31/08/2006

Lugares #143

Algumas das raízes aqui do agregado são da região de Dão-Lafões, algo já anteriormente referido nestas páginas. Um dia destes fomos até Vouzela atraídos, entre outras coisas, pelos pastéis típicos lá do sítio, óptimos para elevar o espírito... e o nível do colesterol. Para os eventuais interessados, basta que procurem o centro histórico da localidade e façam uma visita à pastelaria, que fica logo ali ao lado da igreja de S. Frei Gil.

Satisfeita a gulodice, o destino seguinte foi uma pequena freguesia, de pouco mais de 700 habitantes e com o curioso nome de Paços de Vilharigues. Refira-se já agora que as tais 700 almas se distribuem por 4 povoações, sendo uma delas a de Vilharigues. E é nesta que se encontra o principal motivo de interesse, e aquele que nos levou a tal deslocação: a torre medieval que a encima, a Torre de Vilharigues, construção dos finais do século XIII ou inícios do XIV, de que apenas restam de pé duas das quatro paredes. Nas que sobraram observam-se dois vistosos mata-cães, nome que sempre achei curioso: não bastava aos defensores usarem-nos para arremessar tudo e mais alguma coisa sobre os esforçados atacantes, o que incluía por vezes alguns líquidos previamente aquecidos, como ainda lhes chamavam nomes...




Internet

Torre de Vilharigues
Wikipédia / Câmara Municipal de Vouzela / Neoarqueo

28/08/2006

Obras Orquestrais #11: Concerto para Orquestra, de Michael Tippett

O Festival Internacional de Edinburgo teve a sua primeira edição em 1947, pouco tempo depois do final da 2ª Grande Guerra portanto, e com o objectivo de enriquecer a vida cultural da Europa em geral, e da Grã-Bretanha e da Escócia em particular. Tinha ainda como objectivo, que ainda hoje se mantém, o desenvolvimento do turismo, razões (que têm sido) suficientes para receberem continuados apoios do sector público que, em 2005, totalizaram 3,23 milhões de libras (mais de 4,7 milhões de euros), representando perto de metade dos custos totais do festival. Há que ter uma visão para além da meramente economicista, algo aparentemente difícil de entender pelos nossos amigos auto-intitulados de liberais, pujantes e inflexíveis na defesa do princípio de que não deveria haver subsídios para ninguém.

No início da década de 1960, o Festival de Edinburgo, de que George Henry Hubert Lascelles (1923-) era director na altura, encomendou uma obra ao compositor Michael Tippett
(1905-1998), de que resultou o Concerto para Orquestra. O nome deve-se ao facto de os intrumentos serem agrupados em vários concertinos, um pouco como no concerto grosso, só que, ao contrário deste, sem a oposição entre o agrupamento de músicos solistas (o concertino) e o conjunto intrumental acompanhador (o ripieno). Composta em 1963, foi dedicada a outro grande compositor inglês, Benjamin Britten (1913-1976), e teve a sua estreia no dia 28 de Agosto desse mesmo ano.


CD



Michael Tippett
Concerto for Violin, Cello and Orchestra. Concerto for Orchestra.
Levon Chilingirian (violino), Simon Rowland-Jones (viola),
Philip de Groote (violoncelo)
Bournemouth Symphony Orchestra
Richard Hickox
Chandos CHAN9384
(1995)


Internet

Festival de Edinburgo
Edinburgh International Festival
/ Wikipedia

Michael Tippett
Official Website / Wikipedia / The Society of Recorder Players / BBC

27/08/2006

Lugares #142

No século IX foi fundada pelo príncipe Borijov, no alto de um rochedo, a cidadela principesca, que mais tarde viria a tornar-se no castelo dos reis checos. Inicialmente rodeado por paliçadas, apenas em meados do século XI seriam construídas as muralhas de pedra, por ordem do príncipe Bretislav I.

No interior das muralhas do castelo encontram-se, entre outros edifícios, três igrejas, um mosteiro e um palácio. Este último, o Palácio Real ou Kralovský Palác, foi a sede dos príncipes da Boémia desde que as referidas muralhas de pedra foram construídas, e até ao século XVI. Tal como o castelo propriamente dito, também o palácio real foi sendo alvo de modificações e adições ao longo dos séculos.

As caves da estrutura actual correspondem ao palácio românico inicialmente construído por Sobeslav I, na primeira metade do século XII. Mais tarde, outros dois palácios foram adicionados, mandados construir por Premysl Otakar II e Carlos IV. Para completar o ramalhete, Vladislau Jagelão dedidiu adicionar-lhe mais um andar, para lá criar um salão a que, convenientemente, deu o nome de... Salão Vladislau. O arquitecto contratado para fazer o serviço, Benedikt Ried, aproveitou para combinar o gótico tardio com elementos renascentistas.

Ainda dentro dos domínios do palácio encontra-se uma igreja, a de Todos-os-Santos, construída no século XII, consagrada em 1185, e totalmente refeita uns séculos mais tarde, após ter sido quase destruída por completo por um incêndio em 1541.




Internet

Prague - Old Royal Palace / The Old Royal Palace

25/08/2006

Baixos-Barítonos #2: José van Dam (1940-)

Frédéric Anspach (1908-), tenor belga, foi professor de canto nos Conservatórios Reais de Liège e de Bruxelas, onde teve como alunos, entre outros, o baixo Jules Bastin (1933-1996) e o baixo-barítono José van Dam (1940-), que hoje celebra o seu 66º aniversário.

Depois de terminado o conversatório, van Dam mudou-se para Paris, onde integrou o elenco da respectiva Ópera, e estreou-se em 1961 com o papel de D. Basílio em Il Barbieri di Siviglia, de Gioacchino Rossini (1792-1868). Entre 1967 e 1973 integra a
Deutsche Oper Berlin e, em 1968, faz a sua primeira aparição em Salzburgo onde, sob a direcção de Herbert von Karajan (1908-1989), canta os vilões em Les Contes d'Hoffmann, de Jacques Offenbach (1819-1880).

Salzburgo seria, aliás, um dos vários palcos em que brilhou intensamente. Foi durante o respectivo festival que, por exemplo, em 1998, teve lugar uma extraordinária récita da ópera Saint François d'Assise de
Olivier Messiaen (1908-1992), com van Dam no papel principal, récita esta disponível em disco editado pela Deutsche Grammophon. Foi o próprio van Dam quem, em 1983, tinha criado pela primeira vez este personagem, aquando da estreia da ópera no dia 28 de Novembro. E sobre quem Messiaen teceu rasgados elogios, tendo dito ser van Dam, na sua opinião, "o maior barítono vivo".


CDs



Richard Strauss
Salome.
Hildgard Behrens (soprano), José van Dam (baixo-barítono),
Karl-Walter Böhm, Wieslaw Ochman (tenores), Agnes Baltsa,
Heljä Angervo (meios-sopranos)
Vienna Philharmonic Orchestra
Herbert von Karajan
EMI GROC 5 67080-2
(1977-8)

Olivier Messiaen
Saint François d'Assise.
Dawn Upshaw (soprano), José van Dam (baixo-barítono),
Chris Merritt, John Aler, Guy Renard (tenores),
Urban Malmberg (barítono)
Arnold Schoenberg Choir
Hallé Orchestra
Deutsche Grammophon 20/21 445 176-2
(1998)

Jules Massenet
Manon.
Angela Gheorghiu, Anna Maria Panzarella (sopranos),
Roberto Alagna, Gilles Ragon (tenores), Earl Patriarco,
Nicolas Rivenq (barítonos), José van Dam (baixo-barítono),
Sophie Koch (meio-soprano)
Chorus of La Monnaie
Symphony Orchestra of La Monnaie
Antonio Pappano
EMI 5 57005-2


DVD



Giuseppe Verdi
Il trovatore.
Plácido Domingo (tenor), Raina Kabaivanska (soprano), Piero
Cappuccilli (barítono), Fiorenza Cossotto (meio-soprano),
José van Dam (baixo-barítono)
Vienna State Opera Chorus
Vienna State Opera Orchestra
Herbert von Karajan
TDK DV-CLOPIT
(1978)


Internet

José van Dam
Bach Cantatas / Wikipedia / José van Dam

24/08/2006

Estadistas #1: Joaquim António de Aguiar (1792-1884)

Já por diversas vezes aqui se falou da extinção das ordens religiosas a propósito, por exemplo, da igreja de S. Francisco, do mosteiro de S. Martinho de Tibães e do mosteiro de Leça do Balio. Foi Joaquim António de Aguiar, à altura ministro da Justiça, quem, em Maio de 1834, assinou o decreto que extinguiu as ordens religiosas em Portugal. Assunto delicado, está bom de ver, tendo sido o texto da autoria do próprio rei D. Pedro IV (1798-1834), o Rei-Soldado, e a sua impressão envolta no mais rigoroso sigilo. Ao ponto de Joaquim António de Aguiar a ter acompanhado pessoalmente e apenas abandonado a tipografia após o diploma estar na rua e ser do conhecimento público, o que lhe valeu de imediato a alcunha de Mata-Frades, com que ficaria para a posteridade.

Não deixa de ser irónico, aliás, que seja esta sua decisão aquela por que é mais lembrado, relegando para plano secundário tudo o resto. Que inclui, por exemplo, ter sido presidente do conselho, o equivalente actual a primeiro-ministro, por 3 vezes, entre 1841 e 1842, em 1860 e, finalmente, entre 1865 e 1866. Liberal convicto, já anteriormente tinha estado envolvido na guerras liberais tendo, inclusivé, sido forçado a emigrar, participando depois nos desembarques na
ilha Terceira e na praia do Mindelo, à semelhança do escritor Almeida Garrett (1799-1854).

Joaquim António de Aguiar nasceu há 214 anos, no dia 24 de Agosto de 1792.


Internet

Joaquim António de Aguiar
Portugal - Dicionário Histórico / Wikipédia / Monumento a Joaquim António de Aguiar

22/08/2006

CDs #92: Gina Bachauer, The first HMV recordings

O nome da grega Gina Bachauer (1913-1976) não será dos mais conhecidos actualmente. Também não o foi para os pais dela durante uns bons anos, já que nasceu Luisa Dorothea Bachaouer, e só durante a juventude decidiu mudá-lo...

A própria data de nascimento não é assunto resolvido. Aparece como 1913 na maior parte das referências bibliográficas, senão mesmo em praticamente todas, mas no livro que acompanha este disco começa-se por ler o seguinte: "It has been established that the much-quoted birth date of 1913 is incorrect." Segundo Bryan Crimp, o autor desta frase, o ano correcto será 1910...

Não havendo, aparentemente, dúvidas quanto à data da sua morte, ocorrida há 30 anos, no dia 22 de Agosto de 1976, optei por trazer este disco à baila hoje... É que Gina Bachauer foi uma extraordinária pianista, particularmente celebrada no romântico tardio, e havia que assinalar a data!


Gina Bachauer com Sir John Gielgud (1904-2000)

Depois de ter obtido a Medalha de Ouro do Conservatório de Atenas, em 1929, foi estudar para Paris com o grande pianista Alfred Cortot (1877-1962). Viria ainda a trabalhar com outro destacadíssimo pianista e compositor,
Sergei Rachmaninov (1873-1943).

Estreou-se em Londres em 1932 e, no ano seguinte, obteria a Medalha de Ouro do Concurso Internacional de Pianistas de Viena. Após ter passado a 2ª Grande Guerra no Egipto, onde deu inúmeros recitais para as forças aliadas, regressou a Londres, em 1945, e fez a sua estreia no Carnegie Hall de Nova Iorque, em 1950. Foi aí que a sua carreira internacional realmente arrancou, apesar de, na estreia, apenas terem estado 35 pessoas a assistir...

Neste disco Gina Bachauer interpreta obras de Bach, Liszt e Mozart, com qualidade de interpretação constante (e muito elevada) e de som variável: sofrível nas gravações de 1949 (Bach-Busoni, Liszt), muito razoável nas de 1951 (Mozart, Liszt-Busoni). Em qualquer dos casos, grandes audições!



J. S. Bach - Busoni
Toccata, Adagio & Fugue in C major, BWV564.
Liszt
Funnérailles (Harmonies poétiques et religieuses, S173/7).
Hungarian Rhapsody No.12 in C sharp minor, S244/12.
Mozart
Piano Concerto No.12 in C sharp minor, K537, "Coronation".
Liszt - Busoni
Rapsodie espagnole.
Gina Bachauer (piano)
New London Orchestra
Alec Sherman
APR Recordings APR 5643


Internet

Gina Bachauer:
Biografia / Gina Bachauer International Piano Foundation

21/08/2006

Lugares #141

O mais conceituado arquitecto português da actualidade tem uma visão para o Porto. Diligentemente aplicada na sua mais emblemática avenida, o sizento granítico da moda deixou-a despida e sem vida. De que lado estará a razão? Do visionário que a transformou, ou de todos os outros, simples mortais incapazes de compreender a beleza da obra, e que dela fogem como o diabo da cruz?!


19/08/2006

SACDs #8: George Enescu, The Two Piano Sonatas

No que toca a versatilidade, não haverá muitos que possam ombrear com o romeno George Enescu (1881-1955): além de violinista virtuoso, foi compositor, maestro e pedagogo, além de se desenrascar perfeitamente como pianista, organista e violoncelista! Ao ponto de o seu parceiro de muitos recitais, o pianista francês Alfred Cortot (1877-1962), ter chegado a afirmar que Enescu possuía uma técnica pianística melhor do que a dele...

A faceta de instrumentista virtuoso eclipsou em boa medida a de George Enescu compositor, pelo que a sua obra é ainda hoje, e de uma forma geral, desconhecida. Para tal terá também contribuído o enorme sucesso obtido pelas Duas Rapsódias Romenas, Op.11, compostas em Paris entre 1901 e 1902, e que relegaram para um segundo plano toda a sua restante produção musical. A ponto de o próprio compositor não entender tal popularidade e por elas ter chegado a desenvolver um ódio de estimação...

Enescu não escreveu muitas peças para piano: três Suites, duas Sonatas, um Prelúdio e Fuga, umas Variações para dois pianos, e peças várias a que não foram atribuídos números opus. Este duplo SACD, com a pianista, igualmente romena, Luiza Borac, contém exclusivamente peças para piano de Enescu, com especial destaque para as Sonatas para Piano. A Sonata para Piano Nº1 foi escrita entre Julho e Agosto de 1924 e estreada pelo próprio autor em Bucareste em Novembro de 1925. É uma das grandes sonatas do século XX, cujo final low-profile, um longo andamento lento, justificará o ser pouco conhecida. A Sonata para Piano Nº3, composta entre Outubro de 1933 e Janeiro do ano seguinte, não será mais conhecida do que a anterior, mas é uma obra que respira ritmo e alegria, em nítido contraste com os sérios problemas pessoais que enfrentava na altura.




George Enescu
Prelude and Fugue in C major. Nocturne in D flat major.
Scherzo. Pièce sur le nom de Fauré.
Piano Sonata No.1 in F sharp minor, Op.24/1.
Piano Sonata No.3 in D major, Op.24/3.
Luiza Borac (piano)
Avie AV2081
(2005)


Internet

George Enescu
George Enescu / À la découverte de Georges Enesco / Wikipedia

18/08/2006

Compositores #69: João Domingos Bomtempo (1775-1842)

Entre 1750 e 1777 reinou no nosso país D. José I, por sinal o único rei da nossa história a ostentar tal nome. Cognominado o Reformador, se bem que haja muito boa gente que pense que o título deveria ter tido outro destino, o do seu primeiro ministro, Sebastião José de Carvalho e Melo (1699-1782), também conhecido como Marquês de Pombal.

Francesco Saverio Buontempo, oboísta, era um dos músicos que o rei, amante da ópera e do teatro, tinha ao seu serviço na Corte de Lisboa. Um dos seus 10 filhos, que o homem era extremamente produtivo, foi João Domingos Bomtempo que, ainda muito novo, começou a estudar oboé, piano e contraponto, e que, em 1795, com a morte do pai, tornar-se-ia oboísta principal da Orquestra Real. Em 1801 mudou-se de armas e bagagens para Paris, para aí aperfeiçoar os seus conhecimentos, e por lá ficou até ao final da década. E foi lá que encontrou aquele que o iria marcar decisivamente, pela influência que musicalmente exerceu: o compositor italiano Muzio Clementi (1752-1832), que se dedicou igualmente ao ensino e foi professor, entre outros, de
John Field (1782-1837).

O nosso João Domingos Bomtempo não se deu nada mal em Paris, e começou a fazer nome, não só como compositor, mas igualmente como pianista. Em 1809 editou a Sinfonia Nº1 e, no ano seguinte, mudou-se para Londres. O regresso a Portugal aconteceu em 1814, mas não de forma definitiva, pois continuou a deslocar-se frequentemente às capitais inglesa e francesa. Tal só aconteceu em 1820, ano em que se instalou de vez em Lisboa. Em 1822 fundou a Sociedade Filarmónica, graças ao bom relacionamento que mantinha com o rei D. João VI (1767-1826), cujo reinado ficou marcado pelas invasões francesas e pela revolução liberal. Pois foram os acontecimentos da revolução liberal que levaram, em 1823, ao fim dos concertos que a Sociedade Filarmónica levava a cabo na rua Nova do Carmo.

Em 1833 foi criado o Conservatório de Lisboa, de que Bomtempo foi nomeado director e, em 1836, é nomeado director da Escola de Música do Conservatório Geral de Arte Dramática, acabado de criar. Bomtempo faleceu há 164 anos, no dia 18 de Agosto de 1842. Escreveu música para diversas formações, destacando-se 2 sinfonias, 5 concertos para piano e orquestra, música de câmara, cantatas e obras religiosas, entre as quais o Requiem em Memória de Camões.


CD



João Domingos Bomtempo
Symphony No.1, Op.11. Symphony No.2.
Algarve Orchestra
Álvaro Cassuto
Naxos 8.557163


Internet

João Domingos Bomtempo
Wikipédia / Vidas Lusófonas / Biografia

15/08/2006

CDs #91: Brahms, Piano Concerto No.1, Schnabel, LPO, Szell

"Diz-me com quem andas, dir-te-ei quem és"...


Artur Schnabel

O pianista austríaco, naturalizado norte-americano, Artur Schnabel (1882-1951) tocou com, e vou referir apenas alguns, Pablo Casals, Carl Flesch, Pierre Fournier
, Paul Hindemith (músicos), Serge Koussevitsky, Malcolm Sargent, Bruno Walter, George Szell e Adrian Boult (maestros).


Koussevitsky, Sargent, Walter, Szell, Boult

Schnabel foi um grande pianista, especialmente grande em Mozart, Beethoven e Schubert. As suas interpretações de Johannes Brahms (1833-1897), que ele conheceu pessoalmente e de quem foi amigo, não são tão conhecidas, apesar de ter tocado inúmeras vezes os seus Concertos para Piano.

Uma dessas vezes foi em Janeiro de 1938, quando gravou o Concerto para Piano Nº1, com a Orquestra Filarmónica de Londres
dirigida por George Szell. Para ser mais correcto, foram duas vezes, porque no final desse ano tiveram que voltar aos famosos estúdios de Abbey Road, em Londres, para dar uns "jeitos" nos primeiro e último andamentos... Na altura as gravações foram efectuadas para a HMV, estando agora (há já algum tempo...) disponíveis na Naxos.

Schnabel dedicou igualmente uma boa parte da sua vida ao ensino, tendo tido como alunos, por exemplo, Clifford Curzon
, Rudolf Firkusny e Leon Fleisher. Passam hoje 55 anos sobre a data do falecimento de Artur Schnabel, a 15 de Agosto de 1951.



Johannes Brahms
Piano Concerto No1. in D minor, Op.15. (1938)
Intermezzo in E flat major, Op.117 No.1. (1947)
Intermezzo in A minor, Op.116 No.2. (1947)
Rhapsody in G minor, Op.79 No.2. (1947)
Artur Schanbel (piano)
London Philharmonic Orchestra
George Szell
Naxos Historical 8.110664


Internet

http://ludwig0van0beethoven.tripod.com/schnabel.html
http://www.jeffreychappell.com/kb_schnabel.htm
http://www.abbeyroad.co.uk/

14/08/2006

CDs #90: George Prêtre, Poulenc

Quando neste postal de Janeiro do ano passado por aqui se falou do compositor francês Maurice Duruflé (1902-1986), mencionou-se o facto de ter sido professor no Conservatório de Paris. Pois um dos alunos de Duruflé foi o maestro francês Georges Prêtre, nascido em Waziers82 anos.


Georges Prêtre

Prêtre dedicou-se especialmente à ópera, e destacou-se ainda nas interpretações das obras do seu compatriota Francis Poulenc (1899-1963).


Maurice Duruflé, Francis Poulenc

O disco hoje trazido é totalmente preenchido com obras de Poulenc: Les Biches, música para um bailado que teve a sua estreia no dia 6 de Janeiro de 1924; Aubade, igualmente escrita para bailado e estreada a 21 de Janeiro de 1930; e, finalmente, Les Animaux modèles, ainda para um bailado, e estreada na Ópera de Paris no dia 8 de Agosto de 1942. O maestro é, naturalmente, Georges Prêtre, que dirige a Orquestra Filarmonia
e a Orchestre de la Société des Concerts du Conservatoire.



Francis Poulenc
Les Biches, FP36. Pastourelle, FP45. Aubade, FP51. Les Animaux modèles, FP111.
Gabriel Tacchino (piano)
Ambrosian Singers
Philharmonia Orchestra
Orchestre de la Société des Concerts du Conservatoire
Georges Prêtre
EMI Great Artists of the Century 5 62958-2
(gravações: 1980 - Les Biches, Pastourelle; & 1965)


Internet

http://www.byu.edu/music/areas/keyboard/Organ/composers/durufle.html
http://www.geocities.com/Vienna/2820/duru.html
http://www.musica.gulbenkian.pt/?cgi-bin/wnp_db_dynamic_record.pl?dn=db_musica_biographies_pt&sn=musica&orn=409
http://www.opera.it/Operaweb/en/riferimenti/protagonisti/direttori/pretre/scheda.html
http://www.classical.net/music/comp.lst/poulenc.html

13/08/2006

Compositores #68: Jules Massenet (1842-1912)

Antoine-François Prévost d'Exiles (1697-1763), mais conhecido por Abbé Prévost, teve uma vida deveras atribulada, de vocações intermitentes, sacerdócios interrompidos, e uma obra literária por vezes arrebatadora.


Abbé Prévost

O tomo VII das suas Mémoires et Aventures d'un Homme de Qualité qui s'est retiré du Monde, de seu nome L'Histoire du Chevalier des Grieux et de Manon Lescault, deu origem a várias óperas: Manon Lescault (1856) de Daniel Auber (1782-1871), Manon Lescault (1893), de Giacomo Puccini (1858-1924), e Manon (1884), de Jules Massenet, compositor falecido há 94 anos.


Jules Massenet

Manon elevou Massenet para o primeiro plano dos compositores operáticos franceses, posição consolidada posteriormente com as óperas Werther (1892) e Thaïs (1894). Massenet compôs ainda músicas intrumentais, vocais e corais, mas não foi daí que a sua fama veio...


CDs



Jules Massenet
Manon.
A. Gheorghiu, R. Alagna, E. Patriarco, J. van Dam, G. Ragon,
N. Rivenq, A. M. Panzarella, S. Koch, S. Schimmack
Orchestre Symphonique et Choeurs de la Monnaie
Antonio Pappano
EMI 5 57005-2
(1999)

Jules Massenet
Thaïs.
R. Fleming, T. Hampson, D. Grousset, S. Palatchi, E. Shkosa,
M. Devellereau, G. Sabbatini, E. Vidal
Bordeaux Opera Chorus
Bordeaux-Aquitaine National Orchestra
Yves Abel
Decca 466 766-2
(2000)

Jules Massenet
Werther.
J. Baker, J. Roberts, J. Brecknock, P. Wheatley,
H. Blackburn, J. Tomlinson, T. Jenkins
English National Opera Chorus & Orchestra
Charles Mackerras
Chandos CHAN3033
(1977)


Internet

http://en.wikipedia.org/wiki/Abbé_Prévost
http://www.alalettre.com/prevost-manon.htm
http://www.jules-massenet.com/
http://www.morrisonfoundation.org/Massenet_Main_Page.html
http://www.azopera.com/learn/composer/massenet/index.shtml

09/08/2006

Lugares #140

Nos próximos 7 dias as coordenadas do desNorte serão (mais coisa menos coisa...)

Latitude 47º48' Norte
Longitude 13º20' Este

Período durante o qual entrará em serviços mínimos.

Blogues #11

Parabéns (embora um pouco atrasados...) ao Verão Verde, pelo 1º aniversário.

08/08/2006

Obras Orquestrais #10: Abertura 1812, Op. 49, de Tchaikovsky

Em 1874, o compositor russo Piotr Ilyich Tchaikovsky (1840-1893) escreveu o seu Primeiro Concerto para Piano, cuja partitura pôs à consideração de Nikolai Rubinstein (1835-1881), com as consequências que são conhecidas (ver história detalhada aqui). O concerto acabaria por ser estreado por Hans von Bulöw (1830-1894), em Boston, no dia 25 de Outubro de 1875 e, algum tempo depois, Rubinstein reconsideraria a sua posição e viria mesmo a tornar-se num dos seus melhores intérpretes. Tocou-o em Paris em 1878, por exemplo, aquando dos Concertos Russos organizados no âmbito da Exposição Universal.

As coisas ter-se-ão composto entre os dois e, nos inícios da década de 1880, Rubinstein encomendou a Tchaikovsky uma obra destinada a uma de 3 ocasiões a escolher pelo compositor: a inauguração da Exposição Industrial e Artística, o 25º aniversário do reinado do czar Alexandre II (1818-1881) ou a consagração da Catedral de São Salvador, em Moscovo. Apesar de pouco convencido, Tchaikovsky decidiu-se pela exposição e, em carta enviada à sua protectora, Nadezhda von Meck (1831-1894), interrogou-se sobre o que tal obra poderia conter "para além de ruidosos lugares-comuns"...

Pois os lugares-comuns estão lá, desde logo com a citação de partes dos hinos russo e francês, e passando pela utilização de canhões e sinos, numa peça que, apesar de longe de se poder considerar sofisticada, não deixa de exibir as qualidades de orquestração de Tchaikovsky. A estreia teve lugar no dia 8 de Agosto de 1882, com o maestro Ippolit Altani (1859-1993) à frente da orquestra.


CDs



Tchaikovsky
1812 Overture, Op.49. Marche Slave, Op.31. Romeo and Juliet Overture.
Francesca da Rimini, Op.32. Eugene Onegin - Tatyana's Letter Scene.
Eilene Hannan (soprano)
Royal Liverpool Philharmonic Orchestra
London Philharmonic Orchestra
Sian Edwards
Classics for Pleasure 5 75667-2

Tchaikovsky
Capriccio Italien, Op.45. Marche Slave, Op.31. 1812 Overture, Op.49.
String Quartet No.1, Op.11 (arr. Serebrier). Fate, Op.77.
Bamberg Symphony Orchestra
José Serebrier
BIS CD-1283


Internet

Piotr Ilyich Tchaikovsky
Classical Music Pages
/ Wikipedia / Tchaikovsky / Classical.net