1974, foi gentilmente convidado a sair do país, por "actividades atentatórias do prestígio da União Soviética". É que o nosso amigo, recipiente das maiores distinções no seu país de origem, como os Prémios Lenine e Estaline, prezava os valores democráticos e, ainda mais gravoso, dava-se com pessoas como o escritor Alexandre Soljenitsine (1918-), Prémio Nobel da Literatura em 1970. Soljenitsine já tinha uma longa história de problemas com as autoridades, desde que tinha sido preso em 1945 por emitir opiniões menos favoráveis em relação a Estaline (1879-1953). Escusado será dizer que, nesse mesmo ano de 1974, Soljenitsine foi também corrido do país...

Em 1978, Rostropovich iria mesmo perder a nacionalidade soviética, vindo posteriormente a tornar-se cidadão norte-americano. No exílio, além da carreira de violoncelista, prosseguiu em paralelo uma (bem sucedida) carreira de maestro. Mas como é a de instrumentista que mais nos interessa hoje, terminamos referindo que lhe foram dedicadas mais de meia centena de obras, de compositores como o já referido Shostakovich, Benjamin Britten (1913-1976), Sergei Prokofiev (1891-1953), Aram Khachaturian (1903-1978), Henri Dutilleux (1916-) e Witold Lutoslawski (1913-1994).

Mstislav Rostropovich celebra hoje o seu 79º aniversário.


CDs





Rostropovich: Mastercellist.
Antonín Dvorák

Cello Concerto in B minor, B191.
Robert Schumann
Cello Concerto in A minor, Op.129. Kinderszenen, Op.5 No.7 - Traumerei.
Peter Ilyich Tchaikovsky
Andante cantabile, Op. posth.
Alexander Glazunov
Chant du Menestrel, Op.71.
Sergei Rachmaninov
Sonata for Piano and Cello in G minor, Op.19. Vocalise, Op.34 No.14.
Frédéric Chopin
Introduction and Polonaise Brillante in C major, Op.3.
Franz Schubert
Impromptu in G flat major, D899 No.3.
Mstislav Rostropovich (violoncelo), Alexander Dedyukhin (piano)
Leningrad Philharmonic Orchestra
Boston Symphony Orchestra
Berlin Philharmonic Orchestra
Gennadi Rozhdestvensky, Seiji Ozawa, Herbert von Karajan
Deutsche Grammophon 471 620-2
(1956, 1960, 1968, 1975, 1978)

Rostropovich
Aram Khachaturian
Concerto-Rhapsody for Cello and Orchestra.
Dmitri Shostakovich
Cello Concerto No.2, Op.126.
Piotr Ilyich Tchaikovsky
Variations on a Rococo Theme, Op.33.
Mstislav Rostropovich (violoncelo)
BBC Symphony Orchestra
London Symphony Orchestra
Colin Davis, George Hurst
BBC Legends BBCL4073-2

Giya Kancheli
Simi. Magnum Ignotum.
Mstislav Rostropovich (violoncelo)
Royal Flanders Philharmonic Orchestra
Jansug Kakhidze
ECM New Series 462 713-2
(1997)

Antonín Dvorák
Cello Concerto in B minor, B191.
Camille Saint-Saëns
Cello Concerto No.1 in A minor, Op.33.
Mstislav Rostropovich (violoncelo)
London Philharmonic Orchestra
Carlo Maria Giulini
EMI GROC 5 67593-2
(1977)

Henri Dutilleux
Cello Concerto, "Tout un monde lointain".
Witold Lutoslawski
Cello Concerto.
Mstislav Rostropovich (violoncelo)
Orchestre de Paris
Serge Baudo, Witold Lutoslawski
EMI GROC 5 67867-2
(1974)

Antonín Dvorák
Cello Concerto in B minor, B191.
Robert Schumann
Cello Concerto in A minor, Op.129.
Piotr Ilyich Tchaikovsky
Pezzo capriccioso in B minor, Op.62.
Mstislav Rostropovich (violoncelo)
USSR State Symphony Orchestra
London Symphony Orchestra
Evgeni Svetlanov, Benjamin Britten
BBCL Legends BBCL4110-2
(1961, 1968)

Antonín Dvorák
Cello Concerto in B minor, B191.
Piotr Ilyich Tchaikovsky
Variations on a Rococo Theme, Op.33.
Mstislav Rostropovich (violoncelo)
Berlin Philharmonic Orchestra
Herbert von Karajan
Deutsche Grammophon 447 413-2
(1968)

Antonín Dvorák
Symphonies. Overtures. Symphonic Poems.
Mstislav Rostropovich (violoncelo), Pierre-Laurent Aimard (piano),
Maxim Vengerov (violino)
Chamber Orchestra of Europe
Royal Concertgebouw Orchestra
Lausanne Chamber Orchestra
Rochester Philharmonic Orchestra
Nikolaus Harnoncourt, Armin Jordan
Warner Classics 2564 61530-2

Dmitri Shostakovich
Cello Concerto No.1 in E flat, Op.107.
Piotr Ilyich Tchaikovsky
Symphony No.4 in F minor, Op.36.
Mstislav Rostropovich (violoncelo)
Leningrad Philharmonic Orchestra
Gennadi Rozhdestvensky
BBC Legends BBCL4143-2
(1960, 1971)


Internet

Dmitri Shostakovich
Classical Music Pages
/ Compositions by Dmitri Shostakovich / Wikipedia

Mstislav Rostropovich
bbc.co.uk / Vishnevskaya-Rostropovich Foundation / Wikipedia

Alexandre Soljenitsin
Autobiography / Aleksandr Solzhenitsyn / Wikipedia

26/03/2006

CDs #77: Boulez conducts Ligeti

O nome de Siegfried Palm (1927-2005) não dirá grande coisa a muito boa gente, nem o seu falecimento, de que se assinalará o 1º aniversário no próximo dia 6 de Junho, mereceu menções especiais nos meios de comunicação social. Apesar de ele ter sido o violoncelista principal de várias orquestras e de ter contribuído significativamente para o aumento do repertório para violoncelo, ao motivar diversos compositores a escrever obras para esse instrumento: Bernd Allois Zimmermann (1918-1970), e o seu Canto de speranza, Boris Blacher (1903-1975), com o Concerto para Violoncelo, Krzysztof Penderecki (1933-), com o Capriccio per Siegfried Palm, e György Ligeti (1923-), com o Concerto para Violoncelo, para apenas referir uns quantos compositores e algumas obras.

O Concerto para Violoncelo de Ligeti, para uma orquestra reduzida, de apenas 14 músicos, foi escrito em 1966 e dedicado precisamente a Siegfried Palm, que o iria estrear no dia 19 de Abril de 1967, com a Orquestra Sinfónica da Rádio de Berlim dirigida por Henrick Czyz. À data da composição desta obra, Ligeti, compositor húngaro nascido em território que é hoje parte da Roménia, vivia em Viena, para onde se tinha mudado em 1959. É que ele foi mais uma das vítimas do Estalinismo, com as suas obras, demasiado aventurosas, a serem proibidas pelas autoridades.

Neste disco o violoncelo é tocado por Jean-Guihen Queyras, que é acompanhado pelo Ensemble InterContemporain
, dirigido por Pierre Boulez, que hoje celebra o seu 81º aniversário.




Boulez conducts Ligeti
Concerto for Piano and Orchestra. Concerto for Violoncello and Orchestra.
Concerto for Violin and Orchestra.

Pierre-Laurent Aimard (piano), Jean-Guihen Queyras (violoncelo),
Saschko Gawruloff (violino)
Ensemble InterContemporain
Pierre Boulez
Deutsche Grammophon 439 808-2
(1992, 1993)


Internet

Siegfried Palm
Opera Italiana
/ Wikipedia / Conversation with Siegfried Palm

György Ligeti
Classical Music Pages / IRCAM / Wikipedia / Biography

Pierre Boulez
Classical Music Pages / IRCAM / Wikipedia / Calouste Gulbenkian Foundation

24/03/2006

Sinfonias #11: Sinfonia Nº7, de Jean Sibelius

De Jean Sibelius (1865-1957) disse um dia o compositor e maestro francês, de origem polaca, René Leibowitz (1913-1972): "O pior compositor do mundo". Não sendo uma opinião muito abonatória, também não foi consensual, e para ela terá porventura contribuído o facto de Sibelius ter sido um solitário, pouco influenciado por outros compositores seus contemporâneos, e tendo, inclusivamente, escrito obras fora do seu tempo, de que as Sinfonia Nº3 e Nº6 são exemplos pragmáticos.

Nada que o impedisse, todavia, de tornar-se no mais representativo compositor finlandês do seu tempo, com direito à presença não só dos últimos Presidentes da Finlândia, como dos Primeiros-Ministros da Dinamarca, da Noruega e da Suécia, aquando da celebração do seu 70º aniversário. Na última década do século XIX, Sibelius era já o compositor mais conhecido do seu país e, com a primeira década do século seguinte, viu chegar o reconhecimento internacional, sendo particularmente apreciado nos países nórdicos.

A sua última sinfonia foi, aquando da sua estreia a 24 de Março de 1924, apresentada como uma Fantasia Sinfónica, possivelmente pelo facto de ser constituída por um só movimento, nascido, aliás, de longa e complexa gestação. Sibelius procurava uma unidade orgânica para esta obra, razão que o terá levado a desviar da intenção inicial de escrever uma peça sinfónica em 3 movimentos, revelada quando ainda se encontrava ocupado em finalizar a 5ª Sinfonia. Apenas posteriormente Sibelius lhe reconheceria o (merecido) título de Sinfonia Nº7, com que ficou para a posteridade.


CDs



Jean Sibelius
Symphonies - No.4, Op.63 & No.7, Op.105. Tapiola, Op.112.
Suite from "Pelléas et Mélisande", Op.46.
Royal Philharmonic Orchestra
Thomas Beecham
BBC Legends BBCL4041-2
(1954, 1955)

The Sibelius Edition.
Symphonies 1-7.
Hallé Orchestra
John Barbirolli
EMI Classics 5 67299-2

Jean Sibelius
Symphonies - No.3, Op.52 & No.7, Op.105.
London Symphony Orchestra
Colin Davis
LSO Live LSO0552
(2003)

Franz Schubert
Symphony No.8, "Unfinished", D759.
Jean Sibelius
Symphony No.7, Op.105.
Georges Bizet
Jeux d'enfants - La toupie; La poupée; Trompette et tambour.
Maurice Ravel
Daphnis et Chloé - Suite No.2.
Philharmonia Orchestra
Royal Philharmonic Orchestra
BBC Legends BBCL4039-2
(1963, 1964)


Internet

Jean Sibelius
Jean Sibelius - the website
/ Sibelius - Finland's voice in the world / Classical Music Pages / Wikipedia

René Leibowitz
IRCAM / Wikipedia

23/03/2006

Pianistas #9: Nikolai Rubinstein (1835-1881)

Não será caso único, mas também não é muito comum encontrar dois irmãos virtuosos do piano e com tão brilhantes carreiras como os irmãos Rubinstein. O mais novo, Nikolai Rubinstein (1835-1881) morreu há 125 anos, no dia 23 de Março de 1881. Nikolai, tal como o seu irmão, Anton (1829-1894), foi aluno de Alexander Villoin em São Petersburgo, e bem cedo mostrou os seus dotes pianísticos. Iria, em paralelo, desenvolver uma outra bem sucedida carreira, a de maestro.

Foi também com o irmão que Nikolai fundou, em 1859, a secção moscovita da Sociedade Musical Russa que, 7 anos mais tarde, iria a dar origem ao Conservatório de Moscovo. Uns anos antes, em 1862, o seu irmão tinha fundado o Conservatório de São Petersburgo, daqui se podendo ver o papel primordial que ambos desempenharam na cena musical russa.

Nikolai Rubinstein ficaria responsável pela direcção dos concertos do Conservatório de Moscovo e, no desempenho dessa função, procurou divulgar as obras dos compositores russos, em especial a de Piotr Ilyich Tchaikovsky (1840-1893). Foi nessa época que Rubinstein solicitou a Tchaikovsky um Concerto para Piano, que seria o primeiro do compositor. Estava-se em 1874, e o que depois aconteceu já por aqui
foi descrito no passado: Rubinstein disse cobras e lagartos do concerto e recusou-se a tocá-lo, a menos que o compositor lhe introduzisse significativas alterações. Ao que Tchaikovsky nunca acedeu, e seria Rubinstein, mais tarde, a mudar de opinião e a tornar-se num dos seus melhores intérpretes...


Internet

Nikolai Rubinstein
Wikipedia
/ Classic Cat

Piotr Ilyich Tchaikovsky
Tchaikovsky
/ Classic Music Pages / Wikipedia

Conservatório de Moscovo
Wikipedia


Conservatório de São Petersburgo
The School of Russian and Asian Studies

21/03/2006

Sonatas para Violino #2: Sonata para Violino, Op.82, de Edward Elgar

É deveras interessante verificar que o compositor inglês mais proeminente nas primeiras décadas do século XX, Edward Elgar (1857-1934), apenas tenha começado a ter alguma notoriedade quando já tinha entrado na casa dos 40. Tal ficou essencialmente a dever-se às Enigma Variations, obra de que por aqui já se falou, em Junho do ano passado. Em 1897, Elgar tinha obtido algum sucesso com a Marcha Imperial, mas foram as Enigma Variations, escritas em 1899 e estreadas em Londres pelo maestro Hans Richter (1843-1916), que o consagraram definitivamente. Hans Richter, maestro austríaco nascido naquilo que é hoje território húngaro, tornar-se-ia mesmo num dos maiores promotores da música de Elgar. O compositor inglês viria ainda a escrever páginas brilhantíssimas mas, após 1920, ano tragicamente marcado pelo falecimento da sua mulher, remeter-se-ia a um silêncio quase total, dirigindo apenas esporadicamente obras suas, ao vivo e em estúdio.

Não será então de espantar que as 3 principais peças para música de câmara sejam igualmente obras tardias de Elgar: a Sonata para Violino, de 1918, o Quarteto de Cordas, do mesmo ano, e o Quinteto para Piano e Cordas, de 1919.

A Sonata para Piano e Violino em mi menor, Op.82, foi escrita entre Agosto e Setembro de 1918, parecendo antecipar o fim próximo da 1ª Grande Guerra, pelo ambiente geralmente tranquilo que a atravessa. Elgar descreveu-a mesmo como "muito ampla e calma". A estreia pública teve lugar em Londres no dia 21 de Março de 1919.


CDs



Edward Elgar
Violin Sonata in E minor, Op.82.
Gerald Finzi
Elegy in F, Op.22.
William Walton
Violin Sonata.
Daniel Hope (violino), Simon Mulligan (piano)
Nimbus NI5666

Edward Elgar
Violin Sonata in E minor, Op.82.
Piano Quintet in A minor, Op.84.
Nash Ensemble
Hyperion CDA66645

Antonín Dvorák
Violin Concerto in A minor, B108.
Violin Sonata in E minor, Op.82.
Maxim Vengerov (violino)
New York Philharmonic Orchestra
Kurt Masur
Teldec 4509 96300-2

Frederick Delius
Violin Sonata No.2.
Edward Elgar
Violin Sonata in E minor, Op.82.
William Walton
Violin Sonata.
Max Rostal (violino), Colin Horsley (piano)
Testament SBT1319


Internet

Edward Elgar
The Elgar Society / Sir Edward Elgar / bbc.co.uk / Biography / Wikipedia

Daniel Hope
Official Website

Maxim Vengerov
Official Website

Max Rostal
Wikipedia

20/03/2006

CDs #76: Serge Prokofiev, Sonates pour piano nº2, 6 & 9

A designação de sonata apareceu no século XVI como oposição a cantata e, no seu sentido original, designava peças instrumentais para vários instrumentos. Constituída inicialmente por apenas um movimento, deveu-se a Arcangelo Corelli (1653-1713) a popularização da forma com vários movimentos. A sonata atingiu uma grande popularidade com as obras de compositores como Bach, Haydn, Mozart, Beethoven, Schubert, Liszt e Brahms, para referir apenas alguns.

Depois da morte de Schubert, em Novembro de 1828, a sonata perdeu grande parte dessa popularidade, facto bem notório na 2ª metade do século XIX. As últimas grandes sonatas, para piano, terão sido as 3 escritas por Johannes Brahms (1833-1897), datando a última do Outono de 1853, e a de Liszt, já anteriormente abordada neste blogue.


Scriabin, Shostakovich, Prokofiev

No século XX houve um ressurgimento da sonata graças, em grande medida, a 3 compositores russos: Alexander Scriabin (1872-1915), Dmitri Shostakovich (1906-1975) e Sergei Prokofiev (1891-1953).


Sviatoslav Richter

Já anteriormente tivemos oportunidade de falar do pianista Sviatoslav Richter, nascido passam hoje 91 anos, nomeadamente a propósito deste disco
. No CD aqui hoje trazido, Richter interpreta 3 sonatas para piano de Prokofiev, pertencendo a 3 períodos distintos da carreira do compositor:

A Sonata Nº2, de 1912, utilizou elementos de sonatas compostas por Prokofiev enquanto aluno do Conservatório de S. Petersburgo, e nunca publicadas. Foi estreada pelo próprio compositor (e pianista, obviamente...) no dia 5 de Fevereiro de 1914.

A Sonata Nº6, de 1939, foi a primeira das três Sonatas de Guerra, compostas entre 1939 e 1944. Estreada, ainda por Prokofiev, no dia 8 de Abril de 1940, foi todavia Sviatoslav Richter quem mais a celebrizou.

A Sonata Nº9, de 1947, foi a última obra para piano escrita por Prokofiev. Dedicada a Sviatoslav Richter, foi por este estreada no dia 21 de Abril de 1951, aquando da celebração do 60º aniversário do compositor russo.



Serge Prokofiev
Sonates pour piano nº2, 6 & 9.
Sviatoslav Richter
Praga PR50015
(1965 - Sonatas Nº2 & 6; 1956 - Sonata Nº9)


Internet

http://www.prokofiev.org/
http://w3.rz-berlin.mpg.de/cmp/prokofiev.html
http://www.bbc.co.uk/music/profiles/richters.shtml
http://www.pianobleu.com/richter.html

18/03/2006

Obras Orquestrais #8: Scheherazade, de Rimsky-Korsakov

É interessante verificar que o russo Rimsky-Korsakov (1844-1908), nascido há 162 anos, apesar de ter sido o mais produtivo compositor de óperas do seu país, com 15 no curriculum, ficou para a posteridade pelas obras orquestrais. Pelas que escreveu e pelas que também nem por isso, uma vez que orquestrou diversas obras doutros compositores. Algumas delas, em particular as orquestrações que fez de obras de Mussorgsky (1839-1881), valeram-lhe mesmo críticas menos simpáticas. Se a orquestração feita a Khovanshchina não levantou grandes controvérsias, dado Mussorgsky ter deixado a ópera incompleta, já o mesmo não aconteceu em relação a Boris Godunov, de que deixou 2 versões completas, a última das quais estreada em Fevereiro de 1874. O facto de Rimsky-Korsakov ter introduzido inúmeras modificações, a níveis harmónico e orquestral, numa obra deixada completa por um seu amigo compositor falecido 2 anos antes, esteve longe de agradar a muito boa gente...

Nos finais da década de 80 do século XIX, Rimsky-Korsakov era uma figura central na escola nacionalista russa, de que já por aqui se falou em Novembro do ano passado. À importância das obras já entretanto escritas, com destaque para as óperas e para as 3 sinfonias, somavam-se as actividades de recuperação de obras de outros compositores e as de pedagogo, o que não lhe deixava muito tempo para compôr, sendo assim escassas as composições desta época. Escassas mas importantes, como a suite sinfónica Scheherazade, escrita entre Fevereiro e Julho de 1888, e inspirada em episódios dos contos das Mil e Uma Noites. Scheherazade foi aquela sultana que salvou a pele contando uma história diferente por noite ao sultão Shahriar, durante 1001 noites, até ele se esquecer de que a tinha decidido matar. A ela e às outras esposas, que as noites árabes não eram passadas apenas a dois...

E é assim que, apesar de ir contra a vontade do compositor, os andamentos da obra levaram subtítulos sugestivos, como "O mar e o barco de Sindbad", "O jovem príncipe e a princesa" ou a "Festa em Bagdade". Rimsky-Korsakov nunca concordou com esta relação directa entre os andamentos da suite e os episódios das 1001 Noites, tendo afirmado que "seria em vão que se procurariam encontrar na suite motivos ligados a esta ou aquela ideia poética, ou a esta ou aquela imagem". Em vão ou não, os nomes ainda hoje lá estão...


CDs



Nikolai Rimsky-Korsakov
Scheherazade, Op.35. Mlada - Procession of the Nobles.
Alexander Scriabin
Le Poème de l'extase, Op.54.
London Symphony Orchestra
USSR State Symphony Orchestra
Evgeni Svetlanov
BBC Legends BBCL4121-2

Nikolai Rimsky-Korsakov
Scheherazade, Op.35.
Pyotr Ilyich Tchaikovsky
Marche Slave, Op.31.
London Symphony Orchestra
Leopold Stokowski
Cala CACD0536

Mili Balakirev
Islamey (arr. Lyapunov).
Alexander Borodin
In the Steppes of Central Asia.
Nikolai Rimsky-Korsakov
Scheherazade, Op.35.
Kirov Orchestra
Valery Gergiev
Philips 470 840-2


Internet

Rimsky-Korsakov
The Rimsky-Korsakov Home Page
/ Nikolay Andreyevich Rimsky-Korsakov / Operas / Wikipedia

1001 Noites
Arabian Nights Study Guide
/ Arabian Nights / Arabian Nights: its origins and legacy / Scheherazade

17/03/2006

CDs #75: Rachmaninov, Piano Concertos 1 & 2

À partida, pelo menos na minha opinião, não pareciam as condições ideais para compôr obra de monta: 17 anos feitos há não muito tempo, Verão passado longe de casa, primeiro apenas na companhia de uns primos, Satins, a que depois se juntaram umas primas, as Skalons, descritas como altamente atraentes. Foi nesse ambiente, contudo, que Sergei Rachmaninov (1873-1943) escreveu o 1º andamento daquele que viria a ser o seu 1º Concerto para Piano, que o próprio estrearia em Moscovo no dia 17 de Março de 1892.

Nesse Verão de 1890 apenas esse 1º andamento ficaria pronto, tendo Rachmaninov escrito os restantes 2 andamentos no Verão seguinte, no espaço de... 2 dias e meio. Convém recordar que, na altura, Rachmaninov era ainda aluno do Conservatório de Moscovo, e esta foi a primeira obra de envergadura que compôs.

Cerca de 25 anos depois, e pouco tempo antes de abandonar a Rússia por via da Revolução de Outubro, Rachmaninov procedeu a uma extensa revisão da obra, sendo essa a versão que é usualmente tocada desde então. A estreia teve lugar no dia 28 de Janeiro de 1919 e já em Nova Iorque, onde o compositor tinha passado a residir.

Do 2º Concerto para Piano já por aqui
se falou anteriormente, e dos músicos deste disco, o pianista norueguês Leif Ove Andsnes (1970-) e o maestro inglês (e também pianista) Antonio Pappano (1959-) se falará posteriormente. Talvez, quem sabe, a propósito do Concerto para Piano Nº3 do mesmo compositor, ocasião para o nosso dissoluto amigo emitir prometidas opiniões...




Sergei Rachmaninov
Piano Concerto No.1 in F sharp minor, Op.1.
Piano Concerto No.2 in C minor, Op.18.
Leif Ove Andsnes (piano)
Berliner Philharmoniker
Antonio Pappano
EMI 4 74813-2
(2005)


Internet

Sergei Rachmaninov: The Prokofiev Page
/ Classical Music Pages / Wikipedia
Leif Ove Andsnes: The Official Website

Antonio Pappano: Royal Opera House