31/10/2006

CDs #102: Veracini Sonatas

Francesco Maria Veracini (1690-1768) viajou frequentemente pela Europa, tendo sido um dos primeiros violinistas freelancers, numa altura em que o grande objectivo de qualquer músico era obter um posto permanente (veja-se o caso de Bach, por exemplo, de quem Veracini foi contemporâneo). Nascido no seio de uma família de violinistas, fez os estudos musicais com o tio, Antonio Veracini (1659-1733), e não tardou que iniciasse a ronda europeia: Veneza (1711-1712), Londres (1714), Dusseldorf (1715), Londres de novo, Dresden (1717-1722), Florença (1723-33) e regresso a Londres (1741-1745).

O virtuosismo de Veracini está bem expresso nos escritos do historiador inglês Charles Burney (1726-1814), um antigo aluno de Thomas Arne
(1710-1778): "The year 1714 was rendered an important period for the progress of the violin in this country by the arrival of Geminiani and Veracini, as the abilities of these masters confirmed the sovereignity of the instrument over all others, in our theatres and concerts".

À carreira de violinista, que lhe trouxe fama e fortuna, Veracini juntou a de compositor, tendo escrito música vocal (óperas, cantatas, oratórios, canções), concertos e sonatas para violino (à volta de 60). Veracini faleceu há 238 anos, no dia 31 de Outubro de 1768.




Francesco Veracini
Sonata No.1 from Sonate a violino solo e basso, Op.1.
Sonata No.5 from Sonate a violino, o flauto solo, e basso.
Sonata No.1 from Dissertazioni... sopra l'opera quinta del Corelli.
Sonata No.6 from Sonate accademiche, Op.2.
John Holloway (violino), Jaap ter Linden (violoncelo),
Lars Ulrik Mortensen (cravo)
ECM New Series 476 7055
(2003)


Internet

Francesco Veracini
Classical Net
/ Wikipedia / HOASM

Charles Burney
NNDB / Wikipedia / HOASM

29/10/2006

DVDs #15: David Oistrakh

Tchaikovsky (1840-1893) tinha bons motivos para andar pensativo: em 1874, viu o pianista russo Nikolai Rubinstein (1835-1881) recusar-se a tocar o Concerto para Piano que lhe tinha dedicado, ver este texto de Outubro do ano passado; 4 anos depois, foi a vez do violinista húngaro Leopold Auer (1845-1930) apelidar de "intocável" o Concerto para Violino que Tchaikovsky lhe havia destinado, e recusar-se igualmente a tocá-lo.


Pyotr Ilyich Tchaikovsky, Leopold Auer

Além de violinista, Auer foi um reputadíssimo professor, com destaque para o período em que leccionou no Conservatório de S. Petersburgo, entre 1868 e 1917. Aí teve como alunos, entre outros, Mischa Elman (1891-1967), Jascha Heifetz (1901-1987) e Efrem Zimbalist (1889-1985).


David Oistrakh

Leopold Auer teve assim uma enorme influência sobre a escola russa de violino, a que poucos escaparam. Um dos que o fizeram, curiosamente, foi também um dos maiores: David Oistrakh (1908-1974), nascido em Odessa, cidade onde efectuou os estudos musicais. Extraordinário intérprete dos grandes compositores russos, como Prokofiev, Tchaikovsky e Shostakovich, que a ele dedicou o seu Concerto Nº1 para Violino e Orquestra e que o próprio David Oistrakh estreou no dia 29 de Outubro de 1955.


Lev Oborin, Igor Oistrakh

O DVD que aqui trago hoje oferece-nos um sem número de brindes, de que me permito salientar:

- Abre com o Concerto para Violino, BWV1041, de Bach, com Colin Davis (hoje em dia sir Colin Davis) a dirigir a English Chamber Orchestra
, gravação efectuada em 1961. Cerca de 40 anos depois tive a oportunidade de assistir ao vivo, no Europarque, a um concerto com a Orquestra Sinfónica de Londres a ser por ele dirigida!

- E fecha com David Oistrakh a interpretar a Sonata para 2 Violinos de Prokofiev, acompanhado de seu filho, o igualmente violinista Igor Oistrakh.



David Oistrakh
Bach
Violin Concerto in A minor, BWV1041.
Beethoven
Violin Sonata No.5 in F major, Op.24, "Spring".
Schubert
Violin Sonata in A major, D574 - III: Andantino.
Brahms
Scherzo in C minor (from the F. A. E. Sonata).
Debussy
Clair de lune (from Suite bergamasque).
Prokofiev
Five Melodies, Op.35.
Sonata for 2 Violins in C major, Op.56 - II: Allegro.
Brahms
Violin Concerto in D major, Op.77 - III: Allegro giocoso, ma non troppo vivace.
David Oistrakh, Igor Oistrakh (violinos), Lev Oborin, Frida Bauer (pianos)
English Chamber Orchestra, Colin Davis
BBC Symphony Orchestra, Rudolf Schwarz
EMI Classics DVA 4928369


Internet

http://www.deccaclassics.com/artists/oistrakh/biog.html
http://www.andromeda.at/mus/oist/bio_e.html
http://en.wikipedia.org/wiki/Leopold_Auer
http://www.oistrakh.com/levoborin.html

28/10/2006

Concertos #47

Durante o reinado de Luís XIV (1638-1715) houve um compositor que exerceu um quase total domínio sobre a cena musical parisiense, de uma forma hoje dificilmente compreensível: Jean-Baptiste Lully (1632-1687). Amigo íntimo do rei, chegou ao ponto de, a partir de 1672, deter o direito exclusivo de produzir tragédie lyrique, ou ópera francesa.

De tudo isto resultou o estabelecimento de um modelo para a ópera francesa, modelo esse definido, naturalmente, pelo próprio Lully, e religiosamente seguido durante várias décadas. Quaisquer desvios eram geralmente mal recebidos, pelo que não é de estranhar a controvérsia que se levantou aquando da estreia em 1733 da primeira ópera de Jean-Philippe Rameau (1683-1764), Hippolyte et Ericie. Apesar de o compositor se reclamar da tradição de Lully, as aventuras harmónicas da obra desmentiam-no... Na altura Rameau tinha já 50 anos mas era pouco conhecido como compositor, sendo bem mais popular a sua faceta de teórico, com vários livros já publicados: Traité de l'harmonie (1722), Nouveau système de musique théorique (1726) e Dissertation sur les differents méthodes d'accompagnement pour le clavecin ou pour l'orgue (1732).

Rameau continuaria a dedicar-se à lírica, com mais de duas dezenas de óperas, tanto trágicas como cómicas. De uma delas, Dardanus, escrita em 1739 e posteriormente revista em 1744, ouviremos na próxima Segunda na
Casa da Música a suite homónima, em mais um programa totalmente dedicado à música barroca. As honras da casa estarão a cargo de Ton Koopman (1944-) e da Orquestra Barroca de Amesterdão, por ele fundada em 1979.


Programa

Johann Sebastian Bach
Sinfonia da Cantata BWV42.
Concerto para dois violinos em ré menor, BWV1043.
Jean-Philippe Rameau
Suite "Dardanus".
Carl Philipp Emanuel Bach
Sinfonia Nº1 em ré, H.663.
Johann Sebastian Bach / Ton Koopman
Concerto para traverso, oboé, violino e cordas em dó, BWV1064.
Joseph Haydn
Sinfonia Nº7, "Le Midi".
Ton Koopman (cravo), Margaret Faultless, Nadja Zweiner (violinos)
Orquestra Barroca de Amesterdão
Ton Koopman


Internet

Jean-Philippe Rameau
Rameau - Le Site / Classical Music Pages / Wikipedia / France diplomatie / Baroque Composers and Musicians

26/10/2006

Concertos para Violino #3: Concerto para Violino e Orquestra Nº2, de Shostakovich

O violinista russo David Oistrakh (1908-1974), um dos maiores representantes da escola russa, teve uma relação especial com o compositor, igualmente russo, Dmitri Shostakovich (1906-1975), de quem estreou várias obras, nomeadamente os 2 concertos para violino e a sonata para violino e piano.


David Oistrakh

A admiração era mútua, aliás, e Shostakovich dedicou mesmo a Oistrakh as obras referidas. O Concerto para Violino e Orquestra Nº1 foi estreado em Leninegrado em Outubro de 1955, mas deste se falará noutra ocasião.


Dmitri Shostakovich

Shostakovich ofereceu em 1967 o Concerto para Violino e Orquestra Nº2 a David Oistrakh, como prenda pelo 60º aniversário do violinista. A estreia teria lugar em Moscovo, em Outubro desse ano. Acontece que Oistrakh nasceu em 1908, pelo que o nosso amigo compositor se enganou, antecipando-se um ano!!! A coisa seria remediada no ano seguinte, com nova obra dedicada a Oistrakh, a Sonata para Violino e Piano, Op.134.


CDs



Dmitri Shostakovich
Violin Concerto No.1, Op.77. Violin Concerto No.2, Op.129.
Eugène Ysaÿe
Amitié for 2 violins.
David Oistrakh, Igor Oistrakh (violinos)
Philharmonia Orchestra, Guennadi Rozhdestvensky
USSR State Orchestra, Evgeni Svetlanov
London Philharmonic Orchestra, Malcolm Sargent
BBC Legends BBCL4060-2
(1962, 1961, 1968)

Dmitri Shostakovich
Violin Concerto No.1, Op.77. Violin Concerto No.2, Op.129.
Maxim Vengerov (violino)
London Symphony Orchestra
Mstislav Rostropovich
Warner Elatus 0927-46742-2


Internet

http://www.oistrakh.com/
http://www.andromeda.at/mus/oist/index_e.shtml
http://www.thirteen.org/publicarts/violin/oistrakh.html
http://w3.rz-berlin.mpg.de/cmp/shostakovich.html
http://en.wikipedia.org/wiki/Dmitri_Shostakovich
http://www.schirmer.com/composers/shostakovich_works.html
http://home.wanadoo.nl/ovar/shosopus/shosopus.htm

23/10/2006

Concertos #46

Quando se fala de música antiga, nomeadamente a da renascença e a medieval, há um nome que, invariavelmente, vem à baila, o de Jordi Savall (1941-), num consenso dificilmente atingido na interpretação da grande música de outras épocas.

Uma das consequências do (razoavelmente) recente e crescente interesse pela autenticidade na interpretação da música antiga foi a reabilitação de instrumentos que tinham caído num esquecimento quase total. Foi o caso da viola da gamba, tornada obsoleta pelo aparecimento do violoncelo e hoje em dia, muito por mérito de Jordi Savall, dona de uma popularidade dificilmente imaginável há poucos anos. E já que estamos com a mão na massa, refira-se que o nome viola da gamba (que significa viola dos joelhos) vem do facto de, dadas as suas dimensões, ter de ser presa entre os joelhos para poder ser tocada. Ao contrário da sua antecessora, a viola medieval, também designada por viola da braccio por razões óbvias.

De volta a Jordi Savall, refira-se como relevante, além do casamento em 1968 com o soprano Montserrat Figueras, que recentemente editou um disco extraordinário (uma história para outra altura), os diversos grupos que formou: Hespèrion XX, em 1974, com o nome adequadamente mudado para Hespèrion XXI a partir de 2000; La Capella Reial de Catalunya, em 1987; e Les Concerts des Nations, em 1989, uma orquestra que se dedica principalmente a interpretar obras do período barroco.

Este paleio todo vem a propósito do concerto que Jordi Savall e os grupos Hespèrion XXI e La Capella Reial de Catalunya vão dar no próximo dia 28 na
Casa da Música, indispensável para todos os que nutrem interesse pela música de outros tempos. O programa pode ser consultado aqui.


Internet

Viola da Gamba
Viola da Gamba site / Wikipedia / Federation of Viola da Gamba Societies / Viola da Gamba Society of America

Jordi Savall
Wikipedia / Calouste Gulbenkian Foundation / Musicolog / Aaron Concert Artists

22/10/2006

Violoncelistas #7: Pablo Casals (1876-1973)

Deve-se em grande medida ao catalão Pablo Casals o destaque de que o violoncelo goza hoje em dia como instrumento solista, um papel até então quase exclusivo do piano e do violino. Curiosamente, foram estes dois os instrumentos que Casals começou por estudar, assim como órgão, antes de se ter virado definitivamente para o violoncelo. Instrumento a que assim chegou tardiamente, aos 11 anos, quando estudava em Barcelona.

Iria posteriormente continuar os estudos em Madrid e, depois de uma passagem por Paris onde, entre 1895 e 1898 foi violoncelista solo da Orquestra da Ópera dessa cidade, regressaria a Barcelona, como professor no Conservatório local. Em paralelo, começou a desenvolver uma muito importante carreira de intérprete e, depois de um primeiro quarteto de cordas, formou, em 1905, um notabilíssimo trio, com o pianista Alfred Cortot
(1877-1962) e o violinista Jacques Thibaud (1880-1953).

Como protesto pela condescendência internacional para com o regime de Francisco Franco (1892-1975), Casals retirou-se dos palcos após o fim da 2ª Guerra Mundial, tendo apenas regressado aquando das celebrações do 2ª centenário da morte de Johann Sebastian Bach (1685-1750), em 1950. Continuou a dar recitais até 1973, ano da sua morte, além de ter continuado a reger orquestras. Compôs ainda várias obras, como o oratório El pessebre, sem nunca ter atingido o sucesso que teve como intérprete do violoncelo. Revolucionou a técnica de tocar este instrumento, explorando os seus limites como até então ninguém fizera. E se hoje em dia as obras para violoncelo solo de Bach gozam da popularidade que gozam, é a Pablo Casals que devemos começar por agradecer.

Pablo Casals faleceu há 33 anos, no dia 22 de Outubro de 1973.


CDs



Johann Sebastian Bach
Cello Suites.
Pablo Casals (violoncelo)
EMI GROC 5 62611-2

Felix Mendelssohn
Piano Trio in D minor, Op.49.
Robert Schumann
Piano Trio in D minor, Op.63.
Alfred Cortot (piano), Jacques Thibaud (violino),
Pablo Casals (violoncelo)
Naxos Historical 8.110185


Internet

Pablo Casals
A Portrait of Pablo Casals
/ Wikipedia / Bach Cantatas / Festival Casals / Festival Pablo Casals - Prades

20/10/2006

CDs #101: The Art of Campoli

Rezam as crónicas que o violinista italiano Alfredo Campoli (1906-1991) foi sempre um homem modesto, adepto da discrição, e que se sentia incomodado com a etiqueta de virtuoso que muitos lhe atribuíam. Talvez por via disso não conste da maioria dos dicionários, livros e enciclopédias dedicados às coisas da música. E talvez isso também explique o esquecimento em comemorar o centenário do seu nascimento, hoje assinalado.

Para se ter uma ideia do seu virtuosismo precoce, que o tinha, refira-se que, a partir de 1913, tinha Campoli apenas 7 anos, foi impedido de entrar em concursos de violino, porque... obtinha invariavelmente o 1º prémio. A proibição durou 2 anos, pois havia que dar a oportunidade a outros! Os reconhecimentos e distinções regressariam naturalmente e, em 1919, ser-lhe-ia atribuída uma medalha de ouro pela interpreção do Concerto para Violino de Felix Mendelssohn (1809-1847), precisamente uma das obras constantes do disco ora aqui trazido. Concerto este que Campoli terá tocado mais de 900 vezes...

Dificuldades financeiras fizeram-no criar a sua própria orquestra de música ligeira, após o final da 1ª Grande Guerra. Que obteve um sucesso estrondoso, diga-se, granjeando fama qb ao nosso violinista. Curiosamente, Campoli terminaria com a orquestra aquando da 2ª Guerra Mundial, para que ele próprio pudesse visitar as forças no terreno, tendo para elas tocado inúmeras vezes. Em 1944, Campoli tocou o Concerto para Violino, Op.77, de Johannes Brahms (1833-1897) nos Concertos Promenade, com o seu fundador, Henry Wood (1869-1944) a reger a orquestra.

Neste disco Campoli interpreta ainda o Concerto para Violino de Edward Elgar (1857-1934), com o inglês Adrian Boult (1889-1983) a dirigir a Orquestra Filarmónica de Londres
. Boult tinha uma grande admiração por Campoli e uma vez, após terem executado o Concerto para Violino de Brahms, maestro e orquestra ovacionaram Campoli durante 3 minutos, bem medidos, para evidente embaraço do italiano...




The Art of Campoli
Felix Mendessohn
Concerto for Violin and Orchestra in E minor, Op.64.
Edward Elgar
Concerto for Violin and Orchestra in B minor, Op.61.
Alfredo Campoli (violino)
London Philharmonic Orchestra
Eduard van Beinum, Adrian Boult
Beulah 4PD10
(1949, 1954)


Internet

Alfredo Campoli
Biography
/ The New York Times

19/10/2006

CDs #100: Jacqueline du Pré, Elgar Cello Concerto

Dizem as crónicas que Jacqueline du Pré (1945-1987) decidiu-se a estudar violoncelo quando ouviu pela primeira vez o som desse instrumento, tinha ela 5 anos. A mãe encarregou-se da sua aprendizagem inicial após o que, tinha Jacqueline 10 anos, foi estudar com William Pleeth (1916-1999). Pleeth que, por sua vez, tinha sido aluno de Julius Klengel (1859-1933), tal como a nossa Guilhermina Suggia (1885-1950).

A lista de professores de Jacqueline é deveras impressionante: depois de Pleeth, ela teve a oportunidade de estudar com Pablo Casals (1876-1973), embora por pouco tempo, dada a relação difícil que tiveram, com Paul Tortelier (1914-1990) e com Mstislav Rostropovich (1927-). Rostropovich que chegou mesmo a afirmar que "parecia que ela tinha nascido com um violoncelo nas mãos".

Quando, no dia 21 de Março de 1962, Jacqueline du Pré fez a sua estreia em concerto, interpretando o Concerto para Violoncelo de Edward Elgar (1857-1934), o sucesso foi de tal ordem que a lançou de imediato para o estrelato. 3 anos depois, Jacqueline começou a tocar regularmente com a Hallé Orchestra e o maestro John Barbirolli (1899-1970). No dia 7 de Abril de 1965 interpretaram pela primeira vez em conjunto o referido Concerto para Violoncelo de Elgar e, pouco tempo depois, em Agosto, gravaram-no em estúdio, naquela que será ainda hoje, porventura, a mais famosa gravação desta obra.

Em Janeiro de 1967 a Orquestra Sinfónica da BBC iniciou uma turné por alguns países da Europa de Leste, tendo começado por Praga. Levou consigo dois maestros, John Barbirolli e Pierre Boulez (1925-), e alguns dos melhores solistas britânicos: Jacqueline du Pré, o pianista John Ogdon (1937-1989) e a soprano Heather Harper (1930-). Sabe-se agora que havia nos arquivos da BBC uma gravação de um dos concertos realizados em Praga, de novo com Jacqueline du Pré, John Barbirolli e o Concerto para Violoncelo de Elgar, pela edição recente, de 2005, efectuada pela editora Testament
. É um registo assombroso, que aqui este vosso escriba se apressou a adquirir, mal soube do seu lançamento.

Jacqueline du Pré faleceu há 19 anos, no dia 19 de Outubro de 1987, vítima de esclerose múltipla. Doença que lhe foi diagnosticada no Outono de 1973 e que, nesse mesmo ano, ditou o fim da sua carreira.





Edward Elgar
Cello Concerto in E minor, Op.85.
Johann Sebastian BachSuite No.1 in G for Solo Cello, BWV1007.
Suite No.2 in D minor for Solo Cello, BWV1008.

Jacqueline du Pré (violoncelo)
BBC Symphony Orchestra
John Barbirolli
Testament SBT1388


Internet

Jacqueline du PréHomage Page
/ Elgar Cello Concerto / Jacqueline du Pré
John BarbirolliBach Cantatas / The Barbirolli Society / Wikipedia

17/10/2006

DVDs #14: Alban Berg, Wozzeck

Quando Alban Berg (1885-1935) assistiu à peça Woyzeck, em Abril de 1914, ficou suficientemente impressionado para de imediato projectar uma ópera baseada no texto do dramaturgo e novelista alemão Georg Büchner (1813-1837). Büchner, nascido passam hoje 193 anos e que morreu quando tinha pouco mais de 23 anos, chegou a cursar medicina, publicando até uma tese sobre o sistema nervoso dos peixes, mas foi no campo literário que mais se distinguiu, com as peças Danton's Tod, Leonce and Lena e a referida Woyzeck, que deixou inacabada e apenas seria editada postumamente. Que, por aparentemente alguém se ter enganado a escrever o seu nome aquando da estreia vienense, em 1914, iria dar origem à ópera Wozzeck de Alban Berg...

O próprio compositor se encarregou do libreto e esboçou de imediato parte da ópera, só que o eclodir do conflito mundial forçou o atraso do projecto. Alban Berg finalizou o 1º acto em 1919 e, em 1921, teria a ópera terminada, procedendo à sua orquestração no ano seguinte. A estreia teria lugar em Berlim no dia 14 de Dezembro de 1925, com o maestro Erich Kleiber (1890-1956). Se o texto original de Büchner foi um dos primeiros escritos em alemão em que os personagens principais eram todos de classes sociais mais baixas, a ópera nele baseada foi a primeira atonal. E se esta última característica não terá incomodado demasiadamente as autoridades nazis, já o mesmo não se poderá dizer da primeira.

Com o desenrolar da peça vamo-nos apercebendo de que, embora uns mais do que outros, todos os personagens contribuem para a tragédia de Wozzeck, apenas escapando o seu filho. Só que a este, e é assim que a ópera termina, os amigos vaticinam uma vida penosa, um final que tirou as tais autoridades do sério e levou, em 1933, a que fosse banida dos palcos germânicos.

Para o autor destas linhas a versão aqui hoje trazida, com o maestro Claudio Abbado, o Coro e a Orquestra da Ópera do Estado de Viena e Franz Grundheber, Hildegard Behrens, Walter Raffeiner, Philip Langridge, Heinz Zednik e Aage Haugland nos principais papeis, é a melhor que se encontra nos escaparates.




Alban Berg
Wozzeck
Franz Grundheber (barítono), Walter Raffeiner, Philip Langridge,
Heinz Zednik (tenores), Aage Haugland, Alfred Sramek (baixos),
Hildegard Behrens (soprano)
Chorus and Orchestra of the Vienna State Opera
Claudio Abbado
ArtHaus 100 256
(1987)


Internet

Georg Büchner
Wikipedia
/ Georg Büchner

Alban Berg
Classical Music Pages / Wikipedia / BBC / San Francisco Symphony

15/10/2006

Maestros #25: Karl Richter (1926-1981)

Celebra-se hoje o 80º aniversário do nascimento do cravista, organista e maestro alemão Karl Richter, cujas interpretações da música barroca já não são actualmente tão apreciadas, pelo facto de Richter nunca ter deixado de utilizar intrumentos modernos e de não ter feito uma aproximação às interpretações ao estilo historicamente informado.


Karl Richter

À data da morte de Richter, em Fevereiro de 1981, ocorriam no mundo musical acaloradas discussões sobre o revivalismo e a utilização de instrumentos da época na interpretação da música antiga. Karl Richter nunca alinhou por esse diapasão, e como consequência a sua reputação, principalmente como intérprete de Bach, foi rapidamente desfeita.

Nós aqui, neste dia, recordamos o grande intérprete de Bach e fundador do Coro Bach de Munique e da Orquestra Bach de Munique, que dirigiu durante quase 30 anos.


CDs




Johann Sebastian Bach
Cantatas - BWV 61, 132, 63, 121, 64, 28, 171, 58, 65, 124, 13, 111, 81 & 82.
Edith Mathis, Sheila Armstrong, Lotte Schädle (sopranos)
Anna Reynolds, Hertha Töpper (contraltos)
Peter Schreier, Ernst Haefliger (tenores)
Dietrich Fischer-Dieskau, Theo Adam (baixos)
Munich Bach Choir & Orchestra
Karl Richter
Archiv Produktion 439 369-2

Johann Sebastian Bach
Cantatas - BWV 9, 187, 178, 45, 105, 102, 199, 179, 137, 33, 78, 17, 51, 100,
27, 8 & 148.
Edith Mathis, Ursula Buckel, Maria Stader (sopranos)
Julia Hamari, Hertha Töpper (ocntraltos)
Peter Schreier, Ernst Haefliger, John van Kesteren (tenores)
Dietrich Fischer-Dieskau, Kieth Engen
Munich Bach Choir & Orchestra
Karl Richter
Archiv Produktion 439 387-2

Johann Sebastian Bach
St. Matthew Passion, BWV244.
Edith Mathis, Janet Baker, Peter Schreier, Dietrich Fischer-Dieskau, Matti Salminen
Munich Bach Choir, Regensburger Domspatzen
Munich Bach Orchestra
Karl Richter
Archiv Produktion 427 704-2

Johann Sebastian Bach
Magnificat, BWV140.
Edith Mathis, Maria Stader, Hertha Töpper, Peter Schreier, Ernst Haefliger,
Dietrich Fischer-Dieskau
Munich Bach Choir & Orchestra
Karl Richter
Deutsche Grammophon 419 466-2

Johann Sebastian Bach
6 Brandenburg Concertos. Oboe Concerto, BWV1055.
Concerto for Oboe, Violin and Orchestra, BWV1060.
Munich Bach Orchestra
Karl Richter
Archiv Produktion 427 143-2


Internet

http://www.muenchener-bachchor.de/en/chor/

14/10/2006

CDs #99: Dvorák, Piano Concerto, Violin Concerto

No primeiro dia deste ano alinhavámos um pequeno texto sobre as aventuras que rodearam a composição do Concerto para Violino de Johannes Brahms (1833-1897), e que envolveram, nomeadamente, a alteração de algumas passagens da obra para que ficasse mais a gosto do dedicatário, o violinista virtuoso Joseph Joachim (1831-1907), que a estreou no dia 1 de Janeiro de 1879.

Entre Julho e Setembro de 1879, o compositor checo Antonín Dvorák (1841-1904) manteve-se ocupado a compôr o seu Concerto para Violino que, possivelmente motivado pelo sucesso obtido na estreia do de Brahms, decidiu dedicar a... Joseph Joachim. Mais bem conseguido do que o Concerto para Piano que Dvorák tinha escrito 3 anos antes, em 1876, não se livrou, contudo, de levar com um rol de propostas de correcção por parte de Joachim. Um processo em tudo semelhante ao que tinha acontecido com Brahms e o seu concerto, dado que o nosso amigo Joachim só tocava aquilo que lhe aprazia. Pois também no caso de Dvorák o processo colaborativo estendeu-se, e só em 1883 a obra ficou ao gosto de ambos. Só que Joachim nunca a tocou em público... A estreia, no dia 14 de Outubro de 1883, em Praga, ficou então a cargo do violinista, e amigo de Dvorák, Frantisek Ondricek (1857-1922), com o maestro Moric Anger (1844-1905) a dirigir a Orquestra do Teatro Nacional.

O facto do disco aqui hoje trazido conter ambos os concertos, o Concerto para Piano e o Concerto para Violino, permite confirmar o menor à-vontade de Dvorák, violista de formação, na escrita para piano, em particular nos solos. Assunto para outras alturas...




Antonín Dvorák
Concerto for Piano and Orchestra, Op.33.
Concerto for Violin and Orchestra, Op.53.
Rustem Hayroudinoff (piano), James Ehnes (violino)
BBC Philharmonic Orchestra
Gianandrea Noseda
Chandos CHAN10309
(2004)


Internet

Antonín Dvorák
The Composers of Bohemia
/ Tribute to Antonín Dvorák / Classical Music Pages / Wikipedia

Joseph Joachim
Joseph Joachim / Naxos.com / Wikipedia

12/10/2006

Concertos #45

A designação de barroco aplicada à música, que hoje todos tomamos por natural, apenas começou a ser utilizada no século XX, e para caracterizar o período que foi dos finais do século XVI até a 1750, o ano da morte de Johann Sebastian Bach (1685-1750). Na verdade, não foram assim tão poucos os autores que, ainda em meados do século XX, discordaram em absoluto da aplicação do termo barroco à música, alguns dos quais por o acharem pejorativo. Barroco pode ser traduzido por modo extravagante de compor (ver Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa), o que terá provocado azias a muitos historiadores da música.

Uma das formas mais populares durante o período barroco foi o concerto grosso, caracterizado pela oposição do concertino, o grupo de músicos solistas, ao ripieno, o conjunto instrumental acompanhador. Foi sob a influência de Antonio Vivaldi (1678-1741) que o concerto grosso ganhou uma estrutura padrão: allegro, adagio, allegro.

Vivaldi foi um dos compositores a que se convencionou chamar do barroco tardio, (muito bem) acompanhado por outros como Bach, Georg Friedrich Händel (1685-1759) ou Domenico Scarlatti
(1685-1757). Pois deve-se igualmente a Vivaldi a colocação de um solista em diálogo com a orquestra, característica fundamental do concerto para um instrumento solista, em vez das duas massas em oposição características do concerto grosso. Dos cerca de 550 concertos que Vivaldi escreveu, aí uns 350 foram-no para instrumentos solistas, com particular destaque para o violino, que teve direito a mais de 230.

O concerto do próximo Sábado à noite na Casa da Música será totalmente dedicado ao período barroco, e estará a cargo de uma orquestra especialista na matéria, a Orquestra Barroca da União Europeia, e incluirá, entre outras obras, um Concerto para Violoncelo de Antonio Vivaldi.


Programa

Pietro Locatelli
Introduzione teatrale em si bemol, Op.4 Nº3.
"Il pianto d'Arianna", concerto para violino em mi bemol, Op.7 Nº6.
Antonio Vivaldi
Concerto para Violoncelo em sol menor, RV417.
Evaristo Dall'Abaco
Concerto a piu instrumenti em ré, Op.5 Nº6.
Pieter Hellendaal
Concerto grosso em sol menor, Op.3 Nº1.
Francesco Geminiani
"Follia", Variações sobre um tema de Corelli, Op.5 Nº12.
Christophe Coin (violoncelo), Lidewij van der Voort (violino)
Orquestra Barroca da União Europeia
Christophe Coin


Internet

Concerto Grosso
Wikipedia
/ Il Concerto Grosso

Antonio Vivaldi
Classical Music Pages / Wikipedia / Classical Net / Catalogue RV

10/10/2006

Óperas #12: Porgy and Bess, de George Gershwin

George Gershwin (1898-1937) colocou a fasquia bem alta para a sua segunda ópera, por ele apresentada em 1934 como "uma combinação do drama e romance de Carmen e da beleza de Die Meistersinger". Está visto que Gershwin não se tinha deixado abater pelo facto de a sua primeira ópera não ter obtido grande sucesso aquando da sua estreia, em 1922. Blue Monday era uma pequena ópera de um acto só, com um acentuado tom jazzístico, escrita num curto espaço de 5 dias para a revista da Broadway George White's Scandals. Os escândalos de 1922 de George White tinham um fim assim para o trágico, o que não terá sido do agrado do público, tendo levado à sua imediata retirada de cena.

Para Porgy and Bess, Gershwin baseou-se na primeira novela, Porgy, do escritor DuBose Heyward (1885-1940) que, para a escrever, passou uma boa temporada em Charleston, na Carolina do Sul, por forma a melhor se inteirar do modo de vida dos negros. Isto ter-se-á passado por volta de 1924 e, dez anos depois, o próprio Gershwin passaria o Verão em Charleston, para melhor compreender aquilo que Heyward tinha compreendido...

Gershwin terminou a ópera no curto espaço de 11 meses, tendo a estreia ocorrido em Nova Iorque, no
Alvin Theater, no dia 10 de Outubro de 1935. Com um elenco negro, conforme estipulado pelo compositor, a ópera, apresentada na altura como um musical da Broadway, teve um sucesso bem maior do que a anterior, com 124 récitas. Insuficientes para cobrir o investimento inicial, mas certamente um êxito para Gershwin. O grande sucesso viria mais tarde, aquando da reposição na Broadway, já nos anos 40, e na década seguinte, com a internacionalização. Suficientemente grande para que seja considerada como a ópera americana de maior sucesso do século XX. Hats off...


CD/DVD



George Gershwin
Porgy and Bess.
Willard White (baixo), Cynthia Haymon, Cynthia Clarey, Harolyn
Blackwell (sopranos), Damon Evans (tenor), Bruce Habbard, Gregg
Baker (baixos), Marietta Simpson (meio-soprano)
Glyndebourne Chorus
London Philharmonic Orchestra
Simon Rattle
EMI GROC 4 76836-2 (CD)
EMI 4 92496-9 (DVD)
(1988)


Internet

George White
Broadway: The American Musical / IMDb / Wikipedia

George Gershwin
The Official Website of George & Ira Gershwin / Classical Net / Wikipedia / Americal Masters / Classical Music Pages

09/10/2006

Compositores #73: Einojuhani Rautavaara (1928-)

Em pleno século XX, evoluir da linguagem dodecafónica para uma assumidamente romântica poderá não parecer o percurso normal para um compositor, mas foi exactamente esse o seguido pelo finlandês Einojuhani Rautavaara, que hoje celebra o seu 78º aniversário. Absolutamente normal para o próprio Rautavaara, todavia, se nos lembrarmos das suas próprias palavras: "Se um artista não é moderno enquanto é novo, não tem coração. E se o for enquanto velho, é porque não tem cérebro"...

Discussões sobre quando começa e acaba a juventude à parte, o que é certo é que o período modernista de Rautavaara foi relativamente curto, cerca de uma década e meia, tendo terminado por volta de 1970. A carreira como compositor profissional tinha começado em 1954, com a obra orquestral A Requiem in Our Time. Na altura estudava nos Estados Unidos, para onde tinha ido por especial recomendação do grande compositor finlandês Jean Sibelius
(1865-1957). Com a ópera Apollo contra Marsyas, Rautavaara entraria então no novo período, influenciado pelo romantismo, por permitir maior liberdade estilística, ao não ter coordenadas.

Foi também a partir de 1970 que começou a ganhar maior projecção na Europa, apesar de o seu grande sucesso apenas ter acontecido em 1994, com a Sinfonia Nº7, "Anjo de Luz". Compositor prolífico, ao longo de 7 décadas já escreveu 10 óperas, 8 sinfonias e variados concertos, além de música coral, vocal e de câmara.

Feliz aniversário!


CDs




Einojuhani Rautavaara
Angel of Dusk. Symphony No.2. A Finnish Myth. The Fiddlers, Op.1.
Esko Laine (baixo)
Tapiola Sinfonietta
Jean-Jacques Kantorow
BIS CD-910

Einojuhani Rautavaara
String Quartets - No.1; No.2. String Quintet, "Unknown Heavens".
Jan-Erik Gustafsson (violoncelo)
Jean Sibelius Quartet
Ondine ODE909-2

Einojuhani Rautavaara
Cantus Arcticus, Op.61. Concerto for Piano and Orchestra No.1, Op.45.
Symphony No.3, Op.20.
Laura Mikkola (piano)
Royal Scottish National Orchestra
Hannu Lintu
Naxos 8.554147

Einojuhani Rautavaara
Concerto for Flute and Orchestra, "Dance with the Winds", Op.63.
Anadyomene. On the Last Frontier.

Patrick Gallois (flauta)
Finnish Philharmonic Choir
Helsink Philharmonic Orchestra
Leif Segerstam
Ondine ODE921-2

Einojuhani Rautavaara
Etudes, Op.42. Icons, Op.6. Partita, Op.34.
Piano Sonatas - No.1, "Christus und die Fischer", Op.50; No.2, Op.64.

Laura Mikkola
Naxos 8.554292

Einojuhani Rautavaara
Symphony No.7, "Angel of Light". Cantus Arcticus, Op.61.
Dances with the Winds, Op.69.

Petri Alanko (flauta)
Lahti Symphony Orchestra
Osmo Vanska
BIS CD-1038

Einojuhani Rautavaara
Sacred Works for Mixed Chorus. Ave Maria. Canticum Marie Virginis.
Charity never faileth. Christmas Hymn.

Finnish Radio Chamber Choir
Timo Nuoranne
Ondine ODE935-2

Einojuhani Rautavaara
Piano Concerto No.3, "Gift of Dreams". Autumn Gardens.
Vladimir Ashkenazy (piano)
Helsinki Philharmonic Orchestra
Vladimir Ashkenazy
Ondine
ODE950-2

Einojuhani Rautavaara
Aleksis Kivi.
J. Hynninen, G. Suovanen (barítonos), L. Pöysti (narrador),
E.-L. Saarinen (meio-soprano), H. Juntunen (soprano),
M. Grosso (buffo), L. Virtanen (tenor)
Jyväskylä Sinfonia
Markus Lehtinen
Ondine ODE1000-2D

Einojuhani Rautavaara
Piano Concertos - No.2; No.3, "Gift of Dreams". Isle of Bliss.
Laura Mikkola
Netherlands Radio Symphony Orchestra
Eri Klas
Naxos 8.557009

Einojuhani Rautavaara
Die Liebenden, Op.13. Dream World. Three Sonnets of Shakespeare.
Sacred Feast. In my lover's garden. God's way. The Trip.

Jyrki Korhonen (baixo), Ilkka Paananen (piano)
BIS CD-1141

Einojuhani Rautavaara
Violin Concerto. Symphony No.8, "The Journey".
Jaakko Kuusisto (violino)
Lahti Symphony Orchestra
Osmo Vanska
BIS CD-1315


Internet
Einojuhani Rautavaara

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