30/11/2006

CDs #106: Alkan, Piano Works

Há um pouco mais de um ano, referimos nestas páginas o facto de, nas primeiras décadas do século XIX, apenas um pianista, Sigismond Thalberg (1812-1871), conseguir rivalizar em virtuosismo (e popularidade) com Franz Liszt (1811-1886). Tal afirmação só é verdadeira pelo facto de um outro extraordinário virtuoso do piano, Charles-Valentin Alkan (1813-1888) ter levado uma vida de eremita no centro de... Paris.

Primeiro prémio de solfejo do Conservatório de Paris quando tinha 7 anos, primeiro prémio de piano, do mesmo Conservatório, quando tinha 11, e vencedor do Prémio de Roma em 1834 (um prémio que Ravel, por exemplo, nunca conseguiu ganhar...), parecia talhado para uma grande carreira internacional. A realidade, contudo viria a ser bem diferente: raramente deu recitais públicos e ainda mais raramente saiu de Paris, havendo apenas registos de duas viagens para fora dessa cidade, uma das quais a Londres, em 1833. Em 1838 chegou a dar um recital em conjunto com Chopin (1810-1849), de quem era amigo e grande admirador. Depois disso quase desapareceu de cena, que a misantropia falava mais alto. Reapareceu em 1844, para uma série de recitais e, até 1853, teve apenas aparições esporádicas, registando-se depois uma ausência total dos palcos que durou 20 anos, e assim se explicando o facto de, ainda hoje, o seu nome ser praticamente desconhecido.

O disco aqui trazido é de absoluta referência, dado que o pianista inglês Ronald Smith (1922-2004), além de um excelente intérprete, foi o último grande promotor da música de Alkan, sobre quem escreveu ainda vários livros. O nosso Vianna da Motta (1868-1948) também escreveu sobre a obra de Alkan, num livro intitulado Exercices de virtuosité: tirés des oeuvres de Charles Valentin Alkan: pour piano. Alkan nasceu há 193 anos, no dia 30 de Novembro de 1813.



Charles-Valentin Alkan
Grande Sonate, "Les Quatres Âges", Op.33.
4 Études (12 Études dans tous les tons mineurs, Op.39).
La Chanson de la folle au bord de la mer (Préludes, Op.31).
Allegro barbaro (12 Études dans tous les tons majeurs, Op.35).
Sonatine, Op.61. Trois Études de bravoure, Op.16.
Trois Grands Études pour les deux mains séparées et réunies, Op.76.
Ronald Smith (piano)
EMI Classics Double Forte 5 75649-2


Internet

Charles-Valentin Alkan
The strange case of Charles Valentin Alkan
/ Musicologie.org

Ronald Smith
fitzwilliam college music society

27/11/2006

Cantores #1: Lotte Lenya (1898-1981)

Entre 1918 e 1919, Kurt Weill (1900-1950) estudou na Berlin Musikhochschule com o compositor Engelbert Humperdinck (1854-1921), e nos anos seguintes teria ainda lições com Ferruccio Busoni (1866-1924). Durante a década de 20, Weill travaria conhecimento com aqueles que se viriam a revelar decisivos na sua vida: o maestro Fritz Busch (1890-1951), o escritor Georg Kaiser (1878-1945), o poeta Yvan Goll e o dramaturgo Bertold Brecht (1898-1956).

Também no início da década de 20, a dançarina Lotte Lenya foi para Berlim, e não tardaria muito a trocar a dança pelo teatro, influenciada pelos dramaturgos Franz Wedekind e... Georg Kaiser.

Viria depois a conhecer Kurt Weill, com quem casou em 1926, de quem se tornou uma das mais importantes intérpretes tendo, nomeadamente, estreado papéis em diversas obras, como Die Dreigroschenoper (1928), Mahagonny (1929), Die sieben Todsünden (1933), The Eternal Road (1937) e The Firebrand of Florence (1945).

A estreia como Jenny em Die Dreigroschenoper (A ópera dos três vinténs), em Agosto de 1928, viria a popularizá-la, apesar de, na primeira noite, o teatro ter estado longe de esgotado. O que é certo é que a ópera só sairia de cena em 1933, banida pelo regime nazi. Banida a ópera, e banidos o compositor e a cantora, é bom que se diga!!! O casal mudar-se-ia primeiro para Paris e, em 1935, em definitivo para os Estados Unidos. Em 1931 o realizador Georg Wilhelm Pabst (1885-1967) passou A ópera dos três vinténs para a tela, ainda com Lotte Lenya no papel de Jenny. Lotte Lenya faleceu há 25 anos, no dia 27 de Novembro de 1981.


CDs



Kurt Weill
Der Dreigroschenoper.
Lotte Lenya, Erich Schellow, Willy Trenk-Trebitsch, Trude Hesterburg,
Johanna von Kóczián, Wolfgang Grunert, Inge Wolffberg, Wolfgang Neuss,
Kurt Hellwig, Paul-Otto Kuster, Josef Hausmann, Martin Hoeppner
(Günther) Arndt Choir
Radio Free Berlin Dance Orchestra
Wilhelm Brückner-Rüggeberg
Sony Classical MK42637

Kurt Weill
Der Dreigroschenoper (canções e extractos).
Kurt Gerron, Lotte Lenya, Marlene Dietrich, Willi Trenk-Trebitsch,
Erika Helme, Erich Ponto
Lewis Ruth Band
Theo Mackeben, Peter Paul Kreuder
Teldec 0927-42663-2


Internet

Lotte Lenya: Wikipedea
/ Biografia 1 / Biografia 2
Kurt Weill: The Kurt Weill Foundation for Music
/ Biografia / Óperas

Blogues #13

Uma palavra de agradecimento para o blogue A Arte da Fuga, e em particular para António Costa Amaral, por ter tido a amabilidade de incluir o desNorte na sua lista d'Os melhores blogues 2006. Mesmo correndo eu o risco de vir a ser acusado de estar a alinhar no fishing for cumpliments referido por JPP...

26/11/2006

Concertos para Violoncelo #1: Concerto para Violoncelo e Orquestra, Op.58, de Prokofiev

Na sequência da Revolução de Outubro, o compositor russo Sergei Prokofiev (1891-1953) decidiu pôr-se ao fresco, naquilo que planeava que fosse uma pequena digressão pelos Estados Unidos. Tendo partido em Maio de 1918, chegaria a S. Francisco em Agosto. Os planos iniciais não se confirmaram, e Prokofiev apenas regressaria em definitivo à Rússia em 1936. Para trás tinham ficado os anos da agitação, com o impacto causado pelas primeiras obras que escreveu, e que escandalizaram muito boa gente. Agitação saudável, pois então, esta gerada pela incompreensão de harmonias imprevistas, quando comparada com a outra, estimulada por cartoons nórdicos...

E por falar em incompreensões, em 1931 o pianista norte-americano Paul Wittgenstein (1887-1961) recusou-se a tocar o Concerto para Piano que tinha encomendado a Prokofiev, por dele "não entender uma única nota"... Um concerto para a mão esquerda, naturalmente, que Wittgenstein há muito tinha perdido o braço direito, e que viria a ser estreado apenas após a morte do compositor.

A obra que nos traz aqui hoje foi começada em 1933, ainda Prokofiev residia em Paris, mas foi de gestação prolongada. Prokofiev apenas completaria o Concerto para Violoncelo e Orquestra, Op.58, em 1938, tendo a estreia acontecido no dia 26 de Novembro desse ano. Foi um fiasco assinalável, e nem mesmo a revisão efectuada em 1940 conseguiu aumentar-lhe a popularidade. Uma década depois, Prokofiev voltou a pegar neste material e dele fez uma obra completamente nova, dedicada ao grande violoncelista Mstislav Rostropovich
(1927-). A estreia da Sinfonia Concertante teve lugar em Moscovo no dia 18 de Fevereiro de 1852, com o dedicatário no violoncelo e Sviatoslav Richter (1915-1997) à frente da orquestra. E é assim que chegamos ao fim desta prosa em condições de concluir que lhe foi atribuída o título errado... Um desnorte completo!


CD



Sergei Prokofiev
Sinfonia Concertante.
Dmitri Kabalevsky
Cello Concerto No.2.
Sulkhan Tsintsadze
Five Pieces on Folk Themes.
Daniil Shafran (violoncelo), Nina Musinyan (piano)
USSR State Symphony Orchestra
Leningrad Philharmonic Orchestra
Gennadi Rozhdestvensky, Dmitri Kabalevsky
Cello Classics CC1008


Internet

The Prokofiev Page
/ Sergei Prokofiev's Home Page / The Sergei Prokofiev Website

24/11/2006

Maestros #27: Guido Cantelli (1920-1956)

Durante a década de 1940, Arturo Toscanini (1867-1957), na altura já na casa dos 80 anos, procurava um maestro assistente para a NBC Symphony Orchestra, formada em 1937 para ser dirigida pelo lendário italiano. A escolha recaiu sobre o igualmente italiano Guido Cantelli, imediatamente após Toscanini o ter visto pela primeira vez a actuar no La Scala, em Milão. Impressionado, terá exclamado: "aquele sou eu a dirigir!". Mais tarde, a 16 de Novembro de 1956, Cantelli seria nomeado director musical desse mesmo teatro, para suceder a Carlo Maria Giulini (1914-2005), só que faleceria 8 dias depois, vítima de um acidente de aviação no aeroporto de Orly, em Paris, onde tinha feito uma escala a caminho de Nova Iorque. Hoje, 24 de Novembro de 2006, assinala-se assim o cinquentenário da morte de Guido Cantelli.

As primeiras duas décadas do século XX viram nascer alguns dos mais conceituados maestros: além do já referido Giulini, lembramo-nos também de Herbert von Karajan (1908-1989), Georg Solti (1912-1997), Erich Leinsdorf (1912-1993) e Leonard Bernstein (1918-1990). E claro, está, o mais novo deles todos, Cantelli, sobre quem o mesmo Toscanini afirmou igualmente: "Feliz Guido, que dirige e tem toda uma vida pela frente. Tem talento, é muito bom, e merece todo o sucesso". Ironia do destino, Toscanini, 53 anos mais velho, viria a falecer depois de Cantelli, cerca de 2 meses apenas, e sem nunca ter sido informado da morte do seu jovem protegido.


CDs




Piotr Ilyich Tchaikovsky
Symphony No.6 in B minor, Op.74, "Pathétique".
Romeo and Juliet - Fantasy Overture.
Philharmonia Orchestra
Guido Cantelli
Testament SBT1316
(1951, 1952)

Guido Cantelli
The Debussy Recordings.
Philharmonia Orchestra
Guido Cantelli
Testament SBT1011
(1954, 1955)

Guido Cantelli
The NBC Broadcast Concerts.
NBC Symphony Orchestra
Guido Cantelli
Testament SBT1317

Cantelli
Franz Schubert
Symphony No.2 in B flat major, D125.
Robert Schumann
Symphony No.4 in D minor, Op.120.
Felix Mendelssohn
Violin Concerto in E minor, Op.64.
Jascha Heifetz (violino)
NBC Symphony Orchestra
New York Philharmonic
Guido Cantelli
Archipel CD00052
(1951, 1952)


Internet

Guido Cantelli
Wikipedia / Orchestra Guido Cantelli / Bach Cantatas

Arturo Toscanini
Wikipedia / Toscanini Online / Fondazione Arturo Toscanini

22/11/2006

CDs #105: Rodrigo, Piano Music

O Concierto de Aranjuez é a obra por que todos imediatamente identificam o compositor espanhol Joaquín Rodrigo (1901-1999), esquecendo, frequentemente, tudo o resto que ele compôs.


Joaquín Rodrigo

E a verdade é que Rodrigo escreveu vários concertos, além de outras peças orquestrais, canções e peças instrumentais para, entre outros, violino, violoncelo, guitarra e piano. Rodrigo foi um pianista virtuoso, tocando em recitais músicas suas e de vários outros compositores espanhóis. Este disco que agora aqui trazemos é totalmente composto por peças para piano de Joaquín Rodrigo, com a curiosidade de incluir o Preludio de añoranza, a última obra que escreveu para piano e destinada a celebrar o centenário do nascimento do pianista Artur Rubinstein (1887-1982). Joaquín Rodrigo faleceu no dia 22 de Novembro de 1901.


Artur Rubinstein, Artur Pizarro

O que faz deste disco algo ainda mais especial para nós é o facto de o pianista de serviço ser o português Artur Pizarro, que já tivemos o prazer de ouvir ao vivo duas vezes (ver
aqui e aqui).



Joaquín Rodrigo
A l'ombre de Torre Bermeja. Cuatro piezas para piano. Pastoral.
Preludio de añoranza. Deux berceuses. Bagatela. Cuatro estampas
andaluzas. Sonada de adiós. Serenata española. Air de ballet sur
le nom d'une jeune fille. Zarabanda lejana. Cinco piezas del
siglo XVI. Fantasía que contrahace la harpa de Ludovico.
Artur Pizarro (piano)
Naxos 8.557272
(2003)


Internet

Joaquín Rodrigo:
Página oficial / Biografia
Artur Rubinstein:
Biografia 1 / Biografia 2
Artur Pizarro:
Biografia 1 / Biografia 2

20/11/2006

Blogues #12

Depois de, em Julho deste ano, aqui termos anunciado a saída do número 9 da revista aguasfurtadas, somos agora informados da chegada próxima do número 10. O vídeo que o anuncia pode ser visto aqui,

http://www.youtube.com/watch?v=-oUGzft17T0,

e informações adicionais podem ser obtidas no respectivo blogue,
neste endereço.

19/11/2006

Quintetos com Piano #2: Quinteto para Piano, D667, de Schubert

Durante a sua curta estadia entre nós (faleceu com 31 anos), o compositor austríaco Franz Schubert (1797-1828) não teve a oportunidade de ver editada e executada uma boa parte da sua obra orquestral. O mesmo não aconteceu com a maioria da sua música de câmara, frequentemente escrita para familiares e amigos e por estes interpretada, não raramente acompanhados pelo próprio compositor.


Franz Schubert

Curiosamente, uma das suas mais conhecidas peças do género, o Quinteto para Piano e Cordas, "A Truta", jamais foi tocada em público em vida de Schubert, tendo sido apenas publicada no ano seguinte ao da sua morte. É um quinteto para uma formação instrumental improvável: ao piano junta-se um quarteto de cordas não tradicional (tradicional = 2 violinos, viola, violoncelo), formado por um violino, uma viola, um violoncelo e um contrabaixo, este último a desempenhar o papel de contínuo.


Elisabeth Leonskaja, Thomas Kakuska, Alban Berg Quartett

Igualmente improvável é o título da peça, explicado pelo facto do 4º andamento apresentar uma série de variações sobre a canção (lied) com o mesmo nome. De notar ainda que os intérpretes de um dos discos listados abriram no ano passado o Ciclo de Música de Câmara da Temporada 2005-2006 da Fundação Calouste Gulbenkian: a pianista Elisabeth Leonskaja, o violinista Günter Pichler e o violoncelista Valentin Erben, este dois últimos membros do Quarteto Alban Berg. Na altura da gravação deste disco, em 1985, o violista do grupo era Thomas Kakuska, falecido já no decorrer deste ano, tendo sido substituído por Isabel Charisius. Fica aqui uma pequena homenagem, no dia em que passam 178 anos sobre a morte de Franz Schubert.


CDs



Franz Schubert
Piano Quintet "Trout", D667. Litanei, D343.
Variations on "Trockne Blumen", D802.
Renaud Capuçon (violino), Gérard Caussé (viola), Frank Braley (piano),
Gautier Capuçon (violoncelo), Alois Posch (contrabaixo)
Virgin Classics 5 45563-2

Franz Schubert
Piano Quintet "Trout", D667.
Elisabeth Leonskaja (piano), Georg Hörtnagel (contrabaixo),
members of the Alban Berg Quartett
EMI Classics 7 47448-2


Internet

Elisabeth Leonskaja: Leonskaja a Quatro

Thomas Kakuska: In memoriam Thomas Kakuska

Alban Berg Quartett: Biografia

17/11/2006

Maestros #26: Charles Mackerras (1925-)

Maestro australiano, nascido em Nova Iorque, um dos maiores especialistas da música checa, em particular da de Leos Janácek (1854-1928). À partida poderá não parecer uma associação óbvia, mas a ligação de Charles Mackerras à Checoslováquia começou bem cedo, logo após o final da 2ª Grande Guerra, quando foi para Praga estudar com o maestro Václav Talich (1883-1961).


Václav Talich, Charles Mackerras

O próprio Talich, por sua vez, já se tinha notabilizado nas interpretações dos grandes compositores do seu país, como Antonín Dvorák (1841-1904), Bedrich Smetana (1824-1884) e Josef Suk (1874-1935), além das das obras de Janácek, com destaque especial para as óperas.

Mackerras viria depois a liderar orquestras no Reino Unido (BBC Concert Orchestra, Sadler's Wells Opera, BBC Symphony Orchestra, Scottish Chamber Orchestra) e na Alemanha (Ópera de Hamburgo), mas os laços checos (checoslovacos) mantiveram-se: continuou a dirigir frequentemente a Orquestra Filarmónica Checa, de que é ainda hoje o Principal Maestro Convidado, e interpretou e gravou várias óperas de Leos Janácek. Em 1951 estreou em solo britânico a ópera Katia Kabanová, ainda de Janácek.



1991 foi um ano marcante para o maestro. Nesse ano comemorou-se o bicentenário da morte de Wolfgang Amadeus Mozart (1756-1791), e Mackerras teve a oportunidade de dirigir uma récita de Don Giovanni no mesmo local onde ela tinha sido estreada, no dia 29 de Outubro de 1787: o Teatro dos Estados, em Praga.

Charles Mackerras celebra hoje o seu 81º aniversário.


CDs




Leos Janacék
The Cunning Little Vixen - Suite. Sinfonietta. Taras Bulba.
Kát'a Kabanová - Prelude. Jealousy. Schluck und Jau.
Czech Philharmonic Orchestra
Charles Mackerras
Supraphon SU3739-2

Leos Janácek
Jenufa.
Elisabeth Söderström, Peter Dvorsky, Eva Randová, Wieslaw Ochman, Lucia Popp
Vienna State Opera Chorus
Vienna Philharmonic Orchestra
Charles Mackerras
Decca 414 483-2

Leos Janácek
Jenufa.
Elizabeth Vaughan, Josephine Barstow, Janice Watson, Peter Wedd, Nigel Robson,
Neal Davies, Alan Fairs, Marian McCullogh, Charlotte Ellet, Claire Hampton,
Rosie Hay, Imelda Drumm, Sarah Pope
Welsh National Opera Chorus
Welsh National Opera Orchestra
Charles Mackerras
Chandos CHAN3106

Leos Janácek
Osud.
Helen Field, Philip Langridge, Kathryn Harries
Welsh National Opera Chorus
Welsh National Opera Orchestra
Charles Mackerras
Chandos CHAN3029

Leos Janacék
Sárka.
Eva Urbanová, Peter Straka, Jaroslav Brezina, Iván Kusnjer
Prague Philharmonic Chorus
Czech Philharmonic Orchestra
Charles Mackerras
Supraphon SU3485-2


Internet

Charles Mackerras
Biografia 1
/ Biografia 2 / Biografia 3 / A Talk With Sir Charles Mackerras

Leos Janácek
Biografia 1
/ Biografia 2 / Leos Janácek

14/11/2006

CDs #104: Hummel, Missa Solemnis, Te Deum

Joseph Haydn (1732-1809), nos primeiros anos do século XIX, ainda ia compondo para a corte de Esterházy, nomeadamente as missas para o dia do onomástico da esposa do príncipe Nikolaus II Esterházy (1765-1833), ver este postal publicado em Maio do ano passado. Em 1803, por problemas de saúde, Haydn viu-se em dificuldades para cumprir as suas obrigações, quer como dirigente quer como compositor. Daí ter proposto o compositor, igualmente austríaco, Johann Nepomuk Hummel (1778-1837) para Concertmeister da corte, cargo que assumiu no dia 1 de Abril de 1804. Hummel nasceu há 228 anos, no dia 14 de Novembro de 1778.


Johann Nepomuk Hummel

A tradição de escrever uma missa todos os anos para o onomástico da esposa do príncipe manteve-se; depois das 6 escritas por Haydn, coube a Hummel a tarefa, entre 1804 e 1808. A missa tocada neste disco foi escrita em 1806 para o casamento da princesa Maria Leopoldina Esterházy (1788-1846), que teve lugar nesse mesmo ano, embora a obra tenha sido revista posteriormente pelo compositor.

O disco abre com Te Deum, uma obra presumivelmente composta em 1805 para assinalar o Tratado de Pressburg (Bratislava), entre a aliança Austro-Russa e a França de Napoleão, tratado esse assinado no dia 26 de Dezembro de 1805.



Johann Nepomuk Hummel
Te Deum. Missa Solemnis in C major.
Patricia Wright (soprano), Zan McKendree (alto), Patrick Power (tenor),
David Griffiths (baixo), Donald Amstrong (violino)
TOWER Voices New Zealand
New Zealand Symphony Orchestra
Uwe Grodd
Naxos 8.557193


Internet

http://www.artaria.com/Composer/Hummel.htm
http://www.mozartforum.com/Contemporary%20Pages/Hummel%20Contemp.htm
http://en.wikipedia.org/wiki/Treaty_of_Pressburg

12/11/2006

Concertos #48

Depois de um período em que andámos profundamente barrocos (ver, por exemplo, este texto), regressamos hoje às modernidades, e na pessoa daquele que ficará para sempre ligado ao minimalismo: Steve Reich (1936-).

O (nosso) destaque para o programa de hoje vai para a obra Daniel Variations, escrita por Reich na sequência de um pedido feito pela família do jornalista do Wall Street Journal, Daniel Pearl (1963-2002), assassinado no Paquistão em Fevereiro de 2002. A morte de Daniel Pearl, ele próprio com fortes ligações à música, como violinista, deu origem à Daniel Pearl Foundation e, como uma das suas consequências directas, aos Daniel Pearl World Music Days, tudo com o objectivo de fomentar o entendimento inter-culturas, e promover a tolerância e o respeito pelas diferenças. Um dos músicos a responder afirmativamente a tal solicitação foi Steve Reich que, para as Daniel Variations, utilizou, entre outros, alguns textos do próprio jornalista.

A primeira parte do concerto será preenchida com a Music for 18 Musicians, escrita entre 1974 e 1976, e uma das mais significativas obras minimalistas do compositor. Minimalismo que se refere, naturalmente, aos ritmos e repetições padronizados, e não ao conjunto de instrumentos a que se faz apelo; esta obra requer, por exemplo, 4 pianos, além de vários outros instrumentos e 4 vozes femininas. A estreia teve lugar em Nova Iorque no dia 24 de Abril de 1976.


Programa

Steve Reich
Music for 18 Musicians. Daniel Variations.
Steve Reich and Musicians
Synergy Vocals
Bradley Lubman


Internet

Steve Reich
The Steve Reich Website
/ Wikipedia / IRCAM / Classical Music Pages / Classical Net / Music for 18 Musicians

Daniel Pearl
Daniel Pearl Foundation / Wikipedia / CNN

09/11/2006

CDs #103: Egon Wellesz, Symphonies 3 & 5

Doutor honoris causa pela Universidade de Oxford (1935), Cavaleiro da Ordem do Império Britânico (1957), Medalha de Prata da Cidade de Paris (1957), Grande Prémio da Música do Estado Austríaco (1961), Ordem de S. Gregório atribuída pelo papa João XXIII (1961), Medalha de Honra Austríaca para as Ciências e Artes (1971). Estas são algumas das distinções atribuídas ao compositor e musicólogo austríaco Egon Wellesz (1885-1974) que, apesar disso, foi e continua a ser um compositor geralmente desconhecido, mesmo para aqueles mais ligados às coisas da música.

Como prova disso, recordemos o que se passou com a sua Sinfonia Nº3, uma das constantes do disco hoje aqui trazido: escrita entre Abril de 1949 e Setembro de 1951, foi estreada em Abril de.... 2000, perto de 50 anos depois de terminada! Um dos motivos de tão extraordinária demora poderá estar relacionando, segundo palavras do próprio Wellesz, com o facto do director da BBC da altura, e estamos a falar dos inícios da década de 1950, "apenas gostar de música francesa"...

Egon Wellesz foi mais um dos que tiveram que emigrar aquando da subida dos nazis ao poder. Na altura foi deposto dos cargos que exercia na Universidade de Viena e só escapou da prisão porque, quando Hitler invadiu a Áustria, se encontrava na Holanda e, devidamente aconselhado, procurou paragens mais saudáveis, no caso a Inglaterra. Antigo aluno de Arnold Schoenberg (1874-1951), sobre quem foi o primeiro a escrever uma biografia, decidiu-se definitivamente pela música após assistir a uma série de concertos dirigidos por Gustav Mahler (1860-1911); são, aliás, destes dois as mais fortes influências reveladas nas suas obras sinfónicas. Género que Wellesz abordou tardiamente, já na casa dos 60, por, e voltamos a citá-lo, "ter crescido com a tradição musical austríaca, sendo portanto a sinfonia o mais elevado meio de expressão musical", e apenas nessa altura ter-se sentido devidamente preparado para tal.

Egon Wellesz faleceu há 32 anos, no dia 9 de Novembro de 1974.





Egon Wellesz
Symphony No.3, Op.68. Symphony No.5, Op.75.
Radio-Symphonieorchester Wien
Gottfried Rabl
CPO 999 999-2
(2004)


Internet

Egon Wellesz
Egon Wellesz / Egon Wellesz, An Austrian Symphonist in Britain / Wikipedia

08/11/2006

Compositores #74: César Franck (1822-1890)

O pai tinha-lhe traçado o destino, iria ser um virtuoso do piano, tal qual como Franz Liszt (1811-1886). Foi todavia como organista que o belga César Franck se veio a distinguir, tocando nomeadamente órgãos do grande construtor Aristide Cavaillé-Coll (1811-1899). Foi igualmente compositor e professor, actividade esta que começou a desempenhar no Conservatório de Paris já a década de 70 tinha começado. Faleceu a 8 de Novembro de 1890.


César Franck

Escreveu mais de 100 peças para órgão e muitas mais se perderam, dada a sua predilecção pela improvisação. Não era adepto de improvisar pela partitura... Deixou-nos ainda música sacra, vocal, orquestral e de câmara, além de uma sonata para violino. Compositor de uma sinfonia só (de que já aqui
anteriormente se falou), cuja estreia foi um absoluto fiasco. A morte veio de uma forma muito pouco usual na época, tendo sido vítima de um acidente rodoviário.


CDs




César Franck
Prélude, Choral et Fugue. Prélude, Aria et Final. Troisième Choral.
Danse Lente. Grand Caprice. Les Plaintes d'une poupée.
Stephen Hough
Hyperion CDA66918

César Franck
Prélude, Choral et Fugue.
Ludwig van Beethoven
Piano Sonata No.2, Op.27, "Mondschein".
Johannes Brahms
Paganini-Variationen, Op.3.
Evgeny Kissin
RCA Victor Living Stereo 09026 68910-2

César Franck
Sonata for Violin and Piano in A.
Maurice Ravel
Berceuse sur le Nom de Gabriel Fauré.
Claude Debussy
Sonata for Violin and Piano.
Augustin Dumay (violino), Maria João Pires (piano)
Deutsche Grammophon 445 880-2

César Franck
Piano Quintet in F minor.
Wolfgang Amadeus Mozart
Clarinet Quintet in A, K581.
Richard Strauss
Capriccio - Prelude.
Gervase de Peyer (clarinete), Clifford Curzon (piano),
Cecil Aranowitz (viola), William Pleeth (violoncelo)
Amadeus Quartet
BBC Legends BBCL4061-2

César Franck
Symphony in D minor.
Stravinsky
Pétrouchka.
Chicago Symphony Orchestra
Boston Symphony Orchestra
Pierre Monteux
RCA Victor 09026 63303-2


Internet

http://library.thinkquest.org/22673/franck.html
http://www.byu.edu/music/areas/keyboard/Organ/composers/franck.html
http://www.deccaclassics.com/music/composers/franck.html

05/11/2006

Lugares #147

Não havendo certezas absolutas quanto à origem do nome de Marialva, podemo-nos sempre deliciar com a possibilidade deste estar de alguma forma relacionado com assuntos tauromáquicos ou, hipótese igualmente interessante, com a existência de um galã irresistível que por lá tenha espalhado os seus atractivos. Com mais sucesso, naturalmente, do que aquele mouro vítima da lenda da Moura de Marialva:

Ó Moura, mourinha, de Marialva,
cara bonita, pernas de galga!

que levou como resposta da moura,

Ó Mouro, mourão de Casteição,
cara farrusca, pernas de cão!

Claro que há a outra hipótese, porventura mais realista, do nome ter sido atribuído por Fernando Magno, rei de Leão que, por louvor à Virgem Maria, a terá chamado de Maria Alva. Hipótese menos romântica do que as outras, pelo que não lhe damos tanta importância...



Havia ainda a hipótese de eu ter visitado o Castelo de Marialva quando, há poucas semanas atrás, me desloquei a Beselga para participar num evento muito interessante. Pura ilusão, tendo sido mais uma vez derrotado pelo tempo. É que ao castelo, medieval, foram dados horários modernos, a tender para as 35 horas semanais: encerra às 17:30, portas fechadas a cadeado. Um dia destes o destino será Penedono e, nessa altura, haverá passagem obrigatória por Marialva, com os horários das repartições públicas em mente...


Internet

Marialva
Castelo de Marialva
/ Câmara Municipal de Mêda / IPPAR / Castelos de Portugal