30/04/2006

Óperas #9: Pelléas et Mélisande, de Claude Debussy

Não é a primeira vez que para aqui se traz Claude Debussy (1862-1918): em Fevereiro deste ano, a propósito da obra Ibéria, referimos de passagem a ópera Pelléas et Mélisande, e as atribulações por que ela passou. Pouco depois da publicação, em 1892, da obra homónima de Maurice Maeterlinck (1862-1949), Prémio Nobel da Literatura em 1911, Debussy teve a oportunidade de assistir à estreia da peça em Paris, em Maio de 1893.

Por essa altura Debussy ambicionava afastar-se da influência da música de Richard Wagner (1813-1883) e, ao decidir passar para ópera o texto de Maeterlinck, procurou que a música "servisse as subtilezas do texto", muito mais do que se verificava no estilo operático dominante na época, ou seja, no de Wagner. Não deixa de ser curioso verificar, todavia, as influências de Wagner nesta obra, nomeadamente da ópera Parsifal...

Pelléas et Méllisande viria a ser a única ópera deixada completa por Debussy, que começou a trabalhar nela em 1889, depois de ter recebido autorização para tal do próprio Maeterlinck. Até aí tudo parecia correr bem, os problemas vieram depois... Apesar de Debussy apenas ter introduzido pequenas alterações no texto, eliminando algumas cenas e cortando alguns diálogos, não evitou a irritação de Maeterlinck por, enquanto esperava pela estreia da ópera, ter feito mais algumas modificações como, por exemplo, a adição de interlúdios entre as mudanças de cena. Situação agravada, e muito, quando Debussy decidiu contratar a soprano escocesa Mary Garden (1874-1967) em detrimento de Georgette Leblanc, a preferida de Maeterlinck, quiçá, por ser amante dele... A estreia teria lugar no dia 30 de Abril de 1902, passam hoje 104 anos.

No texto original não abunda a acção que, assim, se encontra basicamente ausente da ópera, algo que esteve longe de preocupar Debussy: "Preferirei sempre um assunto onde, de alguma forma, a acção seja sacrificada em favor dos sentimentos". Debussy procurou, assim, a criação de uma certa atmosfera, o que não o livrou de um elogio ácido de um crítico do New York Post, pela seu "simples mas original processo de abolir o ritmo, a melodia e a tonalidade da música e, desse modo, não deixando nada para além da atmosfera"...


CDs



Claude Debussy
Pelléas et Mélisande.
Wolfgang Holzmair, Laurent Naouri, Jérôme Varnier (barítonos),
Anne Sofie von Otter, Florence Couderc (sopranos), Alain Vernhes (baixo),
Hanna Schaer (meio-soprano)
Radio France Chorus
French National Orchestra
Bernard Haitink
Naïve V4923
(2001)

Claude Debussy
Pelléas et Mélisande.
Mary Garden, Leila Ben Sedira, Yvonne Brothier, Marthe Nespoulos, Simone
Berriao (sopranos), Germaine Cernay (contralto), Jacques Jansen, Emile
Rousseau, Henri Etcheverry, Armand Narçon, André Gaudin, Alfred Maguenat,
Charles Panzéra, José Beckmans (barítonos), Paul Cabanel, Hector Dufranne,
Jean-Emile Vanni-Marcoux, Willy Tubiana (baixos), Claire Croiza, Germaine
Cernay (meios-sopranos)
Yvonne Gouverné Choir
Paris Opera Orchestra
Symphony Orchestra
Roger Desormière
Andante ANDCD3990
(1941)

Claude Debussy
Pelléas et Mélisande.
Frederica von Stade, Christine Barbaux (sopranos), Nadine
Denize (contralto), José van Dam, Pascal Thomas, Richard
Stilwell (barítonos), Ruggero Raimondi (baixo)
Berlin Deutsche Oper Chorus
Berlin Philharmonic Orchestra
Herbert von Karajan
EMI 5 67057-2
(1978)


Internet

Maurice Maeterlinck
Nobelprize.org
/ Écrivains Belges Francophones / Wikipedia

Claude Debussy
Claude Debussy Web Site / Claude Debussy and Impressionism / Wikipedia / Classical Music Pages

28/04/2006

Concertos #37

No próximo dia 17 de Dezembro assinala-se o centenário do nascimento de um dos grandes compositores portugueses, Fernando Lopes-Graça (1906-1994), e é no âmbito das respectivas comemorações que hoje, na Casa da Música, será interpretada uma das suas obras, Três Danças Portuguesas. Escolha feliz, pois o próprio título da obra reflecte bem o aproveitamento que o compositor fez dos vários elementos do folclore português, principalmente a partir da 2ª metade da década de 30, após estudar Musicologia na Sorbonne. À semelhança de Béla Bartók (1881-1945), que viajou amiúde pela Hungria e países limítrofes em pesquisas etnográficas, e durante as quais recolheu milhares de exemplos do folclore local.

A estreia de Fernando Lopes-Graça como compositor, em 1929, fez-se com as Variações Sobre um Tema Popular Português, antecipando de certa forma a abordagem que viria posteriormente a explorar com mais profundidade. Aluno de, entre outros, Luís de Freitas Branco (1890-1955) e Viana da Motta (1868-1948), Lopes-Graça, apesar de ter obtido a mais alta classificação no Curso Superior de Composição, viu ser-lhe vedada a carreira docente por, já nessa altura, em 1931, não fazer segredo da sua oposição ao regime. O mesmo motivo que o levou, aliás, a passar uma temporada em Alpiarça a expensas do Estado Português...

Da recolha da música rural portuguesa, frequentemente efectuada em conjunto com o seu amigo Michel Giacometti (1929-1990), nasceram obras como Suite Rústica, Nove Canções Populares Portuguesas e Melodias Rústicas Portuguesas, para referir apenas algumas. Nasceu também uma série de programas de televisão que, tudo indica, a RTP irá manter na gaveta. Não há centenário que lhe valha...


Programa

Fernando Lopes-Graça
Três Danças Portuguesas.
George Gershwin
Concerto para Piano e Orquestra em fá maior.
Aaron Copland
Sinfonia Nº3.
António Rosado (piano)
Orquestra Nacional do Porto
Marc Tardue


Internet

Fernando Lopes-Graça
CITI / Tomar / Centro Virtual Camões / Cancioneiro Popular Português

27/04/2006

CDs #81: George F. Handel, Music for the Royal Fireworks

Há uns bons anos atrás, aí uns 16 ou 17, na noite de S. João, apanhei um daqueles sustos de que dificilmente me esquecerei. Na altura não havia qualquer tipo de controlo em relação à travessia pedonal do tabuleiro superior da ponte D. Luís, e nesse ano, vá-se lá saber por quê, esta decidiu abanar loucamente. Foi confusão geral, gritaria estridente, gente por todos os lados a correr desalmadamente, trôpegas pela oscilação da ponte, como que saídas da taberna do Manel com uns copitos a mais! A partir desse ano a polícia começou a limitar o número de pessoas que a atravessavam simultaneamente. Veio a segurança, foi-se a emoção... Um dos momentos mais esperados da noite de S. João é o fogo de artifício, por sinal nos últimos anos servido em dose dupla, pela consistente rivalidade e desentendimento entre as cidades vizinhas.




Em 1749 o compositor inglês de origem alemã George F. Handel (1685-1759) escreveu Music for the Royal Fireworks, para assinalar a assinatura do tratado de Aix-la-Chapelle (Aachen, Alemanha), que pôs fim à Guerra da Sucessão da Áustria. Da estreia da obra, o mínimo que se pode dizer é que foi atribulada:

O ensaio preparatório, público, efectuado num jardim de Londres, contou com a presença de cerca de 12.000 pessoas. Como resultado, um engarrafamento monstruoso na ponte de Londres (London Bridge), entupida por 3 horas...

A estreia propriamente dita aconteceu há 257 anos, no dia 27 de Abril de 1749, e a emoção não esteve ausente: a estrutura montada especialmente para a ocasião ardeu parcialmente, além de ter chovido durante o concerto, o que terá provavelmente ajudado a apagar o dito cujo, não tendo deixado, contudo, de ensopar o público...



G. F. Handel
Music for the Royal Fireworks. Concerto in D. Concerto in F.
The English Concert
Trevor Pinnock
Archiv Produktion 453 451-2


Internet

http://www.herodote.net/histoire10183.htm
http://en.wikipedia.org/wiki/Treaty_of_Aix-la-Chapelle_(1748)

26/04/2006

Sinfonias #16: Sinfonia Nº4, de Charles Ives

Quem (se der ao trabalho de) ler alguns artigos (ver, por exemplo, este) sobre a história das companhias de seguros nos Estados Unidos, cruzar-se-á amiúde com o nome de Charles Ives (1874-1954), co-fundador, na 1ª década do século XX, da Mutual Life Insurance, cujo primeiro escritório foi aberto em Manhattan, Nova Iorque. Foi o resultado mais visível do encontro, em 1902, entre Ives e o agente de seguros Julian Myrick; a empatia de Ives e a facilidade com que comunicava com os clientes asseguraram o sucesso da companhia. Ives e Myrick viriam mesmo a ser dos maiores agentes de seguros dos Estados Unidos da América.

Pois o mesmo Charles Ives foi também um dos mais importantes compositores daquele país, cujo espírito inovador também se fez sentir na música que escreveu, para evidente desgosto de Horatio Parker (1863-1919), seu professor de harmonia em Yale, menos dado a estilos experimentais. Entende-se assim que a 1ª Sinfonia de Ives, com que obteve o canudo em Yale, seja uma obra convencional, não deixando antever o inovador que ele viria a ser.

Não é o caso da Sinfonia Nº4 que, de todas as obras orquestrais de Ives, é aquela que mais meios exige, com a orquestra aumentada de vários elementos, nomeadamente na percussão, e acrescentada de piano (tocado a 4 mãos) e de órgão. Requer ainda um coro, cujos elementos deverão estar espalhados pelo auditório, o mesmo acontecendo, aliás, com os percussionistas. Como resultado de tudo isto, são necessários 3 maestros para dar conta do recado e a estreia da versão completa, em 1965, contou com Leopold Stokowski (1882-1977), José Serebrier (1938-) e David Katz. A estreia em 1927 dos 2 primeiros andamentos desta sinfonia, com a Orquestra Filarmónica de Nova Iorque
dirigida por Eugene Goossens (1867-1958), foi tudo menos um sucesso, o que terá levado o compositor a uma nova revisão da obra e à adição de um 4º andamento, em 1943.


CDs



Charles Ives
An American Journey.
Symphony No.4 - Fugue. From the Steeples and Mountains. Remembrance.
The Things our Fathers Loved. Memories. Charlie Rutlage. Serenity.
In Flanders Fields. They Are There! Tom Sails Away. The Circus Band.
Thomas Hampson (barítono)
San Francisco Girls Chorus
San Francisco Symphony Chorus
San Francisco Symphony Orchestra
Michael Tilson Thomas
RCA Red Seal 09026 63703-2
(1999)

Charles Ives
Symphonies - No.2; No.4.
John Alldis Choir
London Philharmonic Orchestra
Philadelphia Orchestra
José Serebrier, Eugene Ormandy
RCA Red Seal 09026 63316-2
(1973, 1974)


Internet

Charles Ives
Danbury Muscum & Historical Society
/ The Charles Ives Society / Wikipedia / Classical Music Pages


Nota

Aparentemente não estava assim tão mal do juízo, e lá aguentei os 3 dias a pedalar até Santiago de Compostela. Foi uma experiência extraordinária, culminada com a repousante visão da Catedral e a recepção da Compostellae. A repetir.

21/04/2006

Sinfonias #15: Sinfonia Nº6, de Vaughan Williams

Na viragem do século XIX para o XX, o compositor inglês Ralph Vaughan Williams (1872-1958) dedicava-se quase exclusivamente a escrever música de câmara e canções, e sem grande sucesso, diga-se em abono de verdade, com a excepção do obtido com a obra coral Toward the Unknown Region, de 1905, baseado no poema do poeta norte-americano Walt Whitman (1819-1892). Em 1908, insatisfeito com as suas obras, Vaughan Williams deslocou-se a Paris para, durante 3 meses, estudar intensivamente com Maurice Ravel (1875-1937).

Claro que nunca saberemos que rumo levariam as suas composições caso não tivesse efectuado tal viagem, mas o que é certo é que, depois do encontro com o grande compositor francês, Vaughan Williams ganhou um novo fôlego, continuando a escrever música vocal e de câmara, mas começando a dedicar-se também a compôr música sinfónica e, mais tarde, operática.

1910, em particular, foi um ano intenso para o compositor, com o sucesso obtido com A Sea Symphony no Festival de Leeds e a composição da Fantasia on a Theme of Thomas Tallis, porventura a sua obra mais conhecida. Ao todo, Vaughan Williams escreveria 9 sinfonias, datando a última de 1958. A , considerada uma das suas mais emblemáticas, foi composta entre 1944 e 1947 e estreada em Londres58 anos, no dia 21 de Abril de 1948, pelo maestro inglês Adrian Boult (1889-1983), que já anteriormente havia estreado as (versão revista), e sinfonias do mesmo compositor. A Sinfonia Nº6 de Vaughan Williams obteve um enorme sucesso e, passados 2 anos sobre a estreia, já tinha sido executada mais de 100 vezes.


CDs



Vaughan Williams
Symphony No.6 in E minor. In the Fen Country. On Wenlock Edge.
Ian Bostridge (tenor)
London Philharmonic Orchestra
Bernard Haitink
EMI 5 56762-2

Vaughan Williams
Symphonies 1-9.
Isobel Baillie, Margaret Ritchie (sopranos), John Cameron (barítono),
John Gielgud (narrador)
London Pilharmonic Choir
London Philharmonic Orchestra
Adrian Boult
Decca 473 241-2

Vaughan Williams
The Nine Symphonies.
Royal Liverpool Philharmonic Choir
Royal Liverpool Philharmonic Orchestra
London Philharmonic Orchestra
Vernon Handley
Classics for Pleasure 575 760-2


Internet

Vaughan Williams
Ralph Vaughan Williams Society
/ Ralph Vaughan Williams / Classical Music Pages / Wikipedia

Adrian Boult
Bach Cantatas / Wikipedia



Nota

Nos próximos 3 dias este vosso blogger vai pedalar estoicamente pelos trilhos de Santiago, naquilo que entende ser uma prova da sua evidente juventude, mas que os amigos mais chegados tendem a interpretar como um sinal óbvio de senilidade precoce. Conto regressar às lides na próxima Terça-feira. Até lá.

20/04/2006

CDs #80: Mozart, Piano Concertos Nos.24 & 27

Wolfgang Amadeus Mozart (1756-1791) tinha 17 anos quando escreveu o primeiro concerto para teclas e, ao todo, iria compôr 27. O último foi terminado em Janeiro de 1791, o ano da sua morte, e seria estreado pelo próprio compositor cerca de 2 meses depois, no dia 4 de Março. Recorde-se que, após um ano particularmente difícil e de reduzida produção musical, o de 1790, seguir-se-ia um, por sinal o da sua morte, em que Mozart escreveu imensas obras, à volta de 30, entre as quais o referido último Concerto para Piano, K595. Por pressentimento da morte próxima?! Vêm-nos à memória as palavras que escreveu ao pai, quando a saúde deste já fraquejava: "Nunca me deito à noite sem antes reflectir - apesar da minha juventude - que posso não viver para ver outro dia".

A verdade é que o Concerto para Piano Nº27, K595, termina com um allegro, marcadamente optimista. A estreia, num concerto de beneficiência, contou ainda com a participação da cantora
Aloysia Weber, antiga paixão do compositor que, uns mais tarde, em 1782, acabaria por casar com uma irmã dela, Constanze (1762-1842).

Ao longo dos anos 80 o pianista Malcolm Bilson foi gravando alguns dos concertos para piano de Mozart, acompanhado pelos English Baroque Soloits dirigidos pelo seu fundador, John Eliot Gardiner (1943-). Actualmente apenas estão disponíveis numa caixa contendo 9 discos, lançada pela Archiv Produktion com a referência 463 111-2 (a que corresponde a capa do disco aqui exibida).




Wolfgang Amadeus Mozart
Concerto for Piano and Orchestra No.24 in C minor, K491.
Concerto for Piano and Orchestra No.27 in B flat major, K595.
Malcolm Bilson (fortepiano)
The English Baroque Soloists
John Eliot Gardiner
Archiv Produktion 427 652-2
(1988)


Internet

Wolfgang Amadeus Mozart
the Mozart Project / Wolfgang Mozart / Wikipedia / Classical Music Pages

19/04/2006

Concertos para Teclado #1: Concerto Nº1, BWV1052, de Bach

O Concerto Brandeburguês Nº5, BWV1050, de Johann Sebastian Bach (1685-1750), terá sido o primeiro em que um instrumento de teclas, no caso o cravo, desempenha um papel principal, de solista, em vez do tradicional papel de mero acompanhador. Posto de outra forma, é o mais antigo concerto para teclado que se conhece. Bach compôs os 6 Concertos Brandeburgueses no período em que esteve ao serviço na corte de Cöthen, entre 1717 e 1723.

O príncipe Leopold Anhalt-Cöthen (1694-1728) casaria, aí pelos finais de 1721, com uma senhora que de amante das artes em geral pouco tinha, e da música em particular muito menos, pelo que Bach procurou ares mais desanuviados para continuar a sua actividade. Tal veio então a suceder em 1723, com a mudança para Leipzig. Seria aqui que Bach comporia os 8 Concertos para Cravo, utilizando frequentemente (partes de) obras que tinha escrito para outros instrumentos e reescrevendo-as para cravo.

É o caso do Concerto para Cravo em ré menor, BWV1052, presume-se que originalmente escrito para violino, quando Bach ainda se encontrava em Cöthen, e de que entretanto se perdeu a partitura. É, porventura, o mais conhecido dos 8 concertos e, aparentemente, o próprio Bach tinha-o em grande apreço, tendo utilizado alguns dos seus andamentos em duas cantatas: os primeiro e segundo na Cantata, BWV146; e o terceiro, na Cantata, BWV188.

Um dos grandes intérpretes de Bach, e deste concerto em particular, é o pianista norte-americano Murray Perahia, que celebra hoje o seu 59º aniversário.


CDs



Johann Sebastian Bach
Piano Concerto No.1 in D minor, BWV1052 (arr. Busoni).
Béla Bartók
Piano Concerto No.3, Sz119.
Franz Liszt
Piano Concerto No.1 in E flat, S124.
Dinu Lipatti (piano)
Royal Concertgebouw Orchestra
South West German Radio Symphony Orchestra
Eduard van Beinum, Paul Sacher
EMI Références 5 67572-2

Johann Sebastian Bach
Keyboard Concertos - No.1 in D minor, BWV1052; No.2 in E major, BWV1053;
No.4 in A major, BWV1055.
Murray Perahia (piano)
Academy of St Martin in the Fields
Murray Perahia
Sony Classical SK89245
(2000)

Johann Sebastian Bach
Keyboard Concertos - No.1 in D minor, BWV1052; No.7 in G minor, BWV1058.
Brandenburg Concerto No.5 in D major, BWV1050. Triple Concerto, BWV1044.
Angela Hewitt (piano), Richard Tognetti (violino), Alison Mitchell (flauta)
Australian Chamber Orchestra
Richard Tognetti
Hyperion CDA67307
(2005)

Johann Sebastian Bach
Keyboard Concerto in D minor, BWV1052.
Franz Schubert
Six Moments Musicaux, D780. Four Impromptus, D935 (no.4 incomplete).
Piano Sonata No.21 in B flat, D960.
Wolfgang Amadeus Mozart
Piano Concerto No.24 in C minor, K491.
Mieczyslaw Horszowski (piano)
San Juan Festival Orchestra
Alexander Schneider, Frederic Waldman
Arbiter 145
(1966-68)


Internet

Johann Sebastian Bach
The J. S. Bach Home Page / Classical Music Pages / Baroque Composers and Musicians / Bach Central Station

Murray Perahia
Official Site / Calouste Gulbenkian Foundation / Wikipedia

17/04/2006

Pianistas #11: Artur Schnabel (1882-1951)

Quando, em Junho do ano passado, por aqui falámos do violoncelista Pierre Fournier (1906-1986), referimos que o pianista Artur Schnabel foi um dos músicos com que tocou música de câmara. Além de Fournier, Schnabel tocou com outros extraordinários músicos, dos mais conceituados da sua época, como Pablo Casals (1876-1973), Emanuel Feuermann (1902-1942), Carl Flesch (1873-1944), William Primrose (1903-1982) e Joseph Szigeti (1892-1973), e isto para referir apenas alguns.

Schnabel tinha, desde muito novo, mostrado os seus dotes de virtuoso, e deu o seu primeiro concerto ao piano quando tinha apenas 8 anos. Isto apesar de, aconselhado pelo seu professor de piano Theodor Leschetizky (1830-1915), ter-se concentrado mais nos clássicos germânicos (Beethoven, Mozart, Schubert) do que propriamente naqueles que melhor permitiriam que exibisse o seu virtuosismo (Franz Liszt, por exemplo). É que Leschetizky achava que Schnabel seria sempre "mais músico do que pianista", e este decidiu levá-lo a sério...

À época as sonatas de Beethoven e de Schubert estavam longe de gozar de grande popularidade, tendo Schnabel sido um dos grandes responsáveis pela sua divulgação. Foi dele mesmo a primeira integral das sonatas para piano de Beethoven, efectuada em concertos que tiveram lugar em Berlim em 1927 e em 1933, ano em que abandonou aquela cidade pela chegada ao poder do partido nazi. É que Schnabel era judeu... Mais tarde viria a adquirir cidadania norte-americana.

Schnabel também compôs: sinfonias, um concerto para piano e música de câmara, nomeadamente. Não deixa de ser curioso, tendo em atenção o repertório em que se especializou, que toda a sua obra seja atonal...


CDs




Johannes Brahms
Piano Concerto No.1, Op.15. Intermezzos - No.1, Op.117; No.2, Op.116.
Rhapsody No.2 in G minor, Op.79.
Artur Schnabel (piano)
London Philharmonic Orchestra
George Szell
Naxos Historical 8.110664
(1938)

Ludwig van Beethoven
Piano Sonatas - No.7, Op.10 No.3; No.8, "Pathetique", Op.13;
No.9, Op.14 No.1; No.10, Op.14, No.2.
Artur Schnabel (piano)
Naxos Historical 8.110695
(1932-35)

Ludwig van Beethoven
Piano Sonatas - No.11, Op.22; No.12, Op.26; No.13, Op.27 No.1.
Artur Schnabel (piano)
Naxos Historical 8.110756
(1932-34)

Ludwig van Beethoven
Piano Sonatas - No.22, Op.54; No.23, "Appassionata", Op.57;
No.24, Op.78; No.25, Op.79; No.26, "Les Adieux", Op.81a.
Artur Schnabel (piano)
Naxos Historical 8.110761
(1932-35)

Franz Schubert
Impromptus - D899; D935. Allegretto for Piano in C minor, D915.
Artur Schnabel (piano)
EMI 5 86833-2

Robert Schumann
Piano Concerto in A, Op.54.
Franz Schubert
Piano Trio in B flat, D898.
Artur Schnabel (piano), Joseph Szigeti (violino),
Pierre Fournier (violoncelo)
New York Philharmonic Symphony Orchestra
Pierre Monteux
Music & Arts CD1111
(1943, 1947)


Internet

Artur Schnabel
Artur Schnabel
/ The Schnabel Music Foundation / Wikipedia

16/04/2006

Lugares #129

Nos seus tempos áureos, a Prússia, com Berlim como capital, estendeu os seus domínios da Holanda à Rússia, tendo começado por existir como um pequeno território, actualmente dividido entre a Polónia, a Rússia e a Lituânia, numa história que remonta ao 1º século antes de Cristo. História que, como é hábito nestas coisas, se fez de guerras várias, com conquistas e perdas de territórios, como as travadas entre os séculos XV e XVII: com os Polacos, em 1410, em que a Prússia sofreu uma derrota humilhante; um século depois, entre 1519 e 1521, nova derrota, que a mantém sob o domínio polaco; e a Guerra dos Trinta Anos, travada entre 1618 e 1648, que terminou com o Tratado de Vestefália e o fim dessa autoridade.

O século XVIII, que começou por ver nascer o Reinado da Prússia como reconhecimento da participação de Frederico III (1688-1713) na Guerra da Sucessão da Espanha, foi de prosperidade e riqueza para a Prússia, que viu ainda o seu território continuar a aumentar. O século seguinte seria mais complicado, com as guerras napoleónicas, uma derrota em Iena e a consequente ocupação das tropas francesas, aí por volta de 1807.




Apenas na 2ª metade do século XIX haveria uma evolução significativa da situação que a Prússia vivia, graças à subida ao trono de Guilherme I (1861-1888). Este chamou ao poder Otto von Bismarck (1815-1898), e ambos tinham como grande objectivo a unificação da Alemanha, que foi conseguida após a vitória na Guerra Franco-Prussiana, em 1870. Esta guerra terminou oficialmente em 1871, com a assinatura do Tratado de Paz de Francoforte, cidade a que respeitam as fotografias que procuram embelezar este texto. A Prússia desapareceria como Estado em 1933, com a subida de Adolf Hitler (1889-1945) ao poder.


Internet

Francoforte
Frankfurt.de / frankfurt online / Wikipedia

Prússia
Wikipedia / A Brief History of Prussia / História da Prússia

14/04/2006

CDs #79: Taneyev, Chamber music

Tal como em várias outras ocasiões, a ideia inicial era a de estar aqui hoje a dizer umas coisas sobre mais um daqueles compositores menos conhecidos, neste caso o russo Sergei Taneyev (1856-1915). Ideia rapidamente posta de parte, pelo facto de na caixa do CD que era suposto servir de base à dissertação alguém ter colado um papel com a seguinte frase: "Sergei Taneyev foi uma figura chave na história da música russa, o maior polifonista depois de Bach". O autor de tão peremptória afirmação foi o pianista e maestro, igualmente russo, Mikhail Pletnev (1957-), que estará no próximo mês de Maio na Casa da Música a dirigir a Orquestra Nacional Russa. Escusado será dizer que já possuo o rectângulo mágico...

Os que por aqui vão ocasionalmente passando, lembrar-se-ão porventura da história
da recusa de Nikolai Rubinstein (1835-1881) em tocar o Concerto para Piano que Tchaikovsky (1840-1893) lhe tinha escrito. Pois Taneyev foi aluno de ambos no Conservatório de Moscovo, tendo estudado piano com o primeiro e composição com o segundo. A mais ambiciosa obra de Taneyev foi a ópera em 3 actos Oresteya, estreada em S. Petersburgo no dia 29 de Outubro de 1895. A música de câmara, contudo, foi o estilo que mais cultivou, entre trios, quartetos e quintetos de cordas, além de sonatas para violino e piano.



Este disco da Deutsche Grammophon inclui precisamente duas dessas obras, o Quinteto em sol menor, Op.30, e o Trio em ré maior, Op.22, e apresenta um conjunto notável de músicos: ao referido Pletnev juntaram-se os violinistas russos Vadim Repin e Ilya Gringolts, a violista japonesa Nobuko Imai e o violoncelista norte-americano Lynn Harrell. E, ao contrário do que acontece amiúde, lembremo-nos, por exemplo, daquele conjunto de primas-donas madrilenas incapazes de formarem uma equipa digna desse nome, neste caso o conjunto notável de instrumentistas deu origem a um disco notável, porque notáveis são igualmente as interpretações. E quando assim é, temos boas audições garantidas!




Sergei Taneyev
Quintet for Piano, 2 Violins, Viola and Violoncello in G minor, Op.30.
Trio for Piano, Violin and Violoncello in D major, Op.22.
Vadim Repin, Ilya Gringolts (violinos), Nobuko Imai (viola),
Lynn Harrell (violoncelo), Mikhail Pletnev (piano)
Deutsche Grammophon 477 5419
(2003)


Internet

Karadar Classical Music
/ Guardian Unlimited / Wikipedia

12/04/2006

Sopranos #9: Montserrat Caballé (1933-)

O bel canto apareceu em meados do século XVII, em árias de óperas e cantatas, em que se dava a oportunidade aos cantores de mostrarem em pleno os seus dotes vocais, pela beleza do som e souplesse do fraseado, em oposição ao estilo recitativo reinante até essa altura.

O mesmo termo serve também para caracterizar o estilo vocal italiano entre os finais do século XVIII e a primeira metade do século XIX: elegante, grande beleza de timbre, com floreados qb. Ou, como a minha mãe costuma dizer, "enfim, salamaleques!"... O bel canto teve em Vincenzo Bellini (1801-1835), Gaetano Donizetti (1797-1848) e, principalmente, Gioacchino Rossini (1792-1868), os seus compositores mais representativos.

A soprano espanhola Montserrat Caballé, que hoje comemora o seu 73º aniversário, foi um dos expoentes do bel canto. Género em que só se iniciou quase uma década depois da sua estreia operática, em 1956, e por um imprevisto quando, em 1965, substituiu em cima da hora uma adoentada Marilyn Horn (1934-), na ópera Lucrezia Borgia, de Donizetti, no
Carnegie Hall. Seria, aliás, com esta mesma ópera que se estrearia no La Scala, em 1970. Senhora de uma técnica extraordinária, a que deu sempre primazia sobre os imperativos teatrais, não será certamente pelas artes dramáticas que será recordada mais tarde, mas pelas interpretações de mais de 80 papéis operáticos. Não só de bel canto, naturalmente, pois Caballé brilhou igualmente em Verdi (1813-1901) e Richard Strauss (1864-1949), já para não falar em Wagner (1813-1883).

Feliz aniversário!


CD



Giuseppe Verdi
Don Carlo.
Plácido Domingo, Ryland Davies (tenores), Montserrat Caballé (soprano),
Shirley Verrett, Delia Wallis (meios-sopranos), Sherrill Milnes (barítono),
Ruggero Raimondi, Giovanni Foiani (baixos), Simon Estes (baixo-barítono)
Ambrosian Opera Chorus
Royal Opera House Orchestra
Carlo Maria Giulini
EMI GROC 5 67401-2
(1970)


Internet

Montserrat Caballé
Montserrat Caballé / Unesco.org / Montserrat Caballé / Wikipedia

Gioacchino Rossini
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