27/06/2006

Violoncelistas #6: Guilhermina Suggia (1885-1950)

Há uns tempos atrás adquiri, num alfarrabista do Porto, o catálogo de 1927 da editora "His Master's Voice".




Ainda lá ficaram muitos livros dedicados à música, outras incursões se seguirão... Para os eventuais interessados, a livraria tem o (curioso) nome de Chaminé da Mota, e fica na Rua das Flores.



Depois de se perceber como funciona o catálogo (as instruções para consulta ocupam 2 páginas e meia...), entra-se num mundo fascinante, onde aparecem todos os grandes nomes do passado, com a listagem das gravações efectuadas para essa extraordinária editora, incluindo ainda breves biografias.


Guilhermina Suggia

Naturalmente que a nossa violoncelista Guilhermina Suggia também lá aparece, com 6 discos listados e a seguinte biografia:

SUGGIA, GUILHERMINA, 'Cellist

Although of Italian descent, Suggia was born at Oporto on June 27, 1888. When only five years old she received her first lessons from her father, himself a very fine 'cellist, and studied under him until, at the age of fifteen, she went to Leipzig to take lessons from Klengel. At seventeen she made her début at the Leipzig concerts, and afterwards toured through Europe. In October, 1914, she made England her musical home, and the rare quality of her playing placed her at once, in the estimation of critics, on a level with the greatest male 'cellists, and she was hailed unanimously as the finest feminine exponent of her instrument who had yet been heard. In Suggia's album is the following tribute, written in 1905 by the great master of the 'cello, David Popper: "To the greatest of living cellists, Guilhermina Suggia, from her aged confrére, D. Popper."
All who have seen this great artist at her concerts have been impressed with her vivid personality and the superb ease with which she plays the most difficult works. Every nuance of her wonderful art is faithfully reproduced on her records.

Guilhermina Suggia nasceu há 121 anos, no dia 27 de Junho de 1885 (e não 1888, como a HMV, erradamente, refere).


Internet

Guilhermina Suggia:
Blogue / Biografia
His Master's Voice:
Nipper 1 / Nipper 2

26/06/2006

Lugares #135

Aquilo que é hoje o Rijksmuseum, começou por ser em 1800 a Nationale Konstgallerij, ou Galeria de Arte Nacional e, em vez de Amesterdão, estava em Haia. Antes de encontrar poiso definitivo na praça Museumplein, experimentou vários locais em Amesterdão, o primeiro deles, em 1808, na famosa praça Dam (aquela onde se encontram o Museu da Madame Tussaud e o hotel com um nome que eu acho fantástico: Krasnapolsky).




Tal como
aqui referi recentemente, no Rijksmuseum podem-se tirar fotografias à vontade, com a única restrição de não se poder utilizar o flash. Regra apenas olimpicamente ignorada pelos japoneses que, entre duas flashadas, aguentam estoica e impassivelmente os impropérios dos guardas de serviço. É que esses guardas aindam não perceberam que as caras ameaçadoras que oferecem não impressionam tais asiáticos que, do alto dos seus 1 metro e 40, apenas lhes vêem as fivelas dos cintos...





Internet

Rijksmuseum
Rijksmuseum Amsterdam / Amsterdam.info / Wikipedia

24/06/2006

Sinfonias #17: Sinfonia Nº5, de Vaughan Williams

Quando, neste texto, falámos da Sinfonia Nº4 do compositor inglês Ralph Vaughan Williams (1872-1958), referimos a sua atmosfera inquieta, tumultuosa, mesmo violenta, porventura resultado dos tempos que se viviam na altura, e que antecederam a 2ª Guerra Mundial. Teoria nunca confirmada pelo compositor, diga-se, que sempre se recusou a ligá-la a acontecimentos específicos.

Vaughan Williams terminou a Sinfonia Nº5 em 1943, cerca de 10 anos depois da anterior. Apesar de composta em pleno conflito mundial, transmite-nos um ambiente lírico, sereno, em total oposição à anterior, ao ponto do musicólogo Michael Kennedy (1926-) a ter designado de "sinfonia da cidade celestial".

Estruturada em 4 andamentos, regra a que apenas a Sinfonia Nº7, com 5 andamentos, não obedeceu, foi dedicada ao compositor finlandês Jean Sibelius (1865-1957) e estreada pelo próprio Vaughan Williams, à frente da Orquestra Filarmónica de Londres
, no dia 24 de Junho de 1943. A sinfonia termina com uma passacaglia, tal como a 4ª Sinfonia de Johannes Brahms (1833-1897). Comparação inevitável, esta, pois raras foram as passacaglias compostas nos períodos clássico e romântico. Já o mesmo não se dirá do século XX, em que a passacaglia, ou repetição frequente de um mesmo motivo, normalmente uma frase curta, foi utilizada por vários compositores, como Alban Berg (1885-1935), Paul Hindemith (1895-1963), Maurice Ravel (1875-1937), Arnold Schoenberg (1874-1951) e Anton Webern (1883-1945).


CDs



Ralph Vaughan Williams
Symphony No.5. Flos Campi (suite). Oboe Concerto.
Christopher Balmer (viola), Jonathan Small (oboé)
Royal Liverpool Philharmonic Chorus
Royal Liverpool Philharmonic Orchestra
Vernon Handley
EMI CD-EMX9512

Ralph Vaughan Williams
Symphonies 1-9.
Isobel Baillie, Margaret Ritchie (sopranos),
John Cameron (barítono), John Gielgud (narrador)
London Philharmonic Choir
London Philharmonic Orchestra
Adrian Boult
Decca 473 241-2

Ralph Vaughan Williams
Symphonies 1-9. The Lark Ascending.
Fantasia on a Theme by Thomas Tallis.
In the Fen Country. On Wenlock Edge.
London Philharmonic Choir
London Philharmonic Orchestra
Bernard Haitink
EMI 5 86026-2


Internet

Vaughan Williams
the RVW Society
/ Boosey & Hawkes / Wikipedia / Classical Net

23/06/2006

Compositores #65: Wolfgang Amadeus Mozart (1756-1791)

No Verão de 1777 (ver este postal) Mozart (1756-1791) encontrava-se em Salzburgo, em vésperas da viagem que o levaria primeiro a Mannheim e depois a Paris. Nesse Verão teve a oportunidade de conhecer Josepha Duschek (1754-1824), que lá tinha ido visitar o avô e, tendo ficado amigos, ficou com a certeza de que seria sempre bem recebido em Praga, onde os Duschek viviam. Como é sabido, a primeira viagem de Mozart a essa cidade teve apenas lugar no início de 1787, pelo que passaram-se 10 anos até que pudesse comprovar a anunciada hospitalidade.

Um pouco antes, em 1786, encontraram-se de novo, desta vez em Viena, onde Josepha Duschek, soprano (e a cantora mais conceituada de Praga) iria dar vários recitais, um deles para o imperador, onde acabou por ser acompanhada ao piano pelo próprio Mozart. Pouco tempo depois, no dia 8 de Janeiro de 1787, Mozart partiria para Praga, sem a companhia do casal Duschek, contudo, que tinha compromissos em Salzburgo.



Mozart e restante comitiva chegaram a Praga no dia 11 de Janeiro, numa altura em que Le Nozze di Figaro obtinha lá um extraordinário sucesso. Dos relatos da época, retiramos este do Prager Oberpostamtszeitung: "Ontem à noite, o nosso amado compositor Herr Mozard chegou aqui vindo de Viena. Não duvidamos de que em sua honra Herr Bondini levará de novo à cena Le Nozze di Figaro, esse admirável produto desse génio musical. (...)".

continua


Bibliografia

Mozart and Prague, by Harald Salfellner

21/06/2006

DVDs #13: Richard Wagner, Die Meistersinger von Nürnberg

Os mestres cantores eram membros de diversas classes profissionais que, organizados em guildas (associações), praticavam as suas habilidades musicais segundo a tradição alemã de composição e interpretação de canções, que se desenvolveu entre os séculos XIV e XVII. Uma das guildas mais activas, e a única de que se conhecem detalhes, foi a de Nuremberga, liderada pelo famoso sapateiro-cantor Hans Sachs (1494-1576).


Richard Wagner, Hans Sachs, Eduard Hanslick

O libreto da ópera Die Meistersinger von Nürnberg
, da autoria do próprio compositor, Richard Wagner (1813-1883), baseia-se precisamente nesta tradição alemã. Foi um parto deveras difícil: Wagner começou a pensar nela no Verão de 1845 e viria a completá-la apenas em 1867. Ao contrário da sua restante produção operática, esta baseia-se em personagens reais, tão reais que Wagner aproveitou para ridicularizar o crítico musical Eduard Hanslick (1825-1904), através do personagem Beckmesser, apresentado como completamente desprovido de talento.

Consta, aliás, que Wagner convidou Hanslick para a sessão de apresentação do libreto da ópera, sendo que este último a abandonou a meio quando se apercebeu (desconfiou...) da malvadez em curso! A ópera teria a sua estreia138 anos, no dia 21 de Junho de 1868.


Karita Mattila

Por último, este postal é dedicado a JGA, Il Dissoluto Punito
, pela participação de Karita Mattila no DVD que aqui hoje trago, soprano por ele apelidada de "expoente máximo", "genial intérprete", ...



Richard Wagner
Die Meistersinger von Nürnberg.
James Morris, Karita Mattila, Ben Heppner, Thomas Allen,
René Pape, Matthew Polenzani, Jill Grove
The Metropolitan Opera Orchestra and Chorus
James Levine
Deutsche Grammophon 00440 073 0949
(2001)


Internet

http://en.wikipedia.org/wiki/Meistersinger
http://www.music-with-ease.com/mastersingers-history.html
http://en.wikipedia.org/wiki/Eduard_Hanslick
http://www.die-tonkunst.de/dtk-0408/Foyer/ind.html

20/06/2006

Óperas #10: Albert Herring, de Benjamin Britten

Em 1946, após a conclusão da turné da sua ópera The Rape of Lucretia, o compositor Benjamin Britten (1913-1976), em conjunto com o libretista Eric Crozier (1914-1994) partiram do romance Le Rosier de Madame Husson, do escritor francês Guy de Maupassant (1850-1893), para escrever o libreto de Albert Herring. A imaginação não esteve ausente da adaptação, tendo a acção passado da Normandia para Suffolk, onde Britten nasceu, ganho um novo título e visto Alberto Herring promovido a personagem principal, embora desprovido de miolos... Esta ópera, uma ópera de câmara, requer, tal como a anterior, uma orquestra reduzida, de uma dúzia de músicos, destinada a Glyndebourne e ao English Opera Group, recentemente fundado pelo próprio Britten. A estreia aconteceria no dia 20 de Junho de 1947, com dois dos intérpretes favoritos do compositor, o tenor Peter Pears (1910-1986) e o soprano Joan Cross (1900-1993), e com Britten a dirigir.

Preocupada com a (pouca) moralidade reinante, Lady Billows decide retomar a tradição da "Rainha de Maio", em que seria eleita a mais virtuosa rapariga. Só que, utilizando as palavras de Florence, a governanta, "as virgens do país, a existir, pensavam de menos e viam demais", pelo que não demorou muito a concluirem da inexistência de candidata digna de tal coroação. Na falta de menina decidiu a nossa Lady Billows seleccionar um menino, e quem melhor do que Albert Herring, suficientemente menino da mamã e simplório? As 25 libras esterlinas que acompanhavam o título seriam certamente suficientes para ultrapassar eventuais reticências da mãe do rapaz...


CD



Benjamin Britten
Albert Herring.
Christopher Gillett, Stuart Kale (tenores), Josephine Barstow,
Susan Gritton (sopranos), Felicity Palmer (contralto),
Peter Savidge, Gerald Finley (barítonos), Robert Lloyd (baixo),
Della Jones (meio-soprano)
Northern Sinfonia
Steuart Bedford
Naxos 8.660107/8


Internet

Benjamin Britten
Boosey & Hawkes
/ Operas / Classical Music Pages / Wikipedia

Eric Crozier
Opera Talent

19/06/2006

Lugares #134

A página na internet da Câmara Municipal faz-nos a introdução: "(...) conhecida localmente por Cidade Velha, é um dos castros mais conhecidos do norte de Portugal e sem dúvida um dos mais importantes para o estudo da proto-história e romanização do Alto Minho (...)".

A do Instituto Português do Património Arquitectónico informa-nos que "(...) é um notável exemplar de um povo fortificado do noroeste peninsular, tanto pela sua dimensão, planeamento urbanístico, como pela tipologia da sua construção e carácter defensivo". Além disto, somos ainda informados dos horários das visitas e dos preços dos bilhetinhos. Bem mais baratos que os do futebol, por sinal, e sempre se aprende alguma coisa...

Motivos não faltavam para visitarmos mais uma citânia (depois das de
Briteiros e de Sanfins), pelo que um dia destes lá apontámos a carroça para Viana do Castelo e fomos à descoberta da Citânia de Santa Luzia. Dar com ela é o mais fácil, só faltando a emoção de outros tempos, em que a subida era feita naquele magnífico elevador, agora fora de serviço pois, aparentemente, apenas funciona no Verão. Para nosso azar, havia mais uma coisa fora de serviço: a própria citânia! Depois de duas voltas completas, a segunda das quais a pé, não fosse ter-nos escapado alguma entrada mais dissimulada, fomos forçados a concluir que estaria encerrada para obras. Avisos? Nenhuns: nada na internet, zero no local, silêncio no posto de turismo...




Por isso, só nos restou baixar ao centro histórico e contribuir para os resultados do 1º semestre da Unicer, que o calor apertava e a transpiração perturbava o físico. E,
tal como no caso da casa-estúdio de Carlos Relvas, havemos de lá voltar, que a casmurrice é por vezes uma virtude, em particular quando reina a não-informação.


Internet

Citânia de Santa Luzia
Câmara Municipal de Viana do Castelo / IPPAR

17/06/2006

Compositores #64: Igor Stravinsky (1882-1971)

Com A Sagração da Primavera, o compositor russo Igor Fyodorovich Stravinsky estabeleceu um dos marcos mais importantes da história da música, e já para não falar do marco histórico que constituiu a estreia, no dia 29 de Maio de 1913, aqui relatada recentemente.

O despoletar da 1ª Guerra Mundial fê-lo procurar outras paragens, tendo ido viver para a Suíça, e apenas em 1962 regressaria à Rússia. Curiosamente, as obras que compôs no período em que durou esse conflito basearam-se quase exclusivamente no folclore e canções russas. Longe da vista mas perto do coração... São dessa época, por exemplo, alguns ciclos de canções e os bailados Renard e Les Noces. Mais tarde Stravinsky assentaria arraiais em França, de onde sairia em 1940, pela eclosão do novo conflito. Por outro lado, a Revolução Russa de 1917 fez com que Stravinsky deixasse de ter acesso aos fundos que possuía no seu país natal pelo que, em França, teve que fazer pela vida, como músico concertante e como compositor, dirigindo e gravando as suas próprias obras.

Nos discos aqui hoje listados Stravinsky, nascido passam hoje 124 anos, aparece como regente, exclusivamente de obras suas.


CDs



Igor Stravinsky
The Firebird. Scherzo à la russe. Scherzo fantastique, Op.3. Fireworks, Op.4.
The Columbia Symphony Orchestra
Igor Stravinsky
CBS Masterworks MK 42432
(1961, 1962, 1963)

Igor Stravinsky
Petrushka (original 1911 version). The Rite of Spring.
The Columbia Symphony Orchestra
CBS Masterworks MK 42433
(1960)


Internet

Igor Stravinsky
Classical Music Pages
/ Wikipedia / Classical Net / Naxos

Revolução Russa de 1917
The Russian Revolution / Wikipedia / The Russian Revolution of 1917 / Russian Revolution: February, 1917 / Russian Revolution: October, 1917

15/06/2006

Pianistas #13: Alfred Cortot (1877-1962)

Como é sabido, Richard Wagner (1813-1883) compôs as óperas d'O Anel de Nibelungo na ordem inversa, tendo começado por Siegfrieds Tod, de que mais tarde mudou o nome para Götterdämmerung, a última do ciclo, e terminado com Das Rheingold, a primeira. A estreia de Götterdämmerung teve lugar no dia 17 de Agosto de 1876, com a condução a cargo do maestro Hans Richter (1843-1916). A estreia em Paris aconteceria apenas em Maio de 1902, graças à iniciativa de Alfred Cortot que, em 1898, tinha ido para Bayreuth estudar a música de Wagner.

É que Cortot, por essa altura já um reputado pianista, especialmente admirado em Ludwig van Beethoven (1770-1827), tinha-se dedicado recentemente à direcção de orquestras e, além da referida obra, foram da sua responsabilidade as estreias em França da Missa Solemnis de Beethoven e do Requiem de Johannes Brahms (1833-1897).

Antigo aluno de Émile Descombes (1829-1912) que, por sua vez, tinha sido aluno de Frédéric Chopin (1810-1849), Cortot tornar-se-ia num dos grandes intérpretes deste último, com várias gravações de referência. Como pianista, Cortot concentrou-se em poucos compositores, não tendo abordado um repertório muito alargado; além de Chopin, podemos referir Claude Debussy (1862-1918) e Robert Schumann (1810-1856) como aqueles que mais frequentemente tocou.

Cortot também se dedicou à música de câmara e, em 1905, formou um dos mais conceituados trios, com o violoncelista Pablo Casals (1876-1973) e o violinista Jacques Thibaud (1880-1953). Alfred Cortot faleceu há 44 anos, no dia 15 de Junho de 1962.


CDs



Felix Mendelssohn
Piano Trio in D minor, Op.49.
Robert Schumann
Piano Trio in D minor, Op.63.
Pablo Casals (violoncelo), Alfred Cortot (piano), Jacques Thibaud (violino)
Naxos Historical 8.110185
(1927, 1928)

Frédéric Chopin
Solo Piano Music - Volume I.
vários pianistas, incluindo Alfred Cortot
Andante AND1150

Frédéric Chopin
Solo Piano Music - Volume II.
vários pianistas, incluindo Alfred Cortot
Andante AN1190


Internet

Alfred Cortot
Piano bleu / Wikipédia / École Normal de Musique de Paris

14/06/2006

CDs #86: Tchaikovsky, Symphonies 2 & 6

Nos finais do ano passado andei às voltas com o Grupo dos Cinco (neste e neste postais), formado por cinco compositores russos (Balakirev, Borodin, Cui, Mussorgsky e Rimsky-Korsakov), e que tinha como principal objectivo a criação de uma escola de composição distintamente russa. Pyotr Ilyich Tchaikovsky (1840-1893), contemporâneo do Grupo dos Cinco, nunca pertenceu ao grupo mas, em 1869, recebeu o incentivo de Mily Balakirev (1837-1910) para compôr a Fantasia-Abertura Romeu e Julieta. Bem vistas as coisas, pode-se mesmo dizer que recebeu vários incentivos, já que Balakirev o forçou a reescrever a obra diversas vezes, até que ficasse a preceito... Não foi um apoio desinteressado, passe-se a deselegância da expressão, mas resultante do facto de Balakirev ter-se apercebido da eminência do aparecimento de uma nova e importante voz na criação do tal estilo tipicamente russo. Aquele estilo que se pretendia independente dos estilos estrangeiros, em particular do modelo germânico.

Em 1872, quando se encontrava em Moscovo, Tchaikovsky terminou a 2ª Sinfonia, que seria estreada no dia 26 de Janeiro de 1873. O maestro de serviço foi o do costume, que já tinha estreado a e viria ainda a estrear as e 4ª sinfonias: Nikolai Rubinstein (1835-1881). Aquele mesmo que, no Natal de 1874, iria recusar-se a interpretar o Concerto para Piano que Tchaikovsky lhe tinha escrito...

Em 1879, Tchaikovsky procederia a uma revisão da sinfonia, e esta nova versão seria estreada no dia 31 de Janeiro de 1881. Tal como em Romeu e Julieta, a influência de Berlioz perpassa toda a obra. É que, ao contrário do que alguns esperavam, Tchaikovsky vir-se-ia a revelar um compositor cosmopolita, no sentido em que foi culturalmente influenciado por outros países, como a Itália, a França e a... Alemanha!

Neste duplo CD, gravado entre 1956 e 1962, à frente da Orquestra Filarmonia encontra-se o grande maestro italiano Carlo Maria Giulini (1914-2005), falecido há precisamente um ano.




Pyotr Ilyich Tchaikovsky
Symphony No.2 in C minor, Op.17, "Little Russian".
Francesca da Rimini, Op.32.
Symphony No.6 in B minor, Op.74, "Pathétique".
Romeo and Juliet.
Philharmonia Orchestra
Carlo Maria Giulini
EMI Classics 5 86531-2


Internet

Tchaikovsky
/ Classical Music Pages / Wikipedia
Carlo Maria Giulini
/ bbc.co.uk / Wikipedia