31/05/2006

CDs #84: Haydn, The Paris Symphonies (Nos.82-87)

O compositor austríaco Joseph Haydn (1732-1809) trabalhou na corte da mais abonada família húngara, os Esterházy, durante cerca de 30 anos, entre 1761 e 1790, numa situação de estabilidade contratual cada vez menos usual nos nossos tempos. A sua vida na corte regia-se por regras rígidas, e Haydn sabia muito bem aquilo que os patrões esperavam dele, e que não se limitava à composição; na realidade, Haydn ficou responsável por tudo o que dizia respeito às actividades musicais na corte, e isso incluía a realização e direcção de concertos, a organização e supervisão dos manuscritos e intrumentos musicais e a gestão do grupo de músicos residentes. Músicos com quem, por indicação expressa dos Esterházy, Haydn se deveria coibir de trocar qualquer tipo de intimidades...

Com o crescente número de obras compostas foi também aumentando o prestígio de Haydn. Na 2ª metade da década de 70, todavia, escasseava-lhe disponibilidade de tempo para dedicar-se à composição pela introdução, em 1776, de épocas regulares de ópera no corte, que lhe exigiam muita dedicação. Tal não impediu que a sua popularidade continuasse a aumentar, como o comprovam as diversas encomendas que ia recebendo, inclusivamente de instituições estrangeiras, como aquela que recebeu, em 1784, dos directores do Concert de la Loge Olympique, de Paris, para uma série de 6 sinfonias. Estas, com os números Hoboken entre 82 e 87, iriam receber o apropriado título de "Sinfonias de Paris", e são as que constam do disco aqui hoje referenciado.

Anthony van Hoboken (1887-1983) foi um musicólogo holandês que, em 1957, publicou um catálogo com as obras de Haydn, organizadas por género (sinfonias, quartetos de cordas, etc.), e cujas numerações, normalmente referidas abreviadamente como Hob, são utilizadas universalmente.

Joseph Haydn faleceu há 197 anos, no dia 31 de Maio de 1809.




Joseph Haydn
The Paris Synphonies.
Symphony No.82 in C, Hob.I:82, "L'Ours".
Symphony N0.83 in G minor, Hob.I:83, "La Poule".
Symphony No.84 in E flat, Hob.I:84.
Symphony No.85 in B flat, Hob.I:85, "La Reine de France".
Symphony No.86 in D, Hob.I:86.
Symphony No.87 in A, Hob.I:87.
Concentus Musicus Wien
Nikolaus Harnoncourt
Deutsche Harmonia Mundi 82876 60602-2
(2001, 2002)


Internet

Joseph Haydn
Classical Music Pages / Operas / Karadar / The 'Paris' Symphonies / Wikipedia

Anthony van Hoboken
Wikipedia / Answers.com / aeiou

29/05/2006

Obras para Bailado #2: A Sagração da Primavera, de Stravinsky

Num curto espaço de 3 anos o compositor russo Igor Stravinsky (1882-1971) compôs outras tantas obras para os Ballets Russes de Sergei Diaghilev (1872-1929): O Pássaro de Fogo (1910), Pétrouchka (1911) e A Sagração da Primavera (1913). Diaghilev viria ainda a encomendar obras a outros reputados compositores, como Claude Debussy (1862-1918), Francis Poulenc (1899-1963), Sergei Prokofiev (1891-1953), Maurice Ravel (1875-1937) e Richard Strauss (1864-1949), mas a colaboração com Stravinsky acabaria por ser a mais notável, até pelo impacto produzido.

A reputação de Stravinsky ficou estabelecida desde logo com essas 3 obras e, se O Pássaro de Fogo representou o seu maior sucesso até então, a estreia d'A Sagração da Primavera ficaria um marco na história da música, pela descomunal escandaleira que provocou.

Conta-nos Stravinsky que, quando se encontrava ainda ocupado a terminar O Pássaro de Fogo, surgiu-lhe a ideia para a nova obra, com a "visão de um grande rito sacrificial pagão, em que velhos sábios observam uma jovem a dançar até à morte, sacrificada para assim obterem as boas graças do Deus da Primavera". Daqui também o subtítulo da obra, Quadros da Rússia Pagã. O público parisiense, habituado a bailados clássicos, cultos, não estava de forma alguma preparado para tais desvios, com rituais de fertilidade, sacrifícios e uma coreografia longe dos padrões da época, e reagiu violentamente. Houve de tudo um pouco, desde assobiadelas, insultos vários e agressões múltiplas, até uma intervenção policial, incapaz, contudo, de colocar um fim no caos que se verificava na sala. Não que tal tenha propriamente desagradado a Diaghilev, constando que terá mesmo afirmado que "era aquilo que tinha desejado". Verdade ou não, lá publicidade ao evento foi coisa que não faltou...

A referida estreia teve lugar no Teatro dos Campos Elísios, em Paris, no dia 29 de Maio de 1913, e à frente da orquestra esteve Pierre Monteux
(1875-1964).


CDs




Igor Stravinsky
The Rite of Spring.
Alexander Scriabin
Le poème de l'extase, Op.54.
Kirov Orchestra
Valery Gergiev
Philips 468 035-2

Igor Stravinsky
Petrushka. The Rite of Spring.
Boston Symphony Orchestra
Pierre Monteux
RCA Red Seal 82876 62314-2

Igor Stravinsky
Apollo (1947 version). The Rite of Spring (1947 revised version).
City of Birmingham Symphony Orchestra
Simon Rattle
EMI Classics 7 49636-2

Igor Stravinsky
Petrushka (original 1911 version). The Rite of Spring.
Columbia Symphony Orchestra
Igor Stravinsky
CBS Masterworks MK 42433

Igor Stravinsky
The Rite of Spring.
Sergei Prokofiev
Symphony No.5 in B flat, Op.100.
Berlin Philharmonic Orchestra
Herbert von Karajan
Deutsche Grammophon 463 613-2

Igor Stravinsky
The Rite of Spring.
Pierre Boulez
Notations VII.
Claude Debussy
La mer.
Chicago Symphony Orchestra
Daniel Barenboim
Teldec 8573-81702-2


Internet

Igor Stravinsky
Classical Music Pages
/ IRCAM / Wikipedia / bbc.co.uk / igorstravinsky.com

Sergei Diaghilev
Wikipedia / Sergei Diaghilev / Ballets Russes / Diaghilev's Ballets Russes

28/05/2006

Lugares #133

Insondáveis desígnios levam a que neste país, salvo honrosas excepções, não seja permitido tirar fotografias no interior dos museus. Claro que, frequentemente, somos aconselhados a adquirir o livrinho que se vende na recepção, e que contém, está-se mesmo a ver, todas as fotografias que quisessemos eventualmente tirar, e ainda mais algumas. Em evidente contraste, por exemplo, com aquilo que se passa no Rijksmuseum, em Amesterdão, e não consta que a respectiva colecção (ver este postal) fique a dever muito às que se encontram nos museus nacionais...

O Museu dos Biscaínhos, instalado no Palácio dos Biscaínhos, em Braga, não foge à regra, e apenas nos é permitido tirar fotografias no jardim, histórico e muito interessante, por sinal.
Amigos nossos, especialistas nestes assuntos, encarregar-se-ão certamente de lá ir, e teremos então a oportunidade de ficar a saber em detalhe as várias espécies que o enriquecem.



O conjunto do imóvel e do jardim, classificado como de interesse público desde 1949, é da época barroca, datando a casa senhorial da primeira metade do século XVII e o jardim do século XVIII. Em obras de recuperação há vários anos, não consta que exista algum sizento projecto de requalificação, que faria desabrochar belos canteiros de granito. O homem, como é do conhecimento geral, anda muito ocupado a projectar destruir as árvores de Madrid, sem tempo para os assuntos nacionais.




Internet

Museu dos Biscaínhos
Câmara Municipal de Braga / Museu dos Biscaínhos / Wikipedia

27/05/2006

SACDs #7: Gustav Mahler, Symphony No.6

A 6ª Sinfonia de Gustav Mahler (1860-1911) é a mais clássica de todas deste compositor. Estruturada em 4 movimentos, o primeiro dos quais dividido em exposição, desenvolvimento e recapitulação, termina na tonalidade do início, lá menor, o que faz dela, simultaneamente, a mais trágica de todas.


Gustav Mahler

E isto não deixa de ser curioso, dado que a altura em que ela foi composta, por volta do Verão de 1904, coincidiu com um período assaz feliz na vida de Mahler. A estreia desta sinfonia aconteceu há exactamente 100 anos, com o próprio Mahler à frente da orquestra.

Uma das maiores atracções deste disco reside no maestro, o italiano Claudio Abbado (1933-).


Claudio Abbado

Depois de ter estado à frente da Orquestra Filarmónica de Berlim durante cerca de 12 anos, entre 1989 e 2002, onde nem sempre foi entendido e admirado como merecia (minha opinião...), regressou em 2004 para uma série de concertos onde Mahler foi o convidado de honra. Ironia do destino, desta vez foi recebido com uma catadupa de elogios, encimada por um "regresso do anterior rei"...




Gustav Mahler
Symphony No.6.
Berliner Philharmoniker
Claudio Abbado
Deutsche Grammophon 477 5684
(2004)


Postais anteriores sobre sinfonias de Mahler:

Sinfonia Nº3
Sinfonia Nº4
Sinfonia Nº5
Sinfonia Nº5
Sinfonia Nº7
Sinfonia Nº8


Internet

Claudio Abbado:
Biografia 1 / Biografia 2 / Biografia 3
Gustav Mahler:
Komponierhäuschen / International Gustav Mahler Society

25/05/2006

Violoncelistas #5: Emanuel Feuermann (1902-1942)

Há uns tempos atrás, o blogue Guilhermina Suggia apresentou-nos Julius Klengel (1859-1933), violoncelista e reputado professor de, entre outros, Guilhermina Suggia (1885-1950) e Emanuel Feuermann (1902-1942).

Feuermann foi estudar para Leipzig com Julius Klengel em 1917, mas já antes tinha feito a sua estreia em Viena, em Fevereiro de 1914, apenas 2 anos depois de lá ter assistido à estreia de Pablo Casals (1876-1973), de quem Feuermann achou que "verdadeiramente recriava o instrumento". Nessa altura Feuermann tocou o Concerto para Violoncelo Nº2 em ré maior, de Joseph Haydn (1732-1809), acompanhado pela Orquestra Filarmónica de Viena dirigida pelo maestro austríaco Felix Weingartner (1863-1942). Um concerto de que, durante muitos anos, se teve dúvidas em relação à sua autoria, chegando mesmo a ser atribuído a Anton Kraft (1749-1820), seu dedicatário, segundo uma teoria posta a circular por... Nikolaus Kraft (1778-1853), filho do dito cujo!

O início da década de 30 encontrou Emanuel Feuermann em Berlim onde, além de dar aulas na Berlin Hochschule für Music, formou um trio de cordas com Joseph Wolfstahl no violino, posteriormente substituído por Szymon Goldberg (1909-1993), e Paul Hindemith (1895-1963), que era também professor na mesma instituição, na viola. A ascensão do partido nazi ao poder levou Feuermann a procurar outras paragens, acabando por fixar-se em Nova Iorque, onde chegou em 1937. Faleceria em 1942 vítima de infecção após uma cirurgia corriqueira, não sem que antes tivesse formado um dos mais conceituados trios, com Jascha Heifetz (1901-1987) e Artur Rubinstein (1887-1982). Feuermann tocou ainda frequentemente com o pianista Artur Schnabel (1882-1951), de quem aqui falámos recentemente.

Emanuel Feuermann faleceu há 64 anos, no dia 25 de Maio de 1942.


CDs



Johannes Brahms
Sonata for Cello and Piano No.1, Op.38.
Sonata for Viola and Piano, No.2, Op.120/2.
Sonata for Violin and Piano No.2, Op.100.
Jascha Heifetz (violino), William Primrose (viola),
Emanuel Feuermann (violoncelo), Emanuel Bay,
Gerald Moore, Theo van der Pas (pianos)
Biddulph LAB011

Joseph Haydn
Cello Concerto in D major, Op.101.
Antonín Dvorák
Cello Concerto in B minor, Op.104 (incl. alternative take).
Emanuel Feuermann (violoncelo)
London Philharmonic Orchestra, Malcolm Sargent
Berlin State Opera Orchestra, Michael Taube
Naxos Historical 8.110908

Ludwig van Beethoven
Piano Trio in B flat major, Op.97, "Archduke".
Franz Schubert
Piano Trio in B flat major, D898.
Artur Rubinstein (piano), Jascha Heifetz (violino),
Emanuel Feuermann (violoncelo)
RCA 09026-60926


Internet

Emanuel Feuermann
Emanuel Feuermann
/ Wikipedia / globalnet.co.uk

23/05/2006

CDs #83: The Great Renata Tebaldi

Renata Tebaldi (1922-2004) foi o primeiro soprano de que aqui se falou, no dia do seu falecimento. Tebaldi deu o seu último recital há 30 anos, no dia 23 de Maio de 1976, e em casa, no La Scala de Milão.


Renata Tebaldi

Em 2002, ano do 80º aniversário de Tebaldi, a Decca editou um duplo CD com interpretações da soprano italiano, e a que, apropriadamente, deu o título de The Great Renata Tebaldi. Foi para esta editora que Tebaldi efectuou as primeiras gravações, em 1949, duas das quais constam deste disco: a ária Ritorna vincitor!, da Aida de Verdi, e a Tacea la notte placida, da ópera Il trovatore do mesmo compositor.

Foi, aliás, com Giuseppe Verdi (1813-1901) e Giacomo Puccini (1858-1924) que Tebaldi se celebrizou. Houve um papel com que se identificava particularmente e a acompanhou ao longo de quase toda a sua carreira: o de Mimì na ópera La Bohème, de Puccini.

Mario del Monaco, Carlo Bergonzi
, Cesare Siepi, Nicolai Ghiaurov, Tullio Serafin, Alberto Erede, Herbert von Karajan e Georg Solti são alguns dos nomes que acompanham Tebaldi nos vários trechos deste disco. Grandes audições!



The Great Renata Tebaldi
Giacomo Puccini

Gianni Schicchi: O mio babbino caro. (1962)
Tosca: Vissi d'arte. (1959)
Suor Angelica: Senza mamma, o bimbo, tu sei morto. (1962)
Il tabarro: Michele! Michele!... Avevo ben ragione... Sì, vicina. (1962)
La fanciulla del West: Una partita a poker! (1958)
Turandot: Tu che di gel sei cinta. (1955)
La Bohème: Sì. Mi chiamano Mimì... O soave fanciulla. (1959)
Manon Lescaut: Sola, perduta, abbandonata. (1954)
Madama Butterfly: "Con onor muore". (1958)
Alfredo Catalani
La Wally: Prendi, fanciul, e serbala! (1968)
Amilcare Ponchielli
La Gioconda: Suicidio. (1967)
Francesco Cilea
Adriana Lecouvreur: I fiori offerti in un'ora d'oblio... Poveri fiori. (1961)
Umberto Giordano
Andrea Chénier: Ecco l'altare... Eravate possente. (1957)
Arrigo Boito
Mefistofele: L'altra notte in fondo al mare. (1958)
Giuseppe Verdi
Aida: Ritorna vincitor! (1949)
Il trovatore: Tacea la notte placida. (1949)
La traviata: Parigi, o cara, noi lasceremo. (1954)
La forza del destino: Pace, pace, mio Dio! (1955)
Otello: Già nella notte densa. (1961)
Don Carlo: Giustizia! o Sire. (1965)
Um ballo in maschera: Morrò, ma prima in grazia. (1964)
Gioachino Rossini
La regata veneziana: Anzoleta dopo la regata. (1969)
Franz Lehár
Die lustige Witwe: Vilja-Lied. (1960)
Decca 470 280-2


Internet

http://www.geocities.com/renatatebaldi/
http://www.weblaopera.com/voces/sopranos/tebaldi.htm
http://biografie.leonardo.it/biografia.htm?BioID=385&biografia=Renata+Tebaldi

22/05/2006

Obras Vocais #5: Messa da Requiem, de Giuseppe Verdi

Depois da estreia de Aida, no dia 24 de Dezembro de 1871, houve um interregno superior a 15 anos até que Giuseppe Verdi (1813-190) estreasse outra ópera. Na verdade a seguinte, Otello, com libreto de Arrigo Boito (1842-1918) a partir da obra de William Shakespeare (1564-1616), teve a sua estreia no dia 5 de Fevereiro de 1887.

Em Maio de 1873 deu-se o falecimento do poeta e romancista italiano Alessandro Manzoni (1785-1873), por quem Verdi tinha uma particular admiração, desde que, em 1829, leu o romance I Promessi Sposi, que Manzoni escreveu entre 1821 e 1827 e que foi publicando ao ritmo de um volume por ano. Numa carta dirigida à sua amiga condessa Clara Maffei, Verdi escreveu a propósito da morte de Manzoni: "Agora está tudo terminado! E com ele termina a mais pura, sagrada e maior das nossas glórias". Verdi visitou o túmulo de Manzoni no dia 2 de Junho e, nesse mesmo dia, escreveu ao seu editor, Giulio Ricordi (1840-1912), informando-o da sua intenção de compôr um Requiem em memória do escritor.

Apesar de Verdi ter composto esta obra para ser tocada em salas de concerto, a estreia teve lugar numa igreja, a de S. Marcos, em Milão, no dia 22 de Maio de 1874, no primeiro aniversário da morte de Manzoni, e com o próprio Verdi a dirigir o coro e a orquestra. Esta Messa de Requiem foi, naturalmente, a mais significativa obra que Verdi escreveu no referido período de acalmia operática, entre 1871 e 1887.


CDs



Giuseppe Verdi
Messa da Requiem. Quattro pezzi sacri.
Elena Filipova (soprano), Gloria Scalchi (meio-soprano),
Cesar Hernández (tenor), Carlo Colombara (baixo)
Hungarian State Operas Choir
Hungarian State Orchestra
Pier Giorgio Morandi
Naxos 8.550944/45

Giuseppe Verdi
Messa da Requiem.
Angela Gheorghiu (soprano), Daniela Barcellona (meio-soprano),
Roberto Alagna (tenor), Julian Konstantinov (baixo)
Eric Ericson Chamber Choir
Swedish Radio Chorus
Berlin Philharmonic Orchestra
Claudio Abbado
EMI 5 57168-2

Giuseppe Verdi
Messa da Requiem.
Zinka Milanov (soprano), Kerstin Thorborg (meio-soprano),
Helge Rosvaenge (tenor), Nicola Moscona (baixo)
BBC Symphony Chorus
BBC Symphony Orchestra
Arturo Toscanini
Testament SBT21362


Internet

Giuseppe Verdi
Giuseppe Verdi: il sito ufficiale
/ Classical Music Pages / Wikipedia / Requiem / The Verdi Requiem

Alessandro Manzoni
Biografia / Vita e opere / Wikipedia

19/05/2006

Concertos #40

Modest Mussorgsky (1839-1881) foi um dos membros do Grupo dos Cinco, fundado na década de 1860, a que também pertenceram Mily Balakirev (1837-1910), Alexander Borodin (1833-1887), César Cui (1835-1918) e Nikolai Rimsky-Korsakov (1844-1908), com a ambição de criar uma escola nacionalista russa (ver este postal de Novembro do ano passado).

Mussorgsky tinha conhecido Balakirev pouco tempo antes e aproveitou a oportunidade para com ele consolidar os seus conhecimentos musicais, nomeadamente a nível de composição. A ópera Boris Godunov foi o seu primeiro grande projecto, iniciada em 1868 e baseada no drama homónimo de Aleksandr Pushkin
(1799-1837), que já anteriormente havia fornecido o material para a ópera Ruslan e Lyudmila, de Mikhail Glinka (1804-1857).

Em 1874 teve lugar uma exposição de desenhos e maquetas do arquitecto e pintor Victor Hartmann (1834-1873), amigo pessoal de Mussorgsky que, inspirado pelos quadros que lá viu, decidiu compôr um ciclo de peças para piano, Kartinki s vïstavki (Quadros de Uma Exposição), dedicado à sua memória. Com estas peças Mussorgsky procurou descrever musicalmente as cenas apresentadas nos diversos quadros, adicionando vários Promenade para representar as deambulações do próprio compositor no espaço da exposição.



Esta será, porventura, uma das obras mais orquestradas de sempre, dando-se o caso de uma dessas versões, a de Maurice Ravel (1875-1937), ser mais conhecida que o próprio original. É precisamente a versão de Ravel que será tocada esta noite na Casa da Música, na 2ª parte do concerto com a Orquestra Nacional Russa
sob a direcção de Mikhail Pletnev (1957-).


Programa

Sergei Taneyev
Abertura Russa.
Pyotr Ilyich Tchaikovsky
Sleeping Beauty.
Modest Mussorgsky
Quadros de Uma Exposição.
Orquestra Nacional Russa
Mikhail Pletnev


Internet

Modest Mussorgsky
Classical Music Pages
/ Modest Petrovich Mussorgsky / Bilder einer Ausstellung / Images for Pictures for an Exhibition

Mikhail Pletnev
Unofficial Web Site / Russian National Orchestra / Calouste Gulbenkian Foundation

18/05/2006

Baixos #1: Boris Christoff (1914-1993)

O búlgaro Boris Christoff começou por se dedicar ao estudo das leis, e os primeiros proventos vieram mesmo da sua actividade como juiz. Na altura já cantava num coro, e foi aí que a sua voz começou a ser notada. De tal forma, que acabou por ganhar uma bolsa de estudo, que lhe permitiu ir para Roma estudar com o barítono italiano Riccardo Stracciari (1875-1955). Estavam lançadas as bases para a carreira do extraordinário baixo Boris Christoff, nascido há 92 anos.



Continuaria ainda os estudos em Salzburgo, e a sua estreia oficial viria a acontecer apenas após terminado o conflito mundial. Foi em Dezembro de 1945 em Itália, para onde tinha regressado entretanto. O ponto marcante da sua carreira seria em 1949 quando, na sua estreia no Covent Garden, interpretou Boris Godunov na ópera homónima de Modest Mussorgsky (1839-1881). O êxito foi tal que lhe garantiu a fama de um dia para o outro, e ser comparado ao outro grande baixo russo, Feodor Chaliapin (1873-1938).

Interpretou papéis dos mais variados compositores, de Handel a Wagner, mas nós por aqui temos em especial apreço as interpretações que fez do já referido Boris Godunov, bem como as de Filippo II, na ópera Don Carlo de Verdi (1813-1901), e de Méphistophélès, no Fausto de Gounod (1818-1893).


CDs



Modest Mussorgsky
Boris Godunov.
Boris Christoff, Ana Alexieva, John Laginan, Dimitr Ouzounov, Evelyn Lear, Anton Diakov
Sofia National Opera Chorus
Paris Conservatoire Orchestra
André Cluytens
EMI GROC 5 67877-2

Modest Mussorgsky
The Nursery. Sunless. Songs and Dances of Death.
Boris Christoff (baixo), Alexandre Labinsky (piano)
Orchestre National de la Radiodiffusion Française
Georges Tzipine
EMI GROC 5 67993-2

Giuseppe Verdi
Simon Boccanegra.
Tito Gobbi, Victoria de los Angeles, Boris Christoff, Paolo Dari, Sylvia Bertona
Rome Opera Chorus & Orchestra
Gabriele Santini
EMI Références 5 67483-2


Internet

http://chalosse.free.fr/masterpieces/step-one/christoff.htm
http://www.borischristoff.dir.bg/aboutus.htm
http://www.operaitaliana.com/autori/interprete.asp?ID=121