31/07/2006

CDs #89: Liszt, Symphonic Poems, Vol.1

Em Outubro do ano passado, quando falámos por aqui de um disco com obras do compositor húngaro Franz Liszt (1811-1886), referimos o facto de o período que ele passou como Kapellmeister em Weimar ter sido o mais produtivo da sua vida. Datam dessa época, nomeadamente, a Sonata para Piano em si menor, a Sinfonia Fausto, baseada na Divina Comédia de Dante (1265-1321), dois Concertos para Piano e 12 Poemas Sinfónicos.

Estes últimos foram escritos no espaço de uma década, entre 1848 e 1858, e a designação foi dada pelo próprio Liszt a estas obras orquestrais de um único movimento, inspiradas noutras formas artísticas, como a poesia ou a pintura, ou mesmo por lendas ou factos históricos. Tal pode ser constatado de imediato pelos nomes que deu a alguns desses poemas sinfónicos: Les Préludes, Orpheus, Tasso, Mazeppa, Prometheus, Festklänge, Hungaria, Heroïde funèbre, Ce qu'on entend sur la montagne, Die Ideale, Hunnenschalacht e Hamlet.

Liszt não terá sido o inventor dos poemas sinfónicos, mas foi certamente o primeiro a dar-lhes um especial relevo, posteriormente reforçado por compositores como Piotr Ilyich Tchaikovsky
(1840-1893), Bedrich Smetana (1824-1884), Camille Saint-Saëns (1835-1921) e, principalmente, Richard Strauss (1864-1949).

Ce qu'on entend sur la montagne foi o primeiro poema sinfónico que escreveu, entre 1848 e 1849. O mais popular de todos foi desde sempre o terceiro que compôs, Les Préludes que, todavia, nasceu de roupagem diferente. Na realidade começou por ser, aí por volta de 1844, o movimento introdutório daquilo que pretendia que viesse a ser uma obra coral baseada em 4 poemas do poeta francês Joseph Autran (1813-1877), e que se chamaria Les Quatre Elements. Liszt não viria a terminá-la e, em 1854, a referida introdução ganharia vida e nome próprios, este baseado numa ode de um outro poeta francês, Alphonse de Lamartine (1790-1869):

"What else is our life than a series of preludes to an unknown song, whose first and solemn notes are sounded by death?"

Franz Liszt faleceu há 120 anos, no dia 31 de Julho de 1886.




Franz Liszt
Symphonic Poems, Volume 1.
Ce qu'on entend sur la montagne, S95.
Tasso: Lamento e Trionfo, S96.
Les Préludes, S97.
Orpheus, S98.
BBC Philharmonic Orchestra
Gianandrea Noseda
Chandos CHAN10341
(2004)


Internet

Franz Liszt
Wikipedia
/ Classical Music Pages / The Franz Liszt Site

29/07/2006

CDs #88: Schumann, Sviatoslav Richter

A vida do alemão Robert Schumann (1810-1856) encaixa na perfeição na ideia que normalmente temos de um romântico, ou não tivesse ele sido um dos seus expoentes, no campo musical: em 1828 foi para Leipzig para estudar direito, algo que nunca lhe despertou grande interesse pelo que, no ano seguinte, já damos com ele a estudar piano, com o reputado professor Friedrich Wieck (1785-1873); Schumann acabaria por se apaixonar pela filha, Clara Wieck, com quem acabaria por casar em Setembro de 1840, contra a vontade expressa do pai que, como retaliação, a retirou do testamento...; um par de anos depois e Schumann sofreria de uma profunda depressão, que durou largos meses, e que se viria a repetir regularmente, tendo o compositor passado os últimos anos de vida internado num asilo. Robert Schumann faleceu há 150 anos, no dia 29 de Julho de 1856.


Robert Schumann

A música para piano teve um lugar primordial na obra de Schumann, bastando reparar no facto de os primeiros 23 opus corresponderem a peças para piano solo. De entre os pianistas que se excederam em Schumann há um que recebe a minha especial preferência, o russo Sviatoslav Richter (1915-1997), de quem se falou aqui
há cerca de um ano atrás, a propósito de um outro disco.


Sviatoslav Richter

Do de hoje fazem parte os Estudos Sinfónicos, escritos em 1834 e publicados 3 anos depois, sendo dedicados ao compositor inglês William Sterndale Bennett (1816-1875) e tendo sido estreados por Clara (Wieck) Schumann; as Fantasiestücke Nºs 5 & 7, compostas em 1837 e dedicadas à pianista inglesa Anna Robena Laidlaw (1819-1901); e Bunte Blätter, uma colecção de peças dispersas escritas entre 1832 e 1849 e que, por uma ou outra razão, não tinham sido incluídas em nenhum dos ciclos entretanto publicados.



Robert Schumann
Études Symphoniques, Op.13.
Bunte Blätter, Op.99.
Fantasiestücke Nos.5 & 7, Op.12.
Sviatoslav Richter (piano)
Regis RRC 1186
(1971, 1979)


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Robert Schumann: Biografia 1
/ Biografia 2 / Catálogo
Sviatoslav Richter: Biografia 1
/ Biografia 2 / Cronologia

28/07/2006

Obras Orquestrais #9: Il cimento dell'Armonia e dell'Invenzione, Op.8, de Vivaldi

O concerto, tal como o concebemos hoje, com um ou mais instrumentos solistas a competir com a orquestra, começou a ganhar ao concerto grosso em popularidade a partir do início do século XVIII, primeiro com Giuseppe Torelli (1658-1709) e depois com Antonio Vivaldi (1678-1741).

Vivaldi, à sua conta, compôs mais de 350 concertos para um instrumento solista e para cima de 100 para dois ou mais instrumentos, fazendo dele um dos compositores europeus mais prolíficos. Nem sempre apreciado por todos, como é normal nestas coisas, e Stravinsky (1882-1971), por exemplo, era da opinião de que o compositor italiano tinha "escrito o mesmo concerto quatrocentas vezes"...

A fama do padre ruivo começou a alastrar pela Europa a partir de 1711, com a publicação, em Amesterdão, dos concertos L'Estro Armonico. Nessa época era usual agrupar sob um mesmo título várias obras similares e para formações iguais, e tal voltaria a suceder em 1725, com a publicação, de novo em Amesterdão, de 12 concertos para violino, intitulados Il Cimento dell'Armonia e dell'Inventione. Os 4 primeiros deles são das mais conhecidas obras musicais do período barroco e, simultaneamente, das mais gravadas de sempre: Le Quattro Stagioni.

Antonio Vivaldi faleceu há 265 anos, no dia 28 de Julho de 1741.


CDs




Antonio Vilvaldi
Concerto for the Prince of Poland: Sinfonia for Strings in G, RV149.
Concertos for Violin and Strings - Op.8, Nos.5 & 6.
Andrew Manze (violino)
Academy of Ancient Music
Andrew Manze
Harmonia Mundi HMU90 7230

Antonio Vivaldi
Violin Concertos, Op.8 - Nos.1-4, "The Four Seasons".
Giuseppe Tartini
Sonata for Violin and Continuo in G minor, "Devil's Trill".
Anne-Sophie Mutter (violino)
Trondheim Soloists
Anne-Sophie Mutter
Deutsche Grammophon 463 259-2

Antonio Vivaldi
Il Cimento dell'Armonia e dell'Inventione, Op.8.
Concertos - RV516 & RV546.
Monica Huggett (violino)
Raglan Baroque Players
Nicholas Kraemer
Virgin Veritas VBD5 61668-2

Antonio Vivaldi
Violin Concertos, "The Four Seasons", Op.8 Nos.1-4.
Kyung-Wha Chung (violino)
St Luke's Chamber Ensemble
Kyung-Wha Chung
EMI 5 57015-2

Antonio Vivaldi
Il Cimento dell'Armonia e dell'Inventione, Op.8.
Fabio Biondi (violino)
Europa Galante
Fabio Biondi
Virgin Veritas VMD5 81980-2

Antonio Vivaldi
Violin Concertos, "The Four Seasons", Op.8 Nos.1-4.
+ obras de Handel, Monteverdi, Rossini, Marenzio, Scarlatti e Bach
M. Bayo, D. York, G. Bertagnolli, E. Tiso (sopranos), A. Simboli,
S. Prina, S. Mingardo (contraltos), P. Costa (contratenor), N. Sears,
G. Ferrarini (tenores)
Concerto Italiano
Rinaldo Alessandrini
Opus 111 OP30363


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Antonio Vivaldi
Classical Music Pages
/ Wikipedia / Musicologie.org / Antonio Vivaldi

26/07/2006

Óperas #11: Parsifal, de Richard Wagner

Há não muito tempo, quando por aqui se falou d'Os Mestres Cantores de Nuremberga, de Richard Wagner (1813-1883), levantou-se, na caixa de comentários, a questão da separação da criatura da criação, como forma de evitar contaminar (foi a expressão utilizada na altura) a apreciação dessas obras pelo carácter dos seus autores. É compreensível que este assunto tenha sido levantado a propósito de uma obra de Richard Wagner, pois os ideiais do homem não eram propriamente dos mais recomendáveis.

A estreia da sua ópera Parsifal, a 26 de Julho de 1882, foi disso mais um exemplo significativo. Ao sucesso obtido pel'O Anel dos Nibelungos junto do público não correspondeu um sucesso financeiro e, na segunda metade da década de 1870, Wagner atravessava sérias dificuldades. Valeu-lhe o apoio do Estado da Bavária, que ele deveria retribuir escrevendo uma ópera, que viria a ser o Parsifal, e que apenas poderia ser vista e ouvida nos palcos de Bayreuth. O rei Ludwig II (1845-1886) suportou todos os custos da produção e disponibilizou o Coro e a Orquestra da Ópera de Munique, cujo maestro principal era Hermann Levi (1839-1900), judeu. Wagner, que achava que "a tolerância para com os judeus levaria a Alemanha à ruína", começou por exigir que Levi aceitasse um baptismo cristão antes de pôr os olhos na partitura. Falhada a tentativa, Wagner fez todos os possíveis para se livrar de tal maestro, chegando mesmo a escrever ao rei procurando-lhe fazer ver "os perigos que os judeus representavam para a humanidade". A única resposta que conseguiu foi algo do tipo "ou o maestro é esse ou não há estreia nenhuma"...


CDs



Richard Wagner
Parsifal.
J. Thomas, N. Moller, G. Stolze, G. Paskuda (tenores),
G. London, H. Hotter, G. Neidlinger (baixos-barítonos),
I. Dalis, S. Cervená, U. Boese (meios-sopranos)
Bayreuth Festival Chorus
Bayreuth Festival Orchestra
Hans Knappertsbusch
Philips 50 Great Recordings 464 756-2
(1962)

Richard Wagner
Parsifal.
George London, Ludwig Weber (barítonos), Martha Mödl (soprano),
Wolfgang Windgassen (tenor)
Bayreuth Festival Chorus
Bayreuth Festival Orchestra
Hans Knappertsbusch
Naxos Historical 8.110221-24
(1951)

Richard Wagner
Parsifal.
R. Vinay, E. Tobin, H. Kratz, G. Stolze (tenores),
G. London (barítono), M. Mödl (meio-soprano), L. Weber,
H. Uhde, J. Greindl, T. Adam (baixos), G. Litz,
R. Streich, H. Plümacher (sopranos)
Bayreuth Festival Chorus
Bayreuth Festival Orchestra
Clemens Krauss
Archipel ARPCD0171-4
(1953)


Internet

Richard Wagner
Wikipedia
/ Classical Music Pages / Richard Wagner Web Site

25/07/2006

Lugares #138

O dia 15 de Julho último, Sábado, foi o dia mais barroco da nossa vida. Começou com um passeio guiado pelo Porto, numa (des)organização da Porto Vivo - Sociedade de Reabilitação Urbana, e terminou na Póvoa de Varzim, com um (excelente) concerto pelo Ricercar Consort com o contratenor espanhol Carlos Mena, num programa exclusivamente preenchido por cantatas do período barroco.



Do concerto talvez por aqui se fale um dia, para já falemos do passeio. Que esteve longe de corresponder ao anunciado pois, por eventual incompetência organizativa, se ficou por metade dos edifícios (igrejas) previstos. Ora porque decorria a missa, ou porque se rezava o terço, ou porque pura e simplesmente não havia ninguém para abrir a porta, aquilo que era para ser um itinerário previsível transformou-se num hino ao imprevisto.



Salvou-se a visita ao mosteiro de S. Bento da Vitória, uma magnífica construção dos inícios do século XVIII, guiados pela sabedoria de frei Geraldo, profundo conhecedor da sua história e possuidor de um admirável sentido de humor. Ficámos assim a saber melhor as vicissitudes por que o mosteiro passou, em particular após a extinção das ordens religiosas em Portugal, em 1834. Até há não muito tempo era ainda o local onde a Orquestra Nacional do Porto dava os seus concertos, e hoje em dia, além de abrigar os monges Beneditinos, alberga ainda o Arquivo Distrital do Porto. Pelo caminho, foi tribunal militar, casa de reclusão e quartel, destinos inesperados para um dos mais importantes edifícios religiosos da cidade.




Internet

Mosteiro de S. Bento da Vitória
Porto Turismo / A vida de São Bento

23/07/2006

Concertos #43

O compositor húngaro György Ligeti (1923-2006), de quem se falou aqui recentemente aquando do seu falecimento, foi particular e tragicamente afectado pelas perseguições das autoridades nazis, tendo mesmo sido internado num campo de trabalhos forçados entre 1944 e 1945. Por essa altura perdeu pai e irmão, mortos em Auschwitz. Não perdeu, contudo, o ânimo para continuar a estudar música e, uma vez libertado, regressou aos estudos com Ferenc Farkas (1905-2000), na Academia Franz Liszt, em Budapeste. Depois de um período de cerca de um ano em que se dedicou a investigar a música folclórica romena, Ligeti regressou à Academia de Budapeste, desta vez como professor (de harmonia, contraponto e análise formal), cargo que desempenhou até 1956. Nessa altura chegou a revolução e... partiu Ligeti, rumo a Viena.

Foi tempo para conhecer alguns dos mais conceituados compositores vanguardistas, como Karlheinz Stockhausen (1928-) e para começar a escrever obras mais progressistas, algo que até então lhe tinha sido vedado pelo regime comunista húngaro. São dessa época algumas das suas obras mais representativas: Artikulation (1958), uma das suas primeiras peças electrónicas, Apparitions (1958-59), Atmosphères (1961) e o Requiem, de 1965, ano em que se estreou com grande sucesso em Estocolmo.

Ramifications, que vai abrir o concerto da
Northern Sinfonia esta tarde na Casa da Música, foi uma obra escrita por Ligeti entre 1968 e 1969, havendo em versão para orquestra de cordas (estreada no dia 23 de Abril de 1969) e para doze cordas solistas (versão estreada a 1 de Outubro de 1969). O concerto prosseguirá com a Sinfonia Nº4 de Robert Schumann (1810-1856), e a 2ª parte será preenchida com o Concerto para Violino e Orquestra de Johannes Brahms (1833-1897).


György Ligeti
Ramifications.
Robert Schumann
Sinfonia Nº4, Op.120.
Johannes Brahms
Concerto para Violino e Orquestra, Op.77.
Thomas Zehetmair (violino)
Northern Sinfonia
Thomas Zehetmair


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György Ligeti
Biography / Ramifications / Wikipedia / Classical Music Pages

21/07/2006

Sonatas para Violino e Piano #1: Sonata Nº1, Op.80, de Sergei Prokofiev

O regime comunista da União Soviética, zeloso na defesa da correcção da produção cultural, provocou a debandada de muitos criadores, entre os quais o compositor Sergei Prokofiev (1891-1953). Ausente entre 1918 e 1933, optou por regressar, convencido de que o sucesso e o prestígio obtidos além fronteiras garantir-lhe-iam alguma benevolência no tratamento. Enganou-se redondamente, e o censor de serviço, o bem conhecido Andrei Zhdanov (1896-1948), fez questão de o demonstrar repetidamente.

Em 1938 fez a sua última viagem aos Estados Unidos, um dos países onde tinha passado parte do exílio (tinha residido também em França e na Alemanha). É dessa altura que datam os primeiros esboços daquela que viria a ser a sua 1ª Sonata para Violino e Piano que, contudo, apenas viria a ser finalizada em 1946. A estreia teria lugar em Outubro desse mesmo ano, em Moscovo, com o violinista David Oistrakh
(1908-1974), o dedicatário da obra, e o pianista Lev Oborin (1907-1974). A estreia nos Estados Unidos aconteceria em Janeiro de 1948, e com um violinista que já por aqui passou várias vezes: Joseph Szigeti (1892-1973).

Refira-se que foi desta obra que David Oistrakh interpretou algumas passagens no funeral do compositor, que faleceu no dia 5 de Março de 1953, exactamente no mesmo dia em que morreu Joseph Stalin (1878-1953). No disco abaixo referido o violino é tocado por Isaac Stern
(1920-2001), de quem hoje se assinalam os 86 anos passados sobre o seu nascimento.


CD



Isaac Stern
Ludwig van Beethoven
Sonate pour Violon et Piano Nº2 en la majeur, Op.12 Nº2.
Johann Sebastian Bach
Sonate pour Violon Seul en sol mineur, BWV1001.
Niccolo Paganini
La Campanella (arr. Fritz Kreisler).
Sergei Prokofiev
Sonate pour Violon et Piano en fa mineur, Op.80.
Henri Vieuxtemps
Concerto pour Violon Nº4 en ré mineur, Op.31.
Joseph Haydn
Adagio du Concerto pour Violon en ut majeur, Hob.VIIa:1.
Joseph Suk
Burlesque, Op.17 Nº4.
Fritz Kreisler
Siciliano et Rigaudon dans le style de Francoeur.
Issac Stern (violino), Alexander Zakin (piano)
INA Mémoire Vive IMV054
(1953)


Internet

Sergei Prokofiev
The Prokofiev Page
/ Wikipedia / Classical Music Pages / Sergei Prokofiev

Isaac Stern
IsaacStern.com / Wikipedia / BBC News

19/07/2006

Lugares #137

Na Alemanha do antigamente havia um reduzido número de príncipes, pouco mais de meia dúzia, que tinha o poder de participar na eleição do imperador. Os Kurfürsten, ou eleitores, gozavam de privilégios especiais, como o monopólio da exploração das minas nos seus territórios, que os distinguiam daqueles que eram apenas príncipes. Também cobravam impostos, não abrindo, que se saiba, qualquer excepção para os futebolistas...



Tal poder carecia de ser pomposamente exibido, e vários eleitores dos períodos barroco e rococó optaram pela construção de belos palácios, com destaque para os arredores de Munique. O palácio de Nymphenburg foi um deles e, com as ampliações efectuadas ao longo da vida, tornar-se-ia no mais imponente castelo alemão do período barroco. Destinado a residência de Verão do eleitor Ferdinand Maria (1636-1679) e da sua esposa Henriette Adelaide de Savoy, começou a ser construído em 1664, seguindo os planos do arquitecto italiano Agostino Barelli (1627?-1687?) e finalizaria, na sua primeira versão, em 1679.



Foi o filho do casal, o igualmente eleitor Max Emanuel (1662-1726), quem deu ao palácio a sua actual dimensão. Primeiro sob a supervisão do arquitecto Enrico Zuccalli (1642-1724) e, mais tarde, influenciado pela temporada (forçada) que viveu em Paris, orientado por uma data de artistas franceses, destacando-se o arquitecto Dominique Girard. Os eleitores Karl Albrecht (1697-1745) e Maximilian III Joseph (1727-1777) deram também o seu contributo, melhorando o extenso jardim e enriquecendo a decoração do interior do palácio.


Internet

Palácio de Nymphenburg
Castles.org / Wikipedia / Muenchen.de

17/07/2006

Pianistas #14: Rosalyn Tureck (1914-2003)

Com o falecimento, há 3 anos, da pianista norte-americana Rosalyn Tureck, desapareceu um dos maiores intérpretes de Bach (1685-1750) de todos os tempos.


Rosalyn Tureck

Igualmente à vontade noutros compositores, como Brahms (1833-1897), Chopin (1810-1849), Liszt (1811-1886) ou Rachmaninov (1873-1943), serão contudo as suas interpretações de Bach que ficarão para a posteridade. É, aliás, significativo, que o primeiro duplo CD com interpretações suas que saiu na série Great Pianists of the 20th Century, lançada pela Philips, contenha exclusivamente obras de Bach.


CDs



Great Pianists of the 20th Century
Rosalyn Tureck
Philips 456 976-2

Johann Sebastian Bach
Das Wohltemperierte Klavier, BWV846-893.
Rosalyn Tureck (piano)
Deutsche Grammophon 463 305-2

Johann Sebastian Bach
Das Wohltemperierte Klavier, BWV846-869.
Rosalyn Tureck (piano)
BBC Legends BBCL4109-2


Internet

http://www.tureckbach.com/
http://www.connectedglobe.com/tbrf/tureck.html
http://www.blogofdeath.com/archives/000155.html
http://buckinghamhotel.com/buckingham_heritage_and_culture/guests_Rosalyn_Tureck.cfm

16/07/2006

Exposições #9: Espíritos Elementares

A exposição "Espíritos Elementares" do fotógrafo portuense Paulo Gaspar Ferreira (1964-), que decorreu entre os passados dias 20 de Maio e 18 de Junho no Museu Municipal Amadeo de Souza Cardoso foi o motivo ideal para mais uma deslocação a Amarante, terra de Teixeira de Pascoaes (1877-1952) e Agustina Bessa Luís (1922-), além do próprio Amadeo de Souza Cardoso (1887-1918), evidentemente, e que hoje celebra o 21º aniversário de elevação a cidade. E cidade com elevação, digo eu, como demonstrou recentemente ao dar uma lição ao artista do Marco de Canaveses que se quis fazer convidado...

A acompanhar as fotografias, vinte e três ao todo, alguns poemas inéditos, como este, de António Ramos Rosa:

Dorme nessa praia com o sono do mar
Dormia com o murmúrio do sol
num maravilhoso deserto
dormia dentro de uma gruta marinha
as minhas mãos flutuavam nas ondas suavíssimas
uma chama ardia lenta e fina no silêncio de uma casa
sentia um poder redondo e quente
eu era um corpo absoluto no verão branco
uma sombra fluía com uma chama no centro

Em 2004, Paulo Gaspar Ferreira havia publicado um livro, entitulado "Nenhuma Flor, Oito Imagens e o dizer dos lábios", em que fotografias suas apareciam igualmente acompanhadas de poemas, dessa vez a propósito do incêndio ocorrido na Granja de Belgais, a casa onde a pianista Maria João Pires fundou o Centro para o Estudo das Artes.




Internet

Amarante
Município amarante / ANMP / Wikipédia

13/07/2006

Compositores #66: Arnold Schoenberg (1874-1951)

Em Outubro de 2004, quando aqui se trouxe o compositor austríaco Alexander Zemlinsky (1871-1942), referiu-se a forte amizade que o ligou ao igualmente compositor Arnold Schoenberg. Este chegou a ser seu aluno de composição, aí por volta de 1895 e, mais tarde, casaria com uma irmã sua. Quis o destino, e Hitler também..., que Zemlinsky e Schoenberg acabassem nos Estados Unidos, depois de, em 1933, ambos terem sido forçados a deixar Berlim. Em costas opostas, contudo, já que Zemlinsky fixou-se em Nova Iorque e Schoenberg em Los Angeles.

Schoenberg não nasceu no seio de uma família eminentemente musical nem teve uma educação musical formal, tendo sido, em larga medida, um auto-didacta. Algo de extraordinário, para alguém que viria a ser uma das figuras mais marcantes do meio musical da 1ª metade do século XX (e dos anos que se seguiram...), pela introdução da atonalidade e da equivalência dos 12 meios-tons da escala cromática. Com os seus discípulos Alban Berg (1885-1935) e Anton Webern (1883-1945) viria a dar origem à 2ª Escola de Viena, alicerçada no novo sistema introduzido por Schoenberg. Como é natural nestas coisas, nem todos apreciaram tais modernidades, e Schoenberg ganhou ferozes inimigos entre a audiência (mais) conservadora de Viena.

A atonalidade, primeiro exibida nos últimos andamentos do 2º Quarteto de Cordas, de 1908, e no ciclo de canções Das Buch der hängenden Gärten, atingiria maior notoriedade com a ópera Erwartung e as 5 Peças Orquestrais, ambas de 1909, e com Pierrot lunaire, de 1912. Mais tarde, já depois da mudança para os Estados Unidos, regressaria esporadicamente à tonalidade, de que são exemplos o Concerto para Violino, de 1935, e o Quarteto de Cordas Nº4, do ano seguinte.

Arnold Schoenberg faleceu há 55 anos, no dia 13 de Julho de 1951.


CDs



Arnold Schoenberg
Erwartung. Brettl Lieder.
Jessye Norman (soprano)
Metropolitan Opera Orchestra
James Levine
Philips 426 261-2

Arnold Schoenberg
Pierrot Lunaire, Op.21. Herzgewächse, Op.20.
Ode to Napoleon, Op.41.
Christine Schafer (soprano), David Pittman-Jennings (narrador)
Ensemble InterContemporain
Pierre Boulez
Deutsche Grammophon 457 630-2

Arnold Schoenberg
Five Orchestral Pieces, Op.16.
Alban Berg
Lulu - Suite.
Anton Webern
Six Orchestral Pieces, Op.6.
Arleen Augér (soprano)
City of Birmingham Symphony Orchestra
Simon Rattle
EMI 5 58792-1


Internet

Arnold Schoenberg
Classical Music Pages
/ Arnold Schoenberg Center / Wikipedia / Arnold Schoenberg: The American Works

11/07/2006

Tenores #5: Nicolai Gedda (1925-)

Nicolai Gedda, tenor sueco que hoje celebra o seu 81º aniversário, abordou um repertório extensíssimo, que foi do barroco ao contemporâneo, interpretando com igual brilho obras de compositores alemães, franceses, ingleses, italianos, norte-americanos, russos e suecos.

Problemas financeiros (falta de guita...) impediram-no de ter aulas de canto mais cedo, e apenas a generosidade de um cliente (mais abonado) do banco onde Gedda trabalhava lhe permitiu ter lições com Karl-Martin Oehmann (1887-1967), ele próprio com uma carreira operática como tenor. As estreias, no palco e discográfica, aconteceram em 1952. A primeira teve lugar na Ópera de Estocolmo, onde fez o papel de Chapelou na ópera Le Postillon de Lonjumeau do compositor francês Adolphe Adam (1803-1856); a segunda deveu-se ao facto de, por essa altura, o famoso produtor Walter Legge (1906-1979) estar por aquelas bandas, e ter ficado suficientemente impressionado para o convidar de imediato para as gravações de Boris Godunov, de Modest Mussorgsky (1839-1881). É que, além de sueco, Gedda falava fluentemente russo, e já para não falar no desenrascanço em alemão, italiano, frances, inglês, latim, etc. Refira-se que na altura em que Legge efectuou o convite ainda Gedda não se tinha estreado no palco...


CDs




Georges Bizet
Carmen.
Victoria de los Angeles, Janine Micheau, Denise Monteil,
Monique Linval, Marcelle Croisier (sopranos), Nicolai Gedda,
Michel Hamel, Bernard Plantey (tenores), Ernest Blanc,
Jean-Christophe Benoit (barítonos), Xavier Depraz (baixo)
French National Radio Choir
French National Radio Symphony Orchestra
Thomas Beecham
EMI GROC 5 67357-2
(1958-9)

Georges Bizet
Carmen.
Mario Carlin, Nicolai Gedda (tenores), Enzo Sordello, Michel
Roux, Gino del Signore, Frederick Guthrie (baixos), Hilde Güden,
Graziella Sciutti (sopranos), Giulietta Simionato (meio-soprano)
Vienna Philharmonic Orchestra
Herbert von Karajan
Andante AN3100
(1954)

Richard Strauss
Capriccio.
Elisabeth Schwarzkopf, Anna Moffo (sopranos), Eberhard
Waechter, Dietrich Fischer-Dieskau, Karl Schmitt-Walter (barítonos),
Nicolai Gedda, Rudolph Christ, Dermot Troy (tenores)
Philharmonia Orchestra
Wolfgang Sawallisch
EMI GROC 5 67394-2

Giacomo Puccini
Turandot.
Jane Eaglen, Mary Plazas (sopranos), Dennis O'Neill, Clive
Bayley (baixos), Peter Sidhom, Simon Bailey (barítonos),
Mark Le Brocq, Peter Wedd, Nicolai Gedda (tenores)
Geoffrey Mitchell Choir
Philharmonia Orchestra
David Parry
Chandos CHAN3086


Internet

Nicolai Gedda
Nicolai Gedda Homepage / Wikipedia / Bach Cantatas